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  <title>Blues for no one</title>
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    <title>Trajetória dos erros</title>
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      <![CDATA[<p>Primeiro, tenta-se a estratégia, a razão pura e kantiana, a lógica dialética, o bom senso, o caminho linear e claro, e todos os recursos racionais. Você sinaliza, aponta, tenta acertar, tenta impedir o pior, mas não lhe ouvem, não lhe atendem, não lhe entendem - ou não querem entender. Depois, vêm as contorções, as confusões, as contrações, as digladiações, as turbulências emocionais, o inconformismo, a impotência. Você quer salvar a história, a qualquer preço, por achar que é uma história maior, mas  não lhe ouvem, não lhe atendem, não lhe entendem - ou não querem entender. Segue-se então uma certa melancolia, a frustração de ver que a história lhe escapa das mãos, e já não há como conduzi-la unilateralmente. Você ainda tenta mais um pouco, porém já bem mais desacreditado. Palavras e movimentos se desencontram, sintonias se perdem, encantos se desfazem, e a plenitude vai se esfacelando paulatinamente. Nada mais parece inteiro, absoluto, inabalável, íntegro, no lugar. Não há lugar. Tudo é fração, e, por ser fração, perde força. Mais uma vez, agora sem tantas expectativas, você insiste em refazer o pequeno feudo encantado e feliz.  Mas não lhe ouvem, não lhe atendem, não lhe entendem - ou não querem entender. Por fim, e por cansaço de dar murros em ponta de faca, de não compreender e de não ser compreendido, chega-se ao 'tanto faz', que é a mais medíocre das posturas, mas, certamente, a menos dolorosa. Estaria tudo certo, não fosse um único inconveniente do 'tanto faz': o risco de não guardar boas e grandes memórias, limitando-se à pequenez de banalizar tudo o que foi imenso com suas propriedades anestésicas.  Mas agora tanto faz...!</p>]]>
      
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    <title>Memórias cifradas</title>
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      <![CDATA[<p><p align="center"><img src="http://www.quelquechose.net/qq/old/setembro2003/fraseaviao.jpg"></p><p>Um dia eu fui crédula. E, sem barreiras, deixei o amor entrar e de mim se apoderar por completo. Foi coisa de primeira vista, de compreender o sentido da vida inteira num sorriso ou num olhar. Um encontro que aconteceu só para que eu pudesse experimentar o maior êxtase e a maior agonia. Um amor que conheceu a turbulência das ressacas e a mais azul das calmarias; a delicadeza das pétalas e a aspereza dos espinhos; a luz suprema e a escuridão; a magia das músicas e o desespero dos uivos. Era assim, feito de extremos. De pele e de alma; de chegadas e partidas; de generosidades e lacunas; de cuidados e maus tratos.</p>

<p>Viveu-se tudo naquele breve intervalo do tempo. Um sonho encantado, antecipadamente condenado a não existir nos limites do real. No fundo, sabia-se que a realidade e as águas mornas do cotidiano exterminariam todo o sentimento. Assim são os sonhos, enquanto sonhos.</p>

<p>Hoje guardo este amor em meu acervo de histórias eternas e interrompidas. Nada há de apagar cenas e cenários onde a breve sensação de plenitude se fez presente. Cenas e cenários mágicos, só decifráveis por um código interno e secreto entre os personagens, como por exemplo:</p>

<p>- O primeiro almoço e um convite recusado para viajar de trem;<br />
- Um band-aid no meio da trilha da Floresta da Tijuca;<br />
- Um avião no céu, a atrapalhar a partida de tênis;<br />
- Um cavalo alado;<br />
- Uma igrejinha na Lapa;<br />
- Bicicleta e água de coco na orla;<br />
- Um cinzeiro e um dedo quebrado;<br />
- Carimbos de amor...</p>

<p>e tantas outras indeléveis memórias cifradas de felicidade.</p>

<p>Mas teve o lado negro. Também vi o chão sumir sob meus pés ao saber da hora da partida. Sumiu o chão porque não dividiríamos mais o mesmo chão, nem o mesmo céu, nem a mesma luz, nem as mesmas estações. Eu não havia sido preparada para a cisão, o coração não entendia, a pele não entendia. Era um amor entranhado, visceral. Doeu fundo. Rasgou a alma. Devastou os sonhos. E a esperança se calou no adeus. E eu precisei morrer um pouco para sobreviver em uma outra, que ressuscitaria das trevas.</p>

<p>Paixão assim nunca mais. É coisa de exaustão, de ser vivida uma única vez. Ficam na distância e no tempo as melhores lembranças, que afloram eventualmente ao acorde de uma música ou de um lugar testemunhal. E então a gente se pergunta: como foi possível amar assim?<br />
 </p>]]>
      
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    <title>Waves</title>
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      <![CDATA[<p><object width="660" height="525"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hvKxtoqMOAY?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/hvKxtoqMOAY?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="660" height="525"></embed></object></p>]]>
      
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    <title>Vá...</title>
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    <issued>2010-05-19T22:11:53-03:00</issued>
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    <summary type="text/plain">Vá, vá... Vá, porque a vida segue. Só não me procure em outros rostos, em outras máscaras, em outros seres, pois que será em vão. Bem sabe que não haverá de me encontrar em qualquer outra possibilidade humana. Não beberá...</summary>
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      <![CDATA[<p>Vá, vá... Vá, porque a vida segue. Só não me procure em outros rostos, em outras máscaras, em outros seres, pois que será em vão. Bem sabe que não haverá de me encontrar em qualquer outra possibilidade humana. Não beberá em outra fonte a água que bebeu de mim, não ouvirá de outras bocas palavras que ouviu de mim, não escreverá com outras mãos histórias que juntos rabiscamos. Mas vá, vá... Vá viver novas histórias, novos sonhos ou mentiras; experimentar novos 'sentires', talvez melhores, talvez não, mas nunca iguais. Vá buscar novos caminhos, novos carinhos - artifícios de iludir e distrair a solidão que todos, no fundo, somos. E, se quiser ser feliz, dissolva as nossas memórias, apague delas minhas impressões digitais e livre-se dos códigos secretos. <i>Navigare necesse est, vivere non est necesse.</i> Há outros inexplorados oceanos à espera. Meus mares já foram sondados e perderam o mistério. Vá, vá... Refaça a história ou deixe esta tarefa por conta do destino, se quiser lavar as mãos ao invés de usá-las. Mas, por favor, me exclua do passado, porque sempre preferi ser um eterno presente, assim como a música, que vibra, do começo ao fim, a cada vez que toca, sem se prender ao tempo. Limpe das lembrancas os tropeços e as trapaças, apague todas as pistas. Não me queira bem, não me queira mal. Vá, vá... Vá, porque você já se tinha ido mesmo antes do decreto do fim. Vá, antes que eu compreenda que você não era você, e minha compreensão se entristeça. Vá, porque preciso ir também. Vá, porque, na verdade, você nunca esteve em mim. E, se possível, tente ser feliz... Eu farei o mesmo.</p>]]>
      
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    <title>FLAMENGO É ISSO!</title>
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    <summary type="text/plain"> E mais: Um texto de Rica Perrone (que se diz são paulino), para ficar registrado: Era um dia frio, sem chuva. Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era...</summary>
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      <![CDATA[<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xXJqgy5rSt4&hl=pt_BR&fs=1&"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/xXJqgy5rSt4&hl=pt_BR&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>

<p>E mais:</p>

<p><b>Um texto de Rica Perrone (que se diz são paulino), para ficar registrado:</b></p>

<p>Era um dia frio, sem chuva. Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então. Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.</p>

<p>Naquele domingo seu pai o levou na final. De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.</p>

<p>- Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.</p>

<p>Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois. O garotinho se encolheu com medo e sentou. Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.</p>

<p>Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.</p>

<p>O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?</p>

<p>Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.</p>

<p>O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.</p>

<p>Não era, ainda.</p>

<p>A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar. Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.</p>

<p>O Flamengo virou, mas não bastava. <br />
</p>]]>
      <![CDATA[<p>40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.</p>

<p>Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.</p>

<p>Opa… “ganharemos”? Ele não era palmeirense?</p>

<p>E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua. Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “</p>

<p>- Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.</p>

<p>A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão. Gol do Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…</p>

<p>O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele. Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?</p>

<p>- Não… Eu to feliz, pai!</p>

<p>Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados. </p>

<p>A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.</p>

<p>E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.</p>

<p>O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida. Iludido por uma frase, contou pra mãe: </p>

<p>- Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…<br />
- Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.<br />
- Mas você disse que foi pênalti…<br />
- Era modo de falar…. hahahahahah<br />
- Então, mãe… aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!</p>

<p>Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:</p>

<p>- A gente, filho?</p>

<p>(silencio…)</p>

<p>- É pai! O Mengão!!!!!</p>

<p>Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.</p>

<p>Hoje o garoto tem 21, completados há alguns dias.</p>

<p>Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:</p>

<p>- Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.</p>

<p>E há quem diga que “futebol é bobagem”…</p>

<p>Abs,<br />
RicaPerrone </p>]]>
    </content>
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    <title>Para Iara</title>
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    <summary type="text/plain">Dia 2 de janeiro, aniversário de Iarinha - minha melhor e maior amiga; a irmã que meu coração escolheu, desde os 7 anos de idade. Décadas se passaram e cá estamos, unidas pelo mesmo afeto de sempre. Este post (fora...</summary>
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      <![CDATA[<p><b><i>Dia 2 de janeiro, aniversário de Iarinha - minha melhor e maior amiga; a irmã que meu coração escolheu, desde os 7 anos de idade. Décadas se passaram e cá estamos, unidas pelo mesmo afeto de sempre. Este post (fora do meu estilo e um tanto sentimentaloide, eu diria) é pra você, Iaiá.</i></b></p>

<p><img alt="iaraemarcia.jpg" src="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/iaraemarcia.jpg" width="637" height="695" border="0" /></p>

<p>Você lembra, Iaiá? Lembra quando brincávamos de miss no corredor do seu prédio? Você me dava as melhores medidas (tornozelo 21, cintura 58, busto 42, etc.), e eu, por ignorância métrica, esculhambava com as suas (tornozelo 15, cintura 75, busto 50, etc.)?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Lembra dos doces da Pastitália, que devorávamos em êxtase? Mil-folhas, bombas de chocolate, palmiers (você adorava palmiers).</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Lembra quando eu exibia minhas unhas compridas, no auge dos meus 13 anos, e você, de maldade, passava a tesoura nelas, dizendo que era moda?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Da turma de Lambari, naquela noite estrelada, quando caminhávamos pelo campinho de futebol cantando "A Estrela Dalva" para as estrelas?</p>

<p>Você lembra Iaiá? Lembra daquele dia, num barzinho lá da Barra, em que eu, eufórica, dizia ter visto um disco voador, e você me desmoralizava na frente do povo, falando que eu costumava ver discos voadores toda vez que bebia?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Daquela cena na boate em Lambari, quando distraidamete, ao gesticular com ênfase, entornei um cálice de vinho tinto na bata branquinha e engomada que você ostentava, toda exibida? Pensei que fosse me fuzilar com os olhos. Desde então, você nunca mais sentou de frente pra mim, quando bebíamos, alegando que eu tinha problemas de coordenação motora.</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Quando fomos a Teresópolis no seu fusca vermelho pegar um flagra do Edu (meu namorado de 5 anos) com outra? E pegamos - adeus namoro. Lembra que na volta, você desceu a serra ventada, para que ele não nos alcançasse? Foi a única vez que fiz Teresópolis-Rio em 40 mins. E eu nem chorei, né?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Daquela Semana Santa em Arraial do Cabo? Aconteceu de tudo na simpática casinha estilo mediterrâneo que a gente alugou: rato no quarto, campainha disparando na madrugada, um auê só. Estavam conosco aquela porra louca apiranhada da minha amiga Sônia e a sua romântica amiga Jurema. Eu nunca me esqueci da lua na estrada, quando resolvemos esticar a noite em Búzios. Que lua!... No rádio do carro tocava Djavan.</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Daquele réveillon em uma cobertura no bairro do Flamengo, casa de uns amigos meus, quando o meu chapéu vermelho voou pelos ares? Você achou que eu ia voar junto, atrás do chapéu, que eu tanto amava, e armou o maior escândalo, a ponto de o pessoal te apelidar de "rolo compressor"?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Quando você foi me buscar às 5 da manhã na Tijuca, porque não tinha táxi e eu tinha brigado com o meu então namorado, o fotógrafo doidão, numa festa? Se fosse hoje, certamente eu teria sido assaltada.</p>

<p>Você lembra, Iaiá? De quando eu estava no auge da crise conjugal com o M., e você entrava lá em casa com o dedo em riste pra cima dele, pagando geral e discutindo com meu ex-marido por mim? (risos) E eu, que não gostava muito do esforço das brigas (muito trabalho), ia pro quarto, e deixava os dois batendo boca?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Das manhãs de domingos em que a gente ia ler o jornal no Restaurante dos Esquilos, na Floresta da Tijuca? Parecia até que D.Pedro ia adentrar o recinto a qualquer momento.</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Daquela cena no restaurante Sol & Mar, quando você se desmanchava em elogios ao texto que César tinha publicado no jornal pra mim, dizendo que as "meninas" do seu trabalho chegaram a chorar, e o Hermes, em sua espontaneidade, detonou a autoestima do "trovador", dizendo: "Mas lá só tem ignorante!"?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Dos finais de semana no sítio em Macacu? Você passava mais tempo dormindo com o seu parzinho na época do que outra coisa. Muito sociável mesmo... :)</p>

<p>Você lembra, Iaiá? De como nossas mães eram amigas?</p>

<p>Você lembra, Iaiá? Das praias nos finais de semana em São Conrado, em frente ao único "prédio branco" da orla? Hoje tá tudo diferente. E das batidas de pêssego do Cavaco? E das batidas de coco do Osvaldo?</p>

<p>São tantas as cenas, tantos os cenários, tantas as memórias, tantas as cumplicidades. Quando nos conhecemos, nos castelos encantados da nossa infância, selávamos, sem saber, um pacto que duraria por toda uma vida. Ninguém me conhece melhor que você; ninguém, além de você, conhece meus códigos secretos. A gente se entende pelo olhar, pelo tom de voz e pelo silêncio. Obrigada por ter nascido, por ter se transformado na melhor amiga que alguém pode ter, pelo carinho sincero que nunca morreu. Apesar de hoje você estar geograficamente um pouco mais distante, tudo permanece no lugar. Não há fronteiras nem distâncias que possam afetar uma amizade deste quilate.</p>

<p>FELIZ ANIVERSÁRIO!</p>

<p>Da sua amiga de sempre.<br />
M.</p>]]>
      
    </content>
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    <title>Trilhos de Luz</title>
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    <modified>2009-12-16T23:42:49Z</modified>
    <issued>2009-12-16T21:42:49-03:00</issued>
    <id>tag:www.quelquechose.net,2009:/blues/8.293</id>
    <created>2009-12-16T23:42:49Z</created>
    <summary type="text/plain"> Hoje pego o primeiro trem Que sai da tua estação. Longe, pra sempre longe Do teu sentido sem sentido Da tua ausência de direção. Não mais paisagens Que os sonhos inventaram; Reversa viagem Ao meu próprio lugar. Meu trem...</summary>
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      <![CDATA[<p><img alt="easy rider" src="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/oldtrain.jpg" width="490" height="399" border="0" /></p>

<p><b>Hoje pego o primeiro trem</p>

<p>Que sai da tua estação.</p>

<p>Longe, pra sempre longe</p>

<p>Do teu sentido sem sentido</p>

<p>Da tua ausência de direção.</p>

<p>Não mais paisagens</p>

<p>Que os sonhos inventaram;</p>

<p>Reversa viagem</p>

<p>Ao meu  próprio lugar.</p>

<p>Meu trem chegou...</p>

<p>Parto pra sempre</p>

<p>Do lugar que é teu.</p>

<p>Na bagagem, os verbos</p>

<p>Que a gente esqueceu:</p>

<p>Viver, querer, transcender...</p>

<p>Meu trem chegou...</p>

<p>Um outro trem, com rota inversa</p>

<p>Daquele que te levou</p>

<p>Para longe de mim,</p>

<p>Para longe de ti.</p>

<p>Adeus, parto em busca</p>

<p>De todas as buscas de mim</p>

<p>Trilhos de luz, sim.</b></p>

<p>(1997)</p>

<p>Extraído da coletânea: <a href="http://www.eletras.net/coffee/poemas.htm">http://www.eletras.net/coffee/poemas.htm</a></p>]]>
      
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    <title>Caminhos e descaminhos</title>
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    <modified>2009-12-03T01:01:43Z</modified>
    <issued>2009-12-02T23:01:43-03:00</issued>
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    <summary type="text/plain">Se um dia a presença se transformar eu ausência, fique com o melhor de mim. Descarte meus lixos, meus lodos, meus resíduos mais tóxicos, minhas sombras... Cate pelo asfalto dessa imensa estrada de nós dois a poesia, os risos, as...</summary>
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      <![CDATA[<p>Se um dia a presença se transformar eu ausência, fique com o melhor de mim. Descarte meus lixos, meus lodos, meus resíduos mais tóxicos, minhas sombras... Cate pelo asfalto dessa imensa estrada de nós dois a poesia, os risos, as asas, os nonsenses sem peso, as piadas que foram salvas, os sofismas inúteis, todas as músicas, todas as estrelas e todas as cores. São matérias-primas suficientes para compor uma boa memória e uma saudade encantada.</p>

<p>Não sei por quanto tempo mais habitarei a sua vida ou você a minha. Por mim, ficaria para sempre, enquanto houvesse sentido. Mas 'para sempre' talvez seja muito tempo. Afinal, os ventos sopram mudanças, levam e trazem novas 'acontecências', novos caminhos, novos olhares, novos personagens, deslocam pedras e dunas. Somos feitos de asas e não de algemas, e justo por isso sabemos que podemos nos desintegrar no espaço a qualquer momento, ou, ao contrário, nos mantermos imortais. Sabemos que podemos desafiar o tempo ou chegar a algum 'no way out' acidental. É o possibilismo que nos conduz.</p>

<p>Nem sei por que me explico tanto quanto a isso. Há uma linguagem silenciosa e  eloquente que fala para além das palavras, que tudo sabe e a tudo explica. Não sei quanto chão ainda temos. Não importa. Importa é que houve sabedoria em não termos acelerado os passos ao longo do caminho. Só desta forma conseguiríamos prolongá-lo o máximo possível. Fomos bons andarilhos, daqueles que olham para os lados e percebem a inocência das marias-sem-vergonha e a profundidade dos penhascos, sem as urgências das chegadas. Onde haveria de dar esse caminho não era questão de nosso interesse. Nada de linearidades. O importante era perambularmos de mãos dadas, enquanto a vida permitisse. Enquanto fosse bom e houvesse paz.</p>

<p>Assim, em nome da beleza do caminho e do caminhar que se fez até aqui, quero que guarde o meu melhor, caso um dia nossas mãos se desenlacem ou o fim do caminho - se é que ele tem mesmo um fim - detenha os nossos passos nômades.<br />
</p>]]>
      
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    <title>Amigos, eternos amores</title>
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    <modified>2009-11-26T19:30:33Z</modified>
    <issued>2009-11-26T17:30:33-03:00</issued>
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      <![CDATA[<p><img alt="amores de amigos" src="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/DSC26112009.jpg" width="680" height="800" border="0" /></p>

<p>Não conseguiria me imaginar sem meus amigos. Não, não falo de amigos de circunstâncias, conveniência ou de personagens sociais. Falo dos laços fraternos que escolhemos em vida, para além da genética. Se algum dia não me restar mais qualquer motivo para ser feliz, ainda assim eu serei feliz por saber que os tenho. E sei que os tenho para sempre. Sim, para sempre, porque amizade verdadeira não fenece, não morre, não sucumbe. </p>

<p>E as nossas histórias se misturam e se respeitam. E o nosso cotidiano se faz trocar. E sabemos que estamos lado a lado, sem cobranças, sem a preocupação da perda, nas alegrias e nas tristezas. E assim vamos juntos atravessando o tempo, que muda nossas formas mas não muda nosso afeto.</p>

<p>Assim como eu, eles não são perfeitos. Se fossem perfeitos não seriam amigos. Tampouco nos agradam o tempo todo. Mas são parte de nós. Tenho orgulho da minha 'tribo'. Há os que me irritam com as campanhas antitabagistas, outros que me xingam porque furei compromissos, os que torcem o nariz porque falo o que não querem ouvir, em nome da sinceridade, e por aí vai. Mas assim é a vida, feita de diferenças, atrasos e desencontros. Entre uma declaração de afeto aqui e uma discussão ali, sabemos que representamos um bem precioso na vida de cada um. Sabemos que eles nos querem felizes, assim como torcemos por eles com toda a nossa força.</p>

<p>Como dizia Quintana, a amizade é um amor que nunca morre. E eu amo cada um desses personagens do meu afeto. Nunca poderia agradecer o que já fizeram por mim. E alguns nem sabem o tanto que já fizeram.</p>

<p>Meus amigos, meus eternos amores, obrigada por existirem!</p>]]>
      
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    <title>Tem horas que...</title>
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    <modified>2009-11-15T16:14:00Z</modified>
    <issued>2009-11-15T14:14:00-03:00</issued>
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    <summary type="text/plain">Tem horas que a gente tem vontade de mandar tudo à merda. Mas tudo o quê? Uma realidade, um sonho, um hábito, uma situação, uma relação, um projeto, não importa. O fato é que tem horas que a gente tem...</summary>
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      <![CDATA[<p><p align="center"><img alt="nervousbreakdown.jpg" src="http://www.quelquechose.net/qq/arquivos/nervousbreakdown.jpg" width="427" height="480" border="0" /></p><p>Tem horas que a gente tem vontade de mandar tudo à merda. Mas tudo o quê? Uma realidade, um sonho, um hábito, uma situação, uma relação, um projeto, não importa. O fato é que tem horas que a gente tem vontade de pressionar o "reset" e detonar todas as construções - reais ou imaginárias - existentes em nosso pequeno feudo.  Geralmente, esses momentos ocorrem ou porque não estamos recebendo as respostas esperadas, ou porque nos sentimos diante de uma situação sem saída (<i>no way out</i>), ou porque há um detalhe fora do lugar, ou porque simplesmente não estamos num bom dia.</p>

<p>Porém, nessas horas em que a gente tem vontade de mandar tudo à merda, o melhor a fazer é dar uma pausa e aguardar um pouco. Precisamos saber exatamente o que estamos mandando à merda. E, na impulsividade, no imediatismo, não é possível ter essa consciência. Pode haver erros de interpretação, oscilações de humor, visões turvas e tantos outros fatores que são amigos da confusão. Então, nesses momentos de pouca tolerância, enfiemos a insatisfação momentânea naquele lugar e aguardemos um pouco mais.  Não precisamos aguardar muito. Só o tempo de recobrar a real capacidade de avaliação dos fatos. Precisamos de certezas para medidas radicais. Precisamos constatar que os erros se repetem, que o detalhe fora do lugar não vai mesmo voltar ao seu local de origem, que não houve falhas de interpretação, e que não estamos num mau momento, daqueles de extrema sensibilidade, onde tudo adquire dimensões gigantescas e ilusórias.</p>

<p>Uma vez constatados os erros - ou as deficiências -, aí sim, podemos - e devemos - mandar tudo à merda. E sem estardalhaço, sem destemperos, sem gritos; se possível, até em silêncio, pois trata-se de uma decisão interior. Desta forma - e só desta forma -, não correremos o risco de futuros arrependimentos ou de cometer injustiças. Isso só levaria à desmoralização de nossos atos. Problemas devem ser eliminados. Mas antes é preciso saber se o problema é realmente um problema ou se é um problema ocasionalmente inventado, um problema-fantasma.</p>]]>
      
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    <title>Você em palavras</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/000284.html" />
    <modified>2009-11-07T13:00:04Z</modified>
    <issued>2009-11-07T11:00:04-03:00</issued>
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    <summary type="text/plain"> Arrisco-me a desenhar você em palavras porque qualquer tentativa de significação sempre exorta e depura um pouco da confusa abstração de certas ideias, sensações ou sentimentos. O olhar para fora em contraposição ao olhar de dentro desmitifica e clareia....</summary>
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      <![CDATA[<p><img alt="words inside.jpg" src="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/words_think.jpg" width="683" height="604" border="0" /><br />
Arrisco-me a desenhar você em palavras porque qualquer tentativa de significação sempre exorta e depura um pouco da confusa abstração de certas ideias, sensações ou sentimentos. O olhar para fora em contraposição ao olhar de dentro desmitifica e clareia. Como é possível que faça parte de mim, sem fazer parte da minha vida? Como é possível que desperte em mim a própria vida, se nossas vidas não se encontram?</p>

<p>Você é como aquela canção antiga que vou ouvir sempre e sempre, e, a cada vez que ouvi-la, uma nota antes despercebida se apresentará. Você é como uma velha cabana onde tenho a impressão de já ter morado, com os móveis fora do lugar, a roupa estendida no varal, o chiar de uma chaleira sobre o fogo anunciando que a água ferveu. Vestígios de pés descalços pelo chão, lençóis desarrumados, horta no quintal, livro largado no sofá, marcado no capítulo interrompido por algum desejo mais importante que o desejo de leitura... Quem sabe já nos tenhamos encontrado antes, há séculos, milênios, em alguma longínqua estrela, sei lá...?</p>

<p>Uma vez rabisquei em algum lugar: "Se não te posso ter, contenta-me a fugaz ideia de te ter". E isso já é tanto... Querer você, reconhecer você, como se tivesse encontrado a password que dá acesso a um núcleo secreto do meu próprio sistema... Isso é tanto... Tanto e tão pouco. Tão simples e tão complexo. Tão delicado e tão denso. Tão software e tão hardware.</p>

<p>Onde essa estrada vai dar? Quem há de saber? Na verdade, o destino pouco importa. O mais provável é que não dê em lugar algum, à exceção das instâncias imaginárias. Mas pra que precisamos chegar a algum lugar, se às vezes parece que o nosso lugar é dentro um do outro, na forma que nos é possível?</p>

<p>O tempo passa e heroicamente continuamos a driblá-lo, entre palavras, músicas, imagens, ícones inventados, até onde der. Mas, se por acaso esse tempo - que faz e desfaz - triunfar e exterminar nossa "sweet connection", ao menos poderemos, com nossas memórias, desta ou de outras vidas, dizer: "Valeu! Conseguimos extrair o 'macro' do 'micro'. Conseguimos deixar por aí um rastro estelar, que certamente terá se estendido ao cosmo, na expectativa de, ao seu modo, se fazer eterno."</p>]]>
      
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    <title>Eu tinha uma espinha na testa...</title>
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    <modified>2009-09-21T22:38:50Z</modified>
    <issued>2009-09-21T19:38:50-03:00</issued>
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    <summary type="text/plain"> Eu tinha uma espinha na testa e uma marca de catapora... Tinha também alguns tímidos ideais e uma avidez imoral de aprender tudo. Brincava de ser livre dentro das minhas grades invisíveis. Era o tempo de Hermman Hesse, Castañeda,...</summary>
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      <![CDATA[<p><img alt="Anos 80" src="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/averyspecialtime2.jpg" width="528" height="734" border="0" /></p>

<p>Eu tinha uma espinha na testa e uma marca de catapora... Tinha também alguns tímidos ideais e uma avidez imoral de aprender tudo. Brincava de ser livre dentro das minhas grades invisíveis. Era o tempo de Hermman Hesse, Castañeda, Nietzsche e tantos outros filósofos que viriam a me fazer mais pensar do que agir. Era o tempo de George Benson, Groover Washington Jr., Return to Forever e - por que não? - Raul Seixas e Belchior. Era o tempo da descoberta da Fotografia e de como enquadrar a existência através da minha velha Pentax (saudades), impiedosamente substituída pela banalidade de uma impostora digital.</p>

<p>Eu tinha uma espinha na testa, lembro-me dela como se ainda estivesse em minha fronte, assim como lembro da minha resistência ao seu registro na foto acima. Afinal, era uma espinha na testa, próxima à marca de catapora: dois ícones da imperfeição. Mas qual o problema se a vida é tão imperfeita? O problema é que, na fotografia, ela, a vida, deve sair toda arrumadinha, pronta para um porta-retrato mentiroso . Poderia photoshopar essa velha foto, se quisesse. Mas não... A poesia seria eliminada, a memória seria aviltada e o tempo trapaceado.</p>

<p>Poderia, ainda, contar mil histórias que se inscreveram nesse mágico intervalo do tempo - um divisor de águas. Poderia falar das minhas andanças e desandanças, de loucuras e lucidez, de sombras e translucidez, nessa época; de viagens subterrâneas e encontros definitivos, que viriam a resultar no produto nunca acabado que sou até aqui. </p>

<p>Mas, por respeito a esse tempo tão rico, tão profundo, prefiro nada dizer. O passado é uma espécie de templo sagrado e calado. Quero guardar em mim essas passagens, os personagens (alguns se foram), o sangue coagulado do corte epistemológico em minhas veias. Em exposição apenas a espinha na testa, capturada à revelia, por mais que um fotógrafo. A espinha secou, a cicatriz da catapora suavizou e algumas pequenas rugas se desenharam pelas mãos implacáveis do tempo, sossegando também a efervescência dos meus sonhos.</p>]]>
      
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    <title>Sobre a hora de partir</title>
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    <modified>2009-07-19T03:07:58Z</modified>
    <issued>2009-07-19T00:07:58-03:00</issued>
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    <summary type="text/plain"> Qual é a hora exata de partir? Difícil, muito difícil precisar esse &quot;timing&quot;. Arriscaria dizer aqui que é quando o desconforto e uma sucessão de pequenas frustrações se sobrepõem ao bem-estar e à frequência do riso. Mas aí tem...</summary>
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      <![CDATA[<p><center><img alt="sunsetting.jpg" src="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/sunsetting.jpg" width="452" height="340" border="0" /></center><p><br />
Qual é a hora exata de partir? Difícil, muito difícil precisar esse "timing". Arriscaria dizer aqui que é quando o desconforto e uma sucessão de pequenas frustrações se sobrepõem ao bem-estar e à frequência do riso. Mas aí tem o coração no meio, atrapalhando tudo, atrasando as partidas, soprando esperanças de que amanhã tudo pode voltar a ser colorido e dizendo que as sintonias são assim mesmo intermitentes. Melhor não dar muito ouvidos a esse crédulo desvairado. A hora de partir é uma decisão, e decisões são tomadas com a cabeça, sem impulsos, sem pontos vulneráveis. Exigem que se pense, que se avalie, que se quantifique e, sobretudo, que se enxergue a realidade dos fatos. Não há nada mais concreto do que fatos. Adiar partidas para a hora do crepúsculo, para o momento em que os desejos começam a anoitecer ou a ser anoitecidos à nossa revelia é muito pior. É melhor sair enquanto emitimos alguma luz, enquanto pudermos, pelo menos, deixar na saída motivos para que sintam a nossa falta. Somos nós que determinamos o nosso próprio tamanho e o tamanho da nossa importância.</p>

<p>Sim, é doloroso sair de cena, se despedir de um espetáculo, de um sonho, de um laço ou de qualquer história que nos aqueça o coração. Mas mais doloroso é assistir ao ocaso dos sentimentos, é esperar por algum gesto ou alguma palavra que não vai acontecer ou reacontecer. Mais doloroso é chegar no "tanto faz". Mais doloroso é deixar que o tempo nos transforme, aos olhos do outro (ou vice-versa), em alguém comum, banal, qualquer. Não, isso não. Melhor sermos uma grande memória do que um pequeno fato que enfraquece e não mais consegue mover moinhos ou surpreender. Mas dói, e como dói... O único consolo é que, se a dor já for uma velha conhecida nossa, saberemos como lidar com ela até iniciarmos uma nova história (ou não).</p>]]>
      
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    <title>Goodbye, Michael :(</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.quelquechose.net/blues/arquivos/000257.html" />
    <modified>2009-06-27T14:47:11Z</modified>
    <issued>2009-06-27T11:47:11-03:00</issued>
    <id>tag:www.quelquechose.net,2009:/blues/8.257</id>
    <created>2009-06-27T14:47:11Z</created>
    <summary type="text/plain">R.I.P., Michael. Eu tinha uma imensa ternura pela sua controversa, porém delicada, personalidade. ___________________________________ A Stranger in Moscow Gosto, particularmente desta música, que parece espelhar, em letra e melodia, toda a infinita solidão do Rei do Pop (pop, soul, rap...</summary>
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      <![CDATA[<p>R.I.P., Michael. Eu tinha uma imensa ternura pela sua controversa, porém delicada, personalidade.<br />
___________________________________</p>

<p><b>A Stranger in Moscow</b></p>

<p>Gosto, particularmente desta música, que parece espelhar, em letra e melodia, toda a infinita solidão do Rei do Pop (pop, soul, rap e rock, mais exatamente).</p>

<p><b>Stranger in Moscow</b></p>

<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jtJh16vMH1I&hl=pt-br&fs=1&"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jtJh16vMH1I&hl=pt-br&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>

<p><b>Letra:</b></p>

<p>I was wandering in the rain<br />
Mask of life, feelin’ insane<br />
Swift and sudden fall from grace<br />
Sunny days seem far away<br />
Kremlin’s shadow belittlin’ me<br />
Stalin’s tomb won’t let me be<br />
On and on and on it came<br />
Wish the rain would just let me be</p>

<p>How does it feel<br />
(How does it feel)<br />
How does it feel<br />
How does it feel<br />
When you’re alone<br />
And you’re cold inside</p>

<p>Here abandoned in my fame<br />
Armageddon of the brain<br />
KGB was doggin’ me<br />
Take my name and just let me be<br />
Then a begger boy called my name<br />
Happy days will drown the pain<br />
On and on and on it came<br />
In the rain, and again, and again<br />
Take my name and just let me be</p>

<p>How does it feel<br />
(How does it feel)<br />
How does it feel<br />
How does it feel<br />
(How does it feel)<br />
How does it feel<br />
(How does it feel now)<br />
How does it feel<br />
How does it feel<br />
When you’re alone<br />
And you’re cold inside</p>

<p>How does it feel<br />
(How does it feel)<br />
How does it feel<br />
How does it feel<br />
How does it feel<br />
How does it feel<br />
(How does it feel now)<br />
How does it feel<br />
How does it feel<br />
When you’re alone<br />
And you’re cold inside</p>

<p>Like a stranger in Moscow<br />
(Lord have mercy)<br />
Like a stranger in Moscow<br />
(Lord have mercy)<br />
We’re talkin’ danger<br />
We’re talkin’ danger baby<br />
Like a stranger in Moscow<br />
We’re talkin’ danger<br />
We’re talkin’ danger baby<br />
Like a stranger in Moscow<br />
I’m livin’ lonely<br />
I’m livin’ lonely, baby<br />
A stranger in Moscow</p>]]>
      
    </content>
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    <title>Declaração de amor no JB</title>
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    <modified>2009-05-24T14:25:02Z</modified>
    <issued>2009-05-24T11:25:02-03:00</issued>
    <id>tag:www.quelquechose.net,2009:/blues/8.254</id>
    <created>2009-05-24T14:25:02Z</created>
    <summary type="text/plain">Foi bonito. Eu fingi que acreditei. As metáforas são a perdição da lucidez... Acho que foi num Dia dos Namorados qualquer. A matéria era paga, claro. Foi publicada no Jornal do Brasil. Não sei se eu merecia todas essas hipérboles....</summary>
    <author>
      <name>meraluz</name>
      <url>www.quelquechose.net</url>
      <email>meraluz@quelquechose.net</email>
    </author>
    
    <content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://www.quelquechose.net/blues/">
      <![CDATA[<p>Foi bonito. Eu fingi que acreditei. As metáforas são a perdição da lucidez...</p>

<p>Acho que foi num Dia dos Namorados qualquer. A matéria era paga, claro. Foi publicada no Jornal do Brasil. Não sei se eu merecia todas essas hipérboles. Mas era um lindo <a href="http://www.quelquechose.net/texto.jpg" target="_blank">texto</a>, que ocupou 1/4 da página e fez muita gente se emocionar.<br />
</p>]]>
      
    </content>
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