Estou triste. Triste sim, mas não por mim. Triste porque, convivendo com jovens e adolescentes que habitam o meu universo e de quem gosto muito, constato que representam uma geração perdida, confusa, sem garra, sem vontade de crescer. Não os culpo, há todo um cenário que conspira contra eles, há um país desgovernado e um mundo globalizado que os divide implacavelmente entre "winners" e "losers", conforme sua maior ou menor capacidade de adaptação às regras de um jogo injusto.
Adoro esses jovenzinhos da minha tribo. São sensíveis, inteligentes, generosos, todos dotados de condições para, no mínimo, se estabelecerem na vida e apostarem num futuro razoável. Mas frustro-me com sua lassidão, seus movimentos escapistas, sua falta de garra para peitar obstáculos, com suas indecisões para escolher um caminho. Frusto-me por querê-los bem resolvidos e capazes na questão "sobrevivência" e "realização pessoal/profissional".
Patrícia (22), após concluir com brilhantismo seu curso de Arquitetura, e adquirir uma grande carga de conhecimento e cultura, diz que quer ser "cabeleireira", dona de "salão" (Ai, meu Deus...). Bia (18), após ser aprovada em 4 vestibulares, sendo 3 deles para universidades do governo, largou a faculdade e olha o futuro com indiferença, não sabe mais o que quer da vida (Que merda...). Lisa (23) leva nas coxas seu curso de Letras (Português/Italiano) e acha que pode ir muito longe sendo tradutora de italiano num país em que mal se fala o português; vejo Lisa mais preocupada em levar a sério os prazeres hedonistas e fugazes, aos quais se entrega com afinco (Lamentável...). Rick (23) terminou mal e porcamente, apenas por pressão ferrenha da mãe, sua faculdade de Direito, mas só fala em ser modelo e ator da Globo (Boa sorte, Rick! Não vou dizer que as chances de que quebre a cara são grandes). Renato (19) tem vocação privilegiada para Informática, programa como gente grande; mas prefere trabalhar sem remuneração adequada, só pelo vício de programar; levar a sério seus estudos, cada vez mais abandonados - a única opção capaz de torná-lo maior e mais independente -, nem pensar (Que pena...).
Há algo de muito errado com essa geração. É bem verdade que são todos de classe média. Por uma questão de justiça, devo dizer que os jovens inseridos nas classes economicamente inferiores são, de fato, mais esforçados e mais preocupados com o futuro, não desistem fácil. Talvez por terem, muito cedo, conhecido as lutas, as privações e, até mesmo, a fome. Que eles sejam felizes em suas ambições, sem precisarem vender a alma ao diabo. Mas e os outros? Esses que estão perto de mim? Devo assistir, com as mãos atadas, sua impotência diante da vida? Não querem estudo, não querem trabalho, não querem nada que implique esforço e maturidade. Não me alivia culpar (des)governos ou panoramas político-sociais. Não me alivia culpar a decadência dos valores fundamentais. Não há justificativa que me alivie diante desta triste realidade.
Eu só queria que eles reagissem e fossem mais fortes... Tão somente porque os amo. Para eles, ainda não caiu a ficha de que o tempo passa. Passa e não perdoa.