outubro 15, 2008

Aos Mestres, com carinho

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Poucos mestres tive que justificassem tal título. Mestre não é apenas aquele que ministra aulas em ambientes acadêmicos. Na minha visão, mestre é alguém que, no decorrer de nossa história, passa por nós deixando inesquecíveis aprendizados e inscrições, independente de estarem estes ligados ao universo existencial, pedagógico ou científico. Não me lembro de todos que tive, mas os que permaneceram em minha memória - que nunca descartou um encontro importante sequer - foram realmente grandes. E deixo claro que tomo por 'mestre' aqui toda e qualquer criatura que acrescentou algo ao meu aprendizado de vida, com ou sem licenciatura.

Decerto, não posso deixar de iniciar pela infância, com minha primeira professora, a quem chamava de Tia Leila. Com ela aprendi como é "endurecer sem perder a ternura", longe ainda de imaginar a existência de Guevara e de quão dura a vida seria. Tampouco posso me esquecer de Nelson, meu instrutor de auto-escola, por me ensinar a dirigir, ouvindo Beatles, rodando pelos mais belos lugares do Rio de Janeiro e rindo, rindo muito de tudo. Da universidade, restou apenas na memória a imagem da professora de Estética, Rosângela - grande mestra, que ensinava a desconstruir mitos e a compreender Nietzsche, de forma simples e pouco arrogante. Os demais foram apenas medíocres (the book is on the table). E o Ney? Ah, este foi meu professor de Fotografia (na verdade, muito mais do que isto), que me ensinou a ver a vida em profundeza através das lentes, e me fez entender que ela pode se revelar para além da profundidade de todos os campos, em preto e branco ou tecnicolor, que tudo é uma questão de "olhar". Da mesma forma, meu professor de Alemão, Dieter, foi um grande presente - como é possível um alemão, de enorme estatura, lecionar com tanta delicadeza, fazendo com que um idioma aparentemente ríspido se transformasse praticamente em melodia? Danke sehr, Dieter! Verdade é que do Alemão eu me esqueci bastante, mas do meu mestre não, até porque ele foi muito amigo. Houve também o Prof. Esdras Nascimento, da Oficina Literária, que me explicou o grande segredo de reformular parágrafos longos e monótonos, tornando-os um harmônico conjunto de frases menores, mais claras e agradáveis. Pra que complicar a vida e a literatura? Preciso ainda falar do Anthony, mestre natural por excelência, a quem devo uma boa dose de aprendizado aplicável ao meu dia-a-dia, sobretudo no que diz respeito à difícil tarefa de conciliar razão e emoção e aos segredos da Nova Retórica. Saudade de todos eles, que, de certa forma, foram/são responsáveis pelo resultado da minha atual existência. Se ela vale ou não a pena, não cabe a mim julgar. Mas posso garantir que é intensa. Por falta de tempo e espaço, talvez tenha eu cometido a injustiça de não mencionar neste texto mais alguma meia dúzia de figuras importantes, mas que estão guardadas em mim para sempre.

Por fim, uma homenagem ao grande mestre de minha vida, àquele que me ensinou a nunca envergar o caráter: meu pai - uma das criaturas mais íntegras deste mundo. Tanto, que chega a parecer um tolo dentro deste planeta infestado de oportunistas.

No mais, feliz Dia dos Mestres a quem realmente sabe ser mestre e, com sua sabedoria natural, consegue ir além da transmissão do conhecimento!

Posted by meraluz at outubro 15, 2008 06:56 PM