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abril 27, 2006
Ainda a Varig
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Mas, como eu disse, amo a Varig. A empresa que vive no meu coração não é da história mal contada, mas a dos comissários e comissárias de bordo, dos pilotos e co-pilotos, do pessoal de terra -- esses meus conterrâneos sempre tão dedicados, amigos, competentes. É a Varig da linda comissária Eliane Lameirão, que ainda anteontem me serviu uma deliciosa refeição de bordo em pleno programa do Jô, num carinho inesperado nascido da minha descarada paixão por comida de avião.
Não foram eles os culpados pelo pecado original da companhia que, apesar de tudo, conquistou a afeição dos seus usuários e acabou se transformando em orgulho nacional. Também não foram eles os culpados pela sua derrocada. Quando estive em Budapeste no ano passado senti um peso no coração ao virar uma esquina e, subitamente, dar de cara com uma loja abandonada com o nome Varig lá no alto. Todo encardido.
Nada tenho com a Varig exceto um punhado de milhas, mas aquela loja me abalou e mexeu num ponto sensível da minha alma viajante. Uma loja da Varig fechada lá fora é como uma embaixada abandonada, triste de se ver. Com a diferença que, para entrar numa embaixada, tomar cafezinho e bater dois dedos de prosa na língua da gente é preciso conhecer alguém no Itamaraty, ao passo que as lojas da Varig sempre estiveram de portas abertas para todos os brasileiros no exterior. Entrar num de seus aviões depois de dias ou semanas em outro país é como o Brasil estar vindo ao nosso encontro, para nos trazer de volta para casa.
* * *
Fica claro que tenho sentimentos ambivalentes em relação à sua atual situação. Meu lado lógico e racional acha que o mercado deve seguir seu curso, mas meu lado emocional discorda radicalmente do mercado desde o dia em que a AT&T demitiu 20 mil funcionários e suas ações dispararam na bolsa. Havia aí uma perversidade com a qual até hoje, passados dez anos, não consegui fazer as pazes moralmente.
Com toda a franqueza, não sei se o governo deve ou não manter distância da questão; minha cabeça tem razões que meu coração não reconhece. Por outro lado, o governo tem razões que não há cabeça que entenda, até porque cabeça é o que, aparentemente, ele menos usa. O Brasil precisava mesmo mandar aquele astronauta insuportável para o espaço? E precisa mesmo financiar o equivalente a nove viagens da Terra à Lua só em combustível para os deputados, sem deixar unzinho que seja por lá?
O fato é que, diante de desperdícios tão óbvios e estapafúrdios, dar uma chance à Varig não me parece coisa que mereça a carranca que faz dona Dilma sempre que fala no assunto.
Enfim, será o que Deus quiser. Mas eu, de minha parte, estou, apesar dos pesares, torcendo de coração pela Varig e pelos seus indômitos funcionários.
(Coluna Cora Ronai - O GLOBO, Segundo Caderno, 27.4.2006)
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meraluz
at 11:37 AM
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abril 25, 2006
Varig, a nossa estrelinha que brilha no céu

Com o empenho de toda a sociedae, não haverão de derrubar a nossa estrelinha brasileira que corta os céus do universo, de norte a sul, levando e trazendo gente do e para o nosso país.
Eu gosto dela, mais do que de todas as outras. Na Varig tive vôos felizes, fui bem tratada, me senti em casa e me senti segura, com toda a minha claustrofobia.

Quando o capitalismo selvagem começa a ignorar 80 anos de história e de bons serviços prestados ao país, só nos resta lamentar. Mas a estrelinha há de brilhar novamente, há de se recuperar e dar a volta por cima.
Alegro-me quando vejo quase todos os setores sociais envolvidos na causa da Varig. O Brasil é Varig!
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meraluz
at 02:03 PM
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abril 13, 2006
Eça de Queiroz, um visionário
"Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade."
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)
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Extraído do Blog do Citador, novembro 26, 2005
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meraluz
at 11:23 AM
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abril 06, 2006
Carequinha - Olhai as crianças do nosso Brasil

Vai com ele uma parte grande e boa de minha infância. A ingenuidade. A fantasia. A gargalhada pura. O palhaço Carequinha levou essa alegria mágica a crianças (e adultos) de várias gerações. Não haverá outros que consigam reproduzir tão bem a poesia de ser palhaço."Tá certo ou não, tá?"
Carequinha
1915-2006

E ele cantava:
Criança feliz, feliz a cantar
Alegre a embalar, seu sonho infantil
Ô meu bom Jesus, que a todos conduz
Olhai as crianças do nosso Brasil
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meraluz
at 09:51 AM
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