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junho 17, 2006
When I'm Sixty-Four
Quem diria, Paul McCartney chegou aos seus sixty four (64 anos). E seus 64 nada a ver com a letra da velha canção.

When I'm Sixty-Four
When I get older losing my hair,
Many years from now.
Will you still be sending me a valentine
Birthday greetings bottle of wine.
If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door,
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four.
You'll be older too,
And if you say the word,
I could stay with you.
I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone.
You can knit a sweater by the fireside
Sunday mornings go for a ride,
Doing the garden, digging the weeds,
Who could ask for more.
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four.
Every summer we can rent a cottage,
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera Chuck & Dave
Send me a postcard, drop me a line,
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four.
::: by
meraluz
at 02:06 AM
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junho 12, 2006
Os Reféns pedem socorro!
(Fausto Wolff)
NUNCA PENSEI que escreveria isto: o Brasil e seu povo são reféns do governo. Não estivemos nesta situação nem nos anos da ditadura, pois, como ela era ilegal, tínhamos com quem brigar, não lhe dávamos as costas e sonhávamos com a reconstrução da esquerda. Hoje somos reféns porque não apitamos. Se tentarmos apitar, nos matam, vamos para a cadeia, nos despedem ou , na melhor das hipóteses, nos aplicam uma multa.
Pensando bem, Lula trabalhou bem e é mesmo capaz de ganhar no primeiro turno. Em 2002, encontrou uma classe média (cuja ideologia é galgar os degraus que levam à alta burguesia e fazer qualquer negócio para não descer ao inferno do proletariado) entre o fogo e a frigideira. Se por um lado não queria perder o pouco que tinha votando num candidato comunista (é, a classe média achava que Lula era comunista), não podia permitir que os neoliberais de FHC continuassem a estreitar seu pescoço com o garrote vil do congelamento.
Pressentindo isso, Lula e sua gangue adoçaram o discurso para torná-lo palatável à classe média. Era tudo que a classe média queria. O excelente ator pernambucano tinha o voto dos petistas e da esquerda enganada. A classe média, porém, foi fundamental para a vitória. No poder, tendo de agradar ao Consenso de Washington, a José Dirceu, a Jefferson e aos partidos de aluguel, decidiu viajar pelo exterior, onde podia dizer as besteiras que quisesse, pois, no máximo, seria considerado bizarro. A "tchurma" - Dirceu, Genoino, Delúbio, Palocci, Jefferson e o Carequinha - quebraria o galho. Ele tinha o plano de se reeleger de qualquer maneira.
Quando um político ladrão, safado, sem vergonha rouba alguns milhões de dólares e manda para o exterior, está matando crianças, velhos, desempregados, centenas de milhares de pessoas humildes que nem sabem o nome de seu algoz. Pois quando a quadrilha foi descoberta, Lula não se abalou. Continuou viajando e dizendo bobagens. Sabia que a oposição iria criticá-lo, pedir sua cabeça - e havia motivos de sobra para seu impedimento - mas tinha certeza de que ela só iria até certo ponto.
Antônio Carlos Magalhães, Agripino Maia, Arthur Virgílio, Heráclito Fortes silenciariam quando notassem que todas as pistas conduziriam à gangue FHC e o que ela fez para legalizar seu segundo mandato. Sabia que se tentassem atingi-lo pessoalmente acabaraiam atingindo FH com quem aprendera o entreguismo ordenado pelo neoliberalismo global. Sabia que podia contar com os picaretas da Câmara para se absolverem mutuamente, como ocorreu com os mensaleiros e não vai ocorrer com os sanguessugas e nem com os castores e, já que o assunto é roubar sangue, nem com os juízes do Supremo que acabam de aumentar seus salários para quase R$ 28 mil mensais, sem contar as mordomias.
De certa forma - Lula deve ter pensado - foi até bom ter se livrado dos garotos dissidentes que acreditaram no seu socialismo. Melhor ainda foi ter se livrado de Dirceu e de Palocci, que, como numa farsa de Molière, queriam crescer demais. Lula tinha seu trunfo: o povo pobre, miserável, faminto. Para tanto, era preciso fazê-lo sem sofrer: nem saúde, nem empregos, nem escolas. No máximo a humilhação da bolsa-comida, comida pelos prefeitos.
O povo que não lê jornais está se lixando para a quadrilha do Dirceu; identifica-se com Lula, que fala como ele, conta as mesmas piadas, bebe cachaça e engole buchada, tem a língua presa e se não faz mais é porque os ricos não deixam. Para o povo, a classe média são os ricos. Lula sabe da carência do povo, sabe que um sorriso seu vale 100 votos, um abraço e um beijinho mais 100. Mas sabe, principalmente, que conta com um PSDB de rabo preso e com toda a banda podre do PMDB para não falar nos muitos partidos de aluguel. Sabe mais, que terá o tempo que quiser na TV para cativar o povão, para lhe explicar que os ricos tentam impedi-lo de ajudar seus irmãos desvalidos, mas que isso agora vai mudar. Foi inteligente da parte de Lula não fazer nada pelo povo. Ignorante, ele lhe garantirá as eleições.
Por isso comecei dizendo que somos reféns da polícia e dos ladrões, dos políticos da situação e da oposição, dos juízes, e do guarda da esquina. O Brasil me lembra o sino que batia sem fazer som algum do filme de Kavalerowicz, Madre Joana dos Anjos. A Polônia pedia socorro, mas a Europa não ouvia. Hoje quem pede socorro é o Brasil. Pessoalmente, vou pedir ajuda à Santa Heloísa Helena para não ter de anular meu voto.
(por Fausto Wollf, JB - 11.06.2006, Caderno B)
::: by
meraluz
at 02:37 PM
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junho 02, 2006
Eu sou brasileira, sem muito orgulho...

Porque sou brasileira vou me impor o sacrifício de torcer contra a seleção. Não sei se consigo. Mas tentarei. A hora é de consciência e não de ufanismos tolos. Melhores no futebol e piores no IDH (índice de desenvolvimento humano)? Melhores no futebol e melhores ainda na epidemia da corrupção? Mais uma vitória, e todos os louros creditados ao governo da hora. Campeões da bolinha nos pés, campeões da injustiça nas mãos.
E que seleção é essa, em que apenas dois jogadores vivem no país? Patéticos atletas que não amam o Brasil, mas dólares e fama. Suam suas camisas da Nike por dinheiro e não por amor à pátria. Não são craques verde-amarelos como aqueles de outras décadas, quando o futebol ainda não era um grande negócio e, a despeito de tudo, gerava Pelés ou Zicos, brasileiríssimos.
E tem mais, se o Brasil ganha essa copa, ainda corremos o risco de ouvir o Exmo. Sr. Presidente dizer que inventou o futebol. Ninguém merece. Não vou suportar.
Pelo bem do Brasil, espero sinceramente que esses novos gringos, que defendem nossa seleção e seus milhões de dólares, não tragam a taça. Torço contra. Sou brasileira, sem muito orgulho, mas com muito amor...
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meraluz
at 01:27 AM
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