Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno
Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...
Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...
Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
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Outro poema:
Oh, yes! - Charles Bukowski
there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.
Roda o tempo, vento, invento, rodam cores, minhas dores, corre-dores, escorre-dores, roda vida, dividida, minha boca, minha louca, minha cara mascarada nada a ver, nada a VER. Pára o mundo, que eu quero descer!
Hoje recebi tulipas e canções. As mãos que as enviaram introduziram em minha história uma breve linha de paz, alegria e sensibilidade, combinada com entrelinhas de luz.
Tulipas e canções para varrer as sombras; para falar de vida; para insinuar um lugar imaginário onde haja delicadezas e sonhos possíveis. Tulipas e canções para lembrar que a vida interior (de quem a tem) é imensurável, e não deixa espaço para que a solidão ou o desencanto finquem suas raízes.
Não posso eu fazer muito pelas dores do mundo, a não ser doer com elas. Ignorá-las significaria cegar-me para as verdades. Mas ainda há tulipas e canções. Nem tudo se perdeu...
Feliz Aniversário, minha linda, maravilhosa, indescritível cidade. De tão apaixonada que sou por ti, jamais poderia ter nascido em outro lugar. Tua beleza me comove, porque é uma pintura diferente a cada dia, com novas luzes e cores, nessa explosão verde-azul. Tua gente risonha, cheia de charme - cariocas de nascimento, de adoção e de coração - é feita de festa, irreverência e alegria.
Infelizmente, teus "guardiões" não vieram para a festa com os merecidos e ansiados presentes. Condenaram-te ao abandono, ao risco, à desordem, à violência, às ruas sem iluminação, à impunidade dos que te ferem, à sujeira, poluição, às praças e jardins maltratados, a pouco investimento em tua cultura farta. Ignora teus detratores, Maravilhosa. Eles passarão. Talvez por isso tuas lágrimas caem hoje na forma de uma tímida chuva. Mas não tem nada não. Novos tempos virão, e com eles novos homens, espero, que hão de te cobrir de mimos e flores. Consola-te, pois, que tua beleza resiste a tudo, teu sorriso resiste a tudo, e teu Redentor, lá de cima, continua a te/nos abençoar.
Feliz Aniversário, minha paixão desvairada! Jamais irei me cansar de cantar tuas belezas, que inspiraram e continuam a inspirar tantas canções. Jamais vou me cansar de tuas mutantes paisagens e da voz rouca de tuas ruas.
Cariocas, de nascimento e de coração, brindemos hoje a este lugar encantado, que a todos ama e acolhe, sem distinção; a esta cidade que, não por acaso, resolveram chamar de "maravilhosa". A magia atende pelo nome de Rio de Janeiro, uma mocinha de 453 anos, nascida em 1.º de março de 1565, com a vocação de ser feliz.
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Não percam hoje, na Praia de Ipanema:
Haverá uma homenagem aos 50 anos de “Chega de Saudade”, música de Vinícius e Tom que marca o início da Bossa Nova, sendo considerado como o dia do ritmo. A prefeitura vai aproveitar a ocasião e comemorar os 443 anos da cidade do Rio de Janeiro.
Diversos artistas se reunirão na Praia de Ipanema para os festejos, entre eles estão cotados nomes como Maria Rita, Leila Pinheiro, Roberto Menescal, Fernanda Takai, Emílio Santiago, Joyce, Bossacucanova, João Donato, Carlos Lyra, Wanda Sá, Leny Andrade, Zimbo Trio, Marcos Valle e Oscar Castro Neves.
Para finalizar a festa, todos apresentarão juntos a canção “Se Todos Fossem Iguais a Você”.
Depois de um certo tempo, o romantismo foi dando lugar ao pragmatismo. E eu lamento por isso, lamento muito. Lamento pelos sonhos dos quais tive de abdicar, pelas canções suaves que deixei de cantar, pelas asas cortadas da imaginação, pela ausência de paixões. Verdade que esses elementos é que davam sentido à minha vida. Mas eu perdi muito tempo em função deles, às vezes anos... E não tenho mais esse tempo pra perder. Allons, allons! Justamente porque passei muito tempo a sonhar (vivo sonhando, sonhando, sonhando demais - dizia a canção), inventar, reinventar, contemplar, a esperar o impossível, que sempre demora mais um pouco, é que fiquei desse jeito, como uma monótona linha reta ou uma tela concretista, correndo atrasada atrás do que antes era o futuro.
E agora é assim... Nada de grandes emoções, nada de paixões desmesuradas, até porque há quem precise da minha total lucidez. A sensação é de ter me abandonado numa esquina qualquer, com minhas fantasias, e seguido adiante com outra de mim. Uma outra que eu não gosto, mas que, neste momento, é necessária. Uma outra que não é feliz nem triste, que não é íntima de ninguém, nem de si própria. Que sorri por aí, de um sorriso qualquer.
Para sobreviver, precisei ser uma outra qualquer, que deixa tudo no lugar certo, no "common place" ;) Tenho que tomar cuidado, no entanto, com pequenos detalhes, como por exemplo ouvir "How High the Moon" (disponível na playlist ao lado). É música de tocar o coração, e eu tenho de me proteger contra as recaídas. Afinal, não posso mais me dar ao luxo de ser tão sentimental.
E, se assim não for, é assim que consigo explicar este fenômeno em mim.
A título de informação, relato aqui minha experiência, ao longo de 2007, com compras em lojas virtuais. Algumas delas me surpreenderam pela eficiência. Outras, que antes prestavam bons serviços, ao contrário, me deixaram muito insatisfeita pela desorganização. Listo abaixo as que mais usei neste ano. Futuramente, postarei comentários sobre outras lojas, inclusive, se for o caso, retirando alguma crítica aqui publicada, por questão de justiça. É bom deixar aqui assinalado que este é um juízo feito a partir da minha experiência particular. Nem todos passam pelos mesmos dissabores ou sabores. Então, vamos lá:
Submarino - www.submarino.com.br - Neste ano, pelo menos, foi a campeã do mau atendimento. Tive problemas sérios com atrasos nas entregas, e, principalmente, nas tentativas de contato com a loja, quando foi o caso de algum problema ou pendência. A comunicação com o Submarino - se não for para compra direta - é simplesmente impossível. Lamentável, pois, no passado, era uma das mais organizadas e pontuais. Talvez não tenham sabido crescer. Espero que, em 2008, essas falhas sejam corrigidas. Por enquanto, decidi manter distância. Do jeito que está, não recomendo a amigos, só a inimigos.
Americanas.com - www.americanas.com.br - Razoável. Manteve-se na mesma linha. Não é das mais rápidas em certas entregas, mas também não é das mais demoradas. O frete é um tanto alto, mas às vezes compensa. Para algumas mercadorias, tem excelentes preços. É confiável. Bom sistema de pagamento, variedade de produtos, além de oferecer a vantagem do nome respeitável. Continuarei a fazer minhas compras lá, quando necessário.
Compra Fácil - www.comprafacil.com.br - Sem dúvida alguma, a melhor das minhas experiências. Entrega rápida, bom sistema de pagamento, variedade de mercadorias, ótimo atendimento e excelentes preços.
Casa & Video - www.casaevideo.com.br - Razoável. Às vezes, ocorre atraso na entrega. Nada que não se resolva por meio do SAC. Pouca variedade de produtos na loja on-line. Os preços variam, nem sempre são os melhores. O ideal é comprar na loja física, se houver possibilidade.
Ponto Frio - www.pontofrio.com.br - Tão confiável quanto cara. Preços muito altos em comparação com os de suas concorrentes. Entrega rápida, no entanto.
Livrarias - Costumo alternar entre a Saraiva, a FNAC, a Cultura e a Siciliano. Em termos de preço: Saraiva e FNAC. Para livros raros, principalmente estrangeiros: Cultura - porém, os preços não são os melhores. Agilidade na entrega: Saraiva, Siciliano, Cultura. A FNAC, apesar de contar com vários livros disponíveis, tem um sistema de entrega lentíssimo, que me deixa muito irritada. Logo, a campeã é a Saraiva. Pena que nem sempre disponha de todos os títulos. As demais são razoáveis.
Mercado Livre - www.mercadolivre.com.br - Há anos tenho feito excelentes negociações no Mercado Livre. Em mais de 30 transações, não tenho queixas de nenhuma. Os preços são imbatíveis e acha-se o inimaginável ali. O sistema "Mercado Pago" oferece uma garantia a mais e a possibilidade de se pagar com cartão, embora incida aí uma taxa adicional. Geralmente, negocio diretamente com o vendedor. Mas atenção: para se fazer compras seguras no Mercado Livre, é preciso pesquisar o histórico do vendedor. Não aconselho negociações com usuários novatos. Nesse tipo de negociação on-line, não há como evitar a presença de gente mal intencionada. Mas, consultando a reputação do vendedor/comprador, não tem erro.
Por que é mais que um time, por que é mais que futebol... Por que Joel tinha de ficar.
foto: globo.com
Já sei, já sei... O tema "futebol" não é dos mais apreciados pelos leitores deste blog. Mas é que a coisa vai além disso, muito além, e se expande para muitos outros aspectos da existência. Flamenguista é uma raça à parte. É, de fato, raça, amor e paixão. Flamenguista sofre até os estertores e vibra como se fosse explodir, levitar. O grito de "gol!!!" da galera equivale a um orgasmo merecido e suado. E quando eles cantam empurrando o time... Ah, quanta emoção há naquele coro que abala os céus, quanta emoção! - "Eu sempre te amarei, onde estiver estarei, oh meu mengô!" - Cantam com tudo, com as vísceras, acompanhados pela percussão dos batimentos cardíacos a quase 200.
A trajetória do Flamengo, neste Brasileirão, foi banhada de lágrimas e risos. Angústia na época do quase rebaixamento, êxtase na classificação para a Libertadores. Muita gente empenhou a saúde de seu coração no caminho entre o limbo e a glória. Essa torcida é mágica. Mas não adianta dizer. É preciso estar lá pra entender essa magia. É feita de coração. É vermelha, é vermelha, é vermelha! É um fenômeno que não pára de crescer, seja na tristeza, seja na alegria. O Flamengo já não é do Rio. É do Brasil, é do mundo, é de todo mundo. Extrapolou todas as soberanias e barreiras.
Hoje é um dia histórico no clube. O grande Joel disse, enfim, que "fica"! E tem que ficar. Porque ele é mesmo a cara do Flamengo: vibra, pula, dá esporro, chora, se emociona, grita o tempo todo, fala palavrão, fala a língua do povo e dos jogadores. Fala a língua do Flamengo. E por que Joel acertou o time? Um time que estava prestes a conhecer os dissabores do precipício?
Joel fez aquilo que eu sempre acreditei fazer a diferença - e isto se aplica a outros setores da vida. Joel promoveu a união, a auto-confiança, o bom ambiente e o sentimento de equipe num time perdido. A partir daí, o movimento foi só de ascensão. Todo mundo se entendia. Nada de disputas internas ou brilhos individuais. Todos unidos e centrados num mesmo desejo de vitória: a vitória de todos. Sem união não há prosperidade. E essa união não pode deixar de fora a torcida, que empurra e empurra, fabricando uma energia que move até montanhas. E o time se moveu... E todos estão felizes, sorridentes. A cidade está em festa. E, depois que Joel deu o seu tão esperado SIM, todos foram comemorar lá no alto do Corcovado, aos pés do Cristo Redentor. Joel se emocionou e chorou. E eu também, assim como outros corações rubro-negros.
O Flamengo ainda é das poucas coisas que ainda conseguem me emocionar, a ponto de deixar meu coração totalmente vulnerável. Porque a vida, ultimamente, as notícias nos jornais, relatam desesperanças. Graças a Deus eu sou flamenguista! Obrigada Flamengo! Obrigada Joel!
O celular high tech não me faz mais feliz.
O notebook turbinado não me faz mais feliz.
As fórmulas cosméticas de última geração não me fazem mais feliz.
A TV de plasma, que nem possuo ainda, não me fará mais feliz.
As parafernálias nanotecnológicas que se multiplicam, personificando o progresso, não farão de mim uma pessoa melhor nem mais satisfeita.
Concluo então que, para mim pelo menos, facilidades não são promessas de felicidade. Felizes mesmo são as lembranças daquilo que não se pode mudar, como algum pôr-do-sol que a memória registrou, o cheiro de pães frescos trazidos pelas mães ao final de um dia de chuva, um encontro casual qualquer com alguém nada casual que, em algum momento, desperta em nós o sentido da vida.
O resto é perfumaria. São artifícios que iludem a infinita solidão da qual o ser humano é um permanente refém.
Ando com saudade de algumas palavras, mais exatamente daquilo que elas, a princípio, tentam designar, quais sejam (verbetes extraídos do Dic. Aurélio):
Ética - Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto.
Ideal - Aquilo que é objeto da nossa mais alta aspiração intelectual, estética, espiritual, afetiva, ou de ordem prática.
Verdade - Franqueza, sinceridade.
Amor (o verdadeiro) - Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa.
Espero, sinceramente, que um dia ressuscitemos a ação que essas palavras representam. A arte de viver tornou-se muito difícil. Na verdade, viver deixou de ser arte já há algum tempo. Tornou-se competição desleal.
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por final que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
Eque pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
Obs.: não estou certa da fonte, recebi como sendo de Victor Hugo; se alguém puder me confirmar, agradeço.
Quando a porta do coração de alguém não se abre pra você, fuja !
Já presenciei inenarráveis histórias de amor impossíveis. Um fazendo de tudo pra conquistar o outro, inutilmente. O cara é punk, ela pinta o cabelo de roxo, faz piercing e nada. Geógrafo, ela compra os últimos lançamentos de Geografia e lê. Sem chance. Deprimido ? Ela se transforma num livro vivo de auto-ajuda. Pobre, ela esconde suas roupas caras. Broxa, com jeito convence o sujeito a procurar um médico. Baixinho, ela quase fica corcunda. Em vão. Infantil, ela, feminista, mistura o Nescau no leite e passa manteiga no pão. Só pra ilustrar do que a vontade do amor é capaz.
Amiga, desista. A porta do coração do elemento não é de aço, não está trancada e não se abre pra você. Não se abriu, não se abre, não se abrirá.
O sarado casa com uma gorducha flácida e inteligente. O geógrafo se apaixona por uma popozuda que (bem feito) não lhe dá a mínima. O broxa conhece uma frígida. E um deles arranja uma mulher e se casa em dois meses, e ela é o oposto de você.
É incompreensível, mas mentira é não compreender.
Com a gente o mesmo sucede. O homem perfeito aparece, faz tudo por nós, e a gente dispensa sem culpa e esquece sem perceber.
Ele não te quer ? Desapareça sem deixar vestígios porque o tempo passa depressa, a vida é curta mas é larga, e existem casos verídicos de pessoas que tentam uma vida inteira. Tem gente que acaba se viciando nisso. E o que é pior: ele pode até se casar com você.
(atenção: o texto é de autoria desconhecida, apesar de estar circulando como sendo do Arnaldo Jabor. Não é do Jabor!!)
Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura!!! Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes.
Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?
a. Escova toda manhã. A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão Alisabel é que é legal. Burra.
b. Na moda: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar "desarrumada" nem enquanto tiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.
c. Sorriso incessante: ela mora na vila do Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho, só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás,ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.
d. Bunda dura. As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem H-O-R-R-O-R a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.
Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Que beleza de mulher.
E você reparou naquela bunda? Meu Deus...
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.
Chico City - Um Rio tão longe, tão perto de ser feliz
(por Arnaldo Bloch, O Globo, 06.01.2006)
A jornalista Regina Zappa - autora de um livro recente sobre as canções cariocas do maior letrista vivo do Brasil - me disse, na saída da estréia do novo show, "Carioca"", quinta-feira, no Canecão, que Chico está absurdamente mais solto no Rio do que em São Paulo, onde a turnê começou. Não sei, achei o Chico mais solto mesmo foi oito anos atrás, no show "As Cidades". No atual, para alegria dos melômanos, estava mais concentrado que solto, pois privilegiou o repertório primordialmente lírico e difícil do novo disco, "Carioca", e foi econômico com as canções que seu apaixonado público esperou quase uma década pra cantar junto com ele e que, apesar de um bis polpudo e popular, vai ter que voltar pra não ficar carente.
Em compensação, quando o lendário Wilson das Neves deixou a bateria para fazer dueto com ele no vocal da deliciosa "Grande Hotel", parceria dos dois, e CHico ensaiou uns passos de samba em coreografia que terminou num explosivo abraço, a platéia veio abaixo como poucas vezes se viu, num momento que, sem exagero, valeu o show, valeu a semana, valeu o mês, o triste mês que deixou o Rio sem graça na virada do 31.
Mais efetiva que a disposição e os adjetivos de efeito com que Sérgio Cabral inaugurou sua gestão à frente do Estado, em resposta ao terror, é a arte de Chico no Rio dias após os ataques de dezembro: faísca perfeita para a boa reação, naquilo que depende menos de intenções e promessas e mais de corações e almas.
Que coisa boa ouvir Chico na TV dizer que a maioria de suas canções é sobre o Rio, mesmo quando não mencionam a cidade, pois é aqui que ele mora e compõe. Na estréia carioca de "Carioca", por sinal, o Canecão estava mais carioca do que nunca, como destacou Chico, ao saudar a presença dos recém-casados Oscar e Vera Lúcia Niemeyer em primeira aparição pública depois de carioquíssimas bodas. Estavam lá também o Ferreira Gullar, maranhense que escolheu Copacabana; o ministro Gil, baiano que, quando não está em Brasília ou em Bahia, fixa-se aqui. O internacional Ivan Lins, parceiro de última hora na impressionista e impressionante "Renata Maria", que podia morar onde quisesse, mas escolheu o Rio.
Que cidade é essa onde, apesar dos pesadelos, insistem em morar Chico Buarque e Wilson das Neves? Ferreira Gullar e Edu Lobo? Baianos Gil, Caetano, Bethânia, Caymmi; Niemeyer, Lyra, Valle, Geraldinho, Ubaldo e a torcida do Flamengo (nome do chavão), a torcida do Botafogo (em nome do Fogão), a torcida do Fluminense (em nome do Chicão), a torcida do Vasco (em nome do nosso eterno vice-campeão?)
Que cidade é essa para onde vieram os mineiros Drummond, Rubem, Sabino, Otto, Paulo, Hélio, Nava, Rosa, e ficaram, e não saíram, e aqui morreram? Que cidade é essa onde Glauber pousou e voou? Que cidade é essa, de Grande Otelo? Que cidade é essa onde Villa-Lobos nasceu, viveu e construiu um Brasil musical do qual somos filhos, às vezes sem saber?
Que cidade é essa que Tom, Vinícius e João cantaram para o mundo e que o mundo canta hoje nas pistas, nos bares dos balneários, nos celulares do Japão, no universo paralelo da MP3?
Quando Chico vem ao Rio (quero dizer, quando Chico sai do seu Rio particular, low profile, de caminhadas invisíveis, de pizzas efêmeras, de peladas sagradas, de seu santo recolhimento, para pisar num palco e se tornar oficialmente público) e pinta essa enxurrada de pessoas legais, famosas e anônimas, essa mulherada vidrada em raios de ardósia, na arte de falar às almas, quando a cidade fica buarquiana inteira, é o caso de se perguntar por que tanta gente boa prefere o Rio mesmo quando o Rio se vê sitiado, temível e temeroso? A resposta pode estar em alguma pausa de algum verso de "Subúrbio", em que Chico saúda aquele Rio para o qual o Cristo dá as costas, onde faltam turistas e sobram maravilhas que pouco se cantam; ou na atmosfera de "Outros Sonhos", donde emerge um Rio tão longe e tão perto de ser possível que dá vontade de chorar.
Sem muitos blás blás blás natalinos, mas com o coração aberto: Feliz Natal! Que o mundo bote a mão na consciência e trabalhe pela PAZ e pela UNIÃO entre nós, humanos.
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões Agora, tudo o que vejo me causa espanto."Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.
O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...
Você chegou acenando com a esperança, apesar da minha insistência em manter-me descrente, só para não ter de assitir, mais uma vez, às ruinas dos sonhos. Mas você falava de forma tão convincente sobre coisas tão bonitas, que eu não resisti. Acreditei. Acreditei em suas palavras de amor e achei que, juntos, iríamos transformar o mundo. Com metade do mundo briguei para permanecer a seu lado, alguns olhavam para você com desconfiança e ironia. Mas, cega e hipnotizada por seus verbos tão quentes, eu insisti em acreditar. Foi um ato supremo de comunhão e de fé aquela nossa união.
Quando o grande momento chegou, eu, totalmente entregue, vibrei, chorei e me emocionei. Deflagrei todas as bandeiras da minha alegria. Foi lindo. Enfim, estávamos juntos e fortalecidos. Começaríamos a transformar o mundo. As agruras que trilhamos por caminhos tão árduos, todas as lutas, seriam enfim recompensadas. Mas, ao contrário do que eu esperava, o mundo não foi transformado. Você, sim, foi o grande transformado, o grande deformado. Estava irreconhecível, seduzido pelas maquiavélicas armadilhas do poder e com a alma vendida ao diabo, tal qual o pacto de Fausto com Mefisto. Seu olhar era outro, de um brilho suspeito e aterrador. E eu me vi só, traída por suas novas e espúrias alianças, que lhe impunham uma outra personalidade e a frieza de quem troca ideais por estratégias vazias de poder pelo poder.
Seus discursos e atos tornaram-se suspeitos, artificiais, impregnados de uma retórica perversa. Traiu-me descaradamente, acintosamente. Enterrou para sempre os meus sonhos. E agora anda por aí a iludir outra leva de ingênuos corações. O que posso sentir por você hoje? Desprezo é muito pouco, é sentimento silencioso demais. Eu quero sentir mesmo os estertores da revolta e da indignação de quem foi traída nas mais puras intenções. Eu quero ver, um dia, a sua derrocada, que talvez não aconteça neste momento, porque ainda há muitos crédulos das torpes promessas que não irá cumprir. Vai apenas mascarar as escusas intenções com pequenos afagos aos carentes de afeto, aos carentes de tudo, para mantê-los aprisionados a seu lado, na mesma miséria, a assegurar-lhe o reinado. Que pena. Tem horas que a democracia mais parece uma implacável tirania.
De minha parte não haverá perdão. Não, não há como perdoar a maior de todas as traições. Vermelha foi a estrela que se apagou em mim, assim como vermelho é o sangue que corre em minhas veias e me veste de inconformismo. E a minha vingança será olhar dentro dos seus olhos e dizer: eu não sujei minhas mãos, eu não vendi minha alma, e por isso sobrevivo com todas as minhas partes. Morra você e seus falsos ideais.
Estava em cima da hora. Diante do espelho, ela tentava deixar sua imagem, na mais impecável desordem de detalhes. Cabelos ligeiramente desarrumados, parte do ombro desnuda, jeans no estilo "trash", com estratégicos rasgos intencionais, tal qual nos trajes de sua alma. O espelho refletia bem o seu modo assimétrico e rasgado de ser.
Enquanto se (des)arrumava com tanta riqueza de detalhes, pensava no que sentiria ao reencontrá-lo. A imaginação explorou todas as possibilidades. Tomada 1: poderiam retomar do ponto onde pararam , ignorar o intervalo dos anos, declarar amor eterno e viver juntos para toda a eternidade. Neste caso, correria o risco de ser feliz para sempre, e ser feliz para sempre era algo muito assustador. Não acreditava em felicidade eterna. Balela. Tomada 2: olharia dentro dos olhos dele, e espelhada neles estaria a certeza de que tudo passou. Nenhuma emoção, nenhuma reminiscência, nada a ver, dois estranhos perdidos no vazio de um pretérito imperfeito. Não, não suportaria tamanho esvaziamento amoroso. Seria admitir o tempo desperdiçado. Tomada 3: Ficariam ambos sem saber o que dizer, tentando uma comunicação imprecisa, através de subtextos, que poderiam ser indevidamente interpretados. Aí correria o risco de ficar tentada a novamente acreditar, com base em suposições, forçando as mensagens veladas a tomarem a forma exata de seus desejos. Outra fria! Nem pensar.
Entre o espelho e o corpo, mais tantas outras tomadas de cenas imaginárias se sucederam. A cada uma delas, sofria, angustiava-se, extasiava-se, viajava entre infernos e céus. Estava atrasada e exausta, já mesmo antes de sair. Precisava abandonar o espelho e encarar a vida. Esperara tanto por este encontro, e só agora, quando ele finalmente estava prestes a acontecer, tinha idéia do peso do tempo que se passou. Hora de agir. Pegou o telefone e ligou para o celular dele, provavelmente já à sua espera no local combinado:
- Alô, estou ligando pra dizer que não posso. Não, não posso ir. Estou exausta. Melhor não... Perdoe-me por isto e odeie-me, se for o caso. Poderia inventar mil desculpas para não te encontrar, mas a única verdade é que estou exausta. Odeie-me por isto, se quiser. E fique um meu beijo imaginário!
E era a mais pura verdade. A exploração mental de todas as possibilidades de ser levaram-na à total exaustão. Nenhuma forma de encontro poderia, naquele momento, superar as hipérboles do imaginário. Nem no bem, nem no mal.
Pôs-se a desconstruir a imagem meticulosamente produzida, peça por peça. Nua, deixou o corpo tombar sobre a cama, como houvesse matado leões na arena da existência.
Lembro que, quando adolescente, nunca me sentia bem fazendo esportes, onde alguém tinha de perder para que eu ganhasse. Era obrigatório o vôlei nas aulas de Educação Física. E eu detestava aquilo. E continuo a detestar. Ao contrário do que prega a sociedade dos nossos dias, não consigo me sentir tentada à prática de atividades competitivas. Faço aqui uma ressalva, no que tange ao meu papel como torcedora do Flamengo. Aí é um caso à parte, porque sou flamenguista por razões puramente sentimentais. Gosto mais das paixões da torcida do que do jogo em si. Mas voltando à questão da competição, muito cedo percebi que não corria em minhas artérias o sangue da disputa. Se tenho de jogar contra alguém ou contra algo para conseguir triunfar, já perdi o tesão. Sou amante das gerações espontâneas e naturais. Nada de forçar a natureza ou de humilhar o adversário. Até porque não me agrada a idéia de ter adversários.
Mas aí vem um e desenterra Darwin, argumentando que a sociedade apenas reproduz o processo de seleção natural: os melhores sobrevivem. Agora vejamos: melhores em quê? Na compleição física, orgânica? Do ponto de vista biológico, faz sentido. Mas do ponto de vista humanístico, tenho muitas dúvidas sobre se é necessário mesmo competir para sobreviver. Não gosto de ver a vida sob a ótica do jogo.
Esse verbo competir é tão sem vergonha que o ouvido mal digere sua conjugação na primeira pessoa: "eu compito"? Soa terrivelmente mal. Mas é tudo o que pregam lá fora. É a mídia, a cultura, os profissionais da saúde, os centros estéticos, as academias de ginástica, as instituições financeiras, o mercado de trabalho, até o amor. Todos dizem: competir!
Não gosto. Não gosto de competir porque não gosto da idéia de que alguém se derrota com as minhas vitórias. Gosto mesmo é do empate. Eu não sei se vale a pena ser um "vencedor" num mundo tão inóspito e tão desigual de oportunidades. Questiono quem é o perdedor e quem é o vencedor nessa loucura publicitária. Vamos tentar o raciocínio inverso: será que perdedor não seria aquele que precisa dar nó em pingo d'água, fazer das tripas coração, sacrificar o sossego e a paz para "provar que é bom e merece ser amado"?
Pois então? Além de eu ter essa preguiça contemplativa básica, aversa às adrenalinas das disputas, não vou competir com ninguém para ser amada, valorizada e blá blá blá. Tá bom do meu jeito, a vida que tenho me basta. Estou em paz comigo assim, evoluindo sem precisar competir. Superando apenas os meus próprios limites, mas sem fazer de mim minha própria adversária.