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Domingo, Agosto 31, 2003 :::
É isso... Saudade de coisas lindas
que não existiram ou não existirão... Let it go, let it go...
::: by meraluz at 10:41
PM - post nº

Sala de Cinema
Era quase um ritual doentio. Uma vez por
semana ela ia ao cinema sozinha. Escolhia bem o filme, um
romance, um drama, um roteiro previsível que acionasse o
dispositivo emocional do espectador. Sentava-se o mais próximo
possível da tela. Nas últimas fileiras correria o risco de
assistir ao filme com olhar distanciado e análitico. Não era o
que queria, não naquele momento. Gostava mesmo de confundir-se
com a tela. Deixava o drama dos personagens tocar-lhe as
vísceras, chorava e se contorcia como se as tragédias ou
glórias exibidas na tela fossem suas. A cada beijo apaixonado
dos heróis românticos, colocava-se imaginariamente dentro da
trama, como se o beijo fosse dela. A cada cena de ternura, de
partidas ou reencontros, desciam-lhe as lágrimas com volúpia e
ela nada fazia para detê-las. Parecia sentir nisto algum
estranho prazer. Sentia-se viva com a ficção, com qualquer
história que não fosse dela. Muitas vezes sabia que o filme
era de quinta categoria, não se importava. O alvo era a carga
de dramaticidade atuando sobre sua resposta emocional. Um
filme era suficientemente inócuo para permitir que se
emocionasse sem consequências ou responsabilidades. O enredo
não era real e não continuaria com ela após cruzar a porta de
saída. Quando na tela aparecia o "The End", enxugava as
lágrimas, respirava fundo e recuperava o ar blasé e
indiferente. Voltava tranquilamente à sua vida, onde isolara
as emoções e trancara o choro. Com suas histórias era
diferente. A partir de alguma antiga dor, emitira um comando
ao cérebro para nunca mais descontrolar-se. Temia, ao libertar
a plenitude do sentir, transgredir os limiares da razão e
nunca mais voltar, nunca mais parar de doer. Não sabia mais
chorar por suas histórias, aprendera a explicar tudo com os
artifícios da razão e a arrumá-las em explicações
politicamente corretas, sem muitos destemperos. No entanto,
precisava se sentir viva. E, por esta razão, ia ao cinema
chorar e se emocionar com enredos imaginários, muitas vezes
vagabundos. Esses enredos não durariam para sempre e não eram
seus. Mas serviam para convencê-la de que ainda era humana e
sensível.
::: by meraluz at 4:02
PM - post nº

Não moro aqui. Só meu
personagem.
::: by meraluz at 1:49
AM - post nº

Sexta-feira, Agosto 29, 2003 :::
Um dia confiei em uma amiga e ela
me levou o namorado. Um dia confiei em um amigo e ele me
levou todo o dinheiro. Um dia confiei no ser amado e ele
partiu para longe. Um dia confiei no Lula e ele me levou a
esperança de um país melhor.
O erro não incide sobre a
primeira oração. Não é erro confiar. Erro é trair confianças.
E, por ainda confiar em mim mesma, vou continuar confiando no
verbo confiar. Não, não sofri influências de "Cândido, o
Otimista", de Voltaire. É só uma questão de escolha.
::: by
meraluz
at 2:50
PM - post nº

Mas como é difícil tentar manter o equilíbrio!
A vida se decompondo, se descompondo, e a
gente lá tentando manter a calma aparente, quando a vontade é
de mandar tudo pro ca... (desculpem). Mas será mesmo que esse
aparente equilíbrio é a melhor opção? No final nada sai
impune. Paga-se um preço pelo comedimento e paga-se outro pela
falta dele. Quando nos desesperamos ou explodimos, tal qual
irascíveis vulcões, agredimos terceiros. Quando nos comedimos,
agredimos a nós mesmos, em silêncio e com educação. O mais
difícil, independente dos preços pagos, é mesmo a tentativa de
equilíbrio (que não chega a ser o equilíbrio). Claro.
Imaginemos um indivíduo no meio de dois polos contrários de
força, tentando conciliá-los. Uma extremidade tensionando para
um lado e a outra para o lado contrário. É exatamente no
centro que fica não só o auge da tensão como também o zero.
Aprendi a conter minhas emoções. Foi necessário. Às vezes
sinto que, se permito a libertação de meus demônios, não sobra
pedra sobre pedra. Não pago para ver o espetáculo inteiro,
depois de experimentar as amostras grátis. Quando percebo que
o nível de intolerância começa a se elevar, imediatamente o
contenho. E uso sublimações, como a ironia ou o alheamento, o
que não é nada salutar também, reconheço, mas faz menos
barulho (tenho os ouvidos hipersensíveis). Observo os mais
explosivos, os "sangues quentes", os de emoções primárias e
chego a admitir que são mais saudáveis que os contidos. Há
quem descarregue todos os relâmpagos de sua ira sobre o outro
e, minutos depois, já está manso e aliviado, como se nada
houvesse acontecido. Alguns ainda perguntam ao receptor de
seus desmandos: - mas por que você está com essa cara? O
interlocutor de cara amarrada obviamente foi ofendido e está
magoado. Enquanto o explosivo está aliviado por ter liberado
suas energias, o contido está magoado e ferido por ter
recebido a descarga. E, se ele não explodir igualmente, será o
suficiente para adoecer uma relação. Quem fala o que quer,
ouve o que não quer - até aí tudo bem. Mas quem fala o que
quer e não ouve o que não quer vai ficar pior ainda com as
consequências das feridas que provocou e que não foram
gritadas. Não há equilíbrio em nenhuma dessas partes, eu
creio. O equilíbrio é a escala intermediária que fica entre um
e outro, falar a palavra certa, no tom certo, na hora certa e
pela razão certa. E isso é coisa pra herói. Aparentar
equilíbrio, em muitas das vezes, pode significar um
desequilíbrio maior ainda. Não sei se é meu caso. Acho que
não. Penso que não. Espero que não. Mas que é difícil essa
busca da medida certa, é. É, sim. Não dá pra sair quebrando
tudo. Em contrapartida, também não dá pra quebrar a mim.
Quando não quebro tudo, por vezes, estou quebrando parte de
mim. E aí?
::: by meraluz at 1:46
AM - post nº

Domingo, Agosto 24, 2003 :::
Em primeira mão uma foto minha
publicada aqui no Quelque Chose. Se o Brasil não mostra a cara
dele, mostro eu a minha, sem medo de ser feliz ou infeliz. A
foto foi tirada no happy hour que acontece diariamente
na Modern Sound, em
Copacabana, onde rola jazz, bossa-nova, choro, rock, mpb, com
músicos da melhor espécie. Ao lado, meu primão Durval
Ferreira, de quem tenho muito orgulho pelo trabalho dedicado à
nossa música. Ele é autor de "Batida Diferente", uma das
delícias melódicas da bossa-nova, que fica particularmente
fantástica quando tocada na flauta de Mauro Senise. Durval
lança em breve seu novo CD, com uma coletânea de suas melhores
composições. Nesse happy hour estavam também a Lili e o
Ju, mas acho que Lili não gostaria de ter sua imagem
publicada, então respeito.
::: by meraluz at 11:46
AM - post nº

Sexta-feira, Agosto 22, 2003 :::
Ao som de Owner of a
Lonely Heart (YES)
Yessss. Soltar o corpo.
Dançar livre a dança do fogo, a dança da luz! Stop! Não
pensar! Dançar, dançar, quase desesperadamente dançar.
Owner of a lonely heart Owner of a lonely
heart Much better than - a Owner of a broken heart
Owner of a lonely heart
Um coração solitário é melhor do que um
coração partido! (Tenho algum?)
Rodar, rodar,
rodar. Vertigem. Objetos assumem formas estranhas a cada
rotação. Alma. Animal. "Animalma". Luz, fogo, movimento.
Curvas, passos frenéticos, pulso célere. Sinuosidade.
Sensualidade.
Shake - shake yourself You're every move
you make So the story goes
Você é cada um de seus movimentos. E assim a
história acontece.
Agitar-me, deixar a vida
efervescer, entornar. Catarse. Catar-me. Catar-te. Loucura é
razão em rotação. Não pensar, não pensar. Dançar. Dançar.
Dançar. Solta. Livre. Leve. Irrefreável. Transcender. Tudo é
possível. Deuses. Demônios. Humanos e sobre-humanos.
Uuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhh! Este som é feito de asas que
levam, águas que lavam... meu corpo. Leva, leva, leve, leve,
lave, lave. Eu vou. Quero ir. Quero. Quero. Vem, vem dançar
comigo, vem? Não deixe a música acabar. Não deixe. Não tente
deter meu corpo, atropelarei o que estiver no caminho. Ombros
tremem, pernas já nem sinto, braços se jogam, cabelos
esvoaçam. Tudo é vento. Tudo invento. Ritmo. Ritmo. Sempre no
ritmo.
Watch it now The eagle in the sky How
he dancin' one and only You - lose yourself No not
for pity's sake There's no real reason to be lonely
Be yourself Give your free will a chance You've
got to want to succeed
Agora! Shhhh!! O solo solene da guitarra de
Steve Howe. O baixo per-verso de Chris Squire. O vocal
legendário de Jon Anderson. YES. Oh, Yesssssssssssss! I'm
going crazy!!!

Não, não... Não pare a música. Por favor.
Owner of a Lonely Heart... Owner of a Lonely Heart... Much
better than... Owner of a Broken Heart...
::: by meraluz at 6:18
PM - post nº

Quarta-feira, Agosto 20, 2003 :::
::: by meraluz at 4:22
PM - post nº
Domingo, Agosto 17, 2003 :::
Ressaca
Escorrem-me histórias pelo corpo, Memórias
aderem à pele, Embriagadas com o licor do tempo,
Onde sou apenas o frágil cálice.
Quantos
licores, quantos vinhos Derramaram-se em mim.
Quantas vezes o cálice tombou ao chão, Quantas
vezes se partiu e se refez.
Quantos mistérios,
quantos encantos Entornaram-se profusos,
borbulhantes. Quanto foi marcado, quanto foi
manchado Pelas impressões de dedos e bocas.
E quando bebi em mim a própria razão Senti
gosto de veneno amargo. Desfaleci de olhos abertos.
O cálice encheu-se de água potável. Caiu,
feriu-me com os cacos. Era tarde demais para a
inocência águas... |

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::: by meraluz at 4:59
PM - post nº
Sábado, Agosto 16, 2003 :::
Entre o chão e o céu
No meio de tantos rostos anônimos e ávidos de consumo
num shopping ao final da tarde, encontro minha amiga Aline,
que já não via há alguns bons meses. Ela faz um pequeno alarde
pelo reencontro e me convida para um lanche por ali mesmo.
Aline me conta de sua vida e diz que encontrou seu grande amor
mas... - sempre fico apreensiva com o "mas" adversativo no
meio das frases. Mas... era casado (taí - minhas apreensões
têm suas razões). Pede minha opinião. A última coisa que
desejaria era opinar sobre isto.
- Tem certeza de que
quer minha opinião?
- Claro, amiga! Sempre respeitei
sua opinião.
- Concisa ou digressiva?
- Como?
- Perguntei se gostaria de uma opinião resumida, de
poucas palavras, ou uma opinião mais minuciosa.
- Das
duas!
- Está certo. Minha opinião relâmpago é: "Se
você não dispõe de estrutura emocional para lidar com esse
tipo de relação, caia fora!"
- Por que diz isso? continua
::: by
meraluz
at 2:22
PM - post nº

Sexta-feira, Agosto 15, 2003 :::
Mensagem de alguém que saiu do
Brasil para morar em New York:
É. Ficou escuro por
aqui. Mas lá no interior de Minas, quando eu era criança,
também não tinha luz. E eu era feliz.
Esta mensagem foi o poema do dia.
::: by
meraluz
at 8:48
PM - post nº

Nova Iorque sem luz é a metáfora da limitação
do homem e do quanto os deuses ainda são necessários.
::: by
meraluz
at 11:30
AM - post nº

Quinta-feira, Agosto 14, 2003 :::
Tênis x frescobol (Rubem
Alves)
Depois de muito meditar sobre o
assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os
casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.
Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e
ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo
frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida
longa.
Explico-me. Para começar, uma afirmação de
Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao
pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se
fazer a seguinte pergunta: `Você crê que seria capaz de
conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?' Tudo
o mais no casamento é transitório, mas as relações que
desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de
conversar."
Xerazade sabia disso. Sabia que os
casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre
decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os
prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte,
como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo
já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer
através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra:
começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria
durar mil e uma noites. 0 sultão se calava e escutava as suas
palavras como se fossem música. A música dos sons ou da
palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor
que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se
fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as
palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes
inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar
repetindo o tempo todo: "Eu te amo, eu te amo..." Barthes
advertia: "Passada a primeira confissão, `eu te amo' não quer
dizer mais nada." É na conversa que o nosso verdadeiro corpo
se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez
poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a
alma."
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é
derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro:
o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para
fazer o outro errar. 0 bom jogador é aquele que tem a exata
noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí
que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva,
que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar,
interromper, derrotar. 0 prazer do tênis se encontra,
portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais
continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo.
Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
0 frescobol se parece muito com o tênis: dois
jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser
bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio
torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior
esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para
que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há
ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém
ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que
se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é
como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não
deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e
vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o
que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância:
começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca
pontos...
A bola: são as nossas fantasias,
irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é
ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá... Mas há casais
que jogam com os sonhos como se jogassem tênis.
Ficam
à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu
diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia
escrever. Um deles, que se encontra nos primeiros cadernos, é
sobre este jogo de tênis:
"Cena: o marido, a mulher, a
galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda
guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos
os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente
a sua superioridade. 0 outro domina-se, mas sofre uma
humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um
sorriso: 'Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo'. A
galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se
dela, beija-lhe a mão suspirando: 'Tens razão, minha querida'.
A situação está salva e o ódio vai aumentando."
Tênis
é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo,
arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter
razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha
sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do
outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe
que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é
aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão
do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor...
Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o
outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha
fim...
::: by meraluz at 10:07
AM - post nº

Terça-feira, Agosto 12, 2003 :::
Ainda a propósito da novela
Mulheres Apaixonadas (post anterior):
Neuzimar,
aquela que me alimenta e faz meu organismo ingerir deliciosas
calorias, chegou hoje aqui dizendo que, ao passar de ônibus
pela Av. Brasil, na altura de Manguinhos, viu um out-door com
os seguintes dizeres, ou algo parecido:
Se você
quer ser feliz, não assista à novela Mulheres
Apaixonadas.
Adorei :) Pelo menos estou vendo
que não sou eu a única indignada.
O povo não quer só
comida, o povo quer comida, diversão e arte.
::: by meraluz at 4:52
PM - post nº

Mas que coisa, hein? O Brasil
parou pra ver aquela cena sanguinárea e violenta da novela do
Sr. Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas. Uma imitação barata
dos enlatados policiais americanos. Havia até um hard rock de
trilha incidental. Eu mesma parei pra ver aquilo, incrédula
diante do que estavam fazendo com a imagem do Rio de Janeiro,
e, por consequência, do Brasil.
Essas novelinhas vão
para o mundo, e daí a convencer os gringos de que a coisa não
é exatamente assim fica difícil. Do jeito que a ficção tentou
reproduzir a realidade parece que só o que há por aqui é bala
perdida e sangue. Mensagem subliminar: - Não venham ao Brasil
e, mais particularmente, ao Rio de Janeiro! Acabe-se com o
turismo neste país! Morram de medo! Bala perdida 24h por dia.
A deterioração é plena.
Francamente... Será que isso
vai mesmo ajudar a reduzir a violência no país? Será que o
resultado não seria exatamente o oposto? Mais do que despertar
a consciência da população, esse tipo de "novela-denúncia" não
carregaria um grande risco de estimular ainda mais a
agressividade e a depressão nas pessoas, contribuindo assim
para a propaganda do mal? Denunciar o que? O que já sabemos? E
dessa forma apelativa?
Por Deus, Sr. Manoel Carlos,
quem liga a TV ao final do dia, cansado da luta diária, em
geral está em busca de lazer, de relaxamento, até mesmo de uma
fuga momentânea (disse: mo-men-tâ-ne-a) desses inegáveis
problemas que nos maltratam. A realidade já nos metralha com
seus fatos, os jornais já nos metralham com a reprodução
maciça desses fatos, a falta de gentileza no homem já nos
metralha em nosso dia-a-dia. E ainda temos que ver essas
imagens? Será que o povo não estaria precisando de mais sonho,
beleza, leveza, delicadeza , humor? E não me venham com essa:
- basta desligar a TV. Não basta. Todos comentam. Uma rua
importante do Leblon foi fechada por um dia inteirinho, ou
mais, só para que essa "beleza" de cena se maquiasse de
verdade. Foi uma comoção popular. Não se falava em outra
coisa. Mesmo desligando a TV, a coisa entra pelos olhos e
ouvidos. A força das novelas das oito é inextricável, todos
sabem. O mesmo se aplica à grande quantidade de filmes
sanguinolentos exibidos, mas estes têm menos audiência.
Esta novela, à qual assisti poucos capítulos porque a
única coisa que me agrada ali são os cenários belíssimos, só
mostra problemas, neuroses, doenças, frustrações. Já sabemos
que tudo isso existe. Pra que nos lembrar, pra que tensionar
tanto os telespectadores? Deixe essa tarefa para o jornalismo,
Sr. Manoel Carlos. Propagar a violência e o lado feio da vida
só faz torná-la mais feia ainda. Talvez o melhor caminho para
abrandar nossos pesadelos seja lembrar e mostrar que a vida
tem também um lado bom e belo e que há ainda pessoas de bem,
que acreditam num mundo melhor.
E viva Kubanacan!!! A
grande, velha e boa sátira ! A pior forma de falar de
violência e dor e fazê-lo com violência e dor.
::: by meraluz at 1:05
AM - post nº

Segunda-feira, Agosto 11, 2003 :::
E de repente, a gente se
pega tendo recaídas
| caídas
|
caídas
|
caídas
|
idas
>
vindas
<
vida.
::: by meraluz at 12:02
PM - post nº

Sábado, Agosto 09, 2003 :::
Eu odeio a ditadura da
Microsoft e do Windows Media Player 9!
Este
arbitrário programa não me permite escolher um outro plugin
para ouvir som na Web, isto quando não permite ouvir
absolutamente nada, nem com ele. Já instalei e desinstalei
mais de 5 vezes essa bosta de programa. Há muitas páginas,
como a www.radioblog.blogger.com.br, a radio UOL e a de alguns
amigos, que só são abertas com ele.
Outro fato
enervante é que o IExplorer nao lê o comando <embed,
que permite que se coloque um console de som diferente do WMP,
com controle para o visitante (nem todos gostam de músicas em
sites), e não toca nenhum tipo de som oferecido com outro
plugin. Pelo embed ser um comando típico do Netscape, a
Microsoft resolve ignorá-lo. E o IExplorer só vai ler o
comando bgsound , que nao tem a possibilidade do
controle.
A única forma segura de fazer o visitante
ouvir o som a partir de um console é através de um comando
enooooooooorme e complexo de Active X: inserir object .
To fora!
Além disso, gera inúmeros conflitos para o
meu sistema. Talvez seja bom para o Win XP. Eu uso o Win98,
porque acho mais simples. E mesmo com o ditador instalado, nao
consigo ouvir muitas músicas disponibilizadas na Web.
Provavelmente porque não desinstalei meu Winamp, que eu adoro.
E nao vou desinstalar. Recuso-me.
Conclusão: desisto
de ouvir som na Web! Ficarei com meus CDs solitários e não
compartilháveis.
A propósito de complicações
técnicas: Com a maior dor no coração, tenho reduzido
minhas visitas a blogs de amigos muito queridos devido ao
acúmulo de scripts rodados e a sons pesados. Mesmo com banda
larga, tenho tido problemas para acessar esses sites, às vezes
travando todo o meu sistema. Até no meu (nosso) próprio Levanta Rio,
que já sofreu uma reduçao de scripts e músicas - e vai sofrer
mais ainda, para facilitar a vida dos visitantes - tenho
deixado de ir (posto mas não abro o site). Pra quem usa a
conexao dial-up, nos finais de semana deve ficar impossível.
::: by
meraluz
at 5:15
PM - post nº

Sexta-feira, Agosto 08, 2003 :::
Blog é uma ferramenta
umbiguista? Sim, e daí?
::: by meraluz at 12:02
PM - post nº

Aparentemente lúcida
Os que me conheceram no passado andam dizendo que
minha forma de expressão foi acometida de uma lucidez
absurdamente linear. Não sei se me lamento ou me alegro por
isso. Conheci a "loucura" e expressei a "loucura" em tempos
outros. Distanciamento total da coerência, palavras cortantes,
agressivas, oníricas, filosofias de não-conformidades,
impactos, dogmas alternativos.
De fato, ao me reler
nos dias de hoje, vejo um texto quase bem comportado, sem
grande rebuscamento intimista, sem necessidade de agredir ou
inovar, enfim, sem grandes intenções. Quando mais jovem, a
tônica era a iconoclastia: agredir, contestar, destruir
valores empoeirados e decadentes - ó pretensão! Usava as
assimilações ainda frescas das literaturas que me
deslumbravam, qual uma discípula daqueles filósofos meio, como
direi, assépticos, que pouco experimentavam a vida, ocupados
que estavam em pensá-la. Vida no sentido de suores, lágrimas,
contrações físicas, derramamento de líquidos, orgasmos, dores
do corpo e da alma, parari, parará.
A sociedade em si
não mudou muito (nem seus contestadores). Continua a mesma
hipocrisia de sempre. O grande e previsível teatro. Mudou meu
modo de observá-la. Mudou também o comportamento, pois não
tenho agora muita necessidade de "aparecer" e gritar: "eu
existo, penso e estou aqui em oposição à sociedade decadente,
bando de alienados!"
Mas isso faz parte. E fez a sua
parte, no seu tempo. O texto relativamente lúcido e
"caretinha" de hoje não significa que sua autora seja um poço
de clareza e linearidade. É apenas um exercício de expressão
mais clara, sem artifícios alucinógenos. Minha loucura
continua comigo. Mas, não sei se isto é possível, tenho plena
consciência dela e nenhuma vontade de transformá-la em
showbiz. Na tentativa de expressão coerente (e nem sei
se consigo), exercito algo que agiliza meu tempo. Não há mais
tempo de gastar tempo tentando expor abstracionismos vãos.
Esses ficam lá dentro, no departamento interno de arte
intimista, não exprimível em palavras.
Ao longo do
trajeto, consegui algo que me tem sido fundamental: clareza de
idéias. Isto não significa a ausência do risco de perdê-la,
nem tampouco que a clareza de minhas idéias seja a
clareza de idéias claras. Apenas clareza de idéias. Em
alguns momentos, isto facilita os próximos passos.
Como dizia Shakespeare, "Ainda está para nascer o
filósofo que possa suportar uma dor de dente com
paciência".
::: by meraluz at 11:08
AM - post nº

Quarta-feira, Agosto 06, 2003 :::
O crepúsculo não é menos belo
do que a aurora.
Criei mais um tipo de olhar daqui do meu
Observatório. Um olhar que contempla o efeito do tempo sobre
os mortais. Assim, quando ando pelas ruas ou estou em alguma
sala de espera, escolho um idoso e, a partir de seu semblante,
começo a fazer com ele uma viagem imaginária no tempo. É um
exercício interessante:
- O senhor que sai do
consultório tem um ar sereno e plácido. Deve ter sido muito
bonito na juventude. Alto, postura ainda ereta, feições bem
desenhadas, que resistem heroicamente aos seus prováveis 80
anos. O que terá ele vivido? Teria tido muitas amantes? De que
mal sofre hoje? Projeto de vida de idoso é driblar a falência
dos órgãos. Mas ele parece satisfeito. Um médico lhe dedicou
40 minutos de atenção.
- Aquela velhinha na fila do
banco tem cara de má. A boca faz uma curva para baixo. O olhar
frio, por trás dos óculos, tem pouca luz. Será que é só uma
questão de degeneração do viço? Será que chegou a se permitir
um dia o benefício de um orgasmo?
- Lá vão as duas
beatas, a magra e a gorda. Seguem sempre juntas pela rua, rumo
à missa das seis. O tempo envergou a magra e poupou a gorda,
ferindo-lhe apenas com uma volumosa papada. Por que este
senhor tem a mania de privilegiar alguns enquanto sobrecarrega
outros? Provavelmente, a magra curvada é a mais infeliz. O que
será que vão pedir em suas orações? Oram com fé ou com
hipocrisia? A velha magricela de ossatura deformada não parece
ter fé. A gorda é a mais crédula e tem colesterol alto,
poderia apostar. Quais teriam sido seus sonhos na juventude?
- Olha só que sublime! O casal de idosos no banco da
praia. Ela tem poucas rugas. São conservados. Acariciam-se e
gostam de sol. Como deve ter iniciado essa história de amor
que atravessou o tempo? Terá sido amor à primeira vista ou
aprenderam a se amar com a convivência, durante o despontar de
cada cabelo branco, cada vinco no rosto, cada falha de
memória, cada perda hormonal? Parecem felizes, à maneira
deles. Parecem mais jovens porque se amam e estão de mãos
dadas. Eu os invejo. Sempre quis um amor assim de longa
duração, para além dos hormônios.
E por aí vai. Esses
esgares do tempo no rosto dos idosos vêm me lembrar que um dia
serei como eles - isto é, se a vida me permitir a velhice. É
uma projeção um tanto assustadora. Por isso, peço ao tempo que
não me curve os lábios para baixo, como fez com a senhora da
fila do banco, que não mais consegue sorrir. Será que ainda dá
tempo de viver um amor que se sustente de mãos dadas até lá,
como o do casal de velhinhos na praia? Amores da era digital
são tão descartáveis. Mas isto não impede as esperas.
Essas perversas esculturas do tempo vêm me lembrar que
preciso viver, viver muito, viver tudo, porque, por mais que a
alma preserve o viço, o corpo não acompanhará todos os seus
ímpetos. E as histórias que terei serão essas que faço agora.
As memórias são uma espécie de meta-história: uma história a
lembrar histórias e a recontá-las. Portanto, se hoje fizer
histórias benfazejas, sorrirei amanhã ao revisitá-las,
retirando, assim, a peculiar amargura dos finais de trajeto. E
não haverá degeneração orgânica que possa me tornar infeliz
quando tudo tiver valido a pena.
::: by meraluz at 11:50
PM - post nº

Segunda-feira, Agosto 04, 2003 :::
Ainda sobre sedução
Ainda a propósito do post Manual
do Des-Amor, abaixo, gostaria de complementá-lo com
uma referência ao episódio mitológico de Ulysses e o Canto
das Sereias. Esta parte da Odisséia ilustra
metaforicamente o que referi como sedução - pois há uma outra
acepção do termo, muito mais benevolente. Ao mencionar a
sedução como sendo antagonista do amor, referia-me ao uso de
um poder de encantamento premeditado. O encantamento pensado,
ou associado à consecução de um fim, de pouca grandeza
espiritual, que beneficia apenas uma das partes. Não é difícil
seduzir, quando se tem um pouco de conhecimento do outro,
alguma noção de psicologia, e quando se está emocionalmente
impermeável. E essa sedução pode adquirir proporções tão
magnânimas que, quando exercidas por indivíduos muito
ardilosos, é capaz de levar aquele que tem o coração aberto (o
seduzido) à total destruição de si próprio, a partir do
aniquilamento da identidade e da auto-estima. O seduzido pensa
que ama. Faz parte da trama. Mas nada disso tem a ver com
amor, creio eu - só creio, porque não sou dona de verdade
alguma. O amor saudável não cega, não destrói. Ao contrário,
tem grandes olhos de enxergar longe, bem abertos, e constrói
templos indestrutíveis ao longo do tempo. E resiste bem, como
resistiu Ulysses.
Para concluir, a lenda de
Ulysses e o Canto das Sereias:
Ao retornar das
trevas, Ulysses visitou novamente a ilha de Aeaean e contou
a Circe sobre suas aventuras, das fantásticas visões e das
leis do Inferno. Em retribuição, a feiticeira agilizou sua
viagem de volta à pátria, instruindo-o pessoalmente sobre
como passar seguramente pela costa onde ficavam as Sereias
(1 Odisséia, 12.), as perigosas ajudantes de Circe.
Essas ninfas
tinham o poder de seduzir, através do canto, todos os homens
do mar que as ouvissem, impelindo-os a se lançarem às águas
e à destruição. Circe aconselhou Ulysses a vedar os ouvidos
de seus marujos com cera, para que nada ouvissem, a
manter-se amarrado ao mastro, a comandar sua gente, a fazer
ou dizer o que quer que fosse, mas se manter sempre atento,
até ultrapassarem a Ilha das Sereias. Ulysses acatou as
instruções. Ao se aproximarem da Ilha das Sereias, o mar
estava calmo e, do fundo das águas, reverberavam notas
musicais tão fascinantes e atraentes que Ulysses começou a
lutar desesperadamente para se desamarrar. Gritava e fazia
sinais para os marujos, implorando para que o soltassem; mas
estes, em obediência às suas ordens anteriores, remaram com
força e reforçaram ainda mais suas amarras. Seguiram seu
curso, e a música foi ficando cada vez mais inaudível, até
cessar por completo. Neste momento, com alegria, Ulysses
ordenou a seus companheiros que retirassem a cera dos
ouvidos; e eles o soltaram. Conta-se que uma das Sereias,
Parthenope, desiludida por Ulysses ter escapado, afogou-se.
Seu corpo apareceu flutuando nas costas litorâneas onde fica
hoje a cidade de Nápolis, antes chamada de
Sereia.
::: by
meraluz
at 3:48
PM - post nº

Permitam-me colocar aqui uma das
mais belas crônicas de Rubem Alves, na minha opinião.
"Eu havia
colocado no toca-discos aquele disco com poemas de Vinícius
e do Drummond, disco antigo, long-play, o perigo são os
riscos que fazem a agulha saltar, felizmente até ali tudo
tinha estado liso e bonito, sem pulos e sem chiados, o
próprio Vinícius, na sua voz rouca de uísque e fumo, havia
recitado os sonetos da separação, da despedida, do amor
total, dos olhos da amada.
Chegara finalmente o
último poema, meu favorito, "o haver" - o Vinícius percebia
que a noite estava chegando, tratava então de fazer um
balanço de tudo o que se fez e disso, o que foi que sobrou?
Por isso as estrofes começam todas com uma mesma palavra,
"resta..." - foi isso que sobrou. Resta essa capacidade de
ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio... Resta
essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em
face da injustiça e do mal entendido... Resta essa faculdade
incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a
que às vezes os poetas tomam por esperança...
Começava naquele momento a última quadra, e de
tantas vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de
cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim,
antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o
que é belo precisa terminar. O pôr-do-sol é belo porque as
suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais
existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura
mais que vinte minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim
é certo que o seu lugar seria entre os instrumentos de
tortura do diabo, no inferno. Até o beijo... Que amante
suportaria um beijo que não terminasse nunca? continua
::: by
meraluz
at 1:19
PM - post nº

Sábado, Agosto 02, 2003 :::
Trecho de Poemas Inconjuntos - Alberto
Caeiro
(que não canso de reler)
Poemas
Inconjuntos Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
Não basta abrir a janela Para ver os campos e
o rio. Não é bastante não ser cego Para ver as árvores
e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. Há só
cada um de nós, como uma cave. Há só uma janela fechada, e
todo o mundo lá fora; E um sonho do que se poderia ver se
a janela se abrisse, Que nunca é o que se vê quando se
abre a janela. ------------------
::: by meraluz at 2:24
PM - post nº

Tenho uma fratura no dedo e
esmagamento dos tendões. Recomendações médicas: imobilização
total por 4 semanas. Já está quase chegando lá. Mas não
resisti hoje. Há horas em que escrever se torna uma
necessidade maior do que a dor física. Agora vou parar, porque
a mão realmente dói e eu já brinquei o suficiente com as
letras. Agradeço o carinho de todos que sentiram minha falta
por aqui. Volto logo. Falta pouco. :)
::: by meraluz at 12:49
AM - post nº

Manual do Des-Amor
Há
algum tempo atrás, comecei a escrever um livro. Não terminei.
Mas isto não importa. Não é sobre um livro inacabado que quero
falar, mas sobre a idéia que o motivou. Dei-lhe o título
"Manual do DesAmor". Não, não era o que vocês, provavelmente,
estão pensando. Nada tinha a ver com amargura, frustrações,
dramalhões. Era um simples manual de técnicas de sedução.
Em dezessete capítulos, formulei situações matemáticas
sobre como atrair ou dominar o objeto do desejo,
exemplificando-as com histórias que observei e equacionei,
quando nada tinha de melhor para fazer. Vez ou outra, eu mesma
ousava testar essas fórmulas. No fundo, torcia para que
falhassem, mas, para minha tristeza, funcionavam
perfeitamente. Arriscaria dizer que o índice de acerto dessas
técnicas é de aproximadamente 90%, se o agente conseguir
isolar o fator emocional enquanto as pratica.
Eis a
questão: isolar a emoção para seduzir. Foi exatamente isto que
sugeriu o título. Óbvio. Seduzir não é amar. E seduzir
planejadamente é o oposto do amor. Daí surgiu o "Manual do
Des-amor".
Resumindo, a sedução estaria para a disputa
e para o lúdico equanto o o amor estaria para as entregas e
ausência de artifícios: seu oposto. Ao final do livro, eu
concluiria que as duas concepções eram antípodas. Brincaria
com o leitor, dizendo que, agora que ele estava apto a
seduzir, teria de começar um outro extenso capítulo, que não
mora em livro algum e é averso a técnicas. O capítulo do
verdadeiro amor, que é desaprendido enquanto se está ocupado
com os artifícios das seduções. E fecharia a última página com
o Soneto CXVI de Shakespeare, que, na minha tímida opinião, é
literariamente o que mais se aproxima da idéia que faço desse
tão absoluto sentimento, que já rendeu tantas canções e tanta
literatura.
É possível seduzir muitos alvos e por
muitas vezes. Pura dinâmica, Terceira Lei de Newton: "para
cada ação uma reação..." Mas nem sempre é possível se fazer
amar pelo que se é. Aí, meus caros, a coisa pega, pois não
existem fórmulas. Amar de verdade é coisa pra gente grande.
Quem sabe, um dia, eu termine o livro? Quem sabe um
dia eu me torne grande?
::: by meraluz at 12:45
AM - post nº

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