A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Rio de Janeiro

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Meu preferido, dentro da categoria:

Jesus, me chicoteia!

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- Cristal e Poesia - Eliane Stoducto
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- RJ Sinfonia - Eliane Stoducto
- Vôos - Ivy Wyler
- Inos Corradin - artes
- Projeto Criar-te


Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
---------------------------------------

Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.




Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


Cotação da verdinha $$$:




VISITE MINHA PAIXÃO:
Levanta, Rio!



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Domingo, Agosto 31, 2003 :::

É isso... Saudade de coisas lindas que não existiram ou não existirão... Let it go, let it go...

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::: by meraluz at 10:41 PM - post nº



Sala de Cinema

Era quase um ritual doentio. Uma vez por semana ela ia ao cinema sozinha. Escolhia bem o filme, um romance, um drama, um roteiro previsível que acionasse o dispositivo emocional do espectador. Sentava-se o mais próximo possível da tela. Nas últimas fileiras correria o risco de assistir ao filme com olhar distanciado e análitico. Não era o que queria, não naquele momento. Gostava mesmo de confundir-se com a tela. Deixava o drama dos personagens tocar-lhe as vísceras, chorava e se contorcia como se as tragédias ou glórias exibidas na tela fossem suas. A cada beijo apaixonado dos heróis românticos, colocava-se imaginariamente dentro da trama, como se o beijo fosse dela. A cada cena de ternura, de partidas ou reencontros, desciam-lhe as lágrimas com volúpia e ela nada fazia para detê-las. Parecia sentir nisto algum estranho prazer. Sentia-se viva com a ficção, com qualquer história que não fosse dela. Muitas vezes sabia que o filme era de quinta categoria, não se importava. O alvo era a carga de dramaticidade atuando sobre sua resposta emocional. Um filme era suficientemente inócuo para permitir que se emocionasse sem consequências ou responsabilidades. O enredo não era real e não continuaria com ela após cruzar a porta de saída. Quando na tela aparecia o "The End", enxugava as lágrimas, respirava fundo e recuperava o ar blasé e indiferente. Voltava tranquilamente à sua vida, onde isolara as emoções e trancara o choro. Com suas histórias era diferente. A partir de alguma antiga dor, emitira um comando ao cérebro para nunca mais descontrolar-se. Temia, ao libertar a plenitude do sentir, transgredir os limiares da razão e nunca mais voltar, nunca mais parar de doer. Não sabia mais chorar por suas histórias, aprendera a explicar tudo com os artifícios da razão e a arrumá-las em explicações politicamente corretas, sem muitos destemperos. No entanto, precisava se sentir viva. E, por esta razão, ia ao cinema chorar e se emocionar com enredos imaginários, muitas vezes vagabundos. Esses enredos não durariam para sempre e não eram seus. Mas serviam para convencê-la de que ainda era humana e sensível.


::: by meraluz at 4:02 PM - post nº



Não moro aqui. Só meu personagem.

::: by meraluz at 1:49 AM - post nº



Sexta-feira, Agosto 29, 2003 :::

Um dia confiei em uma amiga e ela me levou o namorado.
Um dia confiei em um amigo e ele me levou todo o dinheiro.
Um dia confiei no ser amado e ele partiu para longe.
Um dia confiei no Lula e ele me levou a esperança de um país melhor.

O erro não incide sobre a primeira oração. Não é erro confiar. Erro é trair confianças. E, por ainda confiar em mim mesma, vou continuar confiando no verbo confiar. Não, não sofri influências de "Cândido, o Otimista", de Voltaire. É só uma questão de escolha.

::: by meraluz at 2:50 PM - post nº



Mas como é difícil tentar manter o equilíbrio!

A vida se decompondo, se descompondo, e a gente lá tentando manter a calma aparente, quando a vontade é de mandar tudo pro ca... (desculpem). Mas será mesmo que esse aparente equilíbrio é a melhor opção? No final nada sai impune. Paga-se um preço pelo comedimento e paga-se outro pela falta dele. Quando nos desesperamos ou explodimos, tal qual irascíveis vulcões, agredimos terceiros. Quando nos comedimos, agredimos a nós mesmos, em silêncio e com educação. O mais difícil, independente dos preços pagos, é mesmo a tentativa de equilíbrio (que não chega a ser o equilíbrio). Claro. Imaginemos um indivíduo no meio de dois polos contrários de força, tentando conciliá-los. Uma extremidade tensionando para um lado e a outra para o lado contrário. É exatamente no centro que fica não só o auge da tensão como também o zero. Aprendi a conter minhas emoções. Foi necessário. Às vezes sinto que, se permito a libertação de meus demônios, não sobra pedra sobre pedra. Não pago para ver o espetáculo inteiro, depois de experimentar as amostras grátis. Quando percebo que o nível de intolerância começa a se elevar, imediatamente o contenho. E uso sublimações, como a ironia ou o alheamento, o que não é nada salutar também, reconheço, mas faz menos barulho (tenho os ouvidos hipersensíveis). Observo os mais explosivos, os "sangues quentes", os de emoções primárias e chego a admitir que são mais saudáveis que os contidos. Há quem descarregue todos os relâmpagos de sua ira sobre o outro e, minutos depois, já está manso e aliviado, como se nada houvesse acontecido. Alguns ainda perguntam ao receptor de seus desmandos: - mas por que você está com essa cara? O interlocutor de cara amarrada obviamente foi ofendido e está magoado. Enquanto o explosivo está aliviado por ter liberado suas energias, o contido está magoado e ferido por ter recebido a descarga. E, se ele não explodir igualmente, será o suficiente para adoecer uma relação. Quem fala o que quer, ouve o que não quer - até aí tudo bem. Mas quem fala o que quer e não ouve o que não quer vai ficar pior ainda com as consequências das feridas que provocou e que não foram gritadas. Não há equilíbrio em nenhuma dessas partes, eu creio. O equilíbrio é a escala intermediária que fica entre um e outro, falar a palavra certa, no tom certo, na hora certa e pela razão certa. E isso é coisa pra herói. Aparentar equilíbrio, em muitas das vezes, pode significar um desequilíbrio maior ainda. Não sei se é meu caso. Acho que não. Penso que não. Espero que não. Mas que é difícil essa busca da medida certa, é. É, sim. Não dá pra sair quebrando tudo. Em contrapartida, também não dá pra quebrar a mim. Quando não quebro tudo, por vezes, estou quebrando parte de mim. E aí?

::: by meraluz at 1:46 AM - post nº



Domingo, Agosto 24, 2003 :::

Em primeira mão uma foto minha publicada aqui no Quelque Chose. Se o Brasil não mostra a cara dele, mostro eu a minha, sem medo de ser feliz ou infeliz. A foto foi tirada no happy hour que acontece diariamente na Modern Sound, em Copacabana, onde rola jazz, bossa-nova, choro, rock, mpb, com músicos da melhor espécie. Ao lado, meu primão Durval Ferreira, de quem tenho muito orgulho pelo trabalho dedicado à nossa música. Ele é autor de "Batida Diferente", uma das delícias melódicas da bossa-nova, que fica particularmente fantástica quando tocada na flauta de Mauro Senise. Durval lança em breve seu novo CD, com uma coletânea de suas melhores composições. Nesse happy hour estavam também a Lili e o Ju, mas acho que Lili não gostaria de ter sua imagem publicada, então respeito.



::: by meraluz at 11:46 AM - post nº



Sexta-feira, Agosto 22, 2003 :::

Ao som de Owner of a Lonely Heart (YES)

Yessss. Soltar o corpo. Dançar livre a dança do fogo, a dança da luz! Stop! Não pensar! Dançar, dançar, quase desesperadamente dançar.

Owner of a lonely heart
Owner of a lonely heart
Much better than - a
Owner of a broken heart
Owner of a lonely heart

Um coração solitário é melhor do que um coração partido!
(Tenho algum?)

Rodar, rodar, rodar. Vertigem. Objetos assumem formas estranhas a cada rotação. Alma. Animal. "Animalma". Luz, fogo, movimento. Curvas, passos frenéticos, pulso célere. Sinuosidade. Sensualidade.

Shake - shake yourself
You're every move you make
So the story goes

Você é cada um de seus movimentos. E assim a história acontece.

Agitar-me, deixar a vida efervescer, entornar. Catarse. Catar-me. Catar-te. Loucura é razão em rotação. Não pensar, não pensar. Dançar. Dançar. Dançar. Solta. Livre. Leve. Irrefreável. Transcender. Tudo é possível. Deuses. Demônios. Humanos e sobre-humanos.

Uuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhh! Este som é feito de asas que levam, águas que lavam... meu corpo. Leva, leva, leve, leve, lave, lave. Eu vou. Quero ir. Quero. Quero. Vem, vem dançar comigo, vem? Não deixe a música acabar. Não deixe. Não tente deter meu corpo, atropelarei o que estiver no caminho. Ombros tremem, pernas já nem sinto, braços se jogam, cabelos esvoaçam. Tudo é vento. Tudo invento. Ritmo. Ritmo. Sempre no ritmo.

Watch it now
The eagle in the sky
How he dancin' one and only
You - lose yourself
No not for pity's sake
There's no real reason to be lonely
Be yourself
Give your free will a chance
You've got to want to succeed

Agora! Shhhh!! O solo solene da guitarra de Steve Howe. O baixo per-verso de Chris Squire. O vocal legendário de Jon Anderson. YES. Oh, Yesssssssssssss! I'm going crazy!!!


Não, não... Não pare a música. Por favor. Owner of a Lonely Heart... Owner of a Lonely Heart... Much better than... Owner of a Broken Heart...

::: by meraluz at 6:18 PM - post nº



Quarta-feira, Agosto 20, 2003 :::


::: by meraluz at 4:22 PM - post nº



Domingo, Agosto 17, 2003 :::

Ressaca

Escorrem-me histórias pelo corpo,
Memórias aderem à pele,
Embriagadas com o licor do tempo,
Onde sou apenas o frágil cálice.

Quantos licores, quantos vinhos
Derramaram-se em mim.
Quantas vezes o cálice tombou ao chão,
Quantas vezes se partiu e se refez.

Quantos mistérios, quantos encantos
Entornaram-se profusos, borbulhantes.
Quanto foi marcado, quanto foi manchado
Pelas impressões de dedos e bocas.

E quando bebi em mim a própria razão
Senti gosto de veneno amargo.
Desfaleci de olhos abertos.
O cálice encheu-se de água potável.
Caiu, feriu-me com os cacos.
Era tarde demais para a inocência águas...



::: by meraluz at 4:59 PM - post nº



Sábado, Agosto 16, 2003 :::

Entre o chão e o céu

No meio de tantos rostos anônimos e ávidos de consumo num shopping ao final da tarde, encontro minha amiga Aline, que já não via há alguns bons meses. Ela faz um pequeno alarde pelo reencontro e me convida para um lanche por ali mesmo. Aline me conta de sua vida e diz que encontrou seu grande amor mas... - sempre fico apreensiva com o "mas" adversativo no meio das frases. Mas... era casado (taí - minhas apreensões têm suas razões). Pede minha opinião. A última coisa que desejaria era opinar sobre isto.

- Tem certeza de que quer minha opinião?

- Claro, amiga! Sempre respeitei sua opinião.

- Concisa ou digressiva?

- Como?

- Perguntei se gostaria de uma opinião resumida, de poucas palavras, ou uma opinião mais minuciosa.

- Das duas!

- Está certo. Minha opinião relâmpago é: "Se você não dispõe de estrutura emocional para lidar com esse tipo de relação, caia fora!"

- Por que diz isso? continua


::: by meraluz at 2:22 PM - post nº


Sexta-feira, Agosto 15, 2003 :::

Mensagem de alguém que saiu do Brasil para morar em New York:

É. Ficou escuro por aqui. Mas lá no interior de Minas, quando eu era criança, também não tinha luz. E eu era feliz.

Esta mensagem foi o poema do dia.

::: by meraluz at 8:48 PM - post nº



Nova Iorque sem luz é a metáfora da limitação do homem e do quanto os deuses ainda são necessários.

::: by meraluz at 11:30 AM - post nº


Quinta-feira, Agosto 14, 2003 :::

Tênis x frescobol (Rubem Alves) 

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: `Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar."

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. 0 sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo, eu te amo..." Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, `eu te amo' não quer dizer mais nada." É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma."

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. 0 bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. 0 prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

0 frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis.

Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

"Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. 0 outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: 'Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: 'Tens razão, minha querida'. A situação está salva e o ódio vai aumentando."

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...


::: by meraluz at 10:07 AM - post nº



Terça-feira, Agosto 12, 2003 :::

Ainda a propósito da novela Mulheres Apaixonadas (post anterior):

Neuzimar, aquela que me alimenta e faz meu organismo ingerir deliciosas calorias, chegou hoje aqui dizendo que, ao passar de ônibus pela Av. Brasil, na altura de Manguinhos, viu um out-door com os seguintes dizeres, ou algo parecido:

Se você quer ser feliz, não assista à novela Mulheres Apaixonadas.

Adorei :) Pelo menos estou vendo que não sou eu a única indignada.

O povo não quer só comida, o povo quer comida, diversão e arte.

::: by meraluz at 4:52 PM - post nº



Mas que coisa, hein? O Brasil parou pra ver aquela cena sanguinárea e violenta da novela do Sr. Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas. Uma imitação barata dos enlatados policiais americanos. Havia até um hard rock de trilha incidental. Eu mesma parei pra ver aquilo, incrédula diante do que estavam fazendo com a imagem do Rio de Janeiro, e, por consequência, do Brasil.

Essas novelinhas vão para o mundo, e daí a convencer os gringos de que a coisa não é exatamente assim fica difícil. Do jeito que a ficção tentou reproduzir a realidade parece que só o que há por aqui é bala perdida e sangue. Mensagem subliminar: - Não venham ao Brasil e, mais particularmente, ao Rio de Janeiro! Acabe-se com o turismo neste país! Morram de medo! Bala perdida 24h por dia. A deterioração é plena.

Francamente... Será que isso vai mesmo ajudar a reduzir a violência no país? Será que o resultado não seria exatamente o oposto? Mais do que despertar a consciência da população, esse tipo de "novela-denúncia" não carregaria um grande risco de estimular ainda mais a agressividade e a depressão nas pessoas, contribuindo assim para a propaganda do mal? Denunciar o que? O que já sabemos? E dessa forma apelativa?

Por Deus, Sr. Manoel Carlos, quem liga a TV ao final do dia, cansado da luta diária, em geral está em busca de lazer, de relaxamento, até mesmo de uma fuga momentânea (disse: mo-men-tâ-ne-a) desses inegáveis problemas que nos maltratam. A realidade já nos metralha com seus fatos, os jornais já nos metralham com a reprodução maciça desses fatos, a falta de gentileza no homem já nos metralha em nosso dia-a-dia. E ainda temos que ver essas imagens? Será que o povo não estaria precisando de mais sonho, beleza, leveza, delicadeza , humor? E não me venham com essa: - basta desligar a TV. Não basta. Todos comentam. Uma rua importante do Leblon foi fechada por um dia inteirinho, ou mais, só para que essa "beleza" de cena se maquiasse de verdade. Foi uma comoção popular. Não se falava em outra coisa. Mesmo desligando a TV, a coisa entra pelos olhos e ouvidos. A força das novelas das oito é inextricável, todos sabem. O mesmo se aplica à grande quantidade de filmes sanguinolentos exibidos, mas estes têm menos audiência.

Esta novela, à qual assisti poucos capítulos porque a única coisa que me agrada ali são os cenários belíssimos, só mostra problemas, neuroses, doenças, frustrações. Já sabemos que tudo isso existe. Pra que nos lembrar, pra que tensionar tanto os telespectadores? Deixe essa tarefa para o jornalismo, Sr. Manoel Carlos. Propagar a violência e o lado feio da vida só faz torná-la mais feia ainda. Talvez o melhor caminho para abrandar nossos pesadelos seja lembrar e mostrar que a vida tem também um lado bom e belo e que há ainda pessoas de bem, que acreditam num mundo melhor.

E viva Kubanacan!!! A grande, velha e boa sátira ! A pior forma de falar de violência e dor e fazê-lo com violência e dor.

::: by meraluz at 1:05 AM - post nº



Segunda-feira, Agosto 11, 2003 :::

E de repente,
a gente se pega
tendo recaídas

|
caídas

|

caídas

|

caídas

|

idas

>

vindas

<

vida.


::: by meraluz at 12:02 PM - post nº



Sábado, Agosto 09, 2003 :::

Eu odeio a ditadura da Microsoft e do Windows Media Player 9!

Este arbitrário programa não me permite escolher um outro plugin para ouvir som na Web, isto quando não permite ouvir absolutamente nada, nem com ele. Já instalei e desinstalei mais de 5 vezes essa bosta de programa. Há muitas páginas, como a www.radioblog.blogger.com.br, a radio UOL e a de alguns amigos, que só são abertas com ele.

Outro fato enervante é que o IExplorer nao lê o comando <embed, que permite que se coloque um console de som diferente do WMP, com controle para o visitante (nem todos gostam de músicas em sites), e não toca nenhum tipo de som oferecido com outro plugin. Pelo embed ser um comando típico do Netscape, a Microsoft resolve ignorá-lo. E o IExplorer só vai ler o comando bgsound , que nao tem a possibilidade do controle.

A única forma segura de fazer o visitante ouvir o som a partir de um console é através de um comando enooooooooorme e complexo de Active X: inserir object . To fora!

Além disso, gera inúmeros conflitos para o meu sistema. Talvez seja bom para o Win XP. Eu uso o Win98, porque acho mais simples. E mesmo com o ditador instalado, nao consigo ouvir muitas músicas disponibilizadas na Web. Provavelmente porque não desinstalei meu Winamp, que eu adoro. E nao vou desinstalar. Recuso-me.

Conclusão: desisto de ouvir som na Web! Ficarei com meus CDs solitários e não compartilháveis.

A propósito de complicações técnicas:
Com a maior dor no coração, tenho reduzido minhas visitas a blogs de amigos muito queridos devido ao acúmulo de scripts rodados e a sons pesados. Mesmo com banda larga, tenho tido problemas para acessar esses sites, às vezes travando todo o meu sistema. Até no meu (nosso) próprio Levanta Rio, que já sofreu uma reduçao de scripts e músicas - e vai sofrer mais ainda, para facilitar a vida dos visitantes - tenho deixado de ir (posto mas não abro o site). Pra quem usa a conexao dial-up, nos finais de semana deve ficar impossível.

::: by meraluz at 5:15 PM - post nº



Sexta-feira, Agosto 08, 2003 :::

Blog é uma ferramenta umbiguista? Sim, e daí?

::: by meraluz at 12:02 PM - post nº



Aparentemente lúcida

Os que me conheceram no passado andam dizendo que minha forma de expressão foi acometida de uma lucidez absurdamente linear. Não sei se me lamento ou me alegro por isso. Conheci a "loucura" e expressei a "loucura" em tempos outros. Distanciamento total da coerência, palavras cortantes, agressivas, oníricas, filosofias de não-conformidades, impactos, dogmas alternativos.

De fato, ao me reler nos dias de hoje, vejo um texto quase bem comportado, sem grande rebuscamento intimista, sem necessidade de agredir ou inovar, enfim, sem grandes intenções. Quando mais jovem, a tônica era a iconoclastia: agredir, contestar, destruir valores empoeirados e decadentes - ó pretensão! Usava as assimilações ainda frescas das literaturas que me deslumbravam, qual uma discípula daqueles filósofos meio, como direi, assépticos, que pouco experimentavam a vida, ocupados que estavam em pensá-la. Vida no sentido de suores, lágrimas, contrações físicas, derramamento de líquidos, orgasmos, dores do corpo e da alma, parari, parará.

A sociedade em si não mudou muito (nem seus contestadores). Continua a mesma hipocrisia de sempre. O grande e previsível teatro. Mudou meu modo de observá-la. Mudou também o comportamento, pois não tenho agora muita necessidade de "aparecer" e gritar: "eu existo, penso e estou aqui em oposição à sociedade decadente, bando de alienados!"

Mas isso faz parte. E fez a sua parte, no seu tempo. O texto relativamente lúcido e "caretinha" de hoje não significa que sua autora seja um poço de clareza e linearidade. É apenas um exercício de expressão mais clara, sem artifícios alucinógenos. Minha loucura continua comigo. Mas, não sei se isto é possível, tenho plena consciência dela e nenhuma vontade de transformá-la em showbiz. Na tentativa de expressão coerente (e nem sei se consigo), exercito algo que agiliza meu tempo. Não há mais tempo de gastar tempo tentando expor abstracionismos vãos. Esses ficam lá dentro, no departamento interno de arte intimista, não exprimível em palavras.

Ao longo do trajeto, consegui algo que me tem sido fundamental: clareza de idéias. Isto não significa a ausência do risco de perdê-la, nem tampouco que a clareza de minhas idéias seja a clareza de idéias claras. Apenas clareza de idéias. Em alguns momentos, isto facilita os próximos passos.

Como dizia Shakespeare, "Ainda está para nascer o filósofo que possa suportar uma dor de dente com paciência".

::: by meraluz at 11:08 AM - post nº



Quarta-feira, Agosto 06, 2003 :::

O crepúsculo não é menos belo do que a aurora.

Criei mais um tipo de olhar daqui do meu Observatório. Um olhar que contempla o efeito do tempo sobre os mortais. Assim, quando ando pelas ruas ou estou em alguma sala de espera, escolho um idoso e, a partir de seu semblante, começo a fazer com ele uma viagem imaginária no tempo. É um exercício interessante:

- O senhor que sai do consultório tem um ar sereno e plácido. Deve ter sido muito bonito na juventude. Alto, postura ainda ereta, feições bem desenhadas, que resistem heroicamente aos seus prováveis 80 anos. O que terá ele vivido? Teria tido muitas amantes? De que mal sofre hoje? Projeto de vida de idoso é driblar a falência dos órgãos. Mas ele parece satisfeito. Um médico lhe dedicou 40 minutos de atenção.

- Aquela velhinha na fila do banco tem cara de má. A boca faz uma curva para baixo. O olhar frio, por trás dos óculos, tem pouca luz. Será que é só uma questão de degeneração do viço? Será que chegou a se permitir um dia o benefício de um orgasmo?

- Lá vão as duas beatas, a magra e a gorda. Seguem sempre juntas pela rua, rumo à missa das seis. O tempo envergou a magra e poupou a gorda, ferindo-lhe apenas com uma volumosa papada. Por que este senhor tem a mania de privilegiar alguns enquanto sobrecarrega outros? Provavelmente, a magra curvada é a mais infeliz. O que será que vão pedir em suas orações? Oram com fé ou com hipocrisia? A velha magricela de ossatura deformada não parece ter fé. A gorda é a mais crédula e tem colesterol alto, poderia apostar. Quais teriam sido seus sonhos na juventude?

- Olha só que sublime! O casal de idosos no banco da praia. Ela tem poucas rugas. São conservados. Acariciam-se e gostam de sol. Como deve ter iniciado essa história de amor que atravessou o tempo? Terá sido amor à primeira vista ou aprenderam a se amar com a convivência, durante o despontar de cada cabelo branco, cada vinco no rosto, cada falha de memória, cada perda hormonal? Parecem felizes, à maneira deles. Parecem mais jovens porque se amam e estão de mãos dadas. Eu os invejo. Sempre quis um amor assim de longa duração, para além dos hormônios.

E por aí vai. Esses esgares do tempo no rosto dos idosos vêm me lembrar que um dia serei como eles - isto é, se a vida me permitir a velhice. É uma projeção um tanto assustadora. Por isso, peço ao tempo que não me curve os lábios para baixo, como fez com a senhora da fila do banco, que não mais consegue sorrir. Será que ainda dá tempo de viver um amor que se sustente de mãos dadas até lá, como o do casal de velhinhos na praia? Amores da era digital são tão descartáveis. Mas isto não impede as esperas.

Essas perversas esculturas do tempo vêm me lembrar que preciso viver, viver muito, viver tudo, porque, por mais que a alma preserve o viço, o corpo não acompanhará todos os seus ímpetos. E as histórias que terei serão essas que faço agora. As memórias são uma espécie de meta-história: uma história a lembrar histórias e a recontá-las. Portanto, se hoje fizer histórias benfazejas, sorrirei amanhã ao revisitá-las, retirando, assim, a peculiar amargura dos finais de trajeto. E não haverá degeneração orgânica que possa me tornar infeliz quando tudo tiver valido a pena.

::: by meraluz at 11:50 PM - post nº



Segunda-feira, Agosto 04, 2003 :::

Ainda sobre sedução

Ainda a propósito do post Manual do Des-Amor, abaixo, gostaria de complementá-lo com uma referência ao episódio mitológico de Ulysses e o Canto das Sereias. Esta parte da Odisséia ilustra metaforicamente o que referi como sedução - pois há uma outra acepção do termo, muito mais benevolente. Ao mencionar a sedução como sendo antagonista do amor, referia-me ao uso de um poder de encantamento premeditado. O encantamento pensado, ou associado à consecução de um fim, de pouca grandeza espiritual, que beneficia apenas uma das partes. Não é difícil seduzir, quando se tem um pouco de conhecimento do outro, alguma noção de psicologia, e quando se está emocionalmente impermeável. E essa sedução pode adquirir proporções tão magnânimas que, quando exercidas por indivíduos muito ardilosos, é capaz de levar aquele que tem o coração aberto (o seduzido) à total destruição de si próprio, a partir do aniquilamento da identidade e da auto-estima. O seduzido pensa que ama. Faz parte da trama. Mas nada disso tem a ver com amor, creio eu - só creio, porque não sou dona de verdade alguma. O amor saudável não cega, não destrói. Ao contrário, tem grandes olhos de enxergar longe, bem abertos, e constrói templos indestrutíveis ao longo do tempo. E resiste bem, como resistiu Ulysses.

Para concluir, a lenda de Ulysses e o Canto das Sereias:

Ao retornar das trevas, Ulysses visitou novamente a ilha de Aeaean e contou a Circe sobre suas aventuras, das fantásticas visões e das leis do Inferno. Em retribuição, a feiticeira agilizou sua viagem de volta à pátria, instruindo-o pessoalmente sobre como passar seguramente pela costa onde ficavam as Sereias (1 Odisséia, 12.), as perigosas ajudantes de Circe.

Essas ninfas tinham o poder de seduzir, através do canto, todos os homens do mar que as ouvissem, impelindo-os a se lançarem às águas e à destruição. Circe aconselhou Ulysses a vedar os ouvidos de seus marujos com cera, para que nada ouvissem, a manter-se amarrado ao mastro, a comandar sua gente, a fazer ou dizer o que quer que fosse, mas se manter sempre atento, até ultrapassarem a Ilha das Sereias. Ulysses acatou as instruções. Ao se aproximarem da Ilha das Sereias, o mar estava calmo e, do fundo das águas, reverberavam notas musicais tão fascinantes e atraentes que Ulysses começou a lutar desesperadamente para se desamarrar. Gritava e fazia sinais para os marujos, implorando para que o soltassem; mas estes, em obediência às suas ordens anteriores, remaram com força e reforçaram ainda mais suas amarras. Seguiram seu curso, e a música foi ficando cada vez mais inaudível, até cessar por completo. Neste momento, com alegria, Ulysses ordenou a seus companheiros que retirassem a cera dos ouvidos; e eles o soltaram. Conta-se que uma das Sereias, Parthenope, desiludida por Ulysses ter escapado, afogou-se. Seu corpo apareceu flutuando nas costas litorâneas onde fica hoje a cidade de Nápolis, antes chamada de Sereia.



::: by meraluz at 3:48 PM - post nº



Permitam-me colocar aqui uma das mais belas crônicas de Rubem Alves, na minha opinião.

"Eu havia colocado no toca-discos aquele disco com poemas de Vinícius e do Drummond, disco antigo, long-play, o perigo são os riscos que fazem a agulha saltar, felizmente até ali tudo tinha estado liso e bonito, sem pulos e sem chiados, o próprio Vinícius, na sua voz rouca de uísque e fumo, havia recitado os sonetos da separação, da despedida, do amor total, dos olhos da amada.

Chegara finalmente o último poema, meu favorito, "o haver" - o Vinícius percebia que a noite estava chegando, tratava então de fazer um balanço de tudo o que se fez e disso, o que foi que sobrou? Por isso as estrofes começam todas com uma mesma palavra, "resta..." - foi isso que sobrou. Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio... Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal entendido... Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança...

Começava naquele momento a última quadra, e de tantas vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar. O pôr-do-sol é belo porque as suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim é certo que o seu lugar seria entre os instrumentos de tortura do diabo, no inferno. Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca? continua



::: by meraluz at 1:19 PM - post nº



Sábado, Agosto 02, 2003 :::

Trecho de Poemas Inconjuntos - Alberto Caeiro

(que não canso de reler)

Poemas Inconjuntos
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)


Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
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::: by meraluz at 2:24 PM - post nº



Tenho uma fratura no dedo e esmagamento dos tendões. Recomendações médicas: imobilização total por 4 semanas. Já está quase chegando lá. Mas não resisti hoje. Há horas em que escrever se torna uma necessidade maior do que a dor física. Agora vou parar, porque a mão realmente dói e eu já brinquei o suficiente com as letras. Agradeço o carinho de todos que sentiram minha falta por aqui. Volto logo. Falta pouco. :)

::: by meraluz at 12:49 AM - post nº



Manual do Des-Amor


Há algum tempo atrás, comecei a escrever um livro. Não terminei. Mas isto não importa. Não é sobre um livro inacabado que quero falar, mas sobre a idéia que o motivou. Dei-lhe o título "Manual do DesAmor". Não, não era o que vocês, provavelmente, estão pensando. Nada tinha a ver com amargura, frustrações, dramalhões. Era um simples manual de técnicas de sedução.

Em dezessete capítulos, formulei situações matemáticas sobre como atrair ou dominar o objeto do desejo, exemplificando-as com histórias que observei e equacionei, quando nada tinha de melhor para fazer. Vez ou outra, eu mesma ousava testar essas fórmulas. No fundo, torcia para que falhassem, mas, para minha tristeza, funcionavam perfeitamente. Arriscaria dizer que o índice de acerto dessas técnicas é de aproximadamente 90%, se o agente conseguir isolar o fator emocional enquanto as pratica.

Eis a questão: isolar a emoção para seduzir. Foi exatamente isto que sugeriu o título. Óbvio. Seduzir não é amar. E seduzir planejadamente é o oposto do amor. Daí surgiu o "Manual do Des-amor".

Resumindo, a sedução estaria para a disputa e para o lúdico equanto o o amor estaria para as entregas e ausência de artifícios: seu oposto. Ao final do livro, eu concluiria que as duas concepções eram antípodas. Brincaria com o leitor, dizendo que, agora que ele estava apto a seduzir, teria de começar um outro extenso capítulo, que não mora em livro algum e é averso a técnicas. O capítulo do verdadeiro amor, que é desaprendido enquanto se está ocupado com os artifícios das seduções. E fecharia a última página com o Soneto CXVI de Shakespeare, que, na minha tímida opinião, é literariamente o que mais se aproxima da idéia que faço desse tão absoluto sentimento, que já rendeu tantas canções e tanta literatura.

É possível seduzir muitos alvos e por muitas vezes. Pura dinâmica, Terceira Lei de Newton: "para cada ação uma reação..." Mas nem sempre é possível se fazer amar pelo que se é. Aí, meus caros, a coisa pega, pois não existem fórmulas. Amar de verdade é coisa pra gente grande.

Quem sabe, um dia, eu termine o livro? Quem sabe um dia eu me torne grande?

::: by meraluz at 12:45 AM - post nº