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Terça-feira, Dezembro 31, 2002 :::
2003 - Deixem a criança vir !!!! O
espírito é este: o riso alegre do moleque no parapeito do
"apesar". E a estrela há de brilhar ;)
Bola de Meia, Bola de Gude
Há um menino, há um moleque Morando sempre no
meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra
me dar a mão
Há um passado no meu presente Um sol
bem quente lá no meu quintal Toda vez que a bruxa me
assombra O menino me dá a mão
E me fala de coisas
bonitas Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, Caráter, bondade, alegria
e amor
Pois não posso, não devo, não quero Viver
como toda essa gente insiste em viver E nao posso aceitar
sossegado Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola
de meia, bola de gude O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança O menino me dá a
mão
Há um menino, há um moleque Morando sempre no
meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra
me dar a mão
FELIZ 2003 !
::: by
meraluz
at 3:03
PM - post nº

Segunda-feira, Dezembro 30, 2002 :::

Mulheres
de Rubens e a liberdade dos lipídios
Vejam as mulheres de Rubens. A perfeição de
suas imperfeições. Há menos vaporosidade nelas pelas celulites
abusivas, pelas barriguinhas proeminentes? São menos mulheres
por não terem corpos esculpidos em academias? Falta-lhes
poesia, harmonia, por causa dos lipídios em liberdade? Um
homem moderno, como meu amigo Cesar, escravo irrecuperável da
carne, diria: são belíssimas, desde que não saiam das telas.
Tá bem, o tempo era outro, Rubens era barroco e este
era o padrão estético. Um padrão sem padrões, orientado pela
própria natureza, que atuava livre sobre carnes e peles.
Mulheres barrocas não precisavam sentir vergonha de suas
formas. Não existia então a ditatura implacável e geométrica
do corpo, o apelo das academias, nem os recursos artificiais
dos liftings, plásticas, lipos, silicones, essas coisas
que acabam nos roubando a identidade corporal, a inscrição do
tempo e da história em nossa real expressão. Ah, como eu
gostaria de ser uma dessas mulheres de Rubens, despreocupadas
e livres de medidas. Não tomaria uma ruga como ofensa, mas
como carícia do tempo. Não amaldiçoaria as celulites nem o
prenúncio de barriga que começa a ameaçar. Não brigaria com a
flacidez que tira, dia a dia, a firmeza do corpo, onde ainda
teimo em achar alguma poesia. Exercito-me para aceitar e até
gostar de cada parte que o tempo deslocou ou deformou,
orgulhar-me mesmo dessas imperfeições porque são minhas e me
tornam humana.
É... todo esse discurso foi para
encontrar um contexto onde eu pudesse colocar minhas
celulites. Encontrei. Benditas mulheres de Rubens. A
propósito, já inventaram plástica para o cérebro? Aí estaria
eu exterminada, as "deusas do silicone" seriam perfeitas,
seres fantásticos. Acontece que, como o cérebro é um orgão
interno, cuja forma os olhos não alcançam, provavelmente as
"divindades de oficina" não se esforçariam para restaurar este
simples acidente anatômico; ironicamente, um dos maiores
responsáveis pelo tesão. Então, companheiras de lipídios
extras e alguns neurônios, ainda temos chances.
Marcia
Peso: 49 kg - Altura: 1.60 m - Busto: 42 - Cintura: 72 -
Quadris: 93 - Tornozelo: 21 - Manequim: 40/42- (mal
distribuídos) - Medidas internas: imensurável
::: by meraluz at 1:19
AM - post nº

Sexta-feira, Dezembro 27, 2002 :::
As poemices
de Glória Horta
Tenho encontrado na Web pouca
coisa de Glória Horta. Na minha opinião, Glória é uma das
grandes artesãs de palavras da contemporaneidade. Sua poesia
tem força e grita muito bem os versos do nosso tempo. Há muito
não tenho notícias de Glória, cheguei a encomendar com ela uns
20 exemplares, uma vez, porque os amigos ficaram encantados
com seu livro SANGRIA, ao folheá-lo por aqui. A última vez que
a vi foi no lançamento do seu segundo livro. Depois nunca
mais. Nem pela Web. Por onde andará Glória Horta?
É
justo que eu deixe publicado aqui alguma coisa dela. As
poesias abaixo estão no livro SANGRIA e Outros Poemas -
Glória Horta.
1) REAL
Gosto das
pessoas desbocadas porque a realidade é desbocada. A
realidade não tem papa na língua, chama o cu de cu. A
realidade não supõe, ela é. É nua e crua como o ser
humano.
Gosto das pessoas descaradas porque a
realiade é descarada. A realidade não tem mil faces, ela
se mostra. Ela é uma só, enorme, acima, abrangendo todos
nós. Gosto dos palavrões porque a realidade é indecente.
É grossa, é clara, é pura.
É a realidade que nos
persegue, noite e dia. Viver é fugir dela. Fugir dela
é buscá-la.
**** 2) VÁCUO
estou oca estou doida
estou
louca
estou oca
estou oca estou
sóbria
estou louca
estou
lúcida
estou só |
desbragadamente desatinadamente desarvoradamente
desavergonhadamente desnorteadamente desmioladamente
desvairadamente
des braga des atina des
bunda des avergonha des embesta des
nortea des miola des abutina des arvora des
piroca des enfrea des orienta des
caralha des embaraça des morona |
damente damente
damente damente damente damente damente
damente. damente damente damente damente damente.
damente damente
|
louca fraca
doida
obscena
triste
louca
fraca
doida obscena lúcida
atenta
quieta fraca
sóbria |
e
só
só
só. e é só.
e
só.
só.
só,
só,
só. |
Estou oca
desvairadamente triste e é só.
::: by meraluz at 11:15
AM - post nº

Quarta-feira, Dezembro 25, 2002 :::
Guanabara já !
Há que se fazer algo pelo
resgate da cidade maravilhosa. E já se começa a fazer...
Cariocas de nascimento, de coração, simpatizantes, vamos
discutir um projeto que pode devolver a magia da luz e do
coração do Rio, magia que tentam levar pouco a pouco. Visitem
o site Guanabara
Já, votem e opinem.

::: by meraluz at 8:16
PM - post nº

Cenas de
Infância e Livre Expressão
Ouvi, ao conversar hoje
com uma antiga amiga da família - dessas criaturas únicas e de
pródiga genialidade -, em revisita ao passado remoto, a
seguinte confissão:
- Lamento muito não ter me
aproximado mais de você quando era ainda uma criança. Tinha o
jeito tão esquivo que eu pensava que não gostasse de mim. Vi
você crescer e só recentemente percebo quanto ficou perdido no
tempo. Ainda bem que pudemos resgatar algo desse contato nos
últimos anos.
Vieram-me, neste momento, as imagens
da infância. A memória das primeiras acontecências é sempre
muito nítida. Então a Caê (este é o apelido carinhoso dela)
nem sequer imaginava a minha admiração por ela... Eu a
observava do meu canto tímido, deslumbrada com sua
personalidade forte, com sua inteligência, com seu jeito único
de existir. Uma vez, morri de tristeza quando ela deu de Natal
um vinil do Hendrix para meu irmão, então com 9 anos, enquanto
tive de me contentar com um desses presentes insignificantes
para crianças comuns. Ora, eu não me sentia como as outras
crianças e queria um disco do Hendrix também. Nunca a perdoei
por isto.
Ela não sabia... Ela não pôde saber de
muitas coisas. E isto me leva a pensar o que não faz o desvio
ou a ausência da comunicação. Quanto tempo se perdeu até
resgatarmos o verdadeiro e agradável contexto de um encontro
tão feliz. A falta de expressão da minha simpatia, admiração
ou seja lá qual fosse o predicativo, fez com que ela, por não
se sentir gostada, me deixasse de lado, investindo muito mais
na relação com meu irmão.
Eu sempre tive olhos de
susto quando criança. Minha expressão ficou comprometida
quando, por volta dos 4 anos de idade, tomei uma surra de
crianças maiores do que eu, sem saber por que apanhava. Uma
coisa é levar umas boas chineladas de mãe: você sabe por que
está apanhando, e no fundo até sente amor nessas chineladas.
Outra é apanhar do lado de fora do universo do lar, ao iniciar
a vida, de guris e gurias fisicamente maiores, que, em sua
"inocência cruel", proveniente da seleção natural, ou qualquer
coisa darwinista, precisam aniquilar os mais frágeis (ou os
menores). Freud mesmo costuma dizer que há uma certa crueldade
nas crianças. E eu começo a acreditar que, pelo menos em
algumas, isto é fato. Enfim, esta cena me calou por um bom
tempo e me deixou com olhos de susto, visíveis em qualquer
fotografia. Achava sempre que o mundo ia me bater.
Vim
descobrir a importância desses detalhes barroco-existenciais
algum tempo depois, na psicanálise, que fez um bom trabalho
nesse sentido da libertação do verbo e da auto-descoberta.
Hoje me é tão fácil dizer: gosto / não gosto; sim /
não; quero isso / não quero aquilo; ai, ta
doendo! / ai, que bom!. Mas naquela época eu não conseguia
me expressar e muito menos sabia a razão. Lamento o quanto se
perdeu com isto. Privei-me de conversas mágicas e ricos
aprendizados que poderia ter tido com Caê. Ela tem sempre
tanto a transmitir. Que o digam seus alunos.
Mas
chorar sobre o leite derramado é contraproducente. Hoje tento
compensar o tempo perdido e temos tido momentos semantica e
existencialmente deliciosos. As cenas da infância são muito
mais poderosas do que podemos imaginar, comento hoje com ela.
Talvez nelas estejam muitas das respostas de nossos
complicados enigmas. Uma pequena violência é capaz de roubar
de um pequeno grandes forças. Ao dar-me conta disto, e da
importância de me fazer representar, trabalho hoje
artesanalmente a minha faculdade de dizer, sem medo de ser
feliz ou infeliz. É trabalho permanente e de aperfeiçoamento
diário. Que não me aceitem pelo que sou, mas que nunca deixem
de me aceitar pelo que não sou, ou pelo que não pude mostrar
que sou.
Vale a reflexão. A vida não pode ficar por
dizer.
:::
by meraluz
at 6:24
PM - post nº

Domingo, Dezembro 22, 2002 :::
Barroque & Blue
Este som é uma viagem: Suite for Flute and Jazz Piano,
Jean-Pierre Rampal e Claude Bolling. Barroque & Blue é a
primeira faixa. Uma mistura perfeita da flauta barroca com o
jazz piano. Minha alma barroca e blue agradece. A música é uma
espécie de ópio. Gosto do jazz instrumental porque toca para
além das palavras. Os metais, o piano, desferem notas
cortantes que entram pelos ouvidos, pelos poros, pelas
vísceras. Variações em torno de um mesmo tema, sem se perder.
Improvisos, pulsações, febres, viagens. Uau... Isto é muito
bom. Eu me dissolvo... Sugiro aos amantes do jazz incluirem
esse álbum em sua discoteca: Suite for Flute and Jazz Piano
vol. 1. Vou deixar de presente aqui uma amostra de uma faixa
especial para download: Sentimentale.
::: by
meraluz
at 10:41
PM - post nº

Sábado, Dezembro 21, 2002 :::
Para (você não)
ler:
MONOCROMIA
SECRETA DE UM FINAL DE ANO
::: by meraluz at 12:48
PM - post nº

Sexta-feira, Dezembro 20, 2002 :::
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| ::: by meraluz at 9:04
PM - post nº

Quinta-feira, Dezembro 19, 2002 :::
É Natal... (1)
Ruas tumultuadas,
shoppings abarrotados, camelôs gritam aglomerados ao longo das
avenidas "Três peças por cinco reais!!!" Que peças? Nem
vi. Levo um esbarrão, meu celular cai ao chão e quebra. É
preciso comprar presentes. Há um decreto implícito. É preciso
comprar. Quase quarenta graus. É verão. Mas os cartões de Boas
Festas exibem neve. Aqueles paraguaios exibem neve e tocam uma
musiquinha enlouquecedora. Rezo para que nunca me mandem
cartões musicais. Importamos o nosso Natal. Os adereços só nos
falam de inverno. E o termômetro marca quarenta graus. Mas o
que é isso? Uma convulsão coletiva em nome do nascimento de
Cristo? E os encontros de confraternização? A dois não
compareci. Fui censurada e criticada por não estar revestida
do espírito natalino. Eu compreendo quem não compreende que há
dias em que, para alguns, é violento ter que esperar horas
para vagar uma mesa grande nos restaurantes, são violentos os
decibéis dissonantes aos ouvidos. Mas comprei presente para
todos. Um dia entregá-los-ei. Continuo minhas andanças no meio
do caos. Paro e lanço um olhar de cumplicidade a um pivete.
Penso: como será o Natal dele? Sinto enorme constrangimento de
ver tantos presentes inúteis em minha sacola diante do
contraste de seu rostinho sujo e olhos de tanto faz. Dou um
troco ao moleque, excepcionalmente. Talvez pela culpa. Não
costumo dar dinheiro. Possivelmente usou a grana para comprar
cola e cheirar. É o Natal dele. Eu nada posso fazer (será que
não?), a não ser olhá-lo com a cumplicidade de quem o
compreende naquele momento . A noite realça as luzes coloridas
e cintilantes. É a melhor parte. A cidade fica linda enfeitada
com luzes que piscam encantadas por toda parte. Ainda não tive
tempo de ver a árvore da Lagoa. Esse efeito das luzes me
fascina, me distrai os olhos. Disfarçam bem as injustiças
sociais. E também tem as crianças... Para elas a festa é
sempre plena. Luzes e crianças: o melhor da festa. Tenho de
continuar, depois volto às reflexões. Agora...é preciso
comprar presentes. Inúteis presentes.
Aos meus
amigos e simpatizantes, toda a verdade de um Feliz Natal
! PAZ !
::: by
meraluz
at 12:10
AM - post nº

Sexta-feira, Dezembro 13, 2002 :::
Blogs - Caras & Bocas
De repente me peguei muito preocupada com formas e
aparências neste blog. Mas quanta asneira... Essa preocupação
estava tornando a palavra desimportante, quando ela é a única
razão deste espaço. Parece que essa febre de blogs tem algo de
contagioso. E toda febre acaba sempre distorcendo o sentido
das "cousas". O que se vê por aí é um festival de estilos,
layouts, efeitos, cores, uma infinita competição de maquiagem
de blogs. Há templates lindos, verdadeiras obras de arte
"pixelistas" (parodiando a Li). Inventaram até "fansigns",
selinhos confeccionados por admiradores de blogs. Bem, é uma
das tendências. Não vamos tirar o valor da criação estética
com imagens. Mas a mim interessa mesmo a criação e a
libertação do verbo. E, para quem tem essa prioridade, imagens
demais podem confundir, empalidecer ou desviar as palavras.
Nem público este blog é. Não me interessa a divulgação de
massa. As massas sempre me assustam. E, além do mais, não tem
nada de tão grandioso aqui que possa vir a servir multidões.
Admiro minha filhota Lila (menina anos luz à frente do
seu tempo), que não se rende ao celofane das aparências, o
blog dela se chama Meu
Blog Não Tem Nome Bacana. Ela não tá nem aí para as
formas, o blog dela é de uma simplicidade visual ímpar, e, no
entanto, ela faz miséria com as palavras e os seus 20 anos. Há
arte quando ela conta o mais simplório dos casos, fala do mais
reles cotidiano. E, me desculpem os designers de plantão,
entre trabalhar bem com as palavras e trabalhar bem com as
imagens, há muito mais o que se oferecer com as primeiras, não
acham? Com elas tudo se faz (ou se desfaz). Obviamente, quando
estou no ofício de criar Homepages a coisa é outra, aí sim,
precisamos lidar bem com composições visuais. Mas, ao meu ver,
a finalidade de um blog nao é esta. Até porque trabalhar com
ele é tecnicamente muito mais maçante do que editar páginas de
Web.
E, assim sendo, paro aqui de me importar com o
visual deste blog, para me dedicar um pouco mais ao que
realmente venho fazer aqui, depositar palavras. Preciso delas,
expulsá-las de mim e/ou assimilá-las de outras fontes, não
necessariamente na mesma ordem.
::: by meraluz at 9:47
PM - post nº

Quinta-feira, Dezembro 12, 2002 :::
Aldir Blanc merece
respeito!
Acho que não preciso aqui lembrar o que
Aldir
Blanc fez pela nossa música e cultura, não é? Para quem
não sabe muito ou está esquecido, informe-se aqui.
Também penso que não seja necessário usar de muitas palavras
para definir a dupla sertaneja Rosinha/Garotinho e o quanto de
ameaça e retrocesso ela significa para a "cidade do Rio de
Janeiro". Bom, essa mensagem não deve servir aos iludidos
evangélicos, claro. Pois bem... hoje recebi o seguinte
e-mail, com texto assinado pelo próprio, através de uma
conhecida do Aldir, e retransmito aqui, sob autorização. Leiam
e tirem suas conclusões. É auto-explicativo. O texto está
liberado a quem quiser e puder divulgar.
Queridos
amigos. Aldir teve o contrato rescindido no O DIA (RJ) -
onde escrevia desde 95, e tinha renovado o contrato em
setembro -, no dia seguinte da crônica em que ele falou
sobre a declaração do Garotinho de "desinfetar o Palácio".
Respondendo a um e-mail de amigos de São Paulo, ele
escreveu:
"Façam circular aí que Garotinho e Rosinha
Minha-Canoa, os escrotos feudais do Rio, por causa de um
artigo, esculhambando o racismo implícito na idéia de
"desinfetar o Palácio" (ou seja, a presença da governadora
Benedita da Silva, na asquerosa visão deles) pediram minha
cabeça no jornal O DIA, e tive o contrato cancelado sem
sequer uma demissão formal. A censura, baixa, espúria - e
agora, ainda por cima "religiosa" - continua!. Abaixo
esses dois cafifas dos sentimentos religiosos dos pobres!
Abraços Aldir"
::: by meraluz at 2:29
PM - post nº

Sábado, Dezembro 07, 2002 :::
Não
Freud e nem sai de cima Primeiro as
perguntas: 1) Quem precisa de psicanálise? 2) A
psicanálise resolve? 3) Até que ponto a análise leva o sujeito
ao individualismo exacerbado? 4) Qual o principal benefício de
uma terapia? 5) Você acredita?
As respostas, segundo
minha experiência em divãs, ao longo de muitos anos. Mais
rodada em mão de analista do que piranha da Av. Atlantica nas
mãos de gringo:
1) Precisa de psicanálise, ou de
terapia, ou de algum apoio em benefício do Eu profundo, aquele
que se encontra angustiado, com dificuldade de libertação do
verbo, com identidade perdida, fragmentada, levando a
consequências desconfortáveis diversas, sobretudo a de baixa
auto-estima. Na verdade, quem deveria estar deitado num divã
de analista era o Mundo. Se alguém se diz muito normal e de
acordo com um mundo visivelmente doente, provavelmente esse
alguém está muito mais doente do que se possa imaginar. O
problema está menos no problema do que na maneira como
convivemos com ele. E se estamos convivendo mal, precisamos de
ajuda, sim.
2) A psicanálise não resolveu meus
problemas. Mas... ajudou muito no meu modo de resolvê-los. Não
há como negar que em termos de autoconhecimento ela lança um
refletor sobre os nossos subterrâneos e um espelho diante de
nossa face.
3) O individualismo exacerbado... Isso
sim. Percebi em mim e percebi em várias pessoas que começaram
a fazer terapia. Centram-se demasiadamente em seu próprio Ego.
Passam a individualizar tudo com discursos bem construídos,
politicamente corretos. Bah... essa história do politicamente
correto às vezes cansa, não? Na minha opinião, a psicanálise
oferece o risco de deixar o ser humano menos humano e mais
solitário, porém mais resolvido. Os psicanalistas que me
perdoem, mas essa parte da minha experiência não há como
negar. A um primeiro momento, fiquei exageradamente voltada
para os meus botões, dando uma banana para o resto da
humanidade. Depois de um certo tempo, questionando muito,
atingi um equilíbrio nesse sentido. Porque já estava
desconfiando daquele discursinho do tipo: primeiro eu, segundo
eu, terceiro eu, etc... Isso martelava um bocado no começo. E
logo adiante, fui ver que tinha muito de blefe nessa forjada
idolatria ao Ego. O "primeiro eu", para quem está amadurecido
emocionalmente, é também considerar o outro e querer dividir
com ele. Claro, sem prejuízo de si próprio.
4) O
principal benefício da terapia, eu creio, é o autoconhecimento
e a clareza na formulacao das idéias, que leva a um maior
bem-estar interior e a uma melhor interação com o mundo
exterior. Promove, se o paciente ajudar, a devida consciência
do que somos e dispara um alerta para não nos perdermos do
nosso próprio princípio de ser. A auto-representação é
fundamental. Estamos no mundo para isto, não é? E aí a terapia
ajuda muito. Se se puder alcançar isto sem ela, ótimo. Do
contrário, vale a experiência.
5) Acredito em partes
dela. Não serve p'ra tudo. É um quebra-galho eventual. O amor
é muito mais eficiente. Houvesse mais amor entre os
homens sobre a face da Terra e os psicanalistas estariam
falidos. De certa forma, um divã é o lugar, muito caro,
diga-se de passagem, para solitários e inconpreendidos.
Importante registrar aqui que não faço mais terapia no
momento. A esta altura ela se tornou, para mim, um não Freud e
nem sai de cima. Não há mais muitos progressos a fazer e há
que se preservar alguma loucura, talvez a melhor parte de nós
mesmos.
::: by meraluz at 2:45
AM - post nº

Quarta-feira, Dezembro 04, 2002 :::
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Calem a boca,
falsos amantes!
Calem a boca,
falsos amantes! Há muito barulho em torno do nada.
Eternas promessas, incandescentes palavras, irretocáveis
ficções. Tenho observado vocês, falsos amantes, que
parecem gostar mais da história do que do amor.
Ambiciosas palavras, dores induzidas, ímpetos
irrefreáveis. Dramas. Tramas. Ruídos. Não me venham com
argumentos hiperbólicos do tipo "tenho o amor maior do
mundo". |
Recolham-se à sua insignificância
de meros pares que nada pretendem além da
auto-descoberta. Calem a boca, falsos amantes. Pois
que a mais bela das palavras, ou a mais trágica
dramaturgia, não se compara à grandeza de uma
atitude.Qualquer atitude, qualquer agir. Gritem seu amor
fazendo! Abandonem o esconderijo das palavras, dos
enredos, dos jogos, das canções, ilusões, contradições.
E eu não mais lhes chamarei "falsos amantes". Nem muito
menos pedirei que calem a boca, sempre cheia de
histórias que não querem acontecer para além das
literaturas, do imaginário.A vida é o querer profundo, e a
verdade de um querer, só e apenas ela, é que alcança o
acontecer, o fazer, o fazer acontecer. Enquanto isso,
calem a boca, calem a boca... Vocês fazem muito barulho
com o vento
etéreo. | ::: by meraluz at 11:01
PM - post nº

Segunda-feira, Dezembro 02, 2002 :::
Clarear !!! Clarear!! Vamos recorrer aqui a umas notas
bregas dos anos 80 que costumavam levantar o astral da galera.
Porque o brega é feliz, é colorido, é despretensioso! Um pé no
rabo do baixo astral !!!! 1, 2, 3, 4 vai.. Clarear!!!!!
Pegue
a música aqui e me ajude a clarear! Cante comigo! :))
CLAREAR -Octávio Burnier / Mariozinho
Rocha-
Clarear baby clarear Pelo menos um pouco de
sol Eu só quero clarear
Quando não houver mais
amor Nem mais nada a fazer Nunca é tarde pra lembrar
Que o sol está solto em você
Um pouco de luz nessa
vidaaaaaaaa Um pouco de luz em você Um pouco de luz
nessa vidaaaaaaaaaaa
Clarear baby clarear Quero
clarear de vez Tudo aquilo que encontrar Quando o
pouco de bom rarear
E a vida for escura e ruim
Nunca é tarde pra lembrar Que o sol está dentro de mim
Um pouco de luz nessa vidaaaaaaa Um pouco de luz
em você (repete)
::: by meraluz at 7:54
PM - post nº

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