A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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:

- O Eterno Retorno de Nietzsche
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- E quando ouvir Lulu Santos...
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- Citações e Excitações
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- (Encontro entre parêntesis)
- SOS Rio!
- Shakespeare pra Bruninha
- Poemices de Glória Horta
- As Duas Formas de Amar
- Calem a boca, falsos amantes !
- Cenas de Infância e Livre Expressão
- Não Freud e não sai de cima
- E meu coração nunca mais foi o mesmo
- Biography
- Mulheres de Rubens e Liberdade dos Lipídios
- Monocromia Secreta de um Final de Ano
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Meu preferido, dentro da categoria:

Jesus, me chicoteia!

- Aldeia - Cesar Oliveira
- Cristal e Poesia - Eliane Stoducto
- Espaço das Letras - meu site profissional
- Essas Mulheres - Ivy Wyler
- Loganálise - Luiz César Ebraico, meu guru
- M.Lopes Design - Marcio Lopes
- RJ Sinfonia - Eliane Stoducto
- Vôos - Ivy Wyler
- Inos Corradin - artes
- Projeto Criar-te


Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
---------------------------------------

Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.




Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


Cotação da verdinha $$$:




VISITE MINHA PAIXÃO:
Levanta, Rio!



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Terça-feira, Dezembro 31, 2002 :::

2003 - Deixem a criança vir !!!!
O espírito é este: o riso alegre do moleque no parapeito do "apesar". E a estrela há de brilhar ;)




Bola de Meia, Bola de Gude

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito,
Caráter, bondade, alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E nao posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

FELIZ 2003 !



::: by meraluz at 3:03 PM - post nº



Segunda-feira, Dezembro 30, 2002 :::



Mulheres de Rubens e a liberdade dos lipídios

Vejam as mulheres de Rubens. A perfeição de suas imperfeições. Há menos vaporosidade nelas pelas celulites abusivas, pelas barriguinhas proeminentes? São menos mulheres por não terem corpos esculpidos em academias? Falta-lhes poesia, harmonia, por causa dos lipídios em liberdade? Um homem moderno, como meu amigo Cesar, escravo irrecuperável da carne, diria: são belíssimas, desde que não saiam das telas.

Tá bem, o tempo era outro, Rubens era barroco e este era o padrão estético. Um padrão sem padrões, orientado pela própria natureza, que atuava livre sobre carnes e peles. Mulheres barrocas não precisavam sentir vergonha de suas formas. Não existia então a ditatura implacável e geométrica do corpo, o apelo das academias, nem os recursos artificiais dos liftings, plásticas, lipos, silicones, essas coisas que acabam nos roubando a identidade corporal, a inscrição do tempo e da história em nossa real expressão. Ah, como eu gostaria de ser uma dessas mulheres de Rubens, despreocupadas e livres de medidas. Não tomaria uma ruga como ofensa, mas como carícia do tempo. Não amaldiçoaria as celulites nem o prenúncio de barriga que começa a ameaçar. Não brigaria com a flacidez que tira, dia a dia, a firmeza do corpo, onde ainda teimo em achar alguma poesia. Exercito-me para aceitar e até gostar de cada parte que o tempo deslocou ou deformou, orgulhar-me mesmo dessas imperfeições porque são minhas e me tornam humana.

É... todo esse discurso foi para encontrar um contexto onde eu pudesse colocar minhas celulites. Encontrei. Benditas mulheres de Rubens. A propósito, já inventaram plástica para o cérebro? Aí estaria eu exterminada, as "deusas do silicone" seriam perfeitas, seres fantásticos. Acontece que, como o cérebro é um orgão interno, cuja forma os olhos não alcançam, provavelmente as "divindades de oficina" não se esforçariam para restaurar este simples acidente anatômico; ironicamente, um dos maiores responsáveis pelo tesão. Então, companheiras de lipídios extras e alguns neurônios, ainda temos chances.

Marcia
Peso: 49 kg - Altura: 1.60 m - Busto: 42 - Cintura: 72 - Quadris: 93 - Tornozelo: 21 - Manequim: 40/42- (mal distribuídos) - Medidas internas: imensurável

::: by meraluz at 1:19 AM - post nº



Sexta-feira, Dezembro 27, 2002 :::

As poemices de Glória Horta

Tenho encontrado na Web pouca coisa de Glória Horta. Na minha opinião, Glória é uma das grandes artesãs de palavras da contemporaneidade. Sua poesia tem força e grita muito bem os versos do nosso tempo. Há muito não tenho notícias de Glória, cheguei a encomendar com ela uns 20 exemplares, uma vez, porque os amigos ficaram encantados com seu livro SANGRIA, ao folheá-lo por aqui. A última vez que a vi foi no lançamento do seu segundo livro. Depois nunca mais. Nem pela Web. Por onde andará Glória Horta?

É justo que eu deixe publicado aqui alguma coisa dela. As poesias abaixo estão no livro SANGRIA e Outros Poemas - Glória Horta.

1) REAL

Gosto das pessoas desbocadas
porque a realidade é desbocada.
A realidade não tem papa na língua, chama o cu de cu.
A realidade não supõe, ela é.
É nua e crua como o ser humano.

Gosto das pessoas descaradas
porque a realiade é descarada.
A realidade não tem mil faces, ela se mostra.
Ela é uma só, enorme, acima, abrangendo todos nós.
Gosto dos palavrões porque a realidade é indecente.
É grossa, é clara, é pura.

É a realidade que nos persegue, noite e dia.
Viver é fugir dela.
Fugir dela é buscá-la.

****
2) VÁCUO

estou oca
estou doida

estou louca


estou oca

estou oca
estou sóbria

estou louca




estou lúcida




estou só
desbragadamente desatinadamente desarvoradamente desavergonhadamente desnorteadamente desmioladamente desvairadamente

des braga
des atina
des bunda
des avergonha
des embesta
des nortea
des miola
des abutina
des arvora
des piroca
des enfrea
des orienta
des caralha
des embaraça
des morona









damente damente damente damente damente damente damente damente.
damente damente damente damente damente. damente damente

louca fraca

doida obscena

triste

louca fraca

doida
obscena lúcida


atenta quieta fraca


sóbria

e só




só.
e é só.

e só.

só.



só,




só,


só.

Estou oca desvairadamente triste e é só.



::: by meraluz at 11:15 AM - post nº



Quarta-feira, Dezembro 25, 2002 :::

Guanabara já !

Há que se fazer algo pelo resgate da cidade maravilhosa. E já se começa a fazer... Cariocas de nascimento, de coração, simpatizantes, vamos discutir um projeto que pode devolver a magia da luz e do coração do Rio, magia que tentam levar pouco a pouco. Visitem o site Guanabara Já, votem e opinem.




::: by meraluz at 8:16 PM - post nº



Cenas de Infância e Livre Expressão

Ouvi, ao conversar hoje com uma antiga amiga da família - dessas criaturas únicas e de pródiga genialidade -, em revisita ao passado remoto, a seguinte confissão:

- Lamento muito não ter me aproximado mais de você quando era ainda uma criança. Tinha o jeito tão esquivo que eu pensava que não gostasse de mim. Vi você crescer e só recentemente percebo quanto ficou perdido no tempo. Ainda bem que pudemos resgatar algo desse contato nos últimos anos.

Vieram-me, neste momento, as imagens da infância. A memória das primeiras acontecências é sempre muito nítida. Então a Caê (este é o apelido carinhoso dela) nem sequer imaginava a minha admiração por ela... Eu a observava do meu canto tímido, deslumbrada com sua personalidade forte, com sua inteligência, com seu jeito único de existir. Uma vez, morri de tristeza quando ela deu de Natal um vinil do Hendrix para meu irmão, então com 9 anos, enquanto tive de me contentar com um desses presentes insignificantes para crianças comuns. Ora, eu não me sentia como as outras crianças e queria um disco do Hendrix também. Nunca a perdoei por isto.

Ela não sabia... Ela não pôde saber de muitas coisas. E isto me leva a pensar o que não faz o desvio ou a ausência da comunicação. Quanto tempo se perdeu até resgatarmos o verdadeiro e agradável contexto de um encontro tão feliz. A falta de expressão da minha simpatia, admiração ou seja lá qual fosse o predicativo, fez com que ela, por não se sentir gostada, me deixasse de lado, investindo muito mais na relação com meu irmão.

Eu sempre tive olhos de susto quando criança. Minha expressão ficou comprometida quando, por volta dos 4 anos de idade, tomei uma surra de crianças maiores do que eu, sem saber por que apanhava. Uma coisa é levar umas boas chineladas de mãe: você sabe por que está apanhando, e no fundo até sente amor nessas chineladas. Outra é apanhar do lado de fora do universo do lar, ao iniciar a vida, de guris e gurias fisicamente maiores, que, em sua "inocência cruel", proveniente da seleção natural, ou qualquer coisa darwinista, precisam aniquilar os mais frágeis (ou os menores). Freud mesmo costuma dizer que há uma certa crueldade nas crianças. E eu começo a acreditar que, pelo menos em algumas, isto é fato. Enfim, esta cena me calou por um bom tempo e me deixou com olhos de susto, visíveis em qualquer fotografia. Achava sempre que o mundo ia me bater.

Vim descobrir a importância desses detalhes barroco-existenciais algum tempo depois, na psicanálise, que fez um bom trabalho nesse sentido da libertação do verbo e da auto-descoberta. Hoje me é tão fácil dizer: gosto / não gosto; sim / não; quero isso / não quero aquilo; ai, ta doendo! / ai, que bom!. Mas naquela época eu não conseguia me expressar e muito menos sabia a razão. Lamento o quanto se perdeu com isto. Privei-me de conversas mágicas e ricos aprendizados que poderia ter tido com Caê. Ela tem sempre tanto a transmitir. Que o digam seus alunos.

Mas chorar sobre o leite derramado é contraproducente. Hoje tento compensar o tempo perdido e temos tido momentos semantica e existencialmente deliciosos. As cenas da infância são muito mais poderosas do que podemos imaginar, comento hoje com ela. Talvez nelas estejam muitas das respostas de nossos complicados enigmas. Uma pequena violência é capaz de roubar de um pequeno grandes forças. Ao dar-me conta disto, e da importância de me fazer representar, trabalho hoje artesanalmente a minha faculdade de dizer, sem medo de ser feliz ou infeliz. É trabalho permanente e de aperfeiçoamento diário. Que não me aceitem pelo que sou, mas que nunca deixem de me aceitar pelo que não sou, ou pelo que não pude mostrar que sou.

Vale a reflexão. A vida não pode ficar por dizer.

::: by meraluz at 6:24 PM - post nº



Domingo, Dezembro 22, 2002 :::

Barroque & Blue

Este som é uma viagem: Suite for Flute and Jazz Piano, Jean-Pierre Rampal e Claude Bolling. Barroque & Blue é a primeira faixa. Uma mistura perfeita da flauta barroca com o jazz piano. Minha alma barroca e blue agradece. A música é uma espécie de ópio. Gosto do jazz instrumental porque toca para além das palavras. Os metais, o piano, desferem notas cortantes que entram pelos ouvidos, pelos poros, pelas vísceras. Variações em torno de um mesmo tema, sem se perder. Improvisos, pulsações, febres, viagens. Uau... Isto é muito bom. Eu me dissolvo... Sugiro aos amantes do jazz incluirem esse álbum em sua discoteca: Suite for Flute and Jazz Piano vol. 1. Vou deixar de presente aqui uma amostra de uma faixa especial para download: Sentimentale.

::: by meraluz at 10:41 PM - post nº



Sábado, Dezembro 21, 2002 :::

Para (você não) ler:

MONOCROMIA SECRETA DE UM FINAL DE ANO



::: by meraluz at 12:48 PM - post nº



Sexta-feira, Dezembro 20, 2002 :::

E meu coração nunca mais foi o mesmo...

E meu coração nunca mais foi o...

E meu coração nunca mais foi...

E meu coração nunca mais...

E meu coração nunca...

E meu coração...

E meu...

E...

...

:

.

E meu coração nunca mais foi o mesmo...



::: by meraluz at 9:04 PM - post nº



Quinta-feira, Dezembro 19, 2002 :::

É Natal... (1)
Ruas tumultuadas, shoppings abarrotados, camelôs gritam aglomerados ao longo das avenidas "Três peças por cinco reais!!!" Que peças? Nem vi. Levo um esbarrão, meu celular cai ao chão e quebra. É preciso comprar presentes. Há um decreto implícito. É preciso comprar. Quase quarenta graus. É verão. Mas os cartões de Boas Festas exibem neve. Aqueles paraguaios exibem neve e tocam uma musiquinha enlouquecedora. Rezo para que nunca me mandem cartões musicais. Importamos o nosso Natal. Os adereços só nos falam de inverno. E o termômetro marca quarenta graus. Mas o que é isso? Uma convulsão coletiva em nome do nascimento de Cristo? E os encontros de confraternização? A dois não compareci. Fui censurada e criticada por não estar revestida do espírito natalino. Eu compreendo quem não compreende que há dias em que, para alguns, é violento ter que esperar horas para vagar uma mesa grande nos restaurantes, são violentos os decibéis dissonantes aos ouvidos. Mas comprei presente para todos. Um dia entregá-los-ei. Continuo minhas andanças no meio do caos. Paro e lanço um olhar de cumplicidade a um pivete. Penso: como será o Natal dele? Sinto enorme constrangimento de ver tantos presentes inúteis em minha sacola diante do contraste de seu rostinho sujo e olhos de tanto faz. Dou um troco ao moleque, excepcionalmente. Talvez pela culpa. Não costumo dar dinheiro. Possivelmente usou a grana para comprar cola e cheirar. É o Natal dele. Eu nada posso fazer (será que não?), a não ser olhá-lo com a cumplicidade de quem o compreende naquele momento . A noite realça as luzes coloridas e cintilantes. É a melhor parte. A cidade fica linda enfeitada com luzes que piscam encantadas por toda parte. Ainda não tive tempo de ver a árvore da Lagoa. Esse efeito das luzes me fascina, me distrai os olhos. Disfarçam bem as injustiças sociais. E também tem as crianças... Para elas a festa é sempre plena. Luzes e crianças: o melhor da festa. Tenho de continuar, depois volto às reflexões. Agora...é preciso comprar presentes. Inúteis presentes.

Aos meus amigos e simpatizantes, toda a verdade de um Feliz Natal ! PAZ !



::: by meraluz at 12:10 AM - post nº



Sexta-feira, Dezembro 13, 2002 :::

Blogs - Caras & Bocas

De repente me peguei muito preocupada com formas e aparências neste blog. Mas quanta asneira... Essa preocupação estava tornando a palavra desimportante, quando ela é a única razão deste espaço. Parece que essa febre de blogs tem algo de contagioso. E toda febre acaba sempre distorcendo o sentido das "cousas". O que se vê por aí é um festival de estilos, layouts, efeitos, cores, uma infinita competição de maquiagem de blogs. Há templates lindos, verdadeiras obras de arte "pixelistas" (parodiando a Li). Inventaram até "fansigns", selinhos confeccionados por admiradores de blogs. Bem, é uma das tendências. Não vamos tirar o valor da criação estética com imagens. Mas a mim interessa mesmo a criação e a libertação do verbo. E, para quem tem essa prioridade, imagens demais podem confundir, empalidecer ou desviar as palavras. Nem público este blog é. Não me interessa a divulgação de massa. As massas sempre me assustam. E, além do mais, não tem nada de tão grandioso aqui que possa vir a servir multidões.

Admiro minha filhota Lila (menina anos luz à frente do seu tempo), que não se rende ao celofane das aparências, o blog dela se chama Meu Blog Não Tem Nome Bacana. Ela não tá nem aí para as formas, o blog dela é de uma simplicidade visual ímpar, e, no entanto, ela faz miséria com as palavras e os seus 20 anos. Há arte quando ela conta o mais simplório dos casos, fala do mais reles cotidiano. E, me desculpem os designers de plantão, entre trabalhar bem com as palavras e trabalhar bem com as imagens, há muito mais o que se oferecer com as primeiras, não acham? Com elas tudo se faz (ou se desfaz). Obviamente, quando estou no ofício de criar Homepages a coisa é outra, aí sim, precisamos lidar bem com composições visuais. Mas, ao meu ver, a finalidade de um blog nao é esta. Até porque trabalhar com ele é tecnicamente muito mais maçante do que editar páginas de Web.

E, assim sendo, paro aqui de me importar com o visual deste blog, para me dedicar um pouco mais ao que realmente venho fazer aqui, depositar palavras. Preciso delas, expulsá-las de mim e/ou assimilá-las de outras fontes, não necessariamente na mesma ordem.

::: by meraluz at 9:47 PM - post nº



Quinta-feira, Dezembro 12, 2002 :::

Aldir Blanc merece respeito!

Acho que não preciso aqui lembrar o que Aldir Blanc fez pela nossa música e cultura, não é? Para quem não sabe muito ou está esquecido, informe-se aqui. Também penso que não seja necessário usar de muitas palavras para definir a dupla sertaneja Rosinha/Garotinho e o quanto de ameaça e retrocesso ela significa para a "cidade do Rio de Janeiro". Bom, essa mensagem não deve servir aos iludidos evangélicos, claro.
Pois bem... hoje recebi o seguinte e-mail, com texto assinado pelo próprio, através de uma conhecida do Aldir, e retransmito aqui, sob autorização. Leiam e tirem suas conclusões. É auto-explicativo. O texto está liberado a quem quiser e puder divulgar.

Queridos amigos.
Aldir teve o contrato rescindido no O DIA (RJ) - onde escrevia
desde 95, e tinha renovado o contrato em setembro -, no dia
seguinte da crônica em que ele falou sobre a declaração do
Garotinho de "desinfetar o Palácio".
Respondendo a um e-mail de amigos de São Paulo, ele escreveu:

"Façam circular aí que Garotinho e Rosinha Minha-Canoa, os
escrotos feudais do Rio, por causa de um artigo,
esculhambando o racismo implícito na idéia de "desinfetar o
Palácio" (ou seja, a presença da governadora Benedita da
Silva, na asquerosa visão deles) pediram minha cabeça no
jornal O DIA, e tive o contrato cancelado sem sequer uma
demissão formal. A censura, baixa, espúria - e agora, ainda
por cima "religiosa" - continua!. Abaixo esses dois cafifas
dos sentimentos religiosos dos pobres!
Abraços
Aldir"


::: by meraluz at 2:29 PM - post nº



 

Sábado, Dezembro 07, 2002 :::

Não Freud e nem sai de cima
Primeiro as perguntas:
1) Quem precisa de psicanálise? 2) A psicanálise resolve? 3) Até que ponto a análise leva o sujeito ao individualismo exacerbado? 4) Qual o principal benefício de uma terapia? 5) Você acredita?

As respostas, segundo minha experiência em divãs, ao longo de muitos anos. Mais rodada em mão de analista do que piranha da Av. Atlantica nas mãos de gringo:

1) Precisa de psicanálise, ou de terapia, ou de algum apoio em benefício do Eu profundo, aquele que se encontra angustiado, com dificuldade de libertação do verbo, com identidade perdida, fragmentada, levando a consequências desconfortáveis diversas, sobretudo a de baixa auto-estima. Na verdade, quem deveria estar deitado num divã de analista era o Mundo. Se alguém se diz muito normal e de acordo com um mundo visivelmente doente, provavelmente esse alguém está muito mais doente do que se possa imaginar. O problema está menos no problema do que na maneira como convivemos com ele. E se estamos convivendo mal, precisamos de ajuda, sim.

2) A psicanálise não resolveu meus problemas. Mas... ajudou muito no meu modo de resolvê-los. Não há como negar que em termos de autoconhecimento ela lança um refletor sobre os nossos subterrâneos e um espelho diante de nossa face.

3) O individualismo exacerbado... Isso sim. Percebi em mim e percebi em várias pessoas que começaram a fazer terapia. Centram-se demasiadamente em seu próprio Ego. Passam a individualizar tudo com discursos bem construídos, politicamente corretos. Bah... essa história do politicamente correto às vezes cansa, não? Na minha opinião, a psicanálise oferece o risco de deixar o ser humano menos humano e mais solitário, porém mais resolvido. Os psicanalistas que me perdoem, mas essa parte da minha experiência não há como negar. A um primeiro momento, fiquei exageradamente voltada para os meus botões, dando uma banana para o resto da humanidade. Depois de um certo tempo, questionando muito, atingi um equilíbrio nesse sentido. Porque já estava desconfiando daquele discursinho do tipo: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, etc... Isso martelava um bocado no começo. E logo adiante, fui ver que tinha muito de blefe nessa forjada idolatria ao Ego. O "primeiro eu", para quem está amadurecido emocionalmente, é também considerar o outro e querer dividir com ele. Claro, sem prejuízo de si próprio.

4) O principal benefício da terapia, eu creio, é o autoconhecimento e a clareza na formulacao das idéias, que leva a um maior bem-estar interior e a uma melhor interação com o mundo exterior. Promove, se o paciente ajudar, a devida consciência do que somos e dispara um alerta para não nos perdermos do nosso próprio princípio de ser. A auto-representação é fundamental. Estamos no mundo para isto, não é? E aí a terapia ajuda muito. Se se puder alcançar isto sem ela, ótimo. Do contrário, vale a experiência.

5) Acredito em partes dela. Não serve p'ra tudo. É um quebra-galho eventual. O amor é muito mais eficiente. Houvesse mais amor entre os homens sobre a face da Terra e os psicanalistas estariam falidos. De certa forma, um divã é o lugar, muito caro, diga-se de passagem, para solitários e inconpreendidos.

Importante registrar aqui que não faço mais terapia no momento. A esta altura ela se tornou, para mim, um não Freud e nem sai de cima. Não há mais muitos progressos a fazer e há que se preservar alguma loucura, talvez a melhor parte de nós mesmos.

::: by meraluz at 2:45 AM - post nº



Quarta-feira, Dezembro 04, 2002 :::

Calem a boca, falsos amantes!

Calem a boca, falsos amantes! Há muito barulho em torno do nada. Eternas promessas, incandescentes palavras, irretocáveis ficções. Tenho observado vocês, falsos amantes, que parecem gostar mais da história do que do amor. Ambiciosas palavras, dores induzidas, ímpetos irrefreáveis. Dramas. Tramas. Ruídos. Não me venham com argumentos hiperbólicos do tipo "tenho o amor maior do mundo".

Recolham-se à sua insignificância de meros pares que nada pretendem além da auto-descoberta. Calem a boca, falsos amantes.
Pois que a mais bela das palavras, ou a mais trágica dramaturgia, não se compara à grandeza de uma atitude.Qualquer atitude, qualquer agir. Gritem seu amor fazendo! Abandonem o esconderijo das palavras, dos enredos, dos jogos, das canções, ilusões, contradições. E eu não mais lhes chamarei "falsos amantes". Nem muito menos pedirei que calem a boca, sempre cheia de histórias que não querem acontecer para além das literaturas, do imaginário.
A vida é o querer profundo, e a verdade de um querer, só e apenas ela, é que alcança o acontecer, o fazer, o fazer acontecer. Enquanto isso, calem a boca, calem a boca... Vocês fazem muito barulho com o vento etéreo.


::: by meraluz at 11:01 PM - post nº



Segunda-feira, Dezembro 02, 2002 :::

Clarear !!! Clarear!! Vamos recorrer aqui a umas notas bregas dos anos 80 que costumavam levantar o astral da galera. Porque o brega é feliz, é colorido, é despretensioso! Um pé no rabo do baixo astral !!!! 1, 2, 3, 4 vai.. Clarear!!!!!

Pegue a música aqui e me ajude a clarear! Cante comigo! :))

CLAREAR
-Octávio Burnier / Mariozinho Rocha-

Clarear baby clarear
Pelo menos um pouco de sol
Eu só quero clarear

Quando não houver mais amor
Nem mais nada a fazer
Nunca é tarde pra lembrar
Que o sol está solto em você

Um pouco de luz nessa vidaaaaaaaa
Um pouco de luz em você
Um pouco de luz nessa vidaaaaaaaaaaa

Clarear baby clarear
Quero clarear de vez
Tudo aquilo que encontrar
Quando o pouco de bom rarear

E a vida for escura e ruim
Nunca é tarde pra lembrar
Que o sol está dentro de mim

Um pouco de luz nessa vidaaaaaaa
Um pouco de luz em você
(repete)

::: by meraluz at 7:54 PM - post nº