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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003 :::
Rádio Meraluz, em sintonia com
Júpiter.
Porque cantar é também uma forma de
traduzir-se:
... E lá vou eu como um passarinho,
sem destino nem sensatez, sem dinheiro nem pra um pastel
chinês...
Voa Bicho (Milton
Nascimento)
A andorinha voou, voou Fez um ninho no
meu chapéu E um buraco bem no meio do céu E lá vou eu
como passarinho Sem destino nem sensatez Sem dinheiro nem
pra um pastel chinês.
A andorinha voou, voou Fez
um ninho na minha mão E um buraco bem no meu coração E
lá vou eu como um passarinho Como um bicho que sai do
ninho Sem vacilo nem dor na minha vez.
A andorinha
voa veloz Voa mais do que minha voz Andorinha faz a
canção Que eu não fiz Andorinha voa feliz Tem mais
força que minha mão Mas sozinha não faz verão.
A
andorinha voou, voou Fez um ninho na minha mão E um
buraco bem no meu coração E lá vou eu como um passarinho
Como um bicho que sai do ninho Sem vacilo nem dor na
minha vez.
::: by meraluz at 11:35
AM - post nº

Quinta-feira, Dezembro 11, 2003 :::
Rádio Meraluz, em sintonia com
Marte:
Enquanto Houver Sol (Titãs)
Quando não houver saída Quando não houver
mais solução Ainda há de haver saída Nenhuma idéia vale
uma vida Quando não houver esperança Quando não restar
nem ilusão Ainda há de haver esperança Em cada um de
nós, algo de uma criança
Enquanto houver sol, enquanto
houver sol Ainda haverá Enquanto houver sol, enquanto
houver sol
Quando não houver caminho Mesmo sem
amor, sem direção A sós ninguém está sozinho É
caminhando que se faz o caminho Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor Ainda há de haver
desejo Em cada um de nós, aonde deus colocou
Enquanto houver sol, enquanto houver sol Ainda
haverá Enquanto houver sol, enquanto houver sol
::: by
meraluz
at 10:32
AM - post nº

Terça-feira, Dezembro 09, 2003 :::
Luminosidades
---------------- Se seu
navegador não estiver equipado com o Java Software, baixe-o
aqui para visualizar o applet: http://java.sun.com/webapps/getjava/BrowserRedirect?locale=en&host=www.java.com:80 ----------------
Sempre tive uma inexplicável atração por
luminosidades. Depois da luz do pôr-do-sol, as iluminações
natalinas são as que mais exercem fascínio aos meus olhos.
Esta época do ano, particularmente, é uma festa de luzes, que
cintilam e enfeitam ruas, residências, toda a cidade. É a
melhor parte do Natal para mim, já que, de resto, as
comemorações de final de ano mais parecem acentuar as
desigualdades entre os homens. E não dá pra ser feliz com a
lucidez desta consciência. Mas as luzes são para os olhos de
todos. Estão aí para todo mundo!
Há uma poesia ingênua
nesse cenário iluminado que me encanta e comove, que me leva
de volta a uma infância de embevecimento e excitação para com
as mais simples fenomenologias. Uma infância que insisto em
não expulsar daqui de dentro. Quando inauguraram, em 1996, a
primeira árvore de natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio
de Janeiro, fiquei tão extasiada quanto costumava ficar quando
criança. Havia algo de mágico naquele jogo feérico de luzes, a
desenhar as mais belas e inusitadas formas. Era capaz de ficar
horas namorando a árvore, que parecia nascer do meio da Lagoa
- como ainda sou.
Essas luzes representam a pureza
democrática dos olhos. E, embora a vida seja dura, ela parece
cantar nesses tempos uma canção feliz-feluz...
Acima,
reuni imagens de todas as árvores da Lagoa, desde 1996 até o
ano atual. Elas são mágicas. Acho que é meu modo desajeitado
de dizer Boas Festas! Não sou muito boa de dizer essas
coisas... Sou não... Sou não...
::: by meraluz at 12:14
PM - post nº

Sábado, Dezembro 06, 2003 :::
Desobediência: A virtude
original do homem - Oscar Wilde
Pode-se até admitir que os pobres tenham
virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos
que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida,
mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos,
descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão.
Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de
restituição parcial, uma esmola sentimental, geralmente
acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do
doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam
sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos?
Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a
percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não
se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível
de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido.
Qualquer pessoa que tenha lido a história da
humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original
do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da
rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem
econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo
grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está
morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural
que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria
estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um
animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim,
roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de
roubo.
Quanto à mendicância, é muito mais seguro
mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar.
Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se
recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira
personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer
forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto
aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais
admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo
e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem
ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender que
um homem aceite as leis que protegem a propriedade privada e
admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar
alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas
não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha
graças a essas leis possa ainda concordar com a sua
continuidade.
Entretanto, a explicação não é difícil,
pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo
degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a
natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter
consciência de seu próprio sofrimento. É preciso que outras
pessoas venham apontá-lo e mesmo asim muitas vezes não
acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é
totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas
intrometidas que se infiltram num determinado segmento da
comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vive e
semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores
são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a
civilização não avançaria. A abolição da escravatura nos EUA
não foi uma conseqüencia da ação direta dos escravos nem uma
expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida
graças à conduta totalmente ilegal de certos agitadores vindos
de Boston e de outros lugares,que não eram escravos, não
tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema.
Foram eles, sem dúvida que começaram tudo. É curioso observar
que dos próprios escravos eles só receberam pouquíssima ajuda
material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra
terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão
livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos
lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o
fato mais trágico na Revolução Francesa não foi que Maria
Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os
camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer
defendendo a causa do feudalismo.
-Oscar Wilde, in
The Soul of Man Under Socialism, 1891.
::: by meraluz at 11:16
AM - post nº

Quinta-feira, Dezembro 04, 2003 :::
Furtando textos
Minha amiga Glória não há de se importar se eu
republicar aqui algo que peguei no seu Sangrias,
né? É que eu gostei tanto, tanto, e ela escreve tão bem, que
não pude resistir. Então voilà:
BULA DO AMOR (Glória
Horta)
Certos amores curam. Outros, mal
comparando, são como alergia. Basta, portanto, não chegar
muito perto. Doença ou remédio, é imprescindível saber
distinguir quem colore a nossa vida de quem a inferniza. Mais
que isso. Ninguém passa dos quarenta alheio a tão importante
lição de Química e Metodologia. A proximidade de alguém pode
ser a balsa que nos salva ou o maremoto que nos afoga quando
naufragamos de amor. A convivência sufoca ou aduba o
sentimento. A separação banaliza ou endeusa o que era humano.
Saber distinguir, com exata precisão cirúrgica, se é hora de
pular fora ou de pular em cima é uma sabedoria milenar sem
aplicação prática, mas extremamente rica em poética. Um
manancial de metáforas. Amores se afastam de nós sem expor
claramente os motivos. Aceitemos suas escolhas porque fazemos
as nossas igualmente imotivadas. O sentimento, que parecia
saudável e forte, simplesmente dá o último suspiro e fenece.
Para o parceiro, é a morte. Sei quem me quer e me teme e
lamento ser temível. Sei quem me esquece. Também podemos ser
classificados e reclassificados como maremoto ou monotonia.
Entretanto, todos nós gostaríamos de ser, um para o outro,
bálsamo, inferno e alegria.
::: by
meraluz
at 12:51
PM - post nº

Quarta-feira, Dezembro 03, 2003 :::
Não é para se indignar?
O Exmo. Sr. Presidente Lula escolheu para levar com
ele ao exterior a Escola de Samba Gaviões da Fiel. Ocorre que
a escola de samba convidada para representar o Brasil lá fora
havia sido a Portela, pela tradição de seus 80 anos de
carnaval. Na última hora, o nosso presidente "curintiano"
resolve substituir o samba do Rio pelo samba (??) de
São Paulo. Nada contra os paulistas. Mas vamos e venhamos, a
origem do samba é daqui dos nossos morros, das nossas veias.
Todos sabem disto e sempre foi assim. O que que é isso, Sr.
Presidente? Desde quando governantes têm de fazer essas
escolhas? Que belo exemplo de isenção. Restou à Funarte pedir
desculpas à Portela, velha e boa de samba. Oitenta anos de
samba desprezados. "Salve o Curintiá!", né? Começo a
desconfiar que o Rio vem sendo profundamente ignorado pelo
nosso presidente. Mas só porque ele não é carioca??... É
pouco.
:::
by meraluz
at 10:11
PM - post nº

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