A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
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Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.




Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003 :::

Rádio Meraluz, em sintonia com Júpiter.

Porque cantar é também uma forma de traduzir-se:

... E lá vou eu como um passarinho, sem destino nem sensatez, sem dinheiro nem pra um pastel chinês...


Voa Bicho
(Milton Nascimento)

A andorinha voou, voou
Fez um ninho no meu chapéu
E um buraco bem no meio do céu
E lá vou eu como passarinho
Sem destino nem sensatez
Sem dinheiro nem pra um pastel chinês.

A andorinha voou, voou
Fez um ninho na minha mão
E um buraco bem no meu coração
E lá vou eu como um passarinho
Como um bicho que sai do ninho
Sem vacilo nem dor na minha vez.

A andorinha voa veloz
Voa mais do que minha voz
Andorinha faz a canção
Que eu não fiz
Andorinha voa feliz
Tem mais força que minha mão
Mas sozinha não faz verão.

A andorinha voou, voou
Fez um ninho na minha mão
E um buraco bem no meu coração
E lá vou eu como um passarinho
Como um bicho que sai do ninho
Sem vacilo nem dor na minha vez.

::: by meraluz at 11:35 AM - post nº

Quinta-feira, Dezembro 11, 2003 :::

Rádio Meraluz, em sintonia com Marte:

Enquanto Houver Sol (Titãs)

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho
Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós, aonde deus colocou

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol

::: by meraluz at 10:32 AM - post nº

Terça-feira, Dezembro 09, 2003 :::

Luminosidades











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http://java.sun.com/webapps/getjava/BrowserRedirect?locale=en&host=www.java.com:80
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Sempre tive uma inexplicável atração por luminosidades. Depois da luz do pôr-do-sol, as iluminações natalinas são as que mais exercem fascínio aos meus olhos. Esta época do ano, particularmente, é uma festa de luzes, que cintilam e enfeitam ruas, residências, toda a cidade. É a melhor parte do Natal para mim, já que, de resto, as comemorações de final de ano mais parecem acentuar as desigualdades entre os homens. E não dá pra ser feliz com a lucidez desta consciência. Mas as luzes são para os olhos de todos. Estão aí para todo mundo!

Há uma poesia ingênua nesse cenário iluminado que me encanta e comove, que me leva de volta a uma infância de embevecimento e excitação para com as mais simples fenomenologias. Uma infância que insisto em não expulsar daqui de dentro. Quando inauguraram, em 1996, a primeira árvore de natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, fiquei tão extasiada quanto costumava ficar quando criança. Havia algo de mágico naquele jogo feérico de luzes, a desenhar as mais belas e inusitadas formas. Era capaz de ficar horas namorando a árvore, que parecia nascer do meio da Lagoa - como ainda sou.

Essas luzes representam a pureza democrática dos olhos. E, embora a vida seja dura, ela parece cantar nesses tempos uma canção feliz-feluz...

Acima, reuni imagens de todas as árvores da Lagoa, desde 1996 até o ano atual. Elas são mágicas. Acho que é meu modo desajeitado de dizer Boas Festas! Não sou muito boa de dizer essas coisas... Sou não... Sou não...

::: by meraluz at 12:14 PM - post nº

Sábado, Dezembro 06, 2003 :::

Desobediência: A virtude original do homem - Oscar Wilde

Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola sentimental, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido.

Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo.

Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender que um homem aceite as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade.

Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência de seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo asim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vive e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura nos EUA não foi uma conseqüencia da ação direta dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças à conduta totalmente ilegal de certos agitadores vindos de Boston e de outros lugares,que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida que começaram tudo. É curioso observar que dos próprios escravos eles só receberam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico na Revolução Francesa não foi que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo.

-Oscar Wilde, in The Soul of Man Under Socialism, 1891.


::: by meraluz at 11:16 AM - post nº

Quinta-feira, Dezembro 04, 2003 :::

Furtando textos

Minha amiga Glória não há de se importar se eu republicar aqui algo que peguei no seu Sangrias, né? É que eu gostei tanto, tanto, e ela escreve tão bem, que não pude resistir. Então voilà:

BULA DO AMOR (Glória Horta)


Certos amores curam.
Outros, mal comparando, são como alergia. Basta, portanto, não chegar muito perto. Doença ou remédio, é imprescindível saber distinguir quem colore a nossa vida de quem a inferniza. Mais que isso. Ninguém passa dos quarenta alheio a tão importante lição de Química e Metodologia. A proximidade de alguém pode ser a balsa que nos salva ou o maremoto que nos afoga quando naufragamos de amor. A convivência sufoca ou aduba o sentimento. A separação banaliza ou endeusa o que era humano. Saber distinguir, com exata precisão cirúrgica, se é hora de pular fora ou de pular em cima é uma sabedoria milenar sem aplicação prática, mas extremamente rica em poética. Um manancial de metáforas. Amores se afastam de nós sem expor claramente os motivos. Aceitemos suas escolhas porque fazemos as nossas igualmente imotivadas. O sentimento, que parecia saudável e forte, simplesmente dá o último suspiro e fenece. Para o parceiro, é a morte. Sei quem me quer e me teme e lamento ser temível. Sei quem me esquece. Também podemos ser classificados e reclassificados como maremoto ou monotonia. Entretanto, todos nós gostaríamos de ser, um para o outro, bálsamo, inferno e alegria.



::: by meraluz at 12:51 PM - post nº

Quarta-feira, Dezembro 03, 2003 :::

Não é para se indignar?

O Exmo. Sr. Presidente Lula escolheu para levar com ele ao exterior a Escola de Samba Gaviões da Fiel. Ocorre que a escola de samba convidada para representar o Brasil lá fora havia sido a Portela, pela tradição de seus 80 anos de carnaval. Na última hora, o nosso presidente "curintiano" resolve substituir o samba do Rio pelo samba (??) de São Paulo. Nada contra os paulistas. Mas vamos e venhamos, a origem do samba é daqui dos nossos morros, das nossas veias. Todos sabem disto e sempre foi assim. O que que é isso, Sr. Presidente? Desde quando governantes têm de fazer essas escolhas? Que belo exemplo de isenção. Restou à Funarte pedir desculpas à Portela, velha e boa de samba. Oitenta anos de samba desprezados. "Salve o Curintiá!", né? Começo a desconfiar que o Rio vem sendo profundamente ignorado pelo nosso presidente. Mas só porque ele não é carioca??... É pouco.

::: by meraluz at 10:11 PM - post nº