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Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003 :::
Conversa blasée com a Bruninha*
- sobre ignorância, Outlook e felicidade
-
Conseguiu configurar o Outlook com as instruções que eu te
dei? - Ah, porra...canseira! Fiquei com preguiça e
desisti. - É? Então fez errado. Se é prá parar no meio,
melhor não começar nada, pois terá se esforçado pela metade,
sem resultado nenhum, e não terá sido integralmente
preguiçosa. - Sim, senhora! Anotado! - Siga meus
conselhos sempre "sábios". (tom irônico) - Hum rum !
Sempre, sempre! Demorô! - Mas se quiser ser apenas feliz,
seja ignorante. - E como vou ser ignorante se eu for na
tua onda? Você é ignorante? - Se acha que não sou, é só
não me dar ouvidos e... ser ignorante! - Hehehehehe, é
melhor, né? - Deve ser. Como vou saber ao certo? É que os
ignorantes de tudo me parecem tão mais felizes. - Tenta
ser ignorante então, uai ! - E por acaso dá prá voltar
atrás? Como alguém que não é mais ignorante pode voltar a ser
ignorante? Só com perda de memória. - Hmmm... não sei. Vou
refletir sobre o assunto e depois te falo. - Ok, espero
sua resposta prá depois do carnaval, então. - Ah, votei no
seu blorrgh um montão de vezes! - É? Que linda! Você é uma
menina 10 ! Acho até que vou postar lá essa conversa profunda
sobre ignorância que acabamos de ter!
* Bruninha tem
15 anos, é minha "filha virtual", fruto das andanças pelo
mIRC. Bruna é sábia. Só que ela ainda não tem consciência
disto.
:::
by meraluz
at 10:18
PM - post nº

Por que me faltam as
palavras?
Por que me faltam as palavras? Seria por
andar vivendo fora delas? Ou algum estado de choque semântico?
Seria porque nem eu ando conseguindo ler meus próprios
pensamentos? Ou por causa das cousas que meus olhos têm visto?
Seria simplesmente por não ter mais nada a dizer?
É a
sensação de alguém que viveu demais, falou demais, ouviu
demais, sem ter, de fato, vivido, falado e ouvido tanto assim,
mas que já intuiu o restante como sendo apenas a reedição
barata do texto original. Perdoem-me os que esperaram hoje de
mim alguma eloqüência e encontraram só silêncio no lugar da
sinfonia discursiva anunciada na programação. Quisera poder
silenciar meu silêncio. Mas ele não quer calar. Pensar em nada
deve ser o mesmo que pensar em todas as coisas até a exaustão.
Pensar em nada ou pensar em todas as coisas impede o verbo de
perspirar. Não é falta de assunto. Assuntos existem em
profusão. Há sempre do que se falar, basta um olhar observador
em torno de qualquer objeto. Não é falta de assunto, é
ausência de verbos. Nada que seja definitivo e letal.
::: by
meraluz
at 9:05
PM - post nº

Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003 :::
Já que você chegou até aqui, vote
aí do lado no Qualquer Coisa, que não é qualquer coisa. Eu
juro que não sou uma prostituta de palavras. Como não tenho
nada a perder, nem tenho a pretensão de me comprometer com
algum tipo de leitor, achei que não chegaria a ser uma
violência inscrever o QQ no prêmio KIT.NET, cujo único
critério é o número de visitantes. Minhas chances são mínimas
por não me empenhar em divulgar muito este "nosso" espaço. Aí
sim, talvez estivesse prostituindo palavras e idéias. Além do
mais, os sites pornôs lideram disparadamente. Como a p*t*r*a é
consumida, nossa... Isso é concorrência desleal.
::: by meraluz at 3:32
PM - post nº

Natureza Viva - Já experimentaram
fazer de suas vidas uma obra-de-arte? Então vamos lá, não
importa o estilo. Misture bem as cores, use com bastante
feeling o jogo de luz e de sombras. Sombras são
necessárias para que luzes existam. Agora a textura, tem que
ter textura. Vá lançando suas histórias sobre a tela, todo o
sentimento, todas as dores, a psiquê, as esperanças (a
esp'rança é um dever do sentimento - F.P.), o bem, o mal.
Borrões vermelhos, azuis, amarelos, iridescentes e indecentes,
conforme sua temperatura de cor. Não importa se está ficando
muito abstrato, o sentir tem muitas partes abstratas,
indefiníveis mesmo. Mas, sobre a tela, o abstrato vai poder,
ao menos, gritar que é abstrato. Algumas histórias têm formas
definidas, são figurativas. Outras são impressionistas e, as
mais intensas, expressionistas - precisam deformar a
realidade. Os traços surreais ficam sempre bem, trazem a
estética da loucura libertadora, aquela que não adoece. Ah! A
profundidade ! A profundidade já vem carregada de arte, de
existência catártica. Imprescindível ter profundidade, pela
idéia de dimensão. Quando pintamos a felicidade, na maioria
das vezes a obra vai assumir o tom ingênuo, naïf, em
composição harmônica. O desespero já vem com tons mais
berrantes, pois grita muito em suas cores. Há mil formas de
retratar a vida, monocrômicas, policrômicas. E também há (por
que não?) apenas uma tela em branco, esperando por suas
tintas. E isso não é menos arte, desde que exista uma tela (a
vida), suas tintas (o sentir) e, acima de todas as coisas, a
vontade criadora. A vida precisa valer a pena. Pegue sua
paleta, misture as cores e comece, tantas vezes quanto
necessário, a recriar suas histórias, dando-lhes forma, cores,
marcando a vida com a sua própria impressão.
Esta
metáfora foi criada para explicar a mim mesma, e a quem mais
couber, a importância da auto-representação criativa em um
mundo globalizado, que se torna cada vez mais decadente, sem
cor, sem grandes histórias e sem consistência.
::: by meraluz at 1:59
PM - post nº

Sentaí !
Vamos
falar do quê hoje? Não sei não. Puxe a cadeira, sente no chão,
relaxe. Bebe alguma coisa? On the rocks? Ok... Não vim com
algo programado. Então vou escrever como se tocasse um jazz às
avessas. Escolho um improviso e vou variando em torno de algum
tema que só encontrarei no final. Roubando um verso de Pessoa,
poderia sugerir: vamos falar daquelas coisas lindas que
nunca existirão? Não, não vamos. Esse papo já tá
Qualquer Coisa mas eu não estou prá lá de Marraquesh.
Os ares cáusticos e os ruídos de fevereiro me trazem a exata
consciência de estar abaixo da linha do Equador. Não, não me
peça um poema de verão. Não gosto de poesia com letras,
rabisco uns poemetos de vez em quando, sem o menor talento e
vontade, só por rabiscar; tem uns aí embaixo. Poetas adoram
escrever caminhos de fuga com palavras etéreas, lirismos
hiperbólicos e abstracionismos tão distantes da realidade
quanto as estrelas do chão. A questão não é a distância mas a
fuga. Acho que prefiro as poesias mais urbanas, semeadas no
asfalto, tirar leite das pedras, poesia nas mãos. Aí sim, é um
desafio. As estrelas são para olhar, não para imaginá-las
tocadas, como sonhos impossíveis. Então, nada de poesia hoje.
De médico, poeta e louco... fico com o louco! Fico com o
louco! Cheguei no tema: a loucura. :) Agora posso ir. Obrigada
pela companhia.
::: by
meraluz
at 3:41
AM - post nº

Terça-feira, Fevereiro 25, 2003 :::
Enquanto os dois sistemas de
comentários estão fora (quanta eficiência, hein?), aproveito
para deixar, nesta manhã ensolarada de verão, uma mensagem
especial para alguém mais especial ainda: Eliane,
muitas "acontecências" maravilhosas pelo seu aniversário! Você
é um sinal luminoso nas palavras
tortas. Um beijo especial pelo dia de hoje!
::: by
meraluz
at 11:28
AM - post nº

Segunda-feira, Fevereiro 24, 2003 :::
Mas Mas tá
tudo muito bem, tá tudo legal ! É só não ter que ler jornal
! Um
ônibus e três carros são incendiados no Méier Polícia
soube ontem que ações criminosas seriam desencadeadas
Josias:
ordem para ações criminosas partiram dos presídios
Tudo numa nice, cada um na sua ! É só não botar
a cara na rua! Rosinha
coloca Polícia nas ruas para evitar novos episódios de
violência Josias:
Comando Vermelho distribuiu nota assumindo autoria de atos
violentos Incêndio
em ônibus deixa quatro feridos em Botafogo Só não
sei por que motivo, hoje choro quando... "Rio, Rio, Rio...".
Bombas
explodem na Tijuca e em Ipanema Tráfico
ameaça e ônibus da São Silvestre não saem da garagem
Traficantes
incendeiam ônibus em vários bairros da zona norte do Rio
Rio de Janeiro, o que fizeram de você? O que fizeram
com você? Mas tá tudo muito bem a 40 graus!
Impunidade, carnaval e um cartão postal !
::: by
meraluz
at 8:22
PM - post nº

Para levar
uma vida saudável:
- Poucas calorias, malhar,
fumo nem pensar, álcool muito pouco, malhar, emoções
moderadas, malhar.
Eu adoro a gastronomia assassina,
sobretudo os chocolates. Academias, fora de cogitação.
Aeróbica, só intelectual. Um cigarrinho sempre me ajuda a
pensar melhor. Emoções moderadas são broxantes. Acho que só
modero mesmo no álcool, bebo pouco e socialmente. Estou me
matando? Pode ser. O fato é que eu gosto de todas essas coisas
e não me odeio, conforme muitos tentam me fazer acreditar. É
óbvio que tenho a consciência de não aconselhá-las a ninguém.
Eu só gostaria que os arautos da "boa forma" me deixassem em
paz com meus péssimos hábitos, porque sou feliz assim. Sou
"jazz" e não "trilha sonora de filmes da Sessão da Tarde".
Minha saúde, até aqui, vai bem, obrigada. E meu peso está bem
compatível com minha altura (50 kg - 1,60). Eles só se
esquecem de um detalhezinho fundamental: a cabeça boa e bem
resolvida, a serenidade d'alma, são substitutos muito melhores
para toda essa metodologia asséptica, castradora e
escravizante. Estresse e acumule mágoas para ver o que
acontece! Viva a liberdade de cada um!
- Mensagem
para o meu amigo Cesinha: FELIZ ANIVERSÁRIO, baiano vadio!
Muita vida saudável prá você, sem prejuízo de seus
prazeres!
Agora vou trabalhar (pero no mucho, só na
medida certa do meu sustento), porque nem tudo é perfeito.
::: by
meraluz
at 10:55
AM - post nº

Domingo, Fevereiro 23, 2003 :::
|
VERTIGEM
|
Roda o
tempo, vento, invento, rodam cores, minhas
dores, corre-dores, escorre-dores, roda
vida, dividida, minha boca, minha
louca, minha cara mascarada nada a
ver, nada a VER. Pára o mundo, que eu quero
descer! |
::: by
meraluz
at 8:10
PM - post nº

Falta de assunto também é
assunto - krisis? que krisis?
Sem assunto, por
ora. Gostei muito disto aqui que li, enquanto comia salada de
frutas, embaixo de um céu imoralmente azul. Vale a pena ler.
ESTAMOS
EM CRISE (Lula Vieira) - http://www.institutodapalavra.com.br/pb/01.htm
::: by
meraluz
at 1:25
PM - post nº

Sábado, Fevereiro 22, 2003 :::
Não temendo
a timidez
Quanto, por vezes, não se deixa de
dizer, quanto não se deixa de mostrar, quanto não se deixa de
viver por conta dessa tal timidez? E, no entanto, os tímidos
costumam ocultar um rico e vastíssimo universo de vivências
acumuladas não confessas. Por serem tímidos, talvez sintam com
mais intensidade tudo o fica guardado dentro de seus
subterrâneos.
Quase todo mundo, acredito eu, tem sua
fração de timidez, quando não o todo. E essa senhora acontece
sob diversas formas, variando de criatura a criatura. E sabe
ser enganosa. Às vezes, um indivíduo pode se sair muito bem em
público, interpretar uma espécie de personagem, e, na hora de
falar de si mais reservadamente, é acometido por rubores e
tropeços, começa a gaguejar e não sabe onde colocar as mãos.
Acho que este é mais ou menos o meu caso (e o caso de muitos).
Aprendi a trabalhar a timidez no circo social, que é bem mais
fácil, porquanto mais superficial. No entanto, se alguém me
chama num canto para assuntos de maiores pessoalidades, ou
quando tenho de expressar algum tipo de emoção direta a quem
quer que seja, sai tudo errado. A ternura se transforma em
piada, o sentimento em risinhos extemporâneos e desvios de
olhar. Isso quando não apelo para um acervo de fúteis
recursos, que vão do palavrão às citações literárias. E no
final, o que tinha mesmo de ser dito volta à vertente interna
onde foi gerado e possivelmente acaba se transformando em um
poema perdido.
Há os tímidos de tudo, que demoram a se
deixar conhecer e que, ao final de um bom pedaço de tempo,
acabam por se nos revelar um feliz acontecimento. Isto é, se
conseguimos criar esse tempo de conhecer o outro, hoje cada
vez mais escasso. Há os tímidos situacionais, muito "safos" em
alguns contextos e profundamente "bichos do mato" em outros.
Enfim, timidez não é algo assim de grande desconhecimento
público. Quase todos a experimentam, de uma ou outra forma. E
não chega a ser uma deficiência ou limitação. Até pode vir a
se tonar um limite, quando rouba de nós as grandes
oportunidades, quando nos imobiliza de todo ou quando não
sabemos conviver com ela. Mas se a timidez é tão somente um
jeito de ser, não temos de perder muito tempo lamentando por
ela ou tentando "consertá-la". Ela não é um defeito. E pode
ficar tão bonita quanto uma pintura de aquarela, se bem
trabalhada. Pensando bem, até os deuses devem ser um pouco
tímidos, e talvez seja esta a razão de não mostrarem suas
verdadeiras caras aos mortais.
Acho que todos somos um
pouco tímidos diante do desconhecido. O grande desafio está em
enfrentarmos esse desconhecido. Não deixar que esse "bicho
papão" nos transforme em "bichos do mato".
::: by meraluz at 6:26
PM - post nº

Antipoesia (de minha
antiautoria)

::: by
meraluz
at 1:53
PM - post nº

E sabe do que mais?
Nem
eu.
::: by
meraluz
at 4:51
AM - post nº

Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003 :::
Pão e "Shit" para o povo! Ninguém
merece...
::: by
meraluz
at 11:20
PM - post nº

Cansada
Ando cansada. Cansada das mesmices, de esperar alguém
dizer algo novo e diferente, de me esperar dizer algo novo e
diferente. Ando cansada, cansada dessas histórias de guerra,
dessas ausências de sentido, dessas ausências de histórias.
Cansada, sobretudo, do meu país: Brasil, não mostra a sua
cara! - vamos que ele resolva mesmo mostrar a cara e eu
terei de ver bundas e bundas. O Brasil de hoje tem CARA DE
BUNDA, literalmente.
Cansada de ler os jornais, de ver
um Lula amarrado e se amarrando. De ver toda uma cultura
afundando, a mídia divulgando trapos bem construídos para
impedir a boa formação de opinião e a consciência. Ando
cansada de ver as nossas misérias e ninguém a fazer muito por
elas (nem eu), a não ser discursos que o vento leva. Ando
cansada do meu cansaço e da minha covardia, que se acomoda com
todo esse vazio coletivo, já sem forças para levantar qualquer
bandeira. Ando cansada de me cansar, sabendo que as lutas
serão inglórias, porque "eles", os do "poder", são muito
fortes em suas técnicas de estrangulamento.
Ando
cansada de amores descartáveis, que sucumbem ao mais tenro dos
ventos. De leros leros, de crises afetivas, de solidão
coletiva, de solidão a dois, a três, a quatro, a mil. De
conversa de psicanalisado, que veste uma personalidade
aprendida só para se defender dos fantasmas do mundo. De
preconceitos que dividem e desagregam, pela acentuação das
diferenças: sociais, religiosas, filosóficas, políticas,
sexuais, raciais (existe mesmo esse absurdo de raça?).
Diferenças deveriam servir para complementações, não para
seclusões.
Ando cansada. Vou descansar. Logo devo
estar recuperada, quando voltarei, com o velho tolo ufanismo,
a acreditar em tudo outra vez. Basta uma vitória do meu mengão
ou um novo amor para que eu já venha a achar que a vida pode
ser maravilhosa. De onde eu concluo que as paixões são muito
nutritivas, porém profundamente alienantes.
::: by meraluz at 10:06
AM - post nº

Quinta-feira, Fevereiro 20, 2003 :::
Ashes Are Burning (Renaissance)
- a música aí do fundo
Ashes
Are Burning é a musica de fundo deste blog. Vou deixá-la
tocando aí por um bom tempo, porque me agrada e, pelos mails
que tenho recebido, tem agradado a alguns também. Para quem
não gosta, basta um clique no STOP aí em cima. Se eu emitisse
algum tipo de som, certamente seria este, que mistura o
efervescência do rock com os mistérios da música
renascentista.
A faixa Ashes Are Burning faz parte de
um álbum, de mesmo nome, do grupo Renaissance, banda inglesa
que teve seu apogeu pouco antes dos anos 80. O que distingue
esta banda das demais, para mim, é o estilo do rock.
Costumavam classificar esse tipo de composição temática como
"classical rock". Eu não consigo categorizar muito bem certos
trabalhos. Bah...classificações, elas só servem para
aprisionar uma obra. No caso do Renaissance, o rock (?) se
misturava com a música renascentista, o que dava um resultado
incrível, além de envolver um trabalho de alto nível de
pesquisa musical. Infelizmente a banda se desfez em 1987.
O vocal maravilhoso de Annie Haslam era e continua
sendo qualquer coisa mágica. A cantora seguiu carreira solo,
acompanhada de alguns elementos da banda, tendo inclusive se
apresentado no Brasil,
em 1997, onde gravou um CD, fruto dessa apresentação,
intitulado Live under Brazilian Skies , que
inclui "Desafinado" e "Corcovado". Uma bela homenagem ao
Brasil, não é? Pois este CD, pasmem, é encontrado com
facilidade até no Japão, mas aqui no Brasil precisa ser
importado. Já era de se esperar, porque meu país, tão
visceralmente musical, não gosta de qualidade ultimamente,
anda muito preocupado com bundas e Kellies Kays(como se
escreve esse nominho? sei lá, babei, baby), e ainda se refere
a essa produção escatológica da atualidade como sendo música.
Para quem não teve oportunidade de conhecer a banda, e
possui gosto musical ligeiramente decente, sugiro ouvir algum
trabalho deles. Os álbuns do Renaissance e de Annie Haslam
estão listados neste site. Vou
dar uma colher de chá para quem quiser conhecer e tiver
conexão banda larga, com uma outra faixa menor deste álbum,
mas igualmente bela: Can
You Understand - mp3 aqui (6.79 mb).
::: by meraluz at 2:23
PM - post nº

I Believe
Fui lá no
Limite da
Razão da Cacau e ouvi Tears For Fears, que eu adoro. Aí
não resisti. Eles merecem um espaçozinho aqui no meu canto
também. E a música é I BELIEVE, porque eu quero acreditar...
I BELIEVE - Tears For Fears I
Believe - Tears For Fears - mp3 aqui
I believe
that when the hurting and the pain has gone We will be
strong, Oh yes we will be strong And I believe that if I'm
crying while I write these words Is it absurb ? Or am I
being real I believe that if you knew just what these
tears were for They would just pour like every drop of
rain That's why I believe it is too late for anyone to
believe
I believe that if you thought for a moment,
took your time You would not resign yourself to your fate
And I believe that if it's written in the stars, that's
fine I can't deny that I'm a Virgo too I believe that
if your bristling while you hear this song I could be
wrong or have I hit a nerve ? That's why I believe it is
too late for anyone to believe
I believe that maybe
somewhere in the darkness In the nighttime, In the storm
In the casino Casino spanish eyes I believe, no I
can't believe that every time you hear a new born scream
You just can't see the shaping of a life The shaping
of a life
::: by meraluz at 11:39
AM - post nº

Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003 :::
"Não fique triste", uma
banana!
- Ei, não fique triste não! Não faça
drama, vai. A vida é bela!
ERRADO!
Minha experiência e um analista amigo meu dizem que
esta é uma frase frequente de se falar ou ouvir, e também a
mais cruel, apesar das boas intenções nela contidas.
Por que?
Porque uma tradução mais
profunda disso soaria como algo mais ou menos assim: -
Não fique triste, seu problema não é importante, a tristeza
incomoda, atropele seu caos existencial, vista uma expressão
de gente bem sucedida, porque não posso ou não quero entender
o que você está sentindo, nem muito menos sentir com você.
Pode não parecer mas, em muitas vezes, é exatamente
assim que o outro recebe a mensagem. A sensação é de que
nossos problemas são subestimados, que devemos manter sempre
um status de vencedor estampado no rosto, que não podemos
fraquejar.
Lembrei do quanto me passaram a mão na
cabeça, quando criança, e disseram: "não chora não,
filhinha, isso é bobagem!". Jamais souberam do quão
frustrante isso me chegava. Talvez eu quisesse ser percebida,
talvez eu quisesse que entrassem no meu pequeno mundo, com o
meu "pequeno problema" dentro. Mas pequeno prá quem? Não
importa o tamanho exato de um problema ou de uma criatura, mas
as dimensões desses dissabores e as proporções em que são
vividos. O que parece pequeno para uns pode fazer um tremendo
estrago em outras almas.
Nada mudou muito, tudo se
repete. Continuo a ouvir, sempre que tenho um problema, a
mesma frase bem intencionada. Passar a mãozinha "generosa"
sobre a cabeça de alguém que realmente sofre e dirigir-lhe
palavras de ânimo nem sempre pode ser psicologicamente
saudável.
Hoje, com essa sacação providencial, prática
e teórica, ao ver alguém triste, costumo dizer:
-
"Fique triste sim! Eu sei o quanto isso deve ser duro prá
você. Você tem todo o direito de ficar triste e eu vou torcer
para que tudo acabe bem".
É uma forma de eu estar
dizendo a essa pessoa que estou com ela, que estou dando
importância aos seus sentimentos, que a percebo, enfim.
Provavelmente é tudo o que ela anseia ouvir, e pode ser até
que venha a se sentir mais à vontade, por saber que é possível
ficar triste sem incomodar terceiros, que pode processar seus
grilos em paz, que pode ser ouvida.
É muito importante
para o outro se fazer representar. E nem sempre essa
auto-representação acontece nas formas fáceis, simples e
tradicionais que a gente deseja. Nem sempre a vida acontece ao
estilo easy digest.
Então: fique triste,sim!
Ou: fique feliz, sim! Fique do jeito que é seu,
no momento que é seu. Eu posso receber o que você quer
transmitir.
::: by meraluz at 10:48
PM - post nº

Don't let the Sun go down on me...
::: by
meraluz
at 12:39
AM - post nº

Segunda-feira, Fevereiro 17, 2003 :::
A Felicidade é boa, burra e
engorda!
- Mas que mania você tem de ser feliz! -
atalhou-me uma vez meu amigo L.C., quando tentava eu
aliviar-lhe o estado depressivo. - Mania? Mais uma?
Cruzes, desculpe. Só estava tentando ajudar. Então está muito
bem! Afunde-se no lodo e nas trevas! Ele continuava, com
seu ar blasé e desacreditado: - Já reparou que quando você
está de bem com a vida engorda no mínimo uns 3 kg? - É...
Sei lá...Deixa eu pensar... Não é que é mesmo?... Que m*rd*!
Tem uma balança aí? Preciso me pesar urgentemente, pois acho
que não ando infeliz. Isso deve engordar também. - Já
reparou que quando você está totalmente tomada pela sensação
de felicidade, não produz nada que preste? - É... já...
Possivelmente porque é uma sensação completa, de obra bem
acabada. - Já se olhou no espelho nessas ocasiões? Reparou
em sua expressão idiota, ainda que mais saudável? - Hum
rum! Perco meu olhar de "além". - Consegue imaginar
Shakespeare, Wilde, Chopin, Van Gogh, Pessoa sorridentes e
saltitantes, comendo banana ou pipoca? - Não! Mas...
ahaaá! Agora te peguei! E o Einstein com a língua de fora,
hein? hein? - Não vale. Ele inventou a relatividade! E
então? Vai continuar com esse mantra imbecil de felicidade?
- Não vou não, infeliz! Até porque parece que há uma ponta
de prazer nesse seu sofrimento. - Então me deixe infeliz
em paz, pois preciso terminar meu livro! Se eu ficar feliz,
como Vossa Majestade deseja, perco o combustível da alma. Não
consigo escrever bem quando estou ocupado com futilidades
felizes. - Estética da dor, entendi. Isso existe. Se bem
que eu ainda prefiro ser feliz, e você também, só que não
admite. - Nesse estado, corro o risco até de gostar de
Paulo Coelho e dupla sertaneja. - Tá bem, tá bem.
Convenceu. Volte para o fundo do poço já! Estou indo.
Telefone, se precisar. Só uma perguntinha: como vai se chamar
o novo livro? - "Tratado da Felicidade".
---------------------------------------------- Ser
feliz é tudo o que se quer, seja a felicidade burra ou tola,
seja sob as suas mais excêntricas formas. Mas, ainda que ela
se nos chegue, em seu efêmero percurso, difícil será detê-la.
Um mínimo de consciência do que acontece fora do nosso
mundinho é o suficiente para limitar essa felicidade. Nos dias
de hoje, felicidade plena só na inconsciência.
 A felicidade é como a gota de orvalho numa
pétala de flor...
::: by
meraluz
at 8:40
PM - post nº

Domingo, Fevereiro 16, 2003 :::
Conta a História que, nos anos 70,
os jovens tinham um ideal... Alguns morreram de vida em
overdose, os que ficaram e amadureceram foram esvaziados, e os
jovens de hoje, filhos daqueles, por falta de herança,
inspiração e substância, que não lhes são oferecidas, convivem
e/ou contribuem com a esterilidade coletiva.
mp3
aqui - The Who - See me, Feel me
::: by meraluz at 6:51
PM - post nº

Este é um
blog hipócrita
Este é um blog hipócrita, não se
iludam. As palavras são filtradas e dispostas no texto de modo
a não comprometer a (ir)responsável por elas. Não é
politicamente correto nem incorreto. Não incrimina a autora.
Intitulá-lo de Qualquer Coisa foi mero ato de covardia, pois
nada pode ser mais disperso e indefinido do que "Qualquer
Coisa". E se este é um blog hipócrita, sou igualmente
hipócrita. Ao se pensar cada palavra, selecionando aqui e ali
aquelas que não envolveriam o Eu Profundo, incorre-se em crime
de sonegação de identidade.
Invejo e admiro, de certa
forma, aqueles que se
rasgam heroicamente em praça pública, escancarando seu
verdadeiro testemunho de vida e oferecendo seu peito aberto a
muitos e diferentes olhares. Não me refiro à escancaração tola
e vazia. Não há mérito em escancarar o que é vazio. Falo do
despir que exibe uma existência rica e latente e não revela
apenas o "lado bonitinho de ser", mas um franco despudor para
com cicatrizes, inseguranças, medos e tolices que a vida
inscreveu e continua a inscrever intra e epidermicamente. Acho
que queria ser assim. Não me importar com olhares estranhos
perscrutadores, ávidos por julgar uma vítima ou um algoz.
Minhas palavras se equilibram em cima de um muro alto
e vivem de generalizar tudo ou transformar o tudo de mim em
ficção para que não me percebam ou rotulem. Algumas vezes
recorro a palavras alheias, geralmente palavras dos
reconhecidamente grandes. Crime estúpido, porque a própria
escolha delas ou de seu autor já é, por si, uma denúncia. Uma
denúncia de mim sem assinatura. E isso é hipocrisia.
Embora o faça de outra forma, não levaria muito jeito,
por exemplo, de fazer aqui manifestos sociopolíticos, como
execrar a guerra, etc. só para esconder meu rosto. Muitos já
falam, e bem, sobre tamanha irracionalidade (a guerra). E,
além disso, não saberia falar daquilo que minha compreensão
não alcança nem nunca alcançou ao conhecer um pouco da
sangrenta História Universal. A propósito do assunto,
recomendo o artigo do Ubaldo,
publicado hoje no Globo. Foi o que li de melhor até agora
sobre tão insensato tema. Também não apelo diretamente para o
copy/paste. Quando o faço, sempre acrescento um comentário ou
uma opinião discreta. Há quem transmita melhor esses tipos de
informação. Trago nas veias a existência e não o timbre
jornalístico. É o estilo de cada um.
Enfim, sou
hipócrita com as palavras. Deixo-as aqui com uma ligeira
maquiagem e imprensadas pelas entrelinhas onde, aí sim, está
um pouco de mim. Porém, só visíveis para os que se dispõem a
tal trabalho de dissecação e para quem realmente me conhece. O
pior é que isso criou um estilo, com o qual devo manter alguma
coerência ou então abrir mão dele, que significa abrir um novo
blog.
O fato é que agora me sinto aprisionada pelo
verbo e pelo tom que imprimi aqui, e não consigo tolerar a
sensação de hipocrisia por muito tempo. Apelar para as
metáforas seria uma solução, como aconteceu com a produção
textual da época da repressão. Mas não quero apenas metáforas.
Não quero mais Qualquer Coisa, ando querendo Todas as Coisas.
E, como sei que não vou mudar nada radicalmente agora, assumo
publicamente a minha hipocrisia.
Se alguém teve a
pacicência de ler toda esta mensagem e chegou ao final dela,
faça agora a seguinte pergunta: "E daí?". E cada uma dessas
letras bem comportadas será detonada pelos ares, juntamente
com minha hipocrisia.
Assina: Marcia, a hipócrita.
::: by
meraluz
at 12:30
PM - post nº

Sábado, Fevereiro 15, 2003 :::
 Leiam: As
verdadeiras razões de Bush, por Said Barbosa Dib, professor de
História
::: by meraluz at 11:29
PM - post nº

Alguma coisa mudou em mim. Não foi
"qualquer coisa". Operação de risco: vou tentar saber o quê.
::: by
meraluz
at 1:39
PM - post nº

Oh, tortura
do sonho realizado - vai uma poesia aí hoje?
Não
sou tão amante de poesia assim (exceção absoluta para Pessoa,
que faz mais que poesia). Dizem os intelectualóides por aí que
Gilka Machado é cult :) Eu não sei se é ou se não é, mas o que
me fez comprar o livro dela foi um único poema, onde um único
verso causou-me impacto igualmente único: Oh, tortura do
sonho realizado! Já imaginaram o peso destas palavras?
Bem... vamos de poesia hoje:
SOLIDÃO (Gilka
Machado 1893-1980)
Sou tão tu, és tão eu que te
parece a solidão a minha companhia; minha voz é tua
idéia em melodia; meu gesto teu desejo em atitude; se
o amor não nos tornou a ambos perfeitos,
adquiriste todos meus defeitos, cheguei a assimilar
tua virtude.
Sou tão tu, és tão eu que, inutilmente,
procuro uma aparência diferente para atrair teu
ausente olhar: Teus olhos me olham para além de
minha forma e estão exaustos de minha alma contemplar.
Sou tão tu, és tão eu, de tal maneira do
afeto o mimetismo os iguala, que é uma inutilidade
nossa fala, e em vão, tentanos a conversação:
ouvimos mutuamente o pensamento, não nos restando,
para tanto tédio, o supremo remédio da traição.
Sou tão tu, és tão eu, sinto-te preso a mim
como a alma à carne, a idéia à mente, preso, mas
numa ausência de desprezo.
Meus sentidos já te sabem
de cor, e, embora anseie algo de diferente, do que tu,
meu Amor, nada creio melhor.
Sou tão tu, És tão
eu, somos iguais de tal maneira que já nem
percebes quando vens para mim, quando de mim te vais.
Nossas horas de união se fizeram tão tristes
que a elas me vem a sensação do nada, que a elas, às
vezes, angustiada, quisera ser por ti brutalmente
espancada; quisera te ferir para saber se existes.
Oh! tortura do sonho realizado! Assim
juntos estamos tão sozinhos como se nunca nos
houvéssemos encontrado.
::: by meraluz at 1:36
PM - post nº

Sensível (pero no mucho)
Gosto de gente sensível, de alma lapidada, de
existência refinada, de humor requintado, de tristezas
delicadas. Gosto de gente sensível, pero no mucho.
Pero no mucho, porque o sensível demais é um chato
inconvivível que transforma detalhe em problema. O super
sensível na verdade não é tão sensível assim, reparem. Um
close nele. É o mimadinho, fresquinho, egocêntrico e
brigão da turma.
"Mas Fulano é tão sensível..." Antes
desse "Mas" adversativo, o "Fulano sensível" já acabou com a
festa, já levou a bola do jogo, já criou caso com Deus e todo
mundo (não necessariamente na mesma ordem), já tentou fazer
chantagem emocional, já viveu milhões de dilemas existenciais,
já se fez de vítima e muito mais. Oxente, se ser sensível é
isso, então viva os carcamanos!
Acabamos por
confundir, às vezes, sensibilidade com desestrutura emocional.
Nesse sentido então, o histérico deveria ser classificado como
a mais sensível das criaturas. "Mas Fulano é muito
sensível"... Isso já chega como um pedido de absolvição para
as confusões que o "sensível" provavelmente aprontou. E nem
sempre estou propensa a relevar. Meu direito. Ser sensível não
é ter os nervos à flor da pele, isso está mais para
neurastenia. Não é ter choro fácil, há quem chore para dentro.
Não é se deixar magoar facilmente, isso é despreparo. Não é
adorar poesias, isso é gosto literário. É algo mais e não algo
menos.
Ser sensível é algo tão sutil, tão sutil, que
só os realmente sensíveis conseguem perceber entre si o seu
significado, como se estivessem interagindo sob um acordo
mútuo e tácito. Eles se reconhecem nos gestos, nas escolhas,
nos detalhes, nas notas dissonantes, nos silêncios, no olhar e
nas coisas olhadas. E não precisam criar caso ou brigar com a
vida por serem assim.
Sensível, pero no mucho.
::: by
meraluz
at 12:07
AM - post nº

Sexta-feira, Fevereiro 14, 2003 :::
Despertar
- Onde
estou? - Aqui mesmo. - Quem são vocês? - Os mesmos
de sempre. - O que aconteceu? - Aqui do lado de fora,
nada. - Cadê ele? - Ele quem? - Aquele que chegou
com jeito de anjo e disse: siga-me. E eu segui. - Não
vimos ninguém. Seguiu para onde? E por quê? - Segui pelos
caminhos que ele me apontava. A princípio, caminhei por alguma
espécie de floresta mágica. Depois tudo foi escurecendo.
Nascentes secavam, estrelas se apagavam, frutos apodreciam.
Ele desenlaçou suas mãos das minhas e, quando me dei conta,
estava diante de um abismo. Por quê? Não sei. A razão não
explica. - Mas você não saiu daqui. - Não? Então foi
apenas um sonho confuso, me desculpem. Distraí-me e adormeci.
- E quem era ele? - Ele? Ora, se vocês dizem que não
me ausentei, então ele não era ninguém, não existiu. Foi um
delírio, onde sonhei com um vulto que tentava levar minha alma
de mim e apagar minhas luzes. - Está tudo bem. Nunca o sol
brilhou tão forte. É verão! - Sim, está tudo bem! Foi
mesmo um sonho ruim. Sinto-me ótima! Por favor, me dêem
licença, preciso trocar de roupa, vestir minha vida novamente.
Estou nua. Enquanto dormia, andei experimentando uma vida
emprestada que, além de não caber em mim, era muito escura. A
minha é seguramente mais bela!
::: by meraluz at 10:41
PM - post nº

Amante = aquele que ama
AMANTE - O uso desta palavra em nosso idioma costuma
adquirir um cunho pejorativo, do qual sempre discordei. É um
uso indevido. Apropriaram-se equivocadamente de um verbete que
deveria significar algo muito mais profundo. Os ingleses, por
exemplo, aplicam muito corretamente o seu "lover". A sexta
definição do léxico no nosso Aurélio, em contraste, é
aniquiladora:
6. Pessoa que tem com outra relações
extramatrimoniais: "era sempre e simultaneamente amante das
mulheres e amado pelos maridos." (Valentim Magalhães, Vinte
Contos, p. 46); Não faltou quem insinuasse ao rapaz que sua
mulher era amante do presidente da empresa. [Sin., nesta
acepç.: amásia, amásio, amiga, amigo e (bras., gír.) osso.]
No movimento dinâmico da linguagem, o/a "amante" -
aquele que ama - foi apropriado e reduzido a essa forma
esdrúxula.
Encontrei um artigo muito feliz, do Dr.
Jorge Bucay, que, enfim, faz justiça à textura densa desse
termo. Digitei e publiquei em outro server porque há limite de
espaço para os posts aqui. Vale a pena ler:
PRECISAMOS TER
AMANTES... (Dr. Jorge Bucay - Tradução do original : Hay
que buscarse un amante)
::: by meraluz at 3:32
PM - post nº

Quinta-feira, Fevereiro 13, 2003 :::
Pronto! Tá aqui ela ! Prendi, capturei-a aqui no meu
momento! Com vocês: la Luna, do meu ponto e vírgula de vista.
Pena que não dê prá ver o Cristo embaixo...
::: by meraluz at 2:32
AM - post nº

Uaaaaaaaaaau !!! Que luna !!!! Lua
Quase Cheia !!!! Esse "quase" é um tesão! Eu tenho que
fotografar isso! Vamos ver se a digital registra!! Perem :)
Essas coisas da natureza se repetem, se repetem, mas
continuam me deixando perplexa e embriagada!
::: by meraluz at 2:15
AM - post nº

Revortei! (a little bit). Não
poderia deixar de vir aqui hoje, meu niver. Vim registrar prá
mim mesma que, apesar de estar mudando a idade, não estou
ficando mais velha (ôooo retórica boa essa!).
Ufa... o
entra e sai já passou. A paz volta a reinar. Agora só nós de
novo, os da famiglia :)
Marcia, vê se toma vergonha
nessa cara e cresce! Já está passando do tempo... :))
::: by
meraluz
at 1:41
AM - post nº

Segunda-feira, Fevereiro 10, 2003 :::
Não sei lidar com essa
coisa...
Vou fazer uma confissão infantil : não
sei lidar com a publicidade. Posso até aprender, mas não sei
se quero. Há quatro meses atrás, quando comecei meus primeiros
parágrafos neste blog, achei que não seria coisa para muito
tempo. Já tive dois outros, só para testes, quando começou a
febre dos blogs. Quis entender o mecanismo da coisa, adoro
investigar, meter a mão, chegar aos segredos das regras de um
jogo. Nunca postei mais de 5 mensagens nos dois primeiros.
Depois disto, comecei a assessorar os neófitos, ajudá-los na
construção de seus blogs, explorar style sheets. Quando da
abertura do Blogger Brasil, também para poder assessorar
melhor alguns amigos hospedados aqui, cadastrei o Qualquer
Coisa (que não é Quelque Chose :), com o objetivo de entender
os procedimentos próprios e transmiti-los aos amiguinhos que
se fascinavam com isto. Não era minha intenção dar
prosseguimento.
Não sei o que aconteceu nesse meio
tempo. Talvez tenha feito as pazes com as palavras, com quem
vinha brigando ao longo de uma vida. Na verdade, elas sempre
foram a minha paixão. Só que nos desentendemos. Aos poucos fui
recuperando o gosto pela expressão com as letras, minhas
letras (com as letras dos outros eu sempre trabalhei, pois
sou tradutora/revisora). Comecei com um ou dois posts semanais
e depois decolou, tornou-se um hábito. Só que, em nenhum
momento, imaginei eu conviver com a publicidade. Escolhi a
opção "não público", de modo a poder criar discursos mais
intimistas, mais reservados. Meia dúzia de amigos muito
chegados me visitava apenas. Gente que me conhecia bem.
E eis que de repente, não sei por que cargas d'água, o
Qualquer Coisa é listado no Blogs of Note. O contador
registrou em 3 dias o que não havia registrado em 3 meses.
Tomei um susto. Mas ponderei: logo esquecem, a lista dos Blogs
of Note só fica no ar por uma semana. Realmente, depois de uma
semana, o movimento deu uma reduzida. E voltei àquela sensação
de estar sozinha em casa novamente, com minhas palavras,
depois da festa. Só que... não parou por aí. Logo a seguir,
vejo o contador disparar novamente, vou ao "tracker" checar a
origem do movimento e percebo que havia uma divulgação no site
da Globo.com. E eu disse: danou-se! Arrombaram a porta! Agora
é domínio público. O movimento foi muito maior do que no Blog
of Note, e eu agradeço a visita de cada um que esteve
passeando aqui neste meu barraco. Gente é sempre bom -
gente é muito bom, gente deve ser bom / tem de se cuidar de
se respeitar o bom (Caetano). E meu contador, que no final
de janeiro, eu me lembro, registrava o número 1076, está hoje
aí olhando prá mim com 4100 (minhas entradas não são
registradas). Três mil pessoas vieram aqui em menos de 20
dias. É uma sensação muito estranha, apesar de gratificante.
Mas eu não sei lidar com a publicidade. Não sei
escrever para todos, ou melhor, até sei, mas sei também que no
Para Todos o texto perde consistência. E este quadro está
modificando, até inconscientemente, meu derramamento
semântico, tornando-o menos íntimo. Eu lembro de uma frase de
Tolstoi: "Se queres ser universal, começa por falar de tua
aldeia." Só que eu não quero ser universal, eu já sou
universal, no sentido de que todas as pessoas do mundo são
universais. Invejo quem tenha essa desenvoltura de não mudar o
estilo de seus textos e de seu comportamento diante dos olhos
da multidão. Não sei ser assim. Por algum ridículo pudor,
cobri partes mais íntimas. Inevitavelmente meu texto se
modificou, e eu me peguei de repente escrevendo para o
coletivo e não mais para mim, como era a intenção inicial. Já
não consigo falar da "minha aldeia" como antes. Passei a falar
de megalópolis que sequer são minhas. Domínios que não são
meus. Já retirei até a opção de "blog não público", por não
corresponder mais à realidade. Arranquei todas as portas. Está
tudo tão estranho. Acho que não estou sabendo lidar com isso.
Tenho que cuidar para não perder o estilo e a coerência, para
não me perder de mim.
Possivelmente, o movimento aqui
no meu pedaço deve voltar a diminuir quando o QQ sair do site
da Globo com. Mas nem adianta, eu já terei me modificado,
minha aldeia terá se modificado. Sinto-me estranha. De
qualquer forma, foi uma grande experiência. Vou dar uma
pequena paradinha e reformular as idéias. A todos que aqui
estiveram, aos que ainda estão, aos novos amigos navegantes e
aos antigos e fiéis (sempre), que deixaram registros super
gentis nos comentários ou no meu email, especialmente à Nina,
que foi a primeira visita casual e muito me incentivou com as
palavras, um carinho muito especial. Até qualquer hora, com
qualquer coisa... Não demoro. Demorô! .))
::: by
meraluz
at 12:55
PM - post nº

FUCK AMERICANS!
Original a T-Shirt, né? Pois é... Encomendei três delas nos
"Isteitis" e pedi prá Lila, que estava na Flórida, me enviar
de lá pelo correio, para não ter que pagar o frete caro da
loja. Sem noção. O Correio americano me garfou as camisetas e
"fuck me" ! Vai ver não gostaram da frase "Fuck the Post
Office!". As camisetas nunca chegaram. Depois dizem que é
coisa de brasileiro... Fuck americans! Fuck os favoráveis à
Guerra! Fuck American Nightmare! A frase ilegível no centro da
camiseta (acima do fuck off ), escrita por eles mesmos, é:
fuck Uncle Sam two or three times!
::: by meraluz at 12:40
AM - post nº

Domingo, Fevereiro 09, 2003 :::
Diários Cor de Rosa e
blorrrghhs
Saiu em um suplemento do jornal O Globo
de hoje uma matéria engraçada (pelo menos para mim), cujo
título é Diário
Cor de Rosa. Caso queiram ler, basta clicar no link.
Começa dizendo o seguinte: Blog. Foi a primeira palavra que
veio à cabeça de Maria depois de uma noite de amor
inesquecível. Ela precisava contar tudinho, tintim por tintim,
o que acontecera... Na privacidade do seu quarto, acessou o
seu blog - um site pessoal, espécie de diário do século XXI,
onde o tema é livre - e contou tudinho para ele. Para ele e
para as cerca de 70 (80, 90...) pessoas que passam os olhos
por lá diariamente...
Eu fico me perguntando se já
não é hora de a mulher mudar de cor, optar por uns tonszinhos
mais arrojados. É engraçado ver essas confissões românticas
expostas no varal virtual dos blogs. Rasgam-se, escancaram-se
aos olhos do mundo. E eu já não sei se vejo isso como um
movimento heróico ou piegas, talvez um pouco dos dois. Com
certeza, há que se admitir que a libertação do verbo faz muito
bem à saúde, independentemente de sua forma (no que os
analistas devem se cuidar para não perderem as clientes).
Quanto a isto, não há o que se questionar. A matéria informa
também sobre uma outra categoria de mulheres na Internet, que
vejo funcionar como mais um agente divisor de almas: as
iconoclastas do sexo oposto, o que acaba em arquétipo. Mas
este já é um outro departamento.
Eu devo ser uma
espécie de ET, sofrendo de um romantismo ao estilo Ionesco
(claro, somos todos produtos românticos, ainda que não
manifestamente). Tampouco sei fazer binômios dessa ordem
(homem/mulher, rosa/azul, feminino/masculino, ele/ela,
mulherzinha/garanhão, princesa/príncipe). Não teria coragem
(nisto sofro de uma covardia preservacionista), mesmo sem
identificação, de publicar em blogs algum tipo de anseio ou
intimidade amorosa. Não permitira que meu blog usasse batons,
salto alto e calcinhas (eu uso, ele não). E tentaria evitar ao
máximo que minhas inconfessáveis carências emocionais vazassem
por aqui. Sim, só tentaria, porque nem sempre é possível. Há
momentos em que não há como impedir a alma de drenar. Enfim,
não gostaria de dar o tom adolescente de "Meu Querido Diário"
nem o tom sectarista de "Guerra dos Sexos" a algo que pode se
ampliar muito mais, abrangendo contextos existenciais mais
extensos e um pouco de todas as coisas.
Essas meninas,
moças, senhoras "cor de rosa" têm todo o meu respeito, e até
uma certa admiração pela ingenuidade e ao mesmo tempo ousadia
de colocar seus tecidos expostos no varal do quintal público
ensolarado, repleto de peças íntimas, pelo qual os transeuntes
passam, alguns tentando adivinhar que histórias aconteceriam
por detrás daquelas roupas, outros mantendo sua indiferença
ocasional.
Eu gosto de falar de almas e nem percebo
essas linhas fronteiriças que dividem o humano. Meu blog é
preto e branco, as outras cores deixo para as palavras que
deposito nele, com todo o respeito ao cor de rosa. Bem, eu
gosto da cor salmon, que é bem parecida... (risos). Cor de
rosa, prá mim, só a sutileza da Pantera ;)
::: by
meraluz
at 12:20
PM - post nº

Longos Carnavais
Eu
não gosto de carnaval, apesar de ter nascido nele. Você gosta?
Tudo bem... não precisamos gostar das mesmas coisas para
sermos felizes e conviver. Vou ao cinema enquanto você
desfila. Ouço um jazz enquanto você vai sambar. Passeio por
alguma rua tranquila enquanto você corre atrás do trio
elétrico. Deixo minhas fantasias na cabeça enquanto você veste
a sua. Leio um livro enquanto você enche a cara. Tudo
perfeito. Cada um se diverte a seu modo.
Mas, se eu
não gosto de carnaval, por que vivo dizendo: "estou me
guardando prá quando o carnaval chegar"? Taí... Ele está
chegando e eu vou continuar guardada. Até como metáfora não
convence, como vou associar algo ou alguém muito esperado
àquilo que não gosto?
Viajar, nem pensar. Da última
vez, passei metade de um dia parada no engarrafamento e toda a
comida estragou no carro. Quando enfim cheguei ao paradisíaco
"resort", faltava água e o paraíso parecia ter desmoronado.
Nunca vi tanta gente junta e tanta muvuca. Fico por aqui mesmo
fazendo meu próprio carnaval e botando meu bloco na vida
possível enquanto vocês botam o bloco nas ruas. Bom carnaval,
para quem gosta ;) Não se esqueçam da camisinha como
complemento à fantasia.
::: by meraluz at 2:34
AM - post nº

Sábado, Fevereiro 08, 2003 :::
UM JEITO CHAPLINIANO DE SER
Sim, ter na alma um Vagabonde! Denunciar
tragédias sociais, pessoais, usando a comicidade e a leveza de
quem ri de um louco roteiro. Ver e fazer graça com a
própria sorte. Sacudir a poeira e seguir caminho. Retirar as
camadas de proteção que ofuscam a luz. Manter a ternura no
cenário embrutecido, em preto e branco, dos erros. Rir de
todo o nonsense que o mundo reproduz. Transformar política
em poesia, poesia em depoimento de vida, vida em arte, arte em
riso. Correr atrás de amor e pão, metáfora alimentar
básica da alma e do corpo. Não despregar da alma a criança
eterna. Debochar do mundo desarrumado. Desarrumar o
desarrumado. Uma estrada à frente e um vagabundo para
percorrê-la, sem saber aonde leva o caminho, mas sabendo que,
onde quer que leve, se há sempre de chegar em si mesmo. (O
importante é ir, não é chegar - Charles Chaplin) Quero o
jeito chapliniano de ser, de ver, sobreviver, "superviver" -
sinfonia da "libertura", onde liberdade e ternura se unem para
todo o sempre. Sorrir... Com consciência, sorrir do absurdo
que tudo faz. Então terá valido a pena, não se deixar perder a
inocência dentro de uma inútil consciência.
CHARLES CHAPLIN (16/04/1989 - 25/12/1977)
Charles Chaplin, para mim, foi o grande gênio do
século XX. O ícone do "doce vagabundo" não era apenas um jeito
de fazer comédia e despertar ternura. Era todo o depoimento de
um século, de uma sociedade. Era a ideologia personificada e
disfarçada na despretensão de um Carlitos que mudou não apenas
a história do cinema, mas o pensamento das humanidades.
Atemporal, ele me inspira sempre a cada olhar que dirijo à
vida. Transformar os acontecimentos, dolorosos ou não, em
caricaturas torna tudo muito mais suave.
Biografia
Canto
ao Homem do Povo (poema de Drummond dedicado a
Chaplin) Vote:
Qual seu filme preferido de Charles Chaplin?
-------------------------------
"Charles é
o único artista que inventa em nosso século. Os demais, nós
todos, imitamos". - Ezra Pound
"Vagabundo sem
pátria, sem família, sem amigos, sem ideais, aspira à única
felicidade que lhe é possível: o abrigo para mais uma noite,
um prato de comida, um mínimo de segurança pessoal e de espaço
físico para sobreviver num universo imenso e palmilhado sem
sucesso pelas suas botas cobertas de pó, cujas pontas indicam
ao mesmo tempo dois rumos antagônicos e vazios." - Carlos
Heitor Cony (o melhor biógrafo de Chaplin, na minha
opinião)
"O iconoclasta surge sob o aspecto de um anjo
decaído... Longe de ser um vagabundo apenas no sentido social
da palavra, é também um desclassificado moral, psicológico e
metafísico: é o vagabundo do mundo, e o seu destino supera as
lendas... Em Carlitos a humanidade inteira se reconhece." -
Jean Mitry
"The Tramp é o universo minimizado
de toda a aventura humana - nos termos em que Chaplin
compreende a aventura humana... chega pela estrada, aceita o
emprego na fazenda, enamora-se da filha do patrão, ilude-se,
salva o patrão e a fazenda de um malfeitor, espera a
recompensa - que para Carlitos é sempre o pão e o amor - e
surge um outro para ficar com o pão e o amor. Não desanima,
porém. Sai em silêncio, sem se fazer notar, e some pela mesma
estrada, coberto de pó. O passo é vacilante, ao início da
fuga, mas aos poucos, sentindo a seus pés a estrada, o pó,
identifica-se novamente com o próprio destino, com a própria
estrada. Dá uma cambalhota e some. Como parábola, é tão
perfeita em seus elementos técnicos quanto a parábola do Filho
Pródigo ou a do Bom Pastor, Nada é demais, tudo é necessário."
- Carlos Heitor Cony
- citações acima extraídas do livro CHARLES CHAPLIN,
de Carlos Heitor Cony (o texto inicial é meu)
Porque eu tinha, um dia, que falar de Charles Chaplin,
ou ficaria faltando algo fundamental...
::: by
meraluz
at 2:56
PM - post nº

"QUALQUER COISA"
NÃO DEIXA DE SER ALGUMA COISA - Divagações sobre o título
de um blog
Voilà. Tenho recebido alguns comentários
que me chamam a atenção para a diferença entre Quelque
Chose, que significa Alguma Coisa, em francês, e
Qualquer Coisa, que não passa de qualquer coisa mesmo.
Obviamente, eu sei dessa diferença, meu francês não é tão
parco assim. Mas devido aos vários comentários, acho melhor
esclarecer o ponto.
Ao cadastrar este blog, digitei,
lépida e fagueira, o nome Qualquer Coisa no campo do
formulário destinado ao endereco. Porém, para minha decepção,
já haviam se apropriado deste login ou endereco, sei lá.
Enfim, não deu para registrar Qualquer Coisa. Então eu
resmunguei: merde ! (Só falo m... em francês, prá não soar
muito agressivo). E me veio à cabeça o Quelque Chose
que, apesar de não ter correspondência lexical, tem
correspondência fonética. E assim o endereço que consegui para
a URL foi o QuelqueChose, que não é Qualquer Coisa, é só
alguma coisa.
Bom, o nome do blog é Qualquer
Coisa, com endereço de Quelque Chose. Fui impedida de
colocar qualquer coisa no endereço. E, como Qualquer Coisa não
deixa de ser "alguma coisa", que corresponde a "quelque chose"
en français, mas que não é qualquer coisa, então ficou
assim mesmo. Ambos são indefinidos... Que maldita atração
tenho eu por indefinidos. Deve ser algum tipo de distúrbio
mental. Tem um blog que eu visito, por exemplo, onde só assino
com o nick de "Alguma". Que coisa! (que não é qualquer).
Nossa, esse papo já tá Qualquer Coisa... pirei !! :))
Bem, vocês entenderam...
::: by meraluz at 12:29
AM - post nº

Sexta-feira, Fevereiro 07, 2003 :::
ESSA P... DO AMOR !
 Chave
das frases embaralhadas: 1) Meu coração não cabe em
minha cabeça 2) Minha cabeça começa em meu coração
(lidas de dentro p/fora) equação 1: cabe ( em (
não ( cor (meu) ação ) cabe) minha) ça equação 2:
cor (em ( come ( ca (minha) beça ) ça ) meu )
ação
Cabeça ou Coração? R: Tsc tsc tsc...
Perguntinha inútil. Pura retórica. O coração pode neutralizar
em dois tempos o que uma cabeça passou anos elaborando.
Entäo viva a p... do amor! O ópio desenvolvido que
atravanca o progresso! Todo mundo amando ! Ueba!!
::: by
meraluz
at 12:41
AM - post nº

Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003 :::
CLARICE LISPECTOR
Aproveitei as poucas horas de ócio para
garimpar umas curtinhas e absolutas da Lispector. Nada tenho
de grande a dizer hoje, a não ser pelas palavras de alguém
grande. Voilà:
1- A EXPERIÊNCIA MAIOR - Eu
antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era
eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era
fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e
o outro dos outros era eu.
2- TRABALHO HUMANO -
Talvez esse tenha sido o meu maior esforço de vida: para
compreender minha não-inteligência fui obrigada a me tornar
inteligente. (Usa-se a inteligência para entender a
não-inteligência. Só que depois o instrumento continua a ser
usado - e não podemos colher as coisas de mãos limpas).
3 - A ARTE DE NÃO SER VORAZ - Moi, madame,
j'aime manger juste avant la faim. Ça fait plus distingué.
4 - MAS É QUE O ERRO... - Mas é que o erro das
pessoas inteligentes é tão mais grave: elas têm os argumentos
que provam.
5 - MAS JÁ QUE SE HÁ DE ESCREVER... -
Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem
com palavras as entrelinhas.
6 - UM HOMEM DISCRETO
- Deus lhe deu inúmeros pequenos dons que ele não usou nem
desenvolveu por receio de ser um homem terminado e sem pudor.
7 - AS NEGOCIATAS - Depois que descobri em mim
mesma como é que se pensa, nunca mais pude acreditar no
pensamento dos outros. (obs: grande, grande...)
::: by meraluz at 12:58
AM - post nº

Segunda-feira, Fevereiro 03, 2003 :::
E agora?? Era uma vez um Rio de
Janeiro?? Acabou a festa? O encanto? A cultura? O patrimônio?
Caramba... Eu, carioquissima e apaixonada pelo Rio, posso
ficar feliz ao ler isto aqui? A Orquestra Sinfônica do
Estado de S. Paulo apresentou uma seleção de músicas de Tom,
com arranjos dele próprio e de alguns colaboradores, tais como
Claus Ogerman, Nelson Riddle, Dori Caymmi, Paulo Jobim, e
Mario Adnet.
Como carioca, não tenho que me sentir
envergonhada de saber que São Paulo valoriza mais o nosso
patrimônio artístico e cultural do que os manés cariocas??
Hein? Hein? Que São Paulo respeita mais os nossos valores do
que o próprio Rio?? Pois é verdade... Infeliz verdade... Viva
São Paulo então, porque o Rio está DESGOVERNADO. Temos os
piores políticos, os piores deputados e vereadores nesse
sentido. Nada fazem pelo resgate de nosso patrimônio, para
manter o Rio no ar.
Ricardo Cravo Albin, por exemplo,
como todo bom idealista apaixonado pela produção cultural e
raízes do Rio, luta, incansavelmente e com recursos próprios,
para preservar alguma coisa, com a Fundação que criou. Mas uma
andorinha só não faz verão. E como é difícil fazer verão no
paraíso do verão. Quem vai investir em alma? O que entendem de
alma?
Cadê o Rio?? Cadê meu Rio de Janeiro?? O berço
de tanta arte, tantos talentos?? Jobim, Vinícius, estão vendo?
Não lhes reconhecem mais aqui. Será que daí de cima vocês
poderiam operar algum milagre e enviar uma luz àqueles que
pensam conduzir esta cidade?? Àqueles que a conduzem ao
abismo? E àqueles que simplesmente não conduzem nem deixam de
conduzir, mas que são pagos para tal??? Dá prá mandar um
milagrezinho daí do Reino dos Céus?? Ou a gente vai acabar
tendo que ouvir funk, gírias dissonantes de quinta categoria,
coisas assim? Substituir a Bossa Nova por Hinos evangélicos?
Que tal? Não deve faltar muito para isto. Jesus, me chicoteia
!!! (com sua licença, Marcurélio). Oh, tortura !!
Pasmei quando ouvi meu amigo João Carino falando de
um projeto sobre Vinícius. Um espetáculo belíssimo a
ser encenado em teatro, com música e poesia, interpretado por
atores e cantores de peso, que ele está tentando produzir.
Pois é... o Rio não se interessou pelo projeto. Quem se
interessou??? São Paulo. Pensando de maneira otimista,
resta-me, depois de tudo isso, torcer para que São Paulo ao
menos ajude a fazer aquilo que cariocas não fazem: resgatar e
promover a própria imagem do Rio, projetando seus valores e
seus patrimônios musicais. Quanta contradição, não é?
As baratas moram no Rio de Janeiro. É de fazer
vergonha o nível de nossos políticos. Devem achar que o
problema se reduz somente a cofres públicos e Silveirinhas.
Patrimônio artístico? Vida cultural? O que eles sabem disto?.
Não adianta fazer escadinha rolante com tecnologia de ponta
para o Cristo não! O Redentor está rendido a tanto descaso !
SALVEM O RIO DE JANEIRO !!! CARIOCAS, LEVANTEM-SE DO
LIMBO, SAIAM DA PASMACEIRA !!! NÃO DEIXEM O SAMBA MORRER, NEM
A BOSSA, NEM A VIDA DESTA CIDADE, QUE FOI UM DIA MARAVILHOSA!
VISITE: RJ
Sinfonia: http://www.rjsinfonia.net/
::: by
meraluz
at 2:56
AM - post nº

Qualquer Coisa de
Loucura
Há qualquer coisa de loucura no ar puro. Enquanto
ando pela vizinhança e vou descobrindo novos blogs, percebo
que os que mais me encantam têm sempre algo de loucura,
delírio, transcendência, irreverência. Basta observar os nomes
dos blogs vizinhos aí na coluna esquerda. É da loucura sã que
falo. O simples fato de ser diferente, de não se deixar
reduzir a uma simples função, a uma descartável peça dessa
engrenagem que roda maluca e repetitivamente, tentando
condicionar o mundo e imobilizar valores.
Ah, mas como
é estéril o que chamam de "senso comum". E se isto é o comum,
salvemo-nos na loucura, que nada mais é do que dispor da noção
criadora e fecunda de um imensurável universo próprio. O
universo que não quis ou não conseguiu se sujeitar às "regras
do jogo". Play the game o escambau ! Play your music
! Eu gosto mesmo é dos meus irmãos de loucura criadora.
Delicioso manicômio! Há tanta sensibilidade nesses
deslocamentos, tanta riqueza interior, tantos horizontes,
tanta consistência. Tudo isso me remete ao louco maior,
meu venerado Pessoa que, nos delírios de seu Caeiro, escreve:
Se eu morrer muito novo, oiçam isto: Nunca fui
senão uma criança que brincava. Fui gentio como o sol e a
água, De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma, Nem procurei
achar nada, Nem achei que houvesse mais explicação Que
a palavra explicação não ter sentido nenhum.
Bendita loucura, pois que somos feitos de nuvens, de
cores, calores, paixões. Somos feitos de mistérios
indecifráveis, graças a Zeus! Ao contrário dos "normais", não
somos linearmente construídos para servir a propósitos
igualmente lineares e insípidos. Não somos meras funções
sistêmicas de uma civilização decadente. O referencial de
poder é outro e bem maior. É o poder sem limites, que não se
compra, não se vende nem se prostitui. Poder de ter a vida nas
próprias mãos e nunca nas mãos de quem, ou do que, nem percebe
o que é vida.
Loucuras! Delírios! Catarses!
Inconformismos! Criação! Pureza! Libertação!
::: by meraluz at 1:07
AM - post nº

Sábado, Fevereiro 01, 2003 :::
TANTO EM
COMUM
Foi uma bela tarde. Almoço soberbo. Um dia
imoral de lindo. Não se viam há alguns meses. Reviveram velhas
histórias. Inventaram novas. Ora olhavam para trás, ora para
frente, o que era uma forma interessante de distrair o olhar
do momento solto no ar. Ela resolveu arrematar a tarde com
licor e gelo frapée. Ele passou da capirinha de lima ao vinho.
E tome licor. E tome vinho. Passadas algumas horas, ele retira
do bolso uma cartela prateada e diz: - Isto aqui é
fantástico! Vai nos permitir beber sem consequências! Nem
todas as consequências são boas, você há de convir. - O
que é isto? E ele, com ar triunfante de quem descobriu a
solução para manter longe qualquer mal-estar, estende
orgulhoso a cartela de comprimidos: - Antak ! Uma
maravilha para o estômago e o fígado. Tome um, você não vai
sentir nada, nem dor de cabeça. - Ah, que coincidência!
Quando você se levantou para ir ao toilette, eu já tinha
tomado o meu. Sou precavida. Ao invés de se sentir
frustrado pelo fato de a grande sugestão não ter sido algo
inédito, concluiu exultante: - Eu sabia que você era a
mulher da minha vida! Não falei? Veja quantas coisas temos em
comum!
Isto sim é romance, o resto é literatura :)
(o fato é verídico)
::: by meraluz at 11:58
PM - post nº

GENTE
Uau! Quanta
gente bonita andou por aqui enquanto estive ausente! - Gente olha pro
céu, gente quer saber o um / Gente é o lugar de se perguntar o
um - Eu já até começo a olhar a publicidade, que
tanto evitei, com mais simpatia. - Das estrelas se perguntarem se tantas são /
Cada estrela se espanta à própria explosão - Não
fosse ela e eu não teria tantos recadinhos, não teria esse
feedback. É legal essa interação, é legal essa humana
confluência. Più bello! - Gente é muito
bom gente deve ser bom / Tem de se cuidar de se respeitar o
bom - O contador me assustou um pouco, em uma
semana ele registrou mais visitantes do que os quatro
meses de existência deste meu barraco. - Está certo dizer que estrelas estão no olhar
/De alguém que o amor te elegeu pra amar - Então,
já que é inevitável, derrubemos as portas, retiremos os
trincos, quebremos os muros. Aqui agora é a casa da mãe Joana!
Fiquem sempre à vontade, porque eu estou quase sempre à
vontade. - Nesita, Gui, Guto, Giselle,
Marta, Fernando, Finder, Gabriella / Gente viva brilhando,
estrelas na noite - Acho que o segredo da vida está
no toque sobre as coisas, sobre qualquer coisa. Não há toque
meu que passe impune. A cada gesto ou criação é preciso tocar
com tudo, inscrever a alma ao assinar cada movimento. - Gente quer comer, gente quer ser feliz /
Gente quer respirar ar pelo nariz - É preciso
também ter música dentro e fora de si. E aí acontece esse
resultado feliz. Gente que encontra gente num acaso feliz. -
Não, meu nego, não traia nunca essa
força, não / Essa força que mora em seu coração -
Legal vocês terem vindo! Os habituées já fazem parte do
meu patrimônio afetivo, eles sabem disso.- Gente lavando roupa amassando pão / Gente
pobre arrancando a vida com a mão - Os que chegaram
recentemente e se depararam com a minha acidental existência
neste blog trouxeram uma alegria azul ao meu pequeno planeta.
- No coração da mata gente quer
prosseguir / Quer durar, quer crescer, gente quer
luzir - Valeu! - Andres,
Miss Melodies, Cirilo, Toka, Mariana, Beta, João / Gente é pra
brilhar não pra morrer de fome - Gente não é só uma
palavra forte. Gente é a própria força. É calor, é troca,
fotossíntese do verbo SER. Verbo tão profundo quanto veloz.
Quando se diz "É", o " É" já "FOI". Por isso gente é ur-Gente.
- Gente desse planeta do céu de anil /
Gente, não entendo, gente, nada nos viu - E agora
vou-me, mais um dia virou. Um sábado que se inicia. - Gente espelho de estrelas, reflexo do
esplendor / Se as estrelas são tantas só mesmo amor
- E com ele a vontade ingênua de ser feliz de novo. - Alice, Dorothy, Mad Mouse, Felipe, Ramp,
Liviola, Dirceu, Coralina / Gente espelho da vida, doce
mistério. - Somos, cada um com seu universo,
incríveis, não? Quantos uni-versos! - Vida, doce mistério.
Obs.: a música que cantarolava enquanto escrevia é de
Caetano, se chama GENTE. Tentei substituir os nomes próprios
da letra original por cada um dos últimos nomes que encontrei
nos comentários. Certamente, o espaço e a métrica da música
não foram suficientes para caber todos os nomes (por isso não
gosto de métricas e rimas). Mas todos os nomes estão na
melodia, sobretudo os nomes daqueles que deixei de citar,
nomes da minha gente de praxe, dos que já são da casa. A Rádio
Qualquer Coisa dedica esta canção a vocês que são
"gente".
::: by
meraluz
at 1:24
AM - post nº

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