A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Rio de Janeiro

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- E meu coração nunca mais foi o mesmo
- Biography
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- Lemas e Dilemas
- "Não fique triste" uma banana!
- Questão de Lógica
- Não Temendo a Timidez
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- Para levar uma vida saudável
- Livrai-me da mediocridade!
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- Caminho de volta


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Meu preferido, dentro da categoria:

Jesus, me chicoteia!

- Aldeia - Cesar Oliveira
- Cristal e Poesia - Eliane Stoducto
- Espaço das Letras - meu site profissional
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- M.Lopes Design - Marcio Lopes
- RJ Sinfonia - Eliane Stoducto
- Vôos - Ivy Wyler
- Inos Corradin - artes
- Projeto Criar-te


Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
---------------------------------------

Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.




Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


Cotação da verdinha $$$:




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Levanta, Rio!



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Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003 :::

Conversa blasée com a Bruninha* - sobre ignorância, Outlook e felicidade

- Conseguiu configurar o Outlook com as instruções que eu te dei?
- Ah, porra...canseira! Fiquei com preguiça e desisti.
- É? Então fez errado. Se é prá parar no meio, melhor não começar nada, pois terá se esforçado pela metade, sem resultado nenhum, e não terá sido integralmente preguiçosa.
- Sim, senhora! Anotado!
- Siga meus conselhos sempre "sábios". (tom irônico)
- Hum rum ! Sempre, sempre! Demorô!
- Mas se quiser ser apenas feliz, seja ignorante.
- E como vou ser ignorante se eu for na tua onda? Você é ignorante?
- Se acha que não sou, é só não me dar ouvidos e... ser ignorante!
- Hehehehehe, é melhor, né?
- Deve ser. Como vou saber ao certo? É que os ignorantes de tudo me parecem tão mais felizes.
- Tenta ser ignorante então, uai !
- E por acaso dá prá voltar atrás? Como alguém que não é mais ignorante pode voltar a ser ignorante? Só com perda de memória.
- Hmmm... não sei. Vou refletir sobre o assunto e depois te falo.
- Ok, espero sua resposta prá depois do carnaval, então.
- Ah, votei no seu blorrgh um montão de vezes!
- É? Que linda! Você é uma menina 10 ! Acho até que vou postar lá essa conversa profunda sobre ignorância que acabamos de ter!

* Bruninha tem 15 anos, é minha "filha virtual", fruto das andanças pelo mIRC. Bruna é sábia. Só que ela ainda não tem consciência disto.

::: by meraluz at 10:18 PM - post nº



Por que me faltam as palavras?

Por que me faltam as palavras? Seria por andar vivendo fora delas? Ou algum estado de choque semântico? Seria porque nem eu ando conseguindo ler meus próprios pensamentos? Ou por causa das cousas que meus olhos têm visto? Seria simplesmente por não ter mais nada a dizer?

É a sensação de alguém que viveu demais, falou demais, ouviu demais, sem ter, de fato, vivido, falado e ouvido tanto assim, mas que já intuiu o restante como sendo apenas a reedição barata do texto original. Perdoem-me os que esperaram hoje de mim alguma eloqüência e encontraram só silêncio no lugar da sinfonia discursiva anunciada na programação. Quisera poder silenciar meu silêncio. Mas ele não quer calar. Pensar em nada deve ser o mesmo que pensar em todas as coisas até a exaustão. Pensar em nada ou pensar em todas as coisas impede o verbo de perspirar. Não é falta de assunto. Assuntos existem em profusão. Há sempre do que se falar, basta um olhar observador em torno de qualquer objeto. Não é falta de assunto, é ausência de verbos. Nada que seja definitivo e letal.

::: by meraluz at 9:05 PM - post nº



Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003 :::

Já que você chegou até aqui, vote aí do lado no Qualquer Coisa, que não é qualquer coisa. Eu juro que não sou uma prostituta de palavras. Como não tenho nada a perder, nem tenho a pretensão de me comprometer com algum tipo de leitor, achei que não chegaria a ser uma violência inscrever o QQ no prêmio KIT.NET, cujo único critério é o número de visitantes. Minhas chances são mínimas por não me empenhar em divulgar muito este "nosso" espaço. Aí sim, talvez estivesse prostituindo palavras e idéias. Além do mais, os sites pornôs lideram disparadamente. Como a p*t*r*a é consumida, nossa... Isso é concorrência desleal.

::: by meraluz at 3:32 PM - post nº



Natureza Viva - Já experimentaram fazer de suas vidas uma obra-de-arte? Então vamos lá, não importa o estilo. Misture bem as cores, use com bastante feeling o jogo de luz e de sombras. Sombras são necessárias para que luzes existam. Agora a textura, tem que ter textura. Vá lançando suas histórias sobre a tela, todo o sentimento, todas as dores, a psiquê, as esperanças (a esp'rança é um dever do sentimento - F.P.), o bem, o mal. Borrões vermelhos, azuis, amarelos, iridescentes e indecentes, conforme sua temperatura de cor. Não importa se está ficando muito abstrato, o sentir tem muitas partes abstratas, indefiníveis mesmo. Mas, sobre a tela, o abstrato vai poder, ao menos, gritar que é abstrato. Algumas histórias têm formas definidas, são figurativas. Outras são impressionistas e, as mais intensas, expressionistas - precisam deformar a realidade. Os traços surreais ficam sempre bem, trazem a estética da loucura libertadora, aquela que não adoece. Ah! A profundidade ! A profundidade já vem carregada de arte, de existência catártica. Imprescindível ter profundidade, pela idéia de dimensão. Quando pintamos a felicidade, na maioria das vezes a obra vai assumir o tom ingênuo, naïf, em composição harmônica. O desespero já vem com tons mais berrantes, pois grita muito em suas cores. Há mil formas de retratar a vida, monocrômicas, policrômicas. E também há (por que não?) apenas uma tela em branco, esperando por suas tintas. E isso não é menos arte, desde que exista uma tela (a vida), suas tintas (o sentir) e, acima de todas as coisas, a vontade criadora. A vida precisa valer a pena. Pegue sua paleta, misture as cores e comece, tantas vezes quanto necessário, a recriar suas histórias, dando-lhes forma, cores, marcando a vida com a sua própria impressão.

Esta metáfora foi criada para explicar a mim mesma, e a quem mais couber, a importância da auto-representação criativa em um mundo globalizado, que se torna cada vez mais decadente, sem cor, sem grandes histórias e sem consistência.

::: by meraluz at 1:59 PM - post nº



Sentaí !

Vamos falar do quê hoje? Não sei não. Puxe a cadeira, sente no chão, relaxe. Bebe alguma coisa? On the rocks? Ok... Não vim com algo programado. Então vou escrever como se tocasse um jazz às avessas. Escolho um improviso e vou variando em torno de algum tema que só encontrarei no final. Roubando um verso de Pessoa, poderia sugerir: vamos falar daquelas coisas lindas que nunca existirão? Não, não vamos. Esse papo já tá Qualquer Coisa mas eu não estou prá lá de Marraquesh. Os ares cáusticos e os ruídos de fevereiro me trazem a exata consciência de estar abaixo da linha do Equador. Não, não me peça um poema de verão. Não gosto de poesia com letras, rabisco uns poemetos de vez em quando, sem o menor talento e vontade, só por rabiscar; tem uns aí embaixo. Poetas adoram escrever caminhos de fuga com palavras etéreas, lirismos hiperbólicos e abstracionismos tão distantes da realidade quanto as estrelas do chão. A questão não é a distância mas a fuga. Acho que prefiro as poesias mais urbanas, semeadas no asfalto, tirar leite das pedras, poesia nas mãos. Aí sim, é um desafio. As estrelas são para olhar, não para imaginá-las tocadas, como sonhos impossíveis. Então, nada de poesia hoje. De médico, poeta e louco... fico com o louco! Fico com o louco! Cheguei no tema: a loucura. :) Agora posso ir. Obrigada pela companhia.



::: by meraluz at 3:41 AM - post nº



Terça-feira, Fevereiro 25, 2003 :::

Enquanto os dois sistemas de comentários estão fora (quanta eficiência, hein?), aproveito para deixar, nesta manhã ensolarada de verão, uma mensagem especial para alguém mais especial ainda: Eliane, muitas "acontecências" maravilhosas pelo seu aniversário! Você é um sinal luminoso nas palavras tortas. Um beijo especial pelo dia de hoje!

::: by meraluz at 11:28 AM - post nº



Segunda-feira, Fevereiro 24, 2003 :::

Mas Mas tá tudo muito bem, tá tudo legal ! É só não ter que ler jornal !
Um ônibus e três carros são incendiados no Méier
Polícia soube ontem que ações criminosas seriam desencadeadas
Josias: ordem para ações criminosas partiram dos presídios
Tudo numa nice, cada um na sua ! É só não botar a cara na rua!
Rosinha coloca Polícia nas ruas para evitar novos episódios de violência
Josias: Comando Vermelho distribuiu nota assumindo autoria de atos violentos
Incêndio em ônibus deixa quatro feridos em Botafogo
Só não sei por que motivo, hoje choro quando... "Rio, Rio, Rio...".
Bombas explodem na Tijuca e em Ipanema
Tráfico ameaça e ônibus da São Silvestre não saem da garagem
Traficantes incendeiam ônibus em vários bairros da zona norte do Rio
Rio de Janeiro, o que fizeram de você? O que fizeram com você?
Mas tá tudo muito bem a 40 graus! Impunidade, carnaval
e um cartão postal !


::: by meraluz at 8:22 PM - post nº



Para levar uma vida saudável:

- Poucas calorias, malhar, fumo nem pensar, álcool muito pouco, malhar, emoções moderadas, malhar.

Eu adoro a gastronomia assassina, sobretudo os chocolates. Academias, fora de cogitação. Aeróbica, só intelectual. Um cigarrinho sempre me ajuda a pensar melhor. Emoções moderadas são broxantes. Acho que só modero mesmo no álcool, bebo pouco e socialmente. Estou me matando? Pode ser. O fato é que eu gosto de todas essas coisas e não me odeio, conforme muitos tentam me fazer acreditar. É óbvio que tenho a consciência de não aconselhá-las a ninguém. Eu só gostaria que os arautos da "boa forma" me deixassem em paz com meus péssimos hábitos, porque sou feliz assim. Sou "jazz" e não "trilha sonora de filmes da Sessão da Tarde". Minha saúde, até aqui, vai bem, obrigada. E meu peso está bem compatível com minha altura (50 kg - 1,60). Eles só se esquecem de um detalhezinho fundamental: a cabeça boa e bem resolvida, a serenidade d'alma, são substitutos muito melhores para toda essa metodologia asséptica, castradora e escravizante. Estresse e acumule mágoas para ver o que acontece! Viva a liberdade de cada um!

- Mensagem para o meu amigo Cesinha: FELIZ ANIVERSÁRIO, baiano vadio! Muita vida saudável prá você, sem prejuízo de seus prazeres!

Agora vou trabalhar (pero no mucho, só na medida certa do meu sustento), porque nem tudo é perfeito.


::: by meraluz at 10:55 AM - post nº



Domingo, Fevereiro 23, 2003 :::

VERTIGEM

Sorry, your browser doesn't support Java(tm).

Roda o tempo,
vento, invento,
rodam cores,
minhas dores,
corre-dores,
escorre-dores,
roda vida,
dividida,
minha boca,
minha louca,
minha cara
mascarada
nada a ver,
nada a VER.
Pára o mundo,
que eu quero descer
!



::: by meraluz at 8:10 PM - post nº



Falta de assunto também é assunto - krisis? que krisis?

Sem assunto, por ora. Gostei muito disto aqui que li, enquanto comia salada de frutas, embaixo de um céu imoralmente azul. Vale a pena ler.
ESTAMOS EM CRISE (Lula Vieira) - http://www.institutodapalavra.com.br/pb/01.htm

::: by meraluz at 1:25 PM - post nº



Sábado, Fevereiro 22, 2003 :::

Não temendo a timidez

Quanto, por vezes, não se deixa de dizer, quanto não se deixa de mostrar, quanto não se deixa de viver por conta dessa tal timidez? E, no entanto, os tímidos costumam ocultar um rico e vastíssimo universo de vivências acumuladas não confessas. Por serem tímidos, talvez sintam com mais intensidade tudo o fica guardado dentro de seus subterrâneos.

Quase todo mundo, acredito eu, tem sua fração de timidez, quando não o todo. E essa senhora acontece sob diversas formas, variando de criatura a criatura. E sabe ser enganosa. Às vezes, um indivíduo pode se sair muito bem em público, interpretar uma espécie de personagem, e, na hora de falar de si mais reservadamente, é acometido por rubores e tropeços, começa a gaguejar e não sabe onde colocar as mãos. Acho que este é mais ou menos o meu caso (e o caso de muitos). Aprendi a trabalhar a timidez no circo social, que é bem mais fácil, porquanto mais superficial. No entanto, se alguém me chama num canto para assuntos de maiores pessoalidades, ou quando tenho de expressar algum tipo de emoção direta a quem quer que seja, sai tudo errado. A ternura se transforma em piada, o sentimento em risinhos extemporâneos e desvios de olhar. Isso quando não apelo para um acervo de fúteis recursos, que vão do palavrão às citações literárias. E no final, o que tinha mesmo de ser dito volta à vertente interna onde foi gerado e possivelmente acaba se transformando em um poema perdido.

Há os tímidos de tudo, que demoram a se deixar conhecer e que, ao final de um bom pedaço de tempo, acabam por se nos revelar um feliz acontecimento. Isto é, se conseguimos criar esse tempo de conhecer o outro, hoje cada vez mais escasso. Há os tímidos situacionais, muito "safos" em alguns contextos e profundamente "bichos do mato" em outros. Enfim, timidez não é algo assim de grande desconhecimento público. Quase todos a experimentam, de uma ou outra forma. E não chega a ser uma deficiência ou limitação. Até pode vir a se tonar um limite, quando rouba de nós as grandes oportunidades, quando nos imobiliza de todo ou quando não sabemos conviver com ela. Mas se a timidez é tão somente um jeito de ser, não temos de perder muito tempo lamentando por ela ou tentando "consertá-la". Ela não é um defeito. E pode ficar tão bonita quanto uma pintura de aquarela, se bem trabalhada. Pensando bem, até os deuses devem ser um pouco tímidos, e talvez seja esta a razão de não mostrarem suas verdadeiras caras aos mortais.

Acho que todos somos um pouco tímidos diante do desconhecido. O grande desafio está em enfrentarmos esse desconhecido. Não deixar que esse "bicho papão" nos transforme em "bichos do mato".


::: by meraluz at 6:26 PM - post nº



Antipoesia (de minha antiautoria)



::: by meraluz at 1:53 PM - post nº



E sabe do que mais?

Nem eu.

::: by meraluz at 4:51 AM - post nº



Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003 :::

Pão e "Shit" para o povo! Ninguém merece...


::: by meraluz at 11:20 PM - post nº



Cansada

Ando cansada. Cansada das mesmices, de esperar alguém dizer algo novo e diferente, de me esperar dizer algo novo e diferente. Ando cansada, cansada dessas histórias de guerra, dessas ausências de sentido, dessas ausências de histórias. Cansada, sobretudo, do meu país: Brasil, não mostra a sua cara! - vamos que ele resolva mesmo mostrar a cara e eu terei de ver bundas e bundas. O Brasil de hoje tem CARA DE BUNDA, literalmente.

Cansada de ler os jornais, de ver um Lula amarrado e se amarrando. De ver toda uma cultura afundando, a mídia divulgando trapos bem construídos para impedir a boa formação de opinião e a consciência. Ando cansada de ver as nossas misérias e ninguém a fazer muito por elas (nem eu), a não ser discursos que o vento leva. Ando cansada do meu cansaço e da minha covardia, que se acomoda com todo esse vazio coletivo, já sem forças para levantar qualquer bandeira. Ando cansada de me cansar, sabendo que as lutas serão inglórias, porque "eles", os do "poder", são muito fortes em suas técnicas de estrangulamento.

Ando cansada de amores descartáveis, que sucumbem ao mais tenro dos ventos. De leros leros, de crises afetivas, de solidão coletiva, de solidão a dois, a três, a quatro, a mil. De conversa de psicanalisado, que veste uma personalidade aprendida só para se defender dos fantasmas do mundo. De preconceitos que dividem e desagregam, pela acentuação das diferenças: sociais, religiosas, filosóficas, políticas, sexuais, raciais (existe mesmo esse absurdo de raça?). Diferenças deveriam servir para complementações, não para seclusões.

Ando cansada. Vou descansar. Logo devo estar recuperada, quando voltarei, com o velho tolo ufanismo, a acreditar em tudo outra vez. Basta uma vitória do meu mengão ou um novo amor para que eu já venha a achar que a vida pode ser maravilhosa. De onde eu concluo que as paixões são muito nutritivas, porém profundamente alienantes.

::: by meraluz at 10:06 AM - post nº



Quinta-feira, Fevereiro 20, 2003 :::

Ashes Are Burning (Renaissance) - a música aí do fundo

Ashes Are Burning é a musica de fundo deste blog. Vou deixá-la tocando aí por um bom tempo, porque me agrada e, pelos mails que tenho recebido, tem agradado a alguns também. Para quem não gosta, basta um clique no STOP aí em cima. Se eu emitisse algum tipo de som, certamente seria este, que mistura o efervescência do rock com os mistérios da música renascentista.

A faixa Ashes Are Burning faz parte de um álbum, de mesmo nome, do grupo Renaissance, banda inglesa que teve seu apogeu pouco antes dos anos 80. O que distingue esta banda das demais, para mim, é o estilo do rock. Costumavam classificar esse tipo de composição temática como "classical rock". Eu não consigo categorizar muito bem certos trabalhos. Bah...classificações, elas só servem para aprisionar uma obra. No caso do Renaissance, o rock (?) se misturava com a música renascentista, o que dava um resultado incrível, além de envolver um trabalho de alto nível de pesquisa musical. Infelizmente a banda se desfez em 1987.

O vocal maravilhoso de Annie Haslam era e continua sendo qualquer coisa mágica. A cantora seguiu carreira solo, acompanhada de alguns elementos da banda, tendo inclusive se apresentado no Brasil, em 1997, onde gravou um CD, fruto dessa apresentação, intitulado Live under Brazilian Skies , que inclui "Desafinado" e "Corcovado". Uma bela homenagem ao Brasil, não é? Pois este CD, pasmem, é encontrado com facilidade até no Japão, mas aqui no Brasil precisa ser importado. Já era de se esperar, porque meu país, tão visceralmente musical, não gosta de qualidade ultimamente, anda muito preocupado com bundas e Kellies Kays(como se escreve esse nominho? sei lá, babei, baby), e ainda se refere a essa produção escatológica da atualidade como sendo música.

Para quem não teve oportunidade de conhecer a banda, e possui gosto musical ligeiramente decente, sugiro ouvir algum trabalho deles. Os álbuns do Renaissance e de Annie Haslam estão listados neste site. Vou dar uma colher de chá para quem quiser conhecer e tiver conexão banda larga, com uma outra faixa menor deste álbum, mas igualmente bela: Can You Understand - mp3 aqui (6.79 mb).

::: by meraluz at 2:23 PM - post nº



I Believe

Fui lá no Limite da Razão da Cacau e ouvi Tears For Fears, que eu adoro. Aí não resisti. Eles merecem um espaçozinho aqui no meu canto também. E a música é I BELIEVE, porque eu quero acreditar...

I BELIEVE - Tears For Fears
I Believe - Tears For Fears - mp3 aqui

I believe that when the hurting and the pain has gone
We will be strong, Oh yes we will be strong
And I believe that if I'm crying while I write these words
Is it absurb ? Or am I being real
I believe that if you knew just what these tears were for
They would just pour like every drop of rain
That's why I believe it is too late for anyone to believe

I believe that if you thought for a moment, took your time
You would not resign yourself to your fate
And I believe that if it's written in the stars, that's fine
I can't deny that I'm a Virgo too
I believe that if your bristling while you hear this song
I could be wrong or have I hit a nerve ?
That's why I believe it is too late for anyone to believe

I believe that maybe somewhere in the darkness
In the nighttime, In the storm
In the casino
Casino spanish eyes
I believe, no I can't believe that
every time you hear a new born scream
You just can't see the shaping of a life
The shaping of a life

::: by meraluz at 11:39 AM - post nº



Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003 :::

"Não fique triste", uma banana!

- Ei, não fique triste não! Não faça drama, vai. A vida é bela!

ERRADO!

Minha experiência e um analista amigo meu dizem que esta é uma frase frequente de se falar ou ouvir, e também a mais cruel, apesar das boas intenções nela contidas.

Por que?

Porque uma tradução mais profunda disso soaria como algo mais ou menos assim:
- Não fique triste, seu problema não é importante, a tristeza incomoda, atropele seu caos existencial, vista uma expressão de gente bem sucedida, porque não posso ou não quero entender o que você está sentindo, nem muito menos sentir com você.

Pode não parecer mas, em muitas vezes, é exatamente assim que o outro recebe a mensagem. A sensação é de que nossos problemas são subestimados, que devemos manter sempre um status de vencedor estampado no rosto, que não podemos fraquejar.

Lembrei do quanto me passaram a mão na cabeça, quando criança, e disseram: "não chora não, filhinha, isso é bobagem!". Jamais souberam do quão frustrante isso me chegava. Talvez eu quisesse ser percebida, talvez eu quisesse que entrassem no meu pequeno mundo, com o meu "pequeno problema" dentro. Mas pequeno prá quem? Não importa o tamanho exato de um problema ou de uma criatura, mas as dimensões desses dissabores e as proporções em que são vividos. O que parece pequeno para uns pode fazer um tremendo estrago em outras almas.

Nada mudou muito, tudo se repete. Continuo a ouvir, sempre que tenho um problema, a mesma frase bem intencionada. Passar a mãozinha "generosa" sobre a cabeça de alguém que realmente sofre e dirigir-lhe palavras de ânimo nem sempre pode ser psicologicamente saudável.

Hoje, com essa sacação providencial, prática e teórica, ao ver alguém triste, costumo dizer:

- "Fique triste sim! Eu sei o quanto isso deve ser duro prá você. Você tem todo o direito de ficar triste e eu vou torcer para que tudo acabe bem".

É uma forma de eu estar dizendo a essa pessoa que estou com ela, que estou dando importância aos seus sentimentos, que a percebo, enfim. Provavelmente é tudo o que ela anseia ouvir, e pode ser até que venha a se sentir mais à vontade, por saber que é possível ficar triste sem incomodar terceiros, que pode processar seus grilos em paz, que pode ser ouvida.

É muito importante para o outro se fazer representar. E nem sempre essa auto-representação acontece nas formas fáceis, simples e tradicionais que a gente deseja. Nem sempre a vida acontece ao estilo easy digest.

Então: fique triste,sim! Ou: fique feliz, sim! Fique do jeito que é seu, no momento que é seu. Eu posso receber o que você quer transmitir.

::: by meraluz at 10:48 PM - post nº



Don't let the Sun go down on me...



::: by meraluz at 12:39 AM - post nº



Segunda-feira, Fevereiro 17, 2003 :::

A Felicidade é boa, burra e engorda!

- Mas que mania você tem de ser feliz! - atalhou-me uma vez meu amigo L.C., quando tentava eu aliviar-lhe o estado depressivo.
- Mania? Mais uma? Cruzes, desculpe. Só estava tentando ajudar. Então está muito bem! Afunde-se no lodo e nas trevas!
Ele continuava, com seu ar blasé e desacreditado:
- Já reparou que quando você está de bem com a vida engorda no mínimo uns 3 kg?
- É... Sei lá...Deixa eu pensar... Não é que é mesmo?... Que m*rd*! Tem uma balança aí? Preciso me pesar urgentemente, pois acho que não ando infeliz. Isso deve engordar também.
- Já reparou que quando você está totalmente tomada pela sensação de felicidade, não produz nada que preste?
- É... já... Possivelmente porque é uma sensação completa, de obra bem acabada.
- Já se olhou no espelho nessas ocasiões? Reparou em sua expressão idiota, ainda que mais saudável?
- Hum rum! Perco meu olhar de "além".
- Consegue imaginar Shakespeare, Wilde, Chopin, Van Gogh, Pessoa sorridentes e saltitantes, comendo banana ou pipoca?
- Não! Mas... ahaaá! Agora te peguei! E o Einstein com a língua de fora, hein? hein?
- Não vale. Ele inventou a relatividade! E então? Vai continuar com esse mantra imbecil de felicidade?
- Não vou não, infeliz! Até porque parece que há uma ponta de prazer nesse seu sofrimento.
- Então me deixe infeliz em paz, pois preciso terminar meu livro! Se eu ficar feliz, como Vossa Majestade deseja, perco o combustível da alma. Não consigo escrever bem quando estou ocupado com futilidades felizes.
- Estética da dor, entendi. Isso existe. Se bem que eu ainda prefiro ser feliz, e você também, só que não admite.
- Nesse estado, corro o risco até de gostar de Paulo Coelho e dupla sertaneja.
- Tá bem, tá bem. Convenceu. Volte para o fundo do poço já! Estou indo. Telefone, se precisar. Só uma perguntinha: como vai se chamar o novo livro?
- "Tratado da Felicidade".

----------------------------------------------
Ser feliz é tudo o que se quer, seja a felicidade burra ou tola, seja sob as suas mais excêntricas formas. Mas, ainda que ela se nos chegue, em seu efêmero percurso, difícil será detê-la. Um mínimo de consciência do que acontece fora do nosso mundinho é o suficiente para limitar essa felicidade. Nos dias de hoje, felicidade plena só na inconsciência.


A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor...



::: by meraluz at 8:40 PM - post nº



Domingo, Fevereiro 16, 2003 :::

Conta a História que, nos anos 70, os jovens tinham um ideal... Alguns morreram de vida em overdose, os que ficaram e amadureceram foram esvaziados, e os jovens de hoje, filhos daqueles, por falta de herança, inspiração e substância, que não lhes são oferecidas, convivem e/ou contribuem com a esterilidade coletiva.

mp3 aqui - The Who - See me, Feel me

::: by meraluz at 6:51 PM - post nº



Este é um blog hipócrita

Este é um blog hipócrita, não se iludam. As palavras são filtradas e dispostas no texto de modo a não comprometer a (ir)responsável por elas. Não é politicamente correto nem incorreto. Não incrimina a autora. Intitulá-lo de Qualquer Coisa foi mero ato de covardia, pois nada pode ser mais disperso e indefinido do que "Qualquer Coisa". E se este é um blog hipócrita, sou igualmente hipócrita. Ao se pensar cada palavra, selecionando aqui e ali aquelas que não envolveriam o Eu Profundo, incorre-se em crime de sonegação de identidade.

Invejo e admiro, de certa forma, aqueles que se rasgam heroicamente em praça pública, escancarando seu verdadeiro testemunho de vida e oferecendo seu peito aberto a muitos e diferentes olhares. Não me refiro à escancaração tola e vazia. Não há mérito em escancarar o que é vazio. Falo do despir que exibe uma existência rica e latente e não revela apenas o "lado bonitinho de ser", mas um franco despudor para com cicatrizes, inseguranças, medos e tolices que a vida inscreveu e continua a inscrever intra e epidermicamente. Acho que queria ser assim. Não me importar com olhares estranhos perscrutadores, ávidos por julgar uma vítima ou um algoz.

Minhas palavras se equilibram em cima de um muro alto e vivem de generalizar tudo ou transformar o tudo de mim em ficção para que não me percebam ou rotulem. Algumas vezes recorro a palavras alheias, geralmente palavras dos reconhecidamente grandes. Crime estúpido, porque a própria escolha delas ou de seu autor já é, por si, uma denúncia. Uma denúncia de mim sem assinatura. E isso é hipocrisia.

Embora o faça de outra forma, não levaria muito jeito, por exemplo, de fazer aqui manifestos sociopolíticos, como execrar a guerra, etc. só para esconder meu rosto. Muitos já falam, e bem, sobre tamanha irracionalidade (a guerra). E, além disso, não saberia falar daquilo que minha compreensão não alcança nem nunca alcançou ao conhecer um pouco da sangrenta História Universal. A propósito do assunto, recomendo o artigo do Ubaldo, publicado hoje no Globo. Foi o que li de melhor até agora sobre tão insensato tema. Também não apelo diretamente para o copy/paste. Quando o faço, sempre acrescento um comentário ou uma opinião discreta. Há quem transmita melhor esses tipos de informação. Trago nas veias a existência e não o timbre jornalístico. É o estilo de cada um.

Enfim, sou hipócrita com as palavras. Deixo-as aqui com uma ligeira maquiagem e imprensadas pelas entrelinhas onde, aí sim, está um pouco de mim. Porém, só visíveis para os que se dispõem a tal trabalho de dissecação e para quem realmente me conhece. O pior é que isso criou um estilo, com o qual devo manter alguma coerência ou então abrir mão dele, que significa abrir um novo blog.

O fato é que agora me sinto aprisionada pelo verbo e pelo tom que imprimi aqui, e não consigo tolerar a sensação de hipocrisia por muito tempo. Apelar para as metáforas seria uma solução, como aconteceu com a produção textual da época da repressão. Mas não quero apenas metáforas. Não quero mais Qualquer Coisa, ando querendo Todas as Coisas. E, como sei que não vou mudar nada radicalmente agora, assumo publicamente a minha hipocrisia.

Se alguém teve a pacicência de ler toda esta mensagem e chegou ao final dela, faça agora a seguinte pergunta: "E daí?". E cada uma dessas letras bem comportadas será detonada pelos ares, juntamente com minha hipocrisia.

Assina: Marcia, a hipócrita.

::: by meraluz at 12:30 PM - post nº



Sábado, Fevereiro 15, 2003 :::


Leiam: As verdadeiras razões de Bush, por Said Barbosa Dib, professor de História

::: by meraluz at 11:29 PM - post nº



Alguma coisa mudou em mim. Não foi "qualquer coisa". Operação de risco: vou tentar saber o quê.

::: by meraluz at 1:39 PM - post nº



Oh, tortura do sonho realizado - vai uma poesia aí hoje?

Não sou tão amante de poesia assim (exceção absoluta para Pessoa, que faz mais que poesia). Dizem os intelectualóides por aí que Gilka Machado é cult :) Eu não sei se é ou se não é, mas o que me fez comprar o livro dela foi um único poema, onde um único verso causou-me impacto igualmente único: Oh, tortura do sonho realizado! Já imaginaram o peso destas palavras? Bem... vamos de poesia hoje:

SOLIDÃO (Gilka Machado 1893-1980)

Sou tão tu, és tão eu
que te parece
a solidão a minha companhia;
minha voz é tua idéia em melodia;
meu gesto teu desejo em atitude;
se o amor não nos tornou
a ambos
perfeitos,
adquiriste todos meus defeitos,
cheguei a assimilar tua virtude.

Sou tão tu, és tão eu que, inutilmente,
procuro uma aparência diferente
para atrair teu ausente
olhar:
Teus olhos me olham
para além de minha forma
e estão exaustos
de minha alma contemplar.

Sou tão tu,
és tão eu,
de tal maneira
do afeto o mimetismo os iguala,
que é uma inutilidade
nossa fala,
e em vão,
tentanos a conversação:
ouvimos mutuamente o pensamento,
não nos restando,
para tanto tédio,
o supremo remédio
da traição.
Sou tão tu,
és tão eu,
sinto-te preso
a mim
como a alma à carne,
a idéia à mente,
preso, mas numa ausência de desprezo.

Meus sentidos já te sabem de cor,
e, embora anseie algo de diferente,
do que tu, meu Amor, nada creio melhor.

Sou tão tu,
És tão eu,
somos iguais
de tal maneira
que já nem percebes
quando vens para mim,
quando de mim te vais.

Nossas horas de união
se fizeram tão tristes
que a elas me vem a sensação do nada,
que a elas, às vezes, angustiada,
quisera ser por ti brutalmente espancada;
quisera te ferir
para saber se existes.

Oh! tortura do sonho realizado!
Assim juntos estamos tão sozinhos
como se nunca
nos houvéssemos
encontrado.


::: by meraluz at 1:36 PM - post nº



Sensível (pero no mucho)

Gosto de gente sensível, de alma lapidada, de existência refinada, de humor requintado, de tristezas delicadas. Gosto de gente sensível, pero no mucho. Pero no mucho, porque o sensível demais é um chato inconvivível que transforma detalhe em problema. O super sensível na verdade não é tão sensível assim, reparem. Um close nele. É o mimadinho, fresquinho, egocêntrico e brigão da turma.

"Mas Fulano é tão sensível..." Antes desse "Mas" adversativo, o "Fulano sensível" já acabou com a festa, já levou a bola do jogo, já criou caso com Deus e todo mundo (não necessariamente na mesma ordem), já tentou fazer chantagem emocional, já viveu milhões de dilemas existenciais, já se fez de vítima e muito mais. Oxente, se ser sensível é isso, então viva os carcamanos!

Acabamos por confundir, às vezes, sensibilidade com desestrutura emocional. Nesse sentido então, o histérico deveria ser classificado como a mais sensível das criaturas. "Mas Fulano é muito sensível"... Isso já chega como um pedido de absolvição para as confusões que o "sensível" provavelmente aprontou. E nem sempre estou propensa a relevar. Meu direito. Ser sensível não é ter os nervos à flor da pele, isso está mais para neurastenia. Não é ter choro fácil, há quem chore para dentro. Não é se deixar magoar facilmente, isso é despreparo. Não é adorar poesias, isso é gosto literário. É algo mais e não algo menos.

Ser sensível é algo tão sutil, tão sutil, que só os realmente sensíveis conseguem perceber entre si o seu significado, como se estivessem interagindo sob um acordo mútuo e tácito. Eles se reconhecem nos gestos, nas escolhas, nos detalhes, nas notas dissonantes, nos silêncios, no olhar e nas coisas olhadas. E não precisam criar caso ou brigar com a vida por serem assim.

Sensível, pero no mucho.

::: by meraluz at 12:07 AM - post nº



Sexta-feira, Fevereiro 14, 2003 :::

Despertar

- Onde estou?
- Aqui mesmo.
- Quem são vocês?
- Os mesmos de sempre.
- O que aconteceu?
- Aqui do lado de fora, nada.
- Cadê ele?
- Ele quem?
- Aquele que chegou com jeito de anjo e disse: siga-me. E eu segui.
- Não vimos ninguém. Seguiu para onde? E por quê?
- Segui pelos caminhos que ele me apontava. A princípio, caminhei por alguma espécie de floresta mágica. Depois tudo foi escurecendo. Nascentes secavam, estrelas se apagavam, frutos apodreciam. Ele desenlaçou suas mãos das minhas e, quando me dei conta, estava diante de um abismo. Por quê? Não sei. A razão não explica.
- Mas você não saiu daqui.
- Não? Então foi apenas um sonho confuso, me desculpem. Distraí-me e adormeci.
- E quem era ele?
- Ele? Ora, se vocês dizem que não me ausentei, então ele não era ninguém, não existiu. Foi um delírio, onde sonhei com um vulto que tentava levar minha alma de mim e apagar minhas luzes.
- Está tudo bem. Nunca o sol brilhou tão forte. É verão!
- Sim, está tudo bem! Foi mesmo um sonho ruim. Sinto-me ótima! Por favor, me dêem licença, preciso trocar de roupa, vestir minha vida novamente. Estou nua. Enquanto dormia, andei experimentando uma vida emprestada que, além de não caber em mim, era muito escura. A minha é seguramente mais bela!


::: by meraluz at 10:41 PM - post nº



Amante = aquele que ama


AMANTE - O uso desta palavra em nosso idioma costuma adquirir um cunho pejorativo, do qual sempre discordei. É um uso indevido. Apropriaram-se equivocadamente de um verbete que deveria significar algo muito mais profundo. Os ingleses, por exemplo, aplicam muito corretamente o seu "lover". A sexta definição do léxico no nosso Aurélio, em contraste, é aniquiladora:

6. Pessoa que tem com outra relações extramatrimoniais: "era sempre e simultaneamente amante das mulheres e amado pelos maridos." (Valentim Magalhães, Vinte Contos, p. 46); Não faltou quem insinuasse ao rapaz que sua mulher era amante do presidente da empresa. [Sin., nesta acepç.: amásia, amásio, amiga, amigo e (bras., gír.) osso.]

No movimento dinâmico da linguagem, o/a "amante" - aquele que ama - foi apropriado e reduzido a essa forma esdrúxula.

Encontrei um artigo muito feliz, do Dr. Jorge Bucay, que, enfim, faz justiça à textura densa desse termo. Digitei e publiquei em outro server porque há limite de espaço para os posts aqui. Vale a pena ler:

PRECISAMOS TER AMANTES... (Dr. Jorge Bucay - Tradução do original : Hay que buscarse un amante)


::: by meraluz at 3:32 PM - post nº



Quinta-feira, Fevereiro 13, 2003 :::

Pronto! Tá aqui ela ! Prendi, capturei-a aqui no meu momento! Com vocês: la Luna, do meu ponto e vírgula de vista. Pena que não dê prá ver o Cristo embaixo...

::: by meraluz at 2:32 AM - post nº



Uaaaaaaaaaau !!! Que luna !!!! Lua Quase Cheia !!!! Esse "quase" é um tesão! Eu tenho que fotografar isso! Vamos ver se a digital registra!! Perem :)
Essas coisas da natureza se repetem, se repetem, mas continuam me deixando perplexa e embriagada!

::: by meraluz at 2:15 AM - post nº



Revortei! (a little bit). Não poderia deixar de vir aqui hoje, meu niver. Vim registrar prá mim mesma que, apesar de estar mudando a idade, não estou ficando mais velha (ôooo retórica boa essa!).

Ufa... o entra e sai já passou. A paz volta a reinar. Agora só nós de novo, os da famiglia :)

Marcia, vê se toma vergonha nessa cara e cresce! Já está passando do tempo... :))

::: by meraluz at 1:41 AM - post nº



Segunda-feira, Fevereiro 10, 2003 :::

Não sei lidar com essa coisa...

Vou fazer uma confissão infantil : não sei lidar com a publicidade. Posso até aprender, mas não sei se quero. Há quatro meses atrás, quando comecei meus primeiros parágrafos neste blog, achei que não seria coisa para muito tempo. Já tive dois outros, só para testes, quando começou a febre dos blogs. Quis entender o mecanismo da coisa, adoro investigar, meter a mão, chegar aos segredos das regras de um jogo. Nunca postei mais de 5 mensagens nos dois primeiros. Depois disto, comecei a assessorar os neófitos, ajudá-los na construção de seus blogs, explorar style sheets. Quando da abertura do Blogger Brasil, também para poder assessorar melhor alguns amigos hospedados aqui, cadastrei o Qualquer Coisa (que não é Quelque Chose :), com o objetivo de entender os procedimentos próprios e transmiti-los aos amiguinhos que se fascinavam com isto. Não era minha intenção dar prosseguimento.

Não sei o que aconteceu nesse meio tempo. Talvez tenha feito as pazes com as palavras, com quem vinha brigando ao longo de uma vida. Na verdade, elas sempre foram a minha paixão. Só que nos desentendemos. Aos poucos fui recuperando o gosto pela expressão com as letras, minhas letras (com as letras dos outros eu sempre trabalhei, pois sou tradutora/revisora). Comecei com um ou dois posts semanais e depois decolou, tornou-se um hábito. Só que, em nenhum momento, imaginei eu conviver com a publicidade. Escolhi a opção "não público", de modo a poder criar discursos mais intimistas, mais reservados. Meia dúzia de amigos muito chegados me visitava apenas. Gente que me conhecia bem.

E eis que de repente, não sei por que cargas d'água, o Qualquer Coisa é listado no Blogs of Note. O contador registrou em 3 dias o que não havia registrado em 3 meses. Tomei um susto. Mas ponderei: logo esquecem, a lista dos Blogs of Note só fica no ar por uma semana. Realmente, depois de uma semana, o movimento deu uma reduzida. E voltei àquela sensação de estar sozinha em casa novamente, com minhas palavras, depois da festa. Só que... não parou por aí. Logo a seguir, vejo o contador disparar novamente, vou ao "tracker" checar a origem do movimento e percebo que havia uma divulgação no site da Globo.com. E eu disse: danou-se! Arrombaram a porta! Agora é domínio público. O movimento foi muito maior do que no Blog of Note, e eu agradeço a visita de cada um que esteve passeando aqui neste meu barraco. Gente é sempre bom - gente é muito bom, gente deve ser bom / tem de se cuidar de se respeitar o bom (Caetano). E meu contador, que no final de janeiro, eu me lembro, registrava o número 1076, está hoje aí olhando prá mim com 4100 (minhas entradas não são registradas). Três mil pessoas vieram aqui em menos de 20 dias. É uma sensação muito estranha, apesar de gratificante.

Mas eu não sei lidar com a publicidade. Não sei escrever para todos, ou melhor, até sei, mas sei também que no Para Todos o texto perde consistência. E este quadro está modificando, até inconscientemente, meu derramamento semântico, tornando-o menos íntimo. Eu lembro de uma frase de Tolstoi: "Se queres ser universal, começa por falar de tua aldeia." Só que eu não quero ser universal, eu já sou universal, no sentido de que todas as pessoas do mundo são universais. Invejo quem tenha essa desenvoltura de não mudar o estilo de seus textos e de seu comportamento diante dos olhos da multidão. Não sei ser assim. Por algum ridículo pudor, cobri partes mais íntimas. Inevitavelmente meu texto se modificou, e eu me peguei de repente escrevendo para o coletivo e não mais para mim, como era a intenção inicial. Já não consigo falar da "minha aldeia" como antes. Passei a falar de megalópolis que sequer são minhas. Domínios que não são meus. Já retirei até a opção de "blog não público", por não corresponder mais à realidade. Arranquei todas as portas. Está tudo tão estranho. Acho que não estou sabendo lidar com isso. Tenho que cuidar para não perder o estilo e a coerência, para não me perder de mim.

Possivelmente, o movimento aqui no meu pedaço deve voltar a diminuir quando o QQ sair do site da Globo com. Mas nem adianta, eu já terei me modificado, minha aldeia terá se modificado. Sinto-me estranha. De qualquer forma, foi uma grande experiência. Vou dar uma pequena paradinha e reformular as idéias. A todos que aqui estiveram, aos que ainda estão, aos novos amigos navegantes e aos antigos e fiéis (sempre), que deixaram registros super gentis nos comentários ou no meu email, especialmente à Nina, que foi a primeira visita casual e muito me incentivou com as palavras, um carinho muito especial. Até qualquer hora, com qualquer coisa... Não demoro. Demorô! .))


::: by meraluz at 12:55 PM - post nº



FUCK AMERICANS!

Original a T-Shirt, né? Pois é... Encomendei três delas nos "Isteitis" e pedi prá Lila, que estava na Flórida, me enviar de lá pelo correio, para não ter que pagar o frete caro da loja. Sem noção. O Correio americano me garfou as camisetas e "fuck me" ! Vai ver não gostaram da frase "Fuck the Post Office!". As camisetas nunca chegaram. Depois dizem que é coisa de brasileiro... Fuck americans! Fuck os favoráveis à Guerra! Fuck American Nightmare! A frase ilegível no centro da camiseta (acima do fuck off ), escrita por eles mesmos, é: fuck Uncle Sam two or three times!

::: by meraluz at 12:40 AM - post nº



Domingo, Fevereiro 09, 2003 :::

Diários Cor de Rosa e blorrrghhs

Saiu em um suplemento do jornal O Globo de hoje uma matéria engraçada (pelo menos para mim), cujo título é Diário Cor de Rosa. Caso queiram ler, basta clicar no link. Começa dizendo o seguinte: Blog. Foi a primeira palavra que veio à cabeça de Maria depois de uma noite de amor inesquecível. Ela precisava contar tudinho, tintim por tintim, o que acontecera... Na privacidade do seu quarto, acessou o seu blog - um site pessoal, espécie de diário do século XXI, onde o tema é livre - e contou tudinho para ele. Para ele e para as cerca de 70 (80, 90...) pessoas que passam os olhos por lá diariamente...

Eu fico me perguntando se já não é hora de a mulher mudar de cor, optar por uns tonszinhos mais arrojados. É engraçado ver essas confissões românticas expostas no varal virtual dos blogs. Rasgam-se, escancaram-se aos olhos do mundo. E eu já não sei se vejo isso como um movimento heróico ou piegas, talvez um pouco dos dois. Com certeza, há que se admitir que a libertação do verbo faz muito bem à saúde, independentemente de sua forma (no que os analistas devem se cuidar para não perderem as clientes). Quanto a isto, não há o que se questionar. A matéria informa também sobre uma outra categoria de mulheres na Internet, que vejo funcionar como mais um agente divisor de almas: as iconoclastas do sexo oposto, o que acaba em arquétipo. Mas este já é um outro departamento.

Eu devo ser uma espécie de ET, sofrendo de um romantismo ao estilo Ionesco (claro, somos todos produtos românticos, ainda que não manifestamente). Tampouco sei fazer binômios dessa ordem (homem/mulher, rosa/azul, feminino/masculino, ele/ela, mulherzinha/garanhão, princesa/príncipe). Não teria coragem (nisto sofro de uma covardia preservacionista), mesmo sem identificação, de publicar em blogs algum tipo de anseio ou intimidade amorosa. Não permitira que meu blog usasse batons, salto alto e calcinhas (eu uso, ele não). E tentaria evitar ao máximo que minhas inconfessáveis carências emocionais vazassem por aqui. Sim, só tentaria, porque nem sempre é possível. Há momentos em que não há como impedir a alma de drenar. Enfim, não gostaria de dar o tom adolescente de "Meu Querido Diário" nem o tom sectarista de "Guerra dos Sexos" a algo que pode se ampliar muito mais, abrangendo contextos existenciais mais extensos e um pouco de todas as coisas.

Essas meninas, moças, senhoras "cor de rosa" têm todo o meu respeito, e até uma certa admiração pela ingenuidade e ao mesmo tempo ousadia de colocar seus tecidos expostos no varal do quintal público ensolarado, repleto de peças íntimas, pelo qual os transeuntes passam, alguns tentando adivinhar que histórias aconteceriam por detrás daquelas roupas, outros mantendo sua indiferença ocasional.

Eu gosto de falar de almas e nem percebo essas linhas fronteiriças que dividem o humano. Meu blog é preto e branco, as outras cores deixo para as palavras que deposito nele, com todo o respeito ao cor de rosa. Bem, eu gosto da cor salmon, que é bem parecida... (risos). Cor de rosa, prá mim, só a sutileza da Pantera ;)



::: by meraluz at 12:20 PM - post nº



Longos Carnavais

Eu não gosto de carnaval, apesar de ter nascido nele. Você gosta? Tudo bem... não precisamos gostar das mesmas coisas para sermos felizes e conviver. Vou ao cinema enquanto você desfila. Ouço um jazz enquanto você vai sambar. Passeio por alguma rua tranquila enquanto você corre atrás do trio elétrico. Deixo minhas fantasias na cabeça enquanto você veste a sua. Leio um livro enquanto você enche a cara. Tudo perfeito. Cada um se diverte a seu modo.

Mas, se eu não gosto de carnaval, por que vivo dizendo: "estou me guardando prá quando o carnaval chegar"? Taí... Ele está chegando e eu vou continuar guardada. Até como metáfora não convence, como vou associar algo ou alguém muito esperado àquilo que não gosto?

Viajar, nem pensar. Da última vez, passei metade de um dia parada no engarrafamento e toda a comida estragou no carro. Quando enfim cheguei ao paradisíaco "resort", faltava água e o paraíso parecia ter desmoronado. Nunca vi tanta gente junta e tanta muvuca. Fico por aqui mesmo fazendo meu próprio carnaval e botando meu bloco na vida possível enquanto vocês botam o bloco nas ruas. Bom carnaval, para quem gosta ;) Não se esqueçam da camisinha como complemento à fantasia.

::: by meraluz at 2:34 AM - post nº



Sábado, Fevereiro 08, 2003 :::

UM JEITO CHAPLINIANO DE SER


Sim, ter na alma um Vagabonde! Denunciar tragédias sociais, pessoais, usando a comicidade e a leveza de quem ri de um louco roteiro.
Ver e fazer graça com a própria sorte. Sacudir a poeira e seguir caminho. Retirar as camadas de proteção que ofuscam a luz.
Manter a ternura no cenário embrutecido, em preto e branco, dos erros.
Rir de todo o nonsense que o mundo reproduz.
Transformar política em poesia, poesia em depoimento de vida, vida em arte, arte em riso.
Correr atrás de amor e pão, metáfora alimentar básica da alma e do corpo.
Não despregar da alma a criança eterna.
Debochar do mundo desarrumado. Desarrumar o desarrumado.
Uma estrada à frente e um vagabundo para percorrê-la, sem saber aonde leva o caminho, mas sabendo que, onde quer que leve, se há sempre de chegar em si mesmo. (O importante é ir, não é chegar - Charles Chaplin)
Quero o jeito chapliniano de ser, de ver, sobreviver, "superviver" - sinfonia da "libertura", onde liberdade e ternura se unem para todo o sempre. Sorrir... Com consciência, sorrir do absurdo que tudo faz. Então terá valido a pena, não se deixar perder a inocência dentro de uma inútil consciência.


CHARLES CHAPLIN (16/04/1989 - 25/12/1977)

Charles Chaplin, para mim, foi o grande gênio do século XX. O ícone do "doce vagabundo" não era apenas um jeito de fazer comédia e despertar ternura. Era todo o depoimento de um século, de uma sociedade. Era a ideologia personificada e disfarçada na despretensão de um Carlitos que mudou não apenas a história do cinema, mas o pensamento das humanidades. Atemporal, ele me inspira sempre a cada olhar que dirijo à vida. Transformar os acontecimentos, dolorosos ou não, em caricaturas torna tudo muito mais suave.

Biografia
Canto ao Homem do Povo (poema de Drummond dedicado a Chaplin)
Vote: Qual seu filme preferido de Charles Chaplin?
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"Charles é o único artista que inventa em nosso século. Os demais, nós todos, imitamos". - Ezra Pound

"Vagabundo sem pátria, sem família, sem amigos, sem ideais, aspira à única felicidade que lhe é possível: o abrigo para mais uma noite, um prato de comida, um mínimo de segurança pessoal e de espaço físico para sobreviver num universo imenso e palmilhado sem sucesso pelas suas botas cobertas de pó, cujas pontas indicam ao mesmo tempo dois rumos antagônicos e vazios." - Carlos Heitor Cony (o melhor biógrafo de Chaplin, na minha opinião)

"O iconoclasta surge sob o aspecto de um anjo decaído... Longe de ser um vagabundo apenas no sentido social da palavra, é também um desclassificado moral, psicológico e metafísico: é o vagabundo do mundo, e o seu destino supera as lendas... Em Carlitos a humanidade inteira se reconhece." - Jean Mitry

"The Tramp é o universo minimizado de toda a aventura humana - nos termos em que Chaplin compreende a aventura humana... chega pela estrada, aceita o emprego na fazenda, enamora-se da filha do patrão, ilude-se, salva o patrão e a fazenda de um malfeitor, espera a recompensa - que para Carlitos é sempre o pão e o amor - e surge um outro para ficar com o pão e o amor. Não desanima, porém. Sai em silêncio, sem se fazer notar, e some pela mesma estrada, coberto de pó. O passo é vacilante, ao início da fuga, mas aos poucos, sentindo a seus pés a estrada, o pó, identifica-se novamente com o próprio destino, com a própria estrada. Dá uma cambalhota e some. Como parábola, é tão perfeita em seus elementos técnicos quanto a parábola do Filho Pródigo ou a do Bom Pastor, Nada é demais, tudo é necessário." - Carlos Heitor Cony


- citações acima extraídas do livro CHARLES CHAPLIN, de Carlos Heitor Cony (o texto inicial é meu)


Porque eu tinha, um dia, que falar de Charles Chaplin, ou ficaria faltando algo fundamental...



::: by meraluz at 2:56 PM - post nº



"QUALQUER COISA" NÃO DEIXA DE SER ALGUMA COISA - Divagações sobre o título de um blog

Voilà. Tenho recebido alguns comentários que me chamam a atenção para a diferença entre Quelque Chose, que significa Alguma Coisa, em francês, e Qualquer Coisa, que não passa de qualquer coisa mesmo. Obviamente, eu sei dessa diferença, meu francês não é tão parco assim. Mas devido aos vários comentários, acho melhor esclarecer o ponto.

Ao cadastrar este blog, digitei, lépida e fagueira, o nome Qualquer Coisa no campo do formulário destinado ao endereco. Porém, para minha decepção, já haviam se apropriado deste login ou endereco, sei lá. Enfim, não deu para registrar Qualquer Coisa. Então eu resmunguei: merde ! (Só falo m... em francês, prá não soar muito agressivo). E me veio à cabeça o Quelque Chose que, apesar de não ter correspondência lexical, tem correspondência fonética. E assim o endereço que consegui para a URL foi o QuelqueChose, que não é Qualquer Coisa, é só alguma coisa.

Bom, o nome do blog é Qualquer Coisa, com endereço de Quelque Chose. Fui impedida de colocar qualquer coisa no endereço. E, como Qualquer Coisa não deixa de ser "alguma coisa", que corresponde a "quelque chose" en français, mas que não é qualquer coisa, então ficou assim mesmo. Ambos são indefinidos... Que maldita atração tenho eu por indefinidos. Deve ser algum tipo de distúrbio mental. Tem um blog que eu visito, por exemplo, onde só assino com o nick de "Alguma". Que coisa! (que não é qualquer).

Nossa, esse papo já tá Qualquer Coisa... pirei !! :)) Bem, vocês entenderam...

::: by meraluz at 12:29 AM - post nº



Sexta-feira, Fevereiro 07, 2003 :::

ESSA P... DO AMOR !


Chave das frases embaralhadas:
1) Meu coração não cabe em minha cabeça
2) Minha cabeça começa em meu coração (lidas de dentro p/fora)
equação 1: cabe ( em ( não ( cor (meu) ação ) cabe) minha) ça
equação 2: cor (em ( come ( ca (minha) beça ) ça ) meu ) ação

Cabeça ou Coração?
R: Tsc tsc tsc... Perguntinha inútil. Pura retórica. O coração pode neutralizar em dois tempos o que uma cabeça passou anos elaborando.

Entäo viva a p... do amor! O ópio desenvolvido que atravanca o progresso! Todo mundo amando ! Ueba!!

::: by meraluz at 12:41 AM - post nº



Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003 :::

CLARICE LISPECTOR

Aproveitei as poucas horas de ócio para garimpar umas curtinhas e absolutas da Lispector. Nada tenho de grande a dizer hoje, a não ser pelas palavras de alguém grande. Voilà:

1- A EXPERIÊNCIA MAIOR - Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.

2- TRABALHO HUMANO - Talvez esse tenha sido o meu maior esforço de vida: para compreender minha não-inteligência fui obrigada a me tornar inteligente. (Usa-se a inteligência para entender a não-inteligência. Só que depois o instrumento continua a ser usado - e não podemos colher as coisas de mãos limpas).

3 - A ARTE DE NÃO SER VORAZ - Moi, madame, j'aime manger juste avant la faim. Ça fait plus distingué.

4 - MAS É QUE O ERRO... - Mas é que o erro das pessoas inteligentes é tão mais grave: elas têm os argumentos que provam.

5 - MAS JÁ QUE SE HÁ DE ESCREVER... - Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.

6 - UM HOMEM DISCRETO - Deus lhe deu inúmeros pequenos dons que ele não usou nem desenvolveu por receio de ser um homem terminado e sem pudor.

7 - AS NEGOCIATAS - Depois que descobri em mim mesma como é que se pensa, nunca mais pude acreditar no pensamento dos outros. (obs: grande, grande...)

::: by meraluz at 12:58 AM - post nº



Segunda-feira, Fevereiro 03, 2003 :::


E agora?? Era uma vez um Rio de Janeiro?? Acabou a festa? O encanto? A cultura? O patrimônio? Caramba... Eu, carioquissima e apaixonada pelo Rio, posso ficar feliz ao ler isto aqui?
A Orquestra Sinfônica do Estado de S. Paulo apresentou uma seleção de músicas de Tom, com arranjos dele próprio e de alguns colaboradores, tais como Claus Ogerman, Nelson Riddle, Dori Caymmi, Paulo Jobim, e Mario Adnet.

Como carioca, não tenho que me sentir envergonhada de saber que São Paulo valoriza mais o nosso patrimônio artístico e cultural do que os manés cariocas?? Hein? Hein? Que São Paulo respeita mais os nossos valores do que o próprio Rio?? Pois é verdade... Infeliz verdade... Viva São Paulo então, porque o Rio está DESGOVERNADO. Temos os piores políticos, os piores deputados e vereadores nesse sentido. Nada fazem pelo resgate de nosso patrimônio, para manter o Rio no ar.

Ricardo Cravo Albin, por exemplo, como todo bom idealista apaixonado pela produção cultural e raízes do Rio, luta, incansavelmente e com recursos próprios, para preservar alguma coisa, com a Fundação que criou. Mas uma andorinha só não faz verão. E como é difícil fazer verão no paraíso do verão. Quem vai investir em alma? O que entendem de alma?

Cadê o Rio?? Cadê meu Rio de Janeiro?? O berço de tanta arte, tantos talentos?? Jobim, Vinícius, estão vendo? Não lhes reconhecem mais aqui. Será que daí de cima vocês poderiam operar algum milagre e enviar uma luz àqueles que pensam conduzir esta cidade?? Àqueles que a conduzem ao abismo? E àqueles que simplesmente não conduzem nem deixam de conduzir, mas que são pagos para tal??? Dá prá mandar um milagrezinho daí do Reino dos Céus?? Ou a gente vai acabar tendo que ouvir funk, gírias dissonantes de quinta categoria, coisas assim? Substituir a Bossa Nova por Hinos evangélicos? Que tal? Não deve faltar muito para isto. Jesus, me chicoteia !!! (com sua licença, Marcurélio). Oh, tortura !!

Pasmei quando ouvi meu amigo João Carino falando de um projeto sobre Vinícius. Um espetáculo belíssimo a ser encenado em teatro, com música e poesia, interpretado por atores e cantores de peso, que ele está tentando produzir. Pois é... o Rio não se interessou pelo projeto. Quem se interessou??? São Paulo. Pensando de maneira otimista, resta-me, depois de tudo isso, torcer para que São Paulo ao menos ajude a fazer aquilo que cariocas não fazem: resgatar e promover a própria imagem do Rio, projetando seus valores e seus patrimônios musicais. Quanta contradição, não é?

As baratas moram no Rio de Janeiro. É de fazer vergonha o nível de nossos políticos. Devem achar que o problema se reduz somente a cofres públicos e Silveirinhas. Patrimônio artístico? Vida cultural? O que eles sabem disto?. Não adianta fazer escadinha rolante com tecnologia de ponta para o Cristo não! O Redentor está rendido a tanto descaso !

SALVEM O RIO DE JANEIRO !!! CARIOCAS, LEVANTEM-SE DO LIMBO, SAIAM DA PASMACEIRA !!! NÃO DEIXEM O SAMBA MORRER, NEM A BOSSA, NEM A VIDA DESTA CIDADE, QUE FOI UM DIA MARAVILHOSA!

VISITE: RJ Sinfonia: http://www.rjsinfonia.net/

::: by meraluz at 2:56 AM - post nº



Qualquer Coisa de Loucura



Há qualquer coisa de loucura no ar puro. Enquanto ando pela vizinhança e vou descobrindo novos blogs, percebo que os que mais me encantam têm sempre algo de loucura, delírio, transcendência, irreverência. Basta observar os nomes dos blogs vizinhos aí na coluna esquerda. É da loucura sã que falo. O simples fato de ser diferente, de não se deixar reduzir a uma simples função, a uma descartável peça dessa engrenagem que roda maluca e repetitivamente, tentando condicionar o mundo e imobilizar valores.

Ah, mas como é estéril o que chamam de "senso comum". E se isto é o comum, salvemo-nos na loucura, que nada mais é do que dispor da noção criadora e fecunda de um imensurável universo próprio. O universo que não quis ou não conseguiu se sujeitar às "regras do jogo". Play the game o escambau ! Play your music ! Eu gosto mesmo é dos meus irmãos de loucura criadora. Delicioso manicômio! Há tanta sensibilidade nesses deslocamentos, tanta riqueza interior, tantos horizontes, tanta consistência. Tudo isso me remete ao louco maior, meu venerado Pessoa que, nos delírios de seu Caeiro, escreve:

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.


Bendita loucura, pois que somos feitos de nuvens, de cores, calores, paixões. Somos feitos de mistérios indecifráveis, graças a Zeus! Ao contrário dos "normais", não somos linearmente construídos para servir a propósitos igualmente lineares e insípidos. Não somos meras funções sistêmicas de uma civilização decadente. O referencial de poder é outro e bem maior. É o poder sem limites, que não se compra, não se vende nem se prostitui. Poder de ter a vida nas próprias mãos e nunca nas mãos de quem, ou do que, nem percebe o que é vida.

Loucuras! Delírios! Catarses! Inconformismos! Criação! Pureza! Libertação!

::: by meraluz at 1:07 AM - post nº



Sábado, Fevereiro 01, 2003 :::

TANTO EM COMUM

Foi uma bela tarde. Almoço soberbo. Um dia imoral de lindo. Não se viam há alguns meses. Reviveram velhas histórias. Inventaram novas. Ora olhavam para trás, ora para frente, o que era uma forma interessante de distrair o olhar do momento solto no ar. Ela resolveu arrematar a tarde com licor e gelo frapée. Ele passou da capirinha de lima ao vinho. E tome licor. E tome vinho. Passadas algumas horas, ele retira do bolso uma cartela prateada e diz:
- Isto aqui é fantástico! Vai nos permitir beber sem consequências! Nem todas as consequências são boas, você há de convir.
- O que é isto?
E ele, com ar triunfante de quem descobriu a solução para manter longe qualquer mal-estar, estende orgulhoso a cartela de comprimidos:
- Antak ! Uma maravilha para o estômago e o fígado. Tome um, você não vai sentir nada, nem dor de cabeça.
- Ah, que coincidência! Quando você se levantou para ir ao toilette, eu já tinha tomado o meu. Sou precavida.
Ao invés de se sentir frustrado pelo fato de a grande sugestão não ter sido algo inédito, concluiu exultante:
- Eu sabia que você era a mulher da minha vida! Não falei? Veja quantas coisas temos em comum!

Isto sim é romance, o resto é literatura :)
(o fato é verídico)

::: by meraluz at 11:58 PM - post nº



GENTE

Uau! Quanta gente bonita andou por aqui enquanto estive ausente! - Gente olha pro céu, gente quer saber o um / Gente é o lugar de se perguntar o um - Eu já até começo a olhar a publicidade, que tanto evitei, com mais simpatia. -  Das estrelas se perguntarem se tantas são / Cada estrela se espanta à própria explosão - Não fosse ela e eu não teria tantos recadinhos, não teria esse feedback. É legal essa interação, é legal essa humana confluência. Più bello! - Gente é muito bom gente deve ser bom / Tem de se cuidar de se respeitar o bom - O contador me assustou um pouco, em uma semana ele registrou mais visitantes do que os  quatro meses de existência deste meu barraco. - Está certo dizer que estrelas estão no olhar /De alguém que o amor te elegeu pra amar - Então, já que é inevitável, derrubemos as portas, retiremos os trincos, quebremos os muros. Aqui agora é a casa da mãe Joana! Fiquem sempre à vontade, porque eu estou quase sempre à vontade. - Nesita, Gui, Guto, Giselle, Marta, Fernando, Finder, Gabriella / Gente viva brilhando, estrelas na noite - Acho que o segredo da vida está no toque sobre as coisas, sobre qualquer coisa. Não há toque meu que passe impune. A cada gesto ou criação é preciso tocar com tudo, inscrever a alma ao assinar cada movimento. - Gente quer comer, gente quer ser feliz / Gente quer respirar ar pelo nariz - É preciso também ter música dentro e fora de si. E aí acontece esse resultado feliz. Gente que encontra gente num acaso feliz. - Não, meu nego, não traia nunca essa força, não / Essa força que mora em seu coração - Legal vocês terem vindo! Os habituées já fazem parte do meu patrimônio afetivo, eles sabem disso.-  Gente lavando roupa amassando pão / Gente pobre arrancando a vida com a mão - Os que chegaram recentemente e se depararam com a minha acidental existência neste blog trouxeram uma alegria azul ao meu pequeno planeta. -  No coração da mata gente quer prosseguir / Quer durar, quer crescer, gente quer luzir - Valeu! - Andres, Miss Melodies, Cirilo, Toka, Mariana, Beta, João / Gente é pra brilhar não pra morrer de fome - Gente não é só uma palavra forte. Gente é a própria força. É calor, é troca, fotossíntese do verbo SER. Verbo tão profundo quanto veloz. Quando se diz "É", o " É" já "FOI". Por isso gente é ur-Gente. - Gente desse planeta do céu de anil / Gente, não entendo, gente, nada nos viu - E agora vou-me, mais um dia virou. Um sábado que se inicia. - Gente espelho de estrelas, reflexo do esplendor / Se as estrelas são tantas só mesmo amor - E com ele a vontade ingênua de ser feliz de novo. - Alice, Dorothy, Mad Mouse, Felipe, Ramp, Liviola, Dirceu, Coralina / Gente espelho da vida, doce mistério. - Somos, cada um com seu universo, incríveis, não? Quantos uni-versos! - Vida, doce mistério.

Obs.: a música que cantarolava enquanto escrevia é de Caetano, se chama GENTE. Tentei substituir os nomes próprios da letra original por cada um dos últimos nomes que encontrei nos comentários. Certamente, o espaço e a métrica da música não foram suficientes para caber todos os nomes (por isso não gosto de métricas e rimas). Mas todos os nomes estão na melodia, sobretudo os nomes daqueles que deixei de citar, nomes da minha gente de praxe, dos que já são da casa. A Rádio Qualquer Coisa dedica esta canção a vocês que são "gente".



::: by meraluz at 1:24 AM - post nº