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Segunda-feira, Junho 30, 2003 :::
Amei este texto da Glória
Horta:
Quando a porta do coração de alguém
não se abre pra você, fuja! Já presenciei inenarráveis
histórias de amor impossíveis. Um fazendo de tudo pra
conquistar o outro, inutilmente. O cara é punk, ela pinta o
cabelo de roxo, faz piercing e nada. Geógrafo, ela compra os
últimos lançamentos de Geografia e lê. Sem chance. Deprimido?
Ela se transforma num livro vivo de auto-ajuda... continua
::: by
meraluz
at 1:20
PM - post nº

Domingo, Junho 29, 2003 :::
Meu sumiço daqui agora tem uma
razão nobre. Ando ocupada com uma causa que considero justa:
levantar a cidade do Rio de Janeiro.
Ficaria muito
feliz se visitassem o blog coletivo: Levanta, Rio! -
http://www.levantario.blogger.com.br
É uma cidade
boa, acreditem. Associá-la ao medo não é justo. Não sinto medo
aqui. Não há como negar a violência, mas a violência não é
exclusividade carioca, ela está em todo lugar. Só que parece
resolveram vinculá-la aos nossos cartões postais.
::: by
meraluz
at 12:22
PM - post nº

Quarta-feira, Junho 25, 2003 :::
O outono das palavras
É muito difícil para mim chegar aqui e admitir que nada
consigo dizer; que me atrapalhei com as palavras, que não as
tenho mais sob meu domínio. Deve ser porque não tenho mais o
tempo das contemplações. Deve ser porque experimento, neste
momento, a essência de futuras palavras, que não podem ser
anteriores ao pensamento ou ao sentimento. Temo me trair entre
elas, assim como temo traí-las. Não sei usá-las para inventar
o que não penso. Gosto de trazê-las ali sob as rédeas,
fazendo-as reproduzir com precisão a massa abstrata da alma.
Detesto contradições, embora as cometa. Muito menos as
contradições remissivas, aquelas que se inscrevem em algum
lugar e permitem voltar ao local do crime para evidenciar o
erro.
Isto explica, em parte, a minha relativa
ausência. Usava este espaço a serviço da minha expressão, e a
minha expressão a serviço de alguma mensagem clara que pudesse
transmitir. Mas agora me vejo vestida de silêncios nada
claros. Algo atravessou entre a vertente do pensamento e a
criação da palavra. Sou tudo e nada. Todas e nenhuma. Tanto e
tão pouco. Preciso arrumar os sintagmas e atualizar os
dicionários internos. Mais do que isto, preciso reavaliar
minhas opiniões. Acho que vivo um outono verbal, que
transforma e renova o ser. Aguardemos as primaveras.
::: by
meraluz
at 9:39
PM - post nº

Segunda-feira, Junho 23, 2003 :::
CORDIAL? A GENTE AGRADECE
Publicado no jornal O GLOBO, em 21/06/2003, seção
OPINIÃO
O Rio, como se sabe, não chega a ser um lugar
de segredos e mistérios. Ao contrário, é uma cidade solar,
aberta, para o bem e para o mal. Escancara suas mazelas com o
mesmo despudor com que as moças exibem seus corpos nas praias.
Tudo se sabe, tudo se vê. Ou melhor, quase tudo, porque às
vezes esconde para tornar mais excitante o pouco que não se
vê. No entanto, um mistério a cidade guarda: como pode ser
considerada a capital da violência e, ao mesmo tempo, ser
eleita a capital da gentileza?
Sim, porque se é
discutível o primeiro título - há outras cidades na disputa,
inclusive brasileiras - o segundo acaba de ganhar aval
científico. Na quarta-feira, a revista "New Scientist"
publicou o resultado da pesquisa feita por professores da
Universidade da Califórnia elegendo o Rio como a Capital
Mundial da Gentileza - a mais cordial e simpática de todas as
23 pesquisadas.
O trabalho consistiu em observar o
comportamento das pessoas em três situações: diante de um cego
que tenta atravessar a rua; de um desajeitado que deixa cair
uma pilha de revistas; e de um distraído que perde a caneta.
Nos três casos, o carioca foi solícito com o próximo,
revelando-se mais solidário e prestativo do que os habitantes
de São José da Costa Rica, de Calcutá (Índia) e Viena
(Áustria), que são os seguintes em atenção e simpatia. Lá no
final estão os moradores de Nova York e de Kuala Lumpur, na
Malásia, lanterninhas do ranking (o resultado seria ainda
melhor para nós se tivessem incluído o teste da porta do carro
mal fechada, que todos conhecemos: aquele mesmo carioca que há
pouco lhe deu uma fechada corre para advertir "olha a porta
aberta!").
A gente agradece a pesquisa, que veio na
hora certa, quando a impressão é de que o brasileiro cordial
morreu e o mal venceu. Apesar das aparências, espera-se que
não é assim, não pode ser, trata-se de um acidente de
percurso, de um vírus que se instalou provisoriamente num
organismo cuja índole, acredita-se, é pacífica e a vocação,
festiva. O problema é como curar a doença antes que ela se
torne crônica, como impedir que a exceção vire regra e que o
desvio se transforme em norma. Como evitar, enfim, que a
violência passe a ser definitivamente o traço dominante de
nosso caráter.
::: by meraluz at 1:05
AM - post nº

Domingo, Junho 22, 2003 :::
Não dá mais pra esconder. Preciso
confessar esta fraqueza que nem eu entendo. É ouvir a primeira
nota de qualquer música dele e já sair dançando e cantando,
sem maiores pretensões, como se os dias fossem "dancing days".
Eu adoooooro Lulu Santos. Por isso eu quero
maaaaaaaaais, não dá pra ser depoooooooois...
JÁ É (Lulu Santos)
Sei lá, Tem dias
que a gente olha pra si E se pergunta se é mesmo isso aí
Que a gente achou que ia ser Quando a gente crescer
E nossa história de repente ficou Alguma coisa que
alguém inventou A gente nao se reconhece ali No oposto
de um déjà vu
Sei lá Tem tanta coisa que a gente
não diz E se pergunta se anda feliz Com o rumo que a
vida tomou No trabalho e no amor
Se a gente é dono
do próprio nariz Ou o espelho é que se transformou A
gente não se reconhece ali No oposto de um vis-à-vis
Por isso eu quero mais Não dá pra ser depois
Do que ficou pra trás Na hora que já é
Por
isso eu quero mais Não dá pra ser depois Do que ficou
pra trás Agora que já é
heeeeeeey heeeeeeeeey
- Um dia alguém ainda me dá de presente o CD certo.
Nunca me deram um CD do qual eu gostasse muito muito muito.
Estou aceitando feliz o último do Lulu.
::: by meraluz at 11:57
PM - post nº

Sábado, Junho 21, 2003 :::
A delícia e a dor de ser
carioca
Tenho orgulho de ser carioca. Mas este atributo não é nada
específico. Ser carioca é, sobretudo, um estado de espírito.
Você, de Bariri, de Florianópolis, de Pato Branco, de Macapá,
também pode ser carioca. Você, que visitou o Rio e trocou com
esta cidade um sorriso feliz de cumplicidade, também é
carioca. Todos que guardam uma alegria marota dentro de si é
um pouco carioca. O Rio abraça todo mundo. Por sua própria
natureza, é uma cidade que não aprendeu a discriminar,
democratiza tudo e todos.
Meu amor pelo Rio sente dor
a cada vez que se dá conta da campanha difamatória que andam
fazendo contra a cidade. O Rio é violento? É, também. Ou
melhor, está. Mas não é a mais violenta das cidades não.
Pesquisem as estatísticas. Só que o que acontece aqui ecoa com
tal velocidade e força que ninguém mais consegue deter. O Rio
está violento, assim como o Brasil e o mundo estão violentos,
porque muitos valores faliram. A diferença é que, com ou sem
violência, o Rio continua feliz e mágico. E essa magia que
mora no espírito de cada carioca, seja por nascimento ou por
escolha, não cede fácil a maldosas pressões. Querem
desmoralizar o Rio de Janeiro? Podem tentar. Não irão acabar
com a nossa festa, com a nossa praia, com a nossa alegria, com
o nosso amor por cada um que chega aqui e gosta de ficar.
A alma carioca há de resistir aos desacertos dos
governos, à bronca que alguns têm desta cidade, à execração a
que o Rio se encontra exposto. A alma carioca tem som de Jobim
e Vinícius, tem ritmo imortal de bossa-nova, e jeito "moleque
bão" de Zeca Pagodinho e o swing moreno de praia de Lulu
Santos. Os garis sambam enquanto varrem as ruas. As tragédias
se transforam em piadas. E o sol, ah... o sol nasce
particularmente radiante nesta cidade, a secar rapidamente
alguma lágrima derramada.
Por mais combalidos que
estejamos, por mais sofridos e amedrontados, por mais
execrados aos olhos das multidões que estejamos, sabemos que
ainda moramos numa cidade feliz.
Meu próximo blog vai
se chamar: Levanta, Rio! Deverá ser um blog coletivo, não só
meu.
::: by meraluz at 5:54
PM - post nº

Sexta-feira, Junho 20, 2003 :::
Clipping (é revoltante!) Um
Museu de Obrigações - Zuenir Ventura (O Globo, 18/06/2003)
Já conhecia alguns absurdos do projeto Guggenheim-Rio,
mas nada como o dossiê completo, com a íntegra do contrato, a
liminar da ação popular e sua aceitação pelo juiz, o recurso
da prefeitura e sua rejeição pelo desembargador, sem falar nas
análises críticas. Sua leitura leva a uma pergunta: mesmo sem
entrar no mérito da iniciativa, e ainda que essa fosse a
maneira mais adequada de gastar US$ 133 milhões (lá fora se
fala em US$ 250 milhões), por que se submeter a tão drásticas
imposições?
Para evitar outras discussões, vamos
aceitar a idéia do museu e só falar das condições. A primeira
em absurdo obriga a prefeitura a pagar mais de US$ 9 milhões
como parcela inicial pelo uso do nome, mesmo que o projeto não
saia. O total seria de US$ 40 milhões, mas depois que a
editora de arte do Wall Street Journal, Lee Rosenbaum,
denunciou que isso significaria o dobro do que foi cobrado a
Bilbao, o preço baixou para US$ 28.650.000.
Uma outra
cláusula exige que o município se comprometa a cobrir os
déficits operacionais do museu durante dez anos, ou US$ 12
milhões anualmente. Além dos US$ 2,1 milhões que já pagamos
pelo estudo de viabilidade, pagaremos 12.563.000 de euros
(mais de R$ 48 milhões) ao arquiteto Jean Nouvel. Durante a
construção, o município ainda vai remunerar a Fundação
Guggenheim pela supervisão das obras em mais de US$ 4 milhões,
divididos em parcelas de US$ 836 mil anuais, de 2003 até 2007.
Como lembrou o juiz João Marcos Fantinato ao conceder a
liminar, o contrato cria obrigações financeiras que vão muito
"além do mandato da atual administração municipal".
"NY Times", "Economist", "Village Voice" não entendem
como o Rio vai comprometer um volume tão grande de recursos
numa fundação falida, com filiais sendo fechadas, como a de
Las Vegas. A não ser, insinua um dos críticos, que essa
operação seja justamente para resolver uma situação financeira
que o próprio presidente da entidade, Peter Lewis, classificou
de "uma bagunça".
Há outras extravagâncias, como a de
que todas as exposições serão custeadas por meio da Lei
Rouanet, totalizando US$ 9 milhões por ano, o que hoje
representaria 70% de todos os recursos para as artes
plásticas. Em compensação, calcula-se uma frequência de 910
mil pessoas por ano a um preço de entrada de US$ 3,10 (o
Corcovado, nosso maior cartão-postal, atrai 750 mil). Por
falta de espaço, só mais uma: Cesar Maia estima que cada
pessoa vá gastar no Rio, "em sua permanência mobilizada pelo
museu", mil dólares por dia. Se não for um erro de impressão,
é uma fantasia segundo a qual o Gugg atrairia não turistas,
mas benfeitores.
::: by meraluz at 9:49
AM - post nº

Esta merece publicação :)
::: by
meraluz
at 9:20
AM - post nº

Terça-feira, Junho 17, 2003 :::
Pérolas Amigas - Eliane
Stoducto
Detesto jogos...
Detesto os jogos da vida sou avessa às disputas
Detesto emular com o inimigo trauma antigo secular
Gosto do olho no olho pra começar a questão
gosto dos toques, dos gestos me exponho à rejeição
Suporto bastante as falhas pois sou infalível em
falhar agüento os porres alheios permito-me
embriagar
Por isso às vezes me tolho Por isso
às vezes me encolho E fico a ruminar Cogito, reflito,
penso E começo a gargalhar.
::: by meraluz at 7:15
PM - post nº

Sexta-feira, Junho 13, 2003 :::
Pérolas Amigas:
Tantos tês - Fred
Matos
triste máscara da tarde tantos tês da tua tatuagem
tez tinta tanino trazes
entretanto
tateando tuas tetas todos os temas tropeçam
teço tropos trovejo versos
::: by meraluz at 8:02
PM - post nº

Quinta-feira, Junho 12, 2003 :::
Pérolas Amigas:
Soneto à Mulher que Não Vem - Cesar Oliveira
Tão
fundo e imenso é o que espero Que se é teu ou meu, o amor,
já é incerto Assim, ao tê-la, não me basto e desespero
E na ausência me atormenta outro deserto
E no
milagre da carne, enfim Te possuo sem tu te dares E no
desengano de amar assim Te perpetuo sem tu durares
E é tão vasto e pleno este abandono Que mil
labaredas me consomem Como alma que se perde de seu dono
Pois só a tu fostes dado o direito De fiar a vida
de teu homem Nas tardes inteiras do teu leito
::: by
meraluz
at 6:25
PM - post nº

Ihhh... Dia dos Namorados, né?
Pra quem tem um(a), namore mais do que o necessário hoje.
Pra quem não tem, namore a vida!
Ihhh... meu Mengão
tomou feio ontem do Cruzeiro! Quel honte! Quel honte! Quero
nem falar nisso!
Ihhh... Acho que esqueci algo no
forno!! E não foi minha cabeça. - Isso é que dá não ter
desenvoltura na cozinha. Sinto um cheiro de queimado no ar!
::: by
meraluz
at 5:12
PM - post nº

Domingo, Junho 08, 2003 :::
Pérolas Amigas
Vou
iniciar aqui uma sessão intitulada: Perólas Amigas. São
garimpagens de textos de meus amigos poetas que gostaria de
deixar aqui. Isto, além de compensar o tempo que não estou
tendo para criar, vai levar aos visitantes alguma beleza aos
olhos e alguma sensibilidade à alma. E como o assunto é
TEMPO...
TEMPO - Ivy Wyler
Existe o tempo do julgar, o tempo do sondar, o
tempo do esperar, do saber, do saber esperar, do
desesperar-se do desistir. E volta o tempo do
insistir, e tudo recomeça, como numa montanha-russa,
que a gente não quer que pare nunca, até sentir-se
entorpecido de tanta dor. Ou até que outra dor, maior
ainda, se sobreponha àquela. Existe um tempo - mínimo
- pra se fingir feliz.
::: by meraluz at 1:06
PM - post nº

Sábado, Junho 07, 2003 :::
Como continuo sem tempo pra postar
algo que preste, vou deixar aqui minha página de
escrevinhações. Tem uns poeminhas meus lá e textos retirados
daqui. Pra quem quiser dar uma olhadinha, o endereço é:
http://www.clef.kit.net/O
nome é: Coffee Break :) Justamente o que estou fazendo aqui:
um coffee break!
::: by meraluz at 1:49
AM - post nº

Sexta-feira, Junho 06, 2003 :::
AOS APAIXONADOS (Rubem
Alves)
Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo
sabendo que servirá para nada: é inútil falar aos apaixonados.
Os apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão,
experiência insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo
de ser uma experiência insuperável de prazer e alegria, coloca
o apaixonado fora dos limites da razão. Todo apaixonado é
tolo. Pode ser que ele escute a fala da razão. Escuta mas não
acredita. Diz ele: "O meu caso é diferente!" Tolo mesmo é quem
tenta argumentar com os apaixonados. Começa, pois, assim,
minha inútil meditação com um verso terrível de T. S. Eliot.
Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para
lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: : . . livra-me
da dor da paixão não satisfeita e da dor muito maior da paixão
satisfeita". continua
::: by meraluz at 12:31
AM - post nº

Quinta-feira, Junho 05, 2003 :::
Quem não tem tempo vai de
copy/paste. Poeminhas passados:
À MINHA ESPERA
Cheguei E encontrei-me aqui, À minha espera...
Nada aconteceu lá fora, onde tudo acontecia.
Cheguei , Tropecei nas sombras, O corpo tombou
sobre a alma.
A história caiu No silêncio Da
minha geografia.
::: by meraluz at 2:39
AM - post nº

Segunda-feira, Junho 02, 2003 :::
Por falta absoluta de tempo, não
tenho podido estar aqui. Sinto saudade de vocês e de mim. Não
pretendo me demorar no meu retiro.
Enquanto não me
faço tão presente, recomendo a leitura imperdível do
recém-inaugurado blog de Glória Horta: http://www.facetascariocas.blogger.com.br
Não sou tiete dela impunemente. Basta ler um de seus
livros para entender o que digo. Glória escreve imoralmente
bem. Suas palavras têm vida, sangue, suor, lágrimas e gozo.
::: by
meraluz
at 3:20
PM - post nº

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