A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
---------------------------------------

Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.




Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


Cotação da verdinha $$$:




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Quinta-feira, Outubro 30, 2003 :::

Claustrofobia



::: by meraluz at 3:57 PM - post nº



Terça-feira, Outubro 28, 2003 :::

Quando ando incapacitada com as palavras começo a encher isso aqui de colagens e textos que não são meus, ou que são meus e foram escritos em algum lugar que não é "agora" ou em algum tempo que não é "aqui". Tem sido assim. Porque a danada da palavra me fugiu. E eu sou um poço de preguiça para sair correndo atrás da fugitiva. Sou um caos de mim mesma. O que vivencio interiormente ainda não chegou ao sistema decodificador; portanto, não há palavras. Parece que tudo o que sou se transformou no nada que estou. Não vou pedir que me compreendam. Até porque não adiantaria. A vida é assim. Embora haja alguns manuais de sobrevivência, certamente não existe manual de supervivências.



::: by meraluz at 2:07 AM - post nº



Domingo, Outubro 26, 2003 :::

Trechos selecionados
Livro: Enamoramento e Amor - Francesco Alberoni (Ed.Rocco - 1986 - 2ª ed.)

Cap.I, pag 5 - Que é o enamoramento? É o estado nascente de um movimento coletivo a dois... O enamoramento, ainda que seja coletivo, só acontece entre duas pessoas... Alguns sociólogos já analisaram os movimentos coletivos e descreveram o tipo de experiência específica que tais movimentos produzem. Por exemplo, Durkheim comentando os estados de efervescência coletiva, descreve: "O homem tem a impressão de estar dominado por forças que não reconhece como suas; forças que o arrastam e que ele não domina (...)"

Cap.II, pag.10 - Nesses períodos (de enamoramento) toda a nossa vida física e sensorial se expande e se intensifica. Sentimos cheiros que não sentíamos antes, percebemos cores e luzes :) que não víamos habitualmente. Nossa vida intelectual também se amplia, pois percebemos relações que achávamos inexistentes e obscuras um tempo atrás.

Cap.II, pag.13 - ... Para indicar as duas formas de felicidade na vida, o budismo japonês usa as expressões "nin" e "ten". O "nin" é o mundo da paz; o "ten", o momento extraordinário da emoção e do amor. Assim sendo, o "nin" é a alegria, e um dia de "nin" corresponde a um ano de vida num mundo sem felicidade. Mas um dia de "ten" corresponde a mil ou a dez mil anos no tempo.

Cap.II, pag.13 - O enamoramento desafia as instituições no plano de seus fundamentos de valor.

Cap.III, pag. 16 - Em todos os períodos históricos que antecedem um movimento social, em todas as histórias pessoais que antecedem um enamoramento, há sempre uma preparação em consequência de uma mutação, de uma deterioração nas relações com as coisas amadas.

"Cap.IV, pag. 18 - ...Quando nos enamoramos, por muito tempo continuamos a dizer a nós mesmos que não o estamos. Passado o momento em que se revelou o acontecimento extraordinário, retornamos à vida cotidiana e pensamos que tudo foi passageiro. Mas, para nosso espanto, esse momento nos volta à mente, nos cria um desejo, uma ânsia que só se aplacam quando revemos a pessoa amada ou escutamos sua voz. Mas tudo volta logo a desaparecer, e dizemos a nós mesmos que foi apenas uma exaltação que não tem importância alguma ... .Mas esse desejo reaparece, e torna a reaparecer e "se impõe", então estamos verdadeiramente enamorados.

Cap.IV, pag.18 - O estado nascente (do enamoramento ou dos movimentos sociais) tem a extraordinária propriedade de refazer o passado. Na vida cotidiana, não podemos refazer o passado. Nosso passado existe com suas desilusões, suas recordações e suas amarguras.

Cap.V, pag.23 - O enamoramento é o abrir-se a uma existência diferente sem qualquer garantia de que esta se realize... .A grandeza do enamoramento é desesperadamente humana , pois oferece momentos de felicidade e eternidade, cria um desejo ardente, mas não pode oferecer certezas. .... O fato de desejar esse bem absoluto faz desaparecer em nós todo o medo do futuro.

Cap.V, pag.24 - ... Por isso, no amor e na felicidade, sempre existe uma nota de tristeza, pois quando "paramos o tempo" sabemos estar sacrificando toda a segurança e todos os nossos recursos. Esse "parar o tempo" é a felicidade, mas também renúncia a conduzir as coisas, a ser forte, renúncia a todo o poder e a todo o orgulho.

Cap.V, pag.24 - O enamoramento é assim, um encontrar, um perder e um reencontrar.

Cap.VI, pag.28 - A vida cotidiana se caracteriza pelo desencanto. Temos sempre tantas coisas prá fazer, algumas de que gostamos, mas a grande maioria é exigida de nós.

Cap.VI, pag.29 - A polaridade da vida cotidiana está entre a tranquilidade e o desassossego; a do enamoramento, entre o êxtase e o tormento.

Cap.VI, pag. 30 - No cotidiano se deseja, pois, o excepcional, no excepcional o cotidiano. Esses dois desejos - ambos irrealizáveis - se somam para criar esse "e viveram felizes para sempre", que veio substituir na nossa época os mitos do elixir da eterna juventude e da pedra filosofal.

Cap.VII, pag.32 - É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Sem dúvida. Amar uma e se enamorar de outra? Sem dúvida. Estar enamorado de duas? Não.

Cap.XII, pag. 54 - A instituição tem horror ao estado nascente ( enamoramento). É a única coisa que teme porque é a única que lhe abala, com seu aparecimento, os alicerces. Do ponto de vista da instituição, o estado nascente é, por definição, o inesperado. Porque sua lógica é diferente da lógica da vida cotidiana.

Cap.XII, pag.57 - ... E porque a instituição não pode ver no estado nascente a sua verdade -- incerta, fugaz, puro devir -- classifica-a como irracionalidade, loucura, escândalo.

Cap.XIV, pag. 66 - ... Desse modo, o ciúme não pode existir no enamoramento bilateral, pois nada pode haver, no exterior, que seja capaz de exercer uma atração desse tipo.

::: by meraluz at 1:53 AM - post nº



Sábado, Outubro 25, 2003 :::

Histórias Encantadas

Fiz (e continuo fazendo) da minha vida um mosaico de histórias encantadas. Mas o que é uma história encantada? Boa pergunta. Não, não são ficções alucinógenas nem clichês baratos e novelescos. Acho que são histórias que, pelo seu tamanho e intensidade, atravessam o tempo e se imortalizam. Enfim, na minha escala de valor, são simplesmente grandes histórias. E assim, sou o resultado de todas as minhas histórias que, por sua vez, são resultados de mim.

Obviamente elas não são tantas assim. Histórias encantadas não existem em profusão, não são comuns, prêt-a-porter. E só podem ser vividas com parcerias especiais, com um igual teu ou um passageiro cúmplice que passeia por este planeta. Esse tipo de parceria não é facilmente encontrável, mas é facilmente reconhecível: no exame de fundo de olho, no dialeto comum, combinação harmônica de alguma substância alquímica do ser.

Uma vez encontrado o(a) seu(sua) co-autor(a), mãos à obra (de arte)! Pode ser um amor, um amigo, um irmão ou simplesmente alguém que acabamos de conhecer e que inseriu a senha correta. A vida está ali à nossa frente e dentro de nós. Um pouco de poesia nos olhos e nas mãos, muito de imaginação, um certo senso de humor bem colocado, porque o riso é um componente e tanto. E vamos desarrumando e recolorindo as peças que repousam solenes sobre o teatro das aparências. Como elas se tornam histriônicas quando observadas pelas lentes da liberdade! E vai-se vivendo tudo intensamente, construindo futuras memórias, boas de contar, por terem sido boas de viver. E tudo terá valido a pena.

Ou grandes histórias ou nada. Para mim é assim. A vida como obra-de-arte. Do contrário seria desperdiçar-me, banalizar-me. Eu não faria isto com a minha existência. A unidade de valor e a escolha dos protagonistas ficam por conta de cada um, mas há um detalhe comum a todos que ousam criar histórias encantadas: impossível escrevivê-las sem amor.

E se não puder ser assim, que não seja nada.

::: by meraluz at 2:14 PM - post nº



Terça-feira, Outubro 21, 2003 :::

Infinito enquanto dure? Aqui, ó!!!

Perdoe-me, Vinícius! Acontece que não dá pra engolir isso assim a seco. Seus poemas são indiscutivelmente belos, suas imagens são de uma pulcritude fascinante. Todos exclamam uníssonos e com razão: "ninguém cantou as paixões como ele!" Verdade. Mas sua idéia de amor não me convenceu. Se o lirismo e a riqueza literária são irrefutáveis, a idéia que anima muitos desses versos chega a mim como uma forma de amar imatura, volátil, impulsiva, imediata. Que "infinito enquanto dure" o quê?! Ó, poeta! Não pode dizê-lo assim desta forma à amada da vez. Não pode desvendar o mistério. Quem ama quer infinito enquanto infinito supremo, ainda que tudo termine logo ali na próxima esquina. É proibido saber. Quando digo "infinito enquanto dure", já pressuponho um fim, e o fim está no "enquanto". Amores maduros não são feitos de "enquanto". Neste aspecto, sou mais Nelson Rodrigues, que, com toda sua irreverência, dizia: "se houve fim é porque não houve amor." Pelo menos, não houve amor suficente. Amores? Que sejam imortais para serem grandes!

Então tá! Ficamos assim: você canta seus amores volúveis, plurais e efêmeros, ainda que tensos e intensos, e eu sigo acreditando em amores sem fim, ainda que não os encontre nesta vida mortal, posto que (é) chama.

::: by meraluz at 1:03 AM - post nº



Domingo, Outubro 19, 2003 :::

Saravá, Vinícius!



Hoje ele faria 90 anos. "Ele", que viveu de entornar poesia de suas paixões.

Não deixem de visitar: www.viniciusdemoraes.com.br

Além do tempo - Vinícius de Moraes.

Esse amor sem fim, onde andará?
Que eu busco tanto e nunca está
E não me sai do pensamento
Sempre, sempre longe

Esse amor tão lindo que se esconde
Nos confins do não sei onde
Vive em mim além do tempo
Longe, longe, onde?

Por que não me surges nessa hora
Como um sol
Como o sol no mar
Quando vem a aurora

Esse amor que o amor me prometeu
E que até hoje não me deu
Por que não está ao lado meu?

Esse amor sem fim, onde andará?
Esse amor, meu amor,
Onde andará?

in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"


::: by meraluz at 2:48 PM - post nº



Sábado, Outubro 18, 2003 :::

Recebi este texto da minha amiguinha da Beira-do-Mar. E o que vale a pena ser arquivado eu penduro aqui neste varal. Ou vocês não perceberam ainda que isto aqui é um varal de palavras, alegrias e feridas expostas ao sol?

SENTIR-SE JOVEM
(Juca Chaves)

Sentir-se jovem é sentir o gosto
De envelhecer ao lado da mulher
Curtir ruga por ruga de seu rosto
Que a idade sem vaidade lhe trouxer
O corpo transformar-se em escultura
O Tempo apaixonado é um escultor
E a fêmea oculta na mulher madura
Explode em sensuais formas de amor

E a fêmea, esta escultura,
Já mulher madura
Explode em sensuais formas de amor

Ser jovem cinqüentão não é preciso
Provar que emagrecer rejuvenesce
Pois a melhor ginástica é o sorriso
E quem sorri de amor nunca envelhece

Amar ou desamar sem sentir culpa
Desafiando as leis do coração
Não faça da velhice uma desculpa
E nem da juventude profissão

Idade não é culpa, velhice não é desculpa
Nem mesmo a juventude é profissão
Fica mais velho quem tem medo de ser velho
Roubando sonhos de alguma adolescente
Dizer que ele "dá duas", que é potente
Mentir para si próprio e para o espelho

A idade é uma verdade, não ilude
Quem dividiu a vida com prazer
Velho é se drogar de juventude
Ser jovem é saber envelhecer

Velho é quem se ilude
Que a idade é juventude
Ser jovem é saber envelhecer

::: by meraluz at 3:48 PM - post nº



Terça-feira, Outubro 14, 2003 :::

Estou precisando falar de flores. Falar de flores sem ser piegas. Não rimá-las previsivelmente com dores ou amores. Hoje descobri um blog que falava de flores sem ser piegas. Encantei-me. As palavras soavam como notas musicais, suaves como que extraídas das partituras de Debussy. Então lembrei que esqueci das primaveras nas minhas estações internas. Afastei-me das flores para não correr o risco dos espinhos. Para não ter seu viço tão breve. Para não vê-las morrer. Preciso descobrir como falar de flores novamente. E sem ser piegas... Começarei com uma rosa de Dalí: a Rosa Meditativa. Prometo não falar de Rosas de Hiroshima.




::: by meraluz at 2:31 AM - post nº



Domingo, Outubro 12, 2003 :::

Porque é fundamental não deixar morrer a criança que existe dentro de cada um de nós!

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem prá me dar a mão


(Milton Nascimento/Fernando Brandt)

Feliz dia da Criança!

::: by meraluz at 8:44 PM - post nº



Sábado, Outubro 11, 2003 :::

Sabines e Terezas

Essas mulheres são, a princípio, personagens do livro "A Insustentável Leveza do Ser", de M.Kundera, que mais tarde seria adaptado para o filme de mesmo nome. Encontrei-as ali pela primeira vez. Depois viria a descobrir dezenas de Sabines e Terezas em cenas múltiplas do cotidiano. Deve haver milhares delas atuando por aí.

Mas por que falo delas? Porque vejo-as como significantes bem marcados de duas formas antagônicas de comportamento e personalidade.

Sabine é antípoda de Tereza. Não importa agora a densa trama existencial do livro, que é belíssima. Prefiro ater-me à força semiológica desses personagens, que não são apenas de ficção. Sabine simboliza o anti-convencional, é feita do imprevisível, da criatividade, da liberdade e, sobretudo, da independência social e emocional. Em linhas gerais, Sabine é, a uma primeira leitura, uma mulher forte e determinada, a quem nem mesmo é concedido o direito às fraquezas comuns. A vida talvez não tenha lhe dado a opção de ser algo que não Sabine. Ser independente e forte como questão de sobrevivência. Desafiar regras e convenções é seu modo de inscrever a própria existência no mundo hipócrita. Quem sabe se por defesa? A causa é irrelevante aqui.

Tereza é o protótipo da mulher aparentemente frágil, ingênua, doce, dependente, quase uma filha, quase uma vítima. É feita de uma simplicidade suspeita. Inspira proteção e até mesmo culpa - o que jamais poderia ser atribuído a Sabine. Tereza é um tipo de personificação da impiedosa e cruel sentença da raposa: "Tu te tornas responsável por aquele que cativas" (somente uma raposa poderia proferir tal sentença).

No romance, o protagonista, Thomas, vive dividido entre o amor das duas. Fica evidente que sua verdadeira paixão é por Sabine. Mas acaba escolhendo Tereza. Tereza "precisa" dele, quando Sabine o ama justamente por "não precisar". Tereza inspira-lhe responsabilidade, proteção e culpa, enquanto Sabine o liberta de todos os sentimentos algemáveis. Tereza é o chão imobilizado, a estrutura bem montada e previsível, enquanto Sabine é o prazer imprevisto, a leveza do ser, a renovação permanente, a não-imposição de referências concretas - o amor, em si, não é palpável nem imposto. Tereza é ingênua, Sabine aprendeu com a vida os segredos das defesas. E quem aprende alguma coisa desse nível compromete parte da ingenuidade, no sentido de "ignorar".

Não é apenas na ficção que moram essas cenas. Quantas Sabines e Terezas há por aí? Mais Terezas do que Sabines, eu diria. Terezas saem sempre vencedoras, no final. O que não quer dizer que saiam mais amadas. Às Sabines são dedicados os melhores momentos de alegria e prazer, as melhores memórias, mas raramente a coragem de uma escolha. Sabines pagam o preço de sua independência e liberdade, duas condições terrivelmente assustadoras, mas as principais para autenticar um amor verdadeiro - o amor pelo amor. Aparentemente, Sabines sofrem menos que Terezas, que normalmente tem choro fácil, doce e primário. No fundo, talvez as outras sofram muito mais, só que não fazem alarde ou propaganda da dor. Terezas são sempre salvas por um herói, Sabines precisam ser heroínas. Muito mais cômodo é a escolha de uma Tereza, que, submissa, não ameaçará estruturas já imobilizadas pelo tempo, a garantir vidas lineares e mornas. Sabine estará condenada à um bom lugar da memória e ao sonho de um amor ideal. Pobres e injustiçadas Sabines! Elas tudo podem suportar: perdas, dores, frustrações - pensam seus amantes, eximidos da culpa. Talvez estejam equivocados. É possível que as Terezas sejam as grandes ardilosas de toda a história, com sua estratégia invisível da simplicidade cruel, imóvel e doce. Pobres e injustiçadas Sabines!

::: by meraluz at 12:14 PM - post nº



Sexta-feira, Outubro 10, 2003 :::

Eu tenho um caso com ele ;)


::: by meraluz at 1:15 AM - post nº



Quarta-feira, Outubro 08, 2003 :::

Pqp! Que música bonita! Um som tipo dia chuvoso, que vem das profundezas, lânguido, melancólico, mas belo, belo... Hoje estou assim meio coldplay.

Trouble
by Coldplay

Oh no, I see,
A spider web is tangled up with me
And I lost my head
The thought of all the stupid things I've said

Oh no, what's this?
A spider web, and I'm caught in the middle
So I turned to run
The thought of all the stupid things I've done

I never meant to cause you trouble
I never meant to do you wrong
I, well if I ever caused you trouble
Oh no, I never meant to do you harm

Oh no, I see
A spider web and it's me in the middle
So I twist and turn
Here am I in my little bubble

Singing it out, I never meant to cause you trouble
I never meant to do you wrong
Ah, well if I ever caused you trouble
Oh no, I never meant to do you harm

They spun a web for me
They spun a web for me
They spun a web for me

::: by meraluz at 5:38 PM - post nº



Segunda-feira, Outubro 06, 2003 :::

Histórias sem fim...

Dei-me conta de que jamais poderia escrever minha biografia. Por uma razão muito simples: ausência de linearidade. Simples nada! Acostumaram-nos a contar histórias através de uma sucessão tradicional e cronológica de fatos. Quem disse que as histórias têm de ser assim? Histórias lineares até existem na imaginação de uns e outros igualmente lineares, são fáceis e cômodas. Teria muito menos trabalho se pudesse me recontar em uma narrativa cartesiana. Mas não posso. Seria tão primário como pronunciar "the book is on the table" ("the book is not on the table", seria muito óbvio). Era uma vez, parari, parara, pererê - começo, meio e fim (ou enfim!). Dois pólos e um recheio no meio, a obviedade de um misto-quente.

O melhor da história é quando várias histórias acontecem ao mesmo tempo. E o melhor do tempo é quando ele nos permite suprimi-lo. E então são vários acontecimentos, memórias e tramas fervilhando simultâneos em múltiplos espaços e dimensões. Nisso tudo ainda interfere um agente complicador: a consciência de que nenhuma história termina, na realidade. Carregamo-las conosco, e elas continuam a agir, a interagir, influenciando as próximas histórias e nos transformando em mero resultado. Somos essa obra inacabada, em que páginas se abrem ao acaso, de trás para frente, de frente para trás, sem necessidade de ordenações seqüenciais. E a essas páginas vão se somando outras e mais outras.

Poderia começar a contar minhas histórias assim:
"Era uma vez a última vez..."
ou assim:
"Eram todas as vezes em uma única..."
ou assim:
"Fim. Era outra vez..."
ou assim:
"Era a oitava primeira vez que..."
ou assim:
"Era a enésima última vez que..."
ou, ainda, de mil outras formas, até mesmo as ininteligíveis.

Mas, afinal, quem é que quer contar ou ouvir histórias aqui? Isto é algo para se fazer quando não estamos ocupados em construí-las. E quando não estamos ocupados em vivê-las é porque acreditamos que chegaram ao fim. Mas histórias nunca chegam ao fim. Elas continuam e continuam. Apenas se modificam e vão se agregando à nossa existência como peças permanentes e móveis de um mosaico ou de um caledoscópio.

O que estamos fazendo aqui agora neste nosso contato? Uma história. Eu escrevo pra mim e pra você, e você lê o que escrevo. Seja lá o que essa interseção signifique, é uma história, onde somos personagens fantásticos da vida real pelas palavras, por mais irreal que isto possa parecer.

::: by meraluz at 4:26 PM - post nº



Sábado, Outubro 04, 2003 :::

Sem Resposta
(Texto extraído do livro "Fragmentos de um Discurso Amoroso" - Roland Barthes)

1. "Quando se falava com ele, discursando para ele sobre qualquer que fosse o assunto, X parecia frequentemente olhar e escutar ao longe, espiando alguma coisa nas redondezas: parava-se desencorajado; no fim de um longo silêncio, X dizia: 'Continua, eu estou escutando'; então se retomava meio sem jeito o fio de uma história na qual já não se acreditava mais."

(O espaço afetivo, como uma péssima sala de concerto, comporta recantos mortos, onde o som não circula. - O interlocutor perfeito, o amigo, não será aquele que constrói ao redor de você a maior ressonância possível? A amizade não poderia ser definida como um espaço de uma sonoridade total?)

2. Essa escuta fugidia, que só posso capturar depois de algum tempo, me envolve num pensamento sórdido: empenhado com ardor em seduzir, em distrair, eu acreditava exibir, ao falar, tesouros de engenhosidade, mas esses tesouros são apreciados com indiferença; gasto minhas qualidades à toa; toda uma excitação de afetos, de doutrinas, de saber, de delicadeza, todo o esplendor do meu eu vem se enfraquecer, se amortecer num espaço inerte, como se - pensamento culpado - minha qualidade excedesse a do objeto amado, como se eu estivesse mais adiantado do que ele. Ora, a relação afetiva é uma máquina exata; a coincidência, a justiça, no sentido musical, são fundamentais; o que não está no mesmo nível é imediatamente demais: minha fala não é propriamente um detrito mas um "não vendido"; aquilo que não se consome no momento (no movimento) e é destruído.

(Da escuta distante nasce uma angústia de decisão: devo continuar, pregar "no deserto"? Seria preciso uma segurança que a sensibilidade amorosa precisamente não permite. Devo parar, desistir? Seria parecer me vexar, colocar o outro em questão, e daí começar uma "cena". Mais uma vez a armadilha.)

3. "A morte é sobretudo isso: tudo que foi visto, terá sido visto para nada. É o luto daquilo que percebemos." Nesses breves momentos em que falo à toa, é como se eu morresse. Porque o ser amado se torna um personagem de chumbo, uma figura de sonho que não fala, e o mutismo, em sonho, é a morte. Ou ainda: a Mãe gratificante me mostra o Espelho, a Imagem, e me fala: "É você". Mas a Mãe muda não me diz o que sou: não tenho mais base, flutuo dolorosamente, sem existência.

::: by meraluz at 2:57 PM - post nº



Sexta-feira, Outubro 03, 2003 :::

Oh, que emoção!

Emocionou-me profundamente ver Alexandre Pires cantando para o Presidente Bush.

Jamais pensei que fosse possível acontecimento de tamanha compatibilidade e harmonia:
o representante da decadência cultural brasileira & o representante da decadência política americana (se não mundial) ali juntinhos, embalados no pior da nossa música e na estupidez governamental.

Oh, que emoção! Que lixo! Que patético! O mundo se perdeu?

::: by meraluz at 11:22 AM - post nº



Quarta-feira, Outubro 01, 2003 :::



na foto, os contornos que me [[[ limitam ]]], enquanto a alma foi dar uma volta.
Tudo tem limite?
Não.
Tudo não. 
Do contrário, não seria tudo.
Tive-o eu,
Quando deram-me um corpo.
E depois deste, mil outros limites.
Tantos e tontos limites.
De crédito,
De velocidade,
De tempo, de área,
De idade,
De temperatura,
De razão ;)
De pressão
De loucura.
Paciência tem limite.
Impaciência também.
E eu decreto agora
Um limite aos limites.
Se um corpo me limita,
A alma há de ultrapassá-lo.
Se as normas me limitam,
Limito-as à insignificância,
E transgrido-as.
Sem limites, vôo.
Cem limites, volto.
Usá-los apenas
Quando necessário.
Afinal, tudo tem limites.
Não, tudo não.



::: by meraluz at 12:31 AM - post nº