A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
---------------------------------------

Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.




Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


Cotação da verdinha $$$:




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Sábado, Setembro 27, 2003 :::

Para quando parecer que o mundo acabou

1 - Não dar ouvidos àqueles que dizem insistentemente: "ó, também não é o fim do mundo!". Ninguém conseguirá lhe convencer do contrário neste momento. E, de certa forma, você tem razão. Pelo menos um mundo acabou. Após a hecatombe, ao dar-se conta de que sobreviveu, já não será a mesma, uma pequena (ou grande) parte de nós costuma morrer ali naqueles escombros de mágoa e descrença.

2 - Viver a dor até o fim. Mergulhar até o limite máximo das profundezas internas, percorrer todos os labirintos, perscrutar os sombrios subterrâneos, deixar doer. A resistência ao sofrimento acaba por recrudescê-lo. Fica tudo pesado e rígido como correntes de ferro. Deixar-se cair, então. Ao tocar o fundo, e perceber que dali não poderá passar, soltar a respiração. É imprescindível respirar bem para atingir a insustentável leveza do ser. Agora que já não há expectativas ou ansiedades, que detonaram uma bomba sobre o seu amanhã - ou pelo menos sobre o amanhã sonhado - fica fácil respirar pausadamente. É preciso cuidar para não se perder entre as perdas.

3 - Fugir, não. Não é uma boa opção. Meter-se nas multidões, correr para um lado e para outro, movimentar compulsivamente o corpo como se quisesse espantar ou distrair a dura realidade não é uma boa. Afinal, você está sem mundo, vai se sentir uma estranha no ninho, uma espécie de sem teto existencial. Além do mais, logo ali adiante vai dar de cara consigo mesma, e o resultado é a sensação de que apenas prolongou um problema. No way out! Quando parece que o mundo acabou, não há fugas. Fugir das fugas! Melhor começar logo o trabalho de desconstrução, antes que todos alicerces fiquem comprometidos.

4 - Sair quebrando tudo pode ser a reação preferida de alguns. Não sei dizer se isto dá certo, os adeptos dizem que é salutar, argumentando que diante de uma dor a gente berra "ai!!" e libera os reflexos. Realmente, não sei. Não é meu estilo transformar a vida em escândalo na hora da dor. Eu, particularmente, deixo os escândalos para alegrias e prazeres. Não me sinto bem quando quebro tudo numa crise nervosa, sinto-me primária e canibalesca. Mas isto, como disse, é questão de estilo, e não é o meu. Pulemos esta parte.

5 - Finalmente, depois de todo o percurso, subir à tona paulatinamente. Olhar o céu, o mar, as avenidas, as pessoas, e ver que o mundo não acabou. Há apenas um olhar diferente. Não, o mundo não acabou, e você já viu esse filme antes. Estará apenas um pouco exausta, depois da dolorosa jornada, para a complexa tarefa de construir um novo universo agora. Deixe para amanhã. Amanhã, a liberdade. Amanhã... ;)


::: by meraluz at 11:25 PM - post nº



Sexta-feira, Setembro 26, 2003 :::

Navigare necesse est, vivere non est necesse

Navegar é preciso, viver não é preciso - Quem foi que disse isso mesmo, hein? Recapitulando: a frase foi mencionada pela primeira vez na literatura por Plutarco, quando escrevia sobre Pompeu (106-48 AC). Segundo o autor, o general romano costumava dizê-la a seus marinheiros, quando estes, amedrontados, se recusavam a viajar durante a guerra. Os marujos então passaram a repeti-la como uma espécie de hino. Posteriormente viria a inspirar Fernando Pessoa no poema:
Navegar é Preciso
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

--------------

Seja lá o que a literatura diga, independente de Plutarcos, Pompeus e Pessoas (PPP), vou tomar a liberdade de modificá-la:

NAVEGAR É PRECISO, VIVER É IMPRECISO. MAS É PRECISO VIVER!

Quem disse que viver não é preciso não entendia nada de vida, com todo o respeito às navegações. Ou, ainda, talvez viver nem seja preciso mesmo, pois que viver é condição.

Mesmo que a vida uive de dor, viver sempre vale a pena!

::: by meraluz at 1:29 PM - post nº



Quinta-feira, Setembro 25, 2003 :::

Sobre amizade

Hmmm... como falar de amizade sem cair no pieguismo das mensagens bem intencionadas? É difícil. É difícil falar de certos sentimentos que unem as pessoas, sobretudo da amizade. De um modo geral, os amigos que tenho são pessoas muito especiais. Há sempre um detalhe em cada um deles que os diferencia do comum e do banal. Tenho um amigo, que até então permaneceu oculto por aqui, que talvez não saiba do quanto é precioso pra mim. E também não precisa saber, porque amigos não precisam de rasgação de seda. Este amigo, em especial, é mais do que um irmão. É alguém com quem tenho certeza de que poderei ser exatamente o que sou e falar sobre todas as coisas sem constrangimentos ou falsos pudores. E isso não tem preço. A parceria na libertação total do verbo. Da mesma forma que somos livres para esculhambar um ao outro, também não temos problemas de demonstrar afeto. Não precisamos dizer que nos importamos um com o outro, porque sabemos que nos importamos com qualquer minúcia da vida do outro, até a menor bobagem. Não precisamos cobrar frequência ou presença. Sabemos que poderemos contar com seu apoio na hora necessária. E nesses minúsculos detalhes, vamos vendo o quanto certas pessoas são grandes e quanto de espaço elas vão tomando na vida da gente. Este meu amigo é capaz de coisas encantadoras como adivinhar cada entrelinha que aqui coloco; incentivar-me sempre a escrever, mesmo quando estou cansada, desistente e resistente. Não preciso falar do quanto ele é grande, especial e inesquecível e do quanto sou feliz por tê-lo sempre por perto, mesmo que geograficamente longe.
Saulo, esta mensagem é pra você. Até que enfim o meu querido "anti-herói" deixou um registro nos comentários. Maiores são os registros que deixou na minha história, mas é muito bom ter sua passagem gravada aqui neste canto. Muito, mas muito obrigada mesmo por tudo. Felizes os que conseguem ter, neste mundo adverso, amigos desse porte; desfrutar de uma relação desinteressada, leal e pura.

::: by meraluz at 11:16 PM - post nº



Quarta-feira, Setembro 24, 2003 :::

Tudo planejado. Nesta noite ele iria morrer. Escondi a arma imaginária dentro de minha cabeça e me vesti tranquilamente para a execução do crime. Havia uma única chance de salvação. E a única chance estava em uma única palavra. Vinho e amenidades no jantar. Tudo corria absolutamente normal. Entre nós uma mesa de dimensões infinitas, medindo a distância entre dois diferentes mundos. Esperei pela palavra que anistiaria o condenado. A palavra pronunciada foi "amor". Mas não era a palavra "amor" que o salvaria. Era a palavra "chão", pois que amor sem chão é abismo. E eu não despencaria neste abismo. Por isso precisava exterminá-lo. Não lembro a hora em que apertei o gatilho, mas quando ele me deixou em casa já estava morto. Ele não sabe que morreu. E eu não sei o que será de mim depois do fim. Contudo, sei que não morri, porque há algo que dói.

::: by meraluz at 12:31 AM - post nº



Segunda-feira, Setembro 22, 2003 :::

Esta pobre mortal que vos escreve ficará uns dois dias fora do ar. Motivo: trabalho. Proibido me esquecer!
Se esta é sua primeira visita, bem-vindo/a! Tem bastante material aí nos arquivos. Divirta-se!

::: by meraluz at 12:57 AM - post nº



Sábado, Setembro 20, 2003 :::

Labirinto (da série Diálogos Surreais :)

- Não posso seguir adiante. Vou voltar.
- Vai me deixar no meio do caminho?
- É preciso.
- Não quer continuar?
- Quero. É exatamente por isto.
- Então vamos!
- Não dá. Já sei aonde leva este caminho. Siga sem mim agora.
- Caminhar sozinho?
- Talvez precise saber o que eu já sei sobre os caminhos. E é melhor fazer isto sozinho.
- Por que veio então?
- Porque achei que a vida me chamava.
- E agora? Não acha mais?
- Agora tenho certeza. E vida demais desprocessa o bom-senso. Não faça tantas perguntas, por favor.
- Acho que você está é com medo de a gente se perder, confesse.
- Confesso. E isto não muda nada. Agora vá e não hesite em ser feliz, se houver este pedaço. Eu volto daqui.
- Triste e abandonado - é como me sinto.
- Triste e abandonando - é como me sinto. Saberia dizer o que é pior?
- Vai saber voltar? Voce disse que conhecia bem os caminhos, não foi?
- O suficiente para saber que este é um labirinto. Com alguma sorte, eu ainda encontro a saída antes de escurecer...



::: by meraluz at 1:01 AM - post nº



Sexta-feira, Setembro 19, 2003 :::

Umas e Outras de Nelson Rodrigues:

- A burrice é a pior forma de loucura.
- No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.
- O carioca é o único sujeito capaz de berrar confidências secretíssimas de uma calçada para outra calçada. O carioca é um extrovertido ululante.
- Os que choram pouco, ou não choram nunca, acabarão apodrecendo em vida.
- Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
- Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica.
- Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.
- A educação sexual só devia ser dada por um veterinário.
- Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.
- Toda família tem um momento em que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo. A família é o inferno de todos nós.
- A fidelidade devia ser facultativa.
- O jovem só pode ser levado a sério quando fica velho.
- Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar.
- O que se está fazendo aqui é uma música popular brasileira que não é popular, nem brasileira e vou além: ¿ nem música.
- Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
- É impossível ser ridículo dentro de uma Mercedes.
- No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua.
- Todo óbvio é ululante.
- Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.

::: by meraluz at 11:20 PM - post nº



Quinta-feira, Setembro 18, 2003 :::

"Ora direis ouvir estrelas! Certo, perdeste o senso!" E o juízo e a vergonha e os modos e o jogo e a hora e o trem e o rumo e o prumo e ...













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::: by meraluz at 4:43 PM - post nº



Ando cansada. E daí? Nada, ando cansada. Só isso. O mundo não tá nem aí pro meu cansaço. Mas, em compensação, eu não tô nem aí pro mundo. Deixei de lhe conferir poderes sobre mim.

::: by meraluz at 1:22 AM - post nº



Quarta-feira, Setembro 17, 2003 :::

Legenda:
De tanto ler entrelinhas, acabei no subtexto de um livro errado.


::: by meraluz at 9:24 AM - post nº



Domingo, Setembro 14, 2003 :::

"A vida é o ensaio de uma peça que não se realizará..."

Essa frase é de um filme, grande filme, um dos que mais me disseram à alma: Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet.

Tive noção do quanto era só quando quis comentar sobre este filme com alguém e os interlocutores possíveis estavam mais interessados em filmes de ação ou na própria "ação" esvaziada. Das novelas do Manoel Carlos sim, aí todo mundo fala, comenta-se da cozinha aos escritórios. Questão de identificação. Sou minoria, já compreendi.

Mas sou insistente. Para quem não viu o filme e não faz questão de roteiros apelativos e previsíveis, cheios de ação, litros de sangue, melecas grudentas, efeitos especiais, paixoezinhas comuns, temas épicos e relações óbvias de causa/efeito, acho que é uma boa opção. Ele existe nas locadoras em DVD (o título em português é O Fabuloso Destino de Amélie Poulain). Eu veria mais umas 10 vezes.

::: by meraluz at 9:29 PM - post nº



"...Os segmentos do tempo se unem uns aos outros num encaixe quase perfeito, mas não totalmente perfeito. Ocasionalmente, desencontros muito leves acontecem. Por exemplo, nesta terça-feira, em Berna, um rapaz e uma moça, os dois beirando os trinta anos de idade, estão parados sob uma lâmpada de iluminação pública na Gerberngasse. Eles se conheceram há um mês. Ele a ama desesperadamente, mas já sofreu muito por uma mulher que o abandonou sem qualquer aviso, e tem medo do amor. Com esta mulher, ele precisa de todas as garantias. Examina o rosto dela, silenciosamente implora-lhe que revele seus verdadeiros sentimentos, procura identificar o menor sinal, o mais acanhado movimento de suas sobrancelhas, o mais vago corar de suas bochechas, a umidade em seus olhos.

Na verdade, ela também o ama, mas não consegue traduzir seu amor em palavras. Em vez disso, sorri para ele, sem saber do medo que ele sente. Enquanto estão ali, sob aquela lâmpada, o tempo pára e recomeça. Logo depois do intervalo, a inclinação de suas cabeças é exatamente a mesma, o ciclo das batidas de seus corações não apresenta qualquer alteração. Mas, em qualquer lugar das profundezas da mente da mulher, surgiu um pensamento frágil que não estava lá antes. A jovem mulher tenta capturar este novo pensamento em seu inconsciente e, quando o faz, um vazio inescrutável risca-lhe o sorriso. Esta breve hesitação só seria perceptível à mais rigorosa observação, mas ainda assim o ansioso rapaz a percebeu e a interpretou como o sinal que procurava. Ele diz à jovem mulher que não pode tornar a vê-la, volta para seu pequeno apartamento na Zeughausgasse e decide mudar-se para Zurique e trabalhar no banco de um tio. A jovem mulher se afasta do poste de iluminação pública na Gerberngasse, caminha lentamente de volta para casa se perguntando por que o rapaz não a amava."

[trecho extraído do livro "Sonhos de Einstein", de Alan Lightman]



::: by meraluz at 5:24 PM - post nº



Caricaturas de um passado quase suspeito

Tive um namorado uma vez que gostava de repetir uma frase piegas: "é preciso acreditar na flor e sorrir" (rs). Eu sorria da frase e de sua esforçada tentativa de versejar. Na verdade, ele era muito bom de números e de tênis, letras não eram o seu forte. Mas suas tentativas líricas eram de uma ingenuidade sem par. Sempre dava um jeito de arrematar nossas desesperanças com essa frase: "É preciso acreditar na flor e sorrir". Ele guardava um resíduo provinciano que eu gostava, apesar de ter ganho o mundo e conhecido o poder. E, por isso, nutria eu o maior respeito pela frase pouco original que cunhou como sua (plágio do Tom, mas tudo bem, a gente fecha os olhos).

Eu, por minha vez, sempre tive o hábito de marcar bem minhas histórias com fatos inusitados. E resolvi, num belo dia, fazer uma surpresa ao meu namorado crédulo de flor, acrescentando mais uma marca à minha esdrúxula biografia. Juntei algumas economias e contratei um daqueles avioezinhos publicitários para exibir no céu a tal frase, inscrita em uma grande faixa: "É preciso acreditar na flor e sorrir". O avião deveria sobrevoar a quadra em que ele jogava diariamente sua partida de tênis. Seria o lugar mais garantido. E lá foi o avião. A história não saiu bem como eu planejara. Era a decisão de um torneio que ele disputava em dupla. A cada vez que o avião passava, o vento desviava a bola e o ruído desconcentrava os jogadores. A família do piloto deve ter sido xingada até a última geração, e a minha também por tabela, pois fui a mentora intelectual de uma derrota. Furioso, o grande tenista desatou a amaldiçoar o avião e os políticos - em época de eleições, foi a primeira associação que fez (não tinham culpa desta vez, mas é sempre merecido). Depois de uns quinze minutos de piruetas aéreas, o destinatário da mensagem levantou a cabeça - provavelmente para endereçar um sinal feio ao piloto ou para ver quem era o político f.d.p., que nunca teria seu voto - e ficou paralisado. Segundo seu depoimento (eu não estava lá), se sentiu tão emocionado ao ver "sua frase" no ar que perdeu a fala e a partida, com um placar vergonhoso. Catou o primeiro orelhão e me disse: "você é louca!"
É, acho que sou um pouco. Posso não ter sido capaz de criar uma frase tão - como direi? - melíflua. Mas consegui colocá-la literalmente no ar. Até pedi para fotografarem. Esta não é ficção não:




































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Não lembro bem de quem me disse um dia: "é preciso construir memórias". Eu levei a sério. Quanto a acreditar na frô... aí já é outra história. "Quem acreditou no amor, no sorriso, na flor, então sonhou, sonhou..." (Ave, Tom Jobim!)

Enfim, o tempo passou, como o avião...


::: by meraluz at 3:01 AM - post nº



Sexta-feira, Setembro 12, 2003 :::

Winners x Losers

Em que categoria você se inclui? Sim, porque os dias de hoje não deixaram outra escolha. Não vai demorar muito para que um indíviduo tenha de apresentar Certificado ISO 9001 para lhe assegurar o direito de habitar o planeta.

Tudo o que a cultura do século XXI nos diz é que devemos ser um "winner". Um "winner" - não importa o preço a pagar. No corpo, nenhum excesso ou carência; deverá se apresentar inexoravelmente em forma, como os corpos dos soldados de Esparta. No mercado de trabalho, muito estresse competitivo. Muito estresse para ser nada menos do que o melhor, este é o alvo. Competir, sem se deixar abalar por atalhos emocionais, que são contraproducentes. No banco, muitas aplicações em investimentos sofisticados e uma conta corrente com fartura de zeros à direita. Na aparência e postura, uma máscara de expressões firmes, um script de movimentos seguros e pré-concebidos e a voz bem colocada, de preferência nos múltiplos idiomas que deve falar. No sexo, algo parecido com atletismo, performance quantitativa invejável e permanentes ereções; nunca falhar. Nas relações interpessoais, uma agenda repleta de títeres influentes, não necessariamente amigos - amizade é outro departamento. E, nessas relações, nunca passar recibo de fraqueza nem exibir tristezas públicas que revelem que você pertence também à categoria de humanos. Afinal, você é um "winner", considera-se acima do bem e do mal, e não há de permitir que acontecimentos " humanos, demasiadamente humanos" interfiram em seu objetivo primeiro: ser e se manter um "winner". E, na hora de dormir, uma profunda ausência de sentido misturada às tensões do dia-a-dia, que são falsamente aliviadas por Lexotans, dos quais um "winner" nunca admitirá fazer uso. Para arrematar, um tremendo desprezo pelos seus antípodas, os "losers", já que o "winner" só aprendeu a dividir a vida humana em duas categorias.

Mas quem é o "loser" nessa história, afinal? Acho que fomos acometidos por uma síndrome de inversão de valores.

Vou chamar aqui um "loser"(?), que pode ilustrar, com muito mais propriedade, o que tento dizer. Um visionário:

Álvaro de Campos - POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.




::: by meraluz at 11:49 AM - post nº



Quarta-feira, Setembro 10, 2003 :::

Voltava para casa de carro pela orla, ao final da tarde, sem parar de repetir: "Como esta cidade é bonita!" A voz de Billie Holiday ao fundo e a paisagem imoralmente deslumbrante do Elevado do Joá acentuavam um pouco mais a temporária solidão em trânsito. Não era uma solidão incômoda, havia prazer audiovisual e poucas vezes me senti tão perto de mim. Era um tipo de solidão que parece já ter nascido com a gente e contra a qual é inútil lutar. Aquela conformada certeza de coisas que permanecerão indivisíveis e por dizer, independente de parcerias ou multidões. Durante todo o percurso - da Barra até Copacabana - exclamei vinte vezes: "Como esta cidade é bonita!" E vinte vezes desejei que um dia alguém pudesse entender o que há por trás das frases aparentemente banais que pronuncio.

Ah, como esta cidade é bonita!



::: by meraluz at 10:50 PM - post nº



Gostei do CD da Maria Rita, gostei mesmo. Tá no sangue, né? A nova geração musical deveria se inspirar nela, de modo a não arriscar o futuro da MPB.

::: by meraluz at 9:56 AM - post nº



Segunda-feira, Setembro 08, 2003 :::

Auto-sugestão
Compreendi que não tenho lógicas, compatibilidades, conveniências, congruências, previsibilidades, horários, modas, modelos ou razoabilidades. Não sigo à risca receitas médicas ou culinárias, nem regras de jogo. Apenas vou vivendo, sem observância de muitos padrões. Para mim, tudo é possível, desde que haja uma vontade possível. Se, nas experiências fracassadas, consegui obter um dia sequer de prazer ou felicidade, valeu o preço pago pelos dias de erro. Se, nas experiências bem sucedidas, a história deteriorou e se transformou em fracasso, foi porque assim tinha de ser. O que a vida não perdoa é o medo. Do medo eu tenho medo. O medo é um suicídio silencioso e lento que nos exclui do nosso próprio destino, que é consumir a vida até o fim.

E, mudando de assunto, porque preciso mudar alguma coisa...

Sugestão

Agradeço ao pela sugestão do meu humilde barraco aqui. Valeu! ;)

::: by meraluz at 4:17 PM - post nº



Sábado, Setembro 06, 2003 :::

Hoje vou fazer uma festa para os olhos e, mais particularmente, para o olhar. Meus olhos andam tristes, cansados de ver cenários áridos, imagens vazias, paisagens repetidas, sem alma, sem a força de uma identidade. Reuni neste applet alguns de meus gênios preferidos nas Artes Plásticas, onde o dono da festa será sempre Mr. Van Gogh, aquele do Sol Amarelo, cujas pinturas parecem pular das telas, tão urgente que era a vida em suas mãos. É isso, quero a vida com toda a sua estética de dor ou prazer. Quero a vida! Parece que poucos andam importando com ela. Deixo aqui, para quem quiser encher os olhos de cor e prazer, uma festa policromática de luz e sentido, rasgados ou ocultos.











::: by meraluz at 3:33 PM - post nº



Sexta-feira, Setembro 05, 2003 :::

"... a vida humana só acontece uma vez e não poderemos jamais verificar qual seria a boa ou má decisão, porque, em todas as situações, só podemos decidir uma vez. Não nos é dada uma segunda, uma terceira ou uma quarta vida para que possamos comparar decisões diferentes." (M.Kundera)

Como a gente sabe se as decisões tomadas ao longo da vida foram as mais acertadas? Resposta: não sabe. Não é prudente decidir no calor da emoção, disto eu bem sei. Na hora de decidir é com a cabeça mesmo. A emoção fica pra depois ou antes da escolha do caminho. Eu, particularmente, costumo usar também um recurso que fica entre um pólo e outro: a intuição. Mas isto é porque confio nela. A intuição seria uma espécie de razão oculta acompanhada de sensibilidade.

::: by meraluz at 10:33 AM - post nº



Quinta-feira, Setembro 04, 2003 :::

Ah, mas eu tô muito besta, viu? Meu eterno e imortal amigo Cesar resolveu me fazer uma surpresa. Dedicou uma página inteirinha a um poema vagabundo meu, no Caderno de Cultura do seu jornal, Tribuna Feirense. Não, não é a vaidade de ter um poeminha publicado numa página inteira de jornal. É a felicidade de merecer tão carinhoso gesto e de tão especial pessoa. Talvez ele me veja maior do que eu sou. Mas não importa. Obrigada, meu amigo da Aldeia. Você às vezes me deixa sem fala :)

O poema ficou um pouco ilegível no scan. Vou transcrevê-lo:

À Minha Espera

Cheguei
E encontrei-me aqui,
À minha espera.

Nada aconteceu lá fora...

Cheguei,
Tropecei nas sombras,
O corpo tombou sobre a alma,
A história caiu no silêncio
De minha geografia.



::: by meraluz at 4:21 PM - post nº



Quarta-feira, Setembro 03, 2003 :::

Enquanto isso, no muro em frente a à Igreja Universal do Reino de Deus...

Esta pérola eu recebi da Cacau.

PS: atendendo a protestos de alguns queridinhos, voltei o link de comentários. Mas um só. Dois é muito. É menos egoísta, de fato.

::: by meraluz at 4:43 PM - post nº



Pessoas Especiais Pessoas

Especial
[Do lat. speciale.]
Adj. 2 g.
1. Relativo a uma espécie; próprio, peculiar, específico, particular.
2. Fora do comum; distinto, excelente.
3. Exclusivo, reservado.
4. Diz-se de adulto ou criança com necessidades especiais (q. v.).
(Dic. Aurélio XXI)

Por alguma especial razão, sou dada a cair de amores por pessoas especiais. Mas qual é o fator determinante para definir um ser como especial? Não há regra geral. Até porque a minha idéia de "especial" pode ser diametralmente oposta à sua e a de tantos outros. Seja qual for o determinante, detecto de imediato os especiais, segundo minha ótica, e sou tomada de profunda ternura e respeito por esses seres tão distanciados do comum. Não que o comum seja um atributo depreciativo. Há comuns adoráveis justamente porque são comuns e sabem disto. Dostoievski, em Crime e Castigo, tentando justificar o desvio de conduta de seu protagonista, afirmava haver duas categorias de homens: os ordinários e os extraordinários. Não havia importância comparativa. Ambos tinham sua função. Os ordinários nasceram para cumprir as leis e reafirmar os valores sociais. Os extraordinários para criar novas leis e desafiar aqueles valores. Mas voltando aos "especiais", que não chegam a ser necessariamente os "extraordinários" dostoevskianos, arriscaria dizer que são aqueles que, de alguma forma, estão em desacordo com algumas regras ou fora do lugar comum e trazem algo de mágico e de muito próprio na forma de sentir. Sou cercada por um bom número deles, para minha felicidade. Há um fenômeno de atração natural. Talvez os encontre porque procuro por eles inconscientemente. Meu carinho exagerado por essas pessoas só pode ter a seguinte explicação: ou é porque eu devo ter me tornado demasiadamente comum, ao ponto de me encantar assim com as oposições, ou é porque também devo ser um deles e identifico meus iguais. Pode ser também por eu já ter sido um deles algum dia e sinta saudades de mim. Não sei bem, e não quero saber. Gosto deles. Pronto. A luz é diferente, a energia é diferente, o percurso do pensamento e do processo criativo é diferente. O sentir é sutil, repleto de filigranas. Abençoadas sejam as criaturas especiais.

O que muito se vê por aí são pessoas criando personagens caricatos, forçando uma barra terrível para serem diferentes e permanecerem em evidência por mais de quinze minutos. Isso é o que não falta. Mas quem tem um pouco de percepção reconhece logo essa gente "style", que força um gênero. Tudo o que não acontece pela natureza é nitidamente percebido pelos mais sensíveis. "Buh!" para essa estereotipagem de falsos revolucionários. Os "fakers" deixam cair a fantasia na primeira circunstância de pressão e acabam se revelando. Mas os verdadeiramente especiais já nascem assim e assim continuam, independente das solicitações da vida. Eles são lindos, sublimes e raros. Cada vez mais raros. Sobretudo num mundo em que até as diferenças andam iguais e globalizadas, em que a ânsia de dizer algo novo já se tornou uma prática decadente e improfícua. E, sendo assim, considero-me feliz por ter alguns amigos especiais. Queria que eles soubessem do quanto me ajudam a fecundar e renovar o meu olhar para vida.

::: by meraluz at 1:03 AM - post nº



Terça-feira, Setembro 02, 2003 :::

Gosto dele, John Mayer. Conhecem?

This will all make perfect sense someday

This will all make perfect sense someday
I'll be a-okay
All my bills have all gone paid
I saved the bad
I broke the bank

This coulda been a slow song
A laundry list of all the wrongs
But at the end of the day
This is my beautiful disaster piece I've made
and it goes in a quote it will never be like this

This will all make perfect sense someday
I'll be A-Okay
This will all make perfect sense someday
There's got to be a reason for the rain

I don't understand the numbers
But my faith is in the math
But the odds are all this pain will even out in the end
And we'll look back and laugh

And to all the hearts I've broken
And the ones that once broke mine
I've got suspicions, all will be forgiven in time
All you gotta do is call them up and say

This will all make perfect sense someday
I'll be A-Okay
This will all make perfect sense someday
There's got to be a reason for the rain

And if it ever gets bad
I mean really bad
I'll move to Nova Scotia
Forget the life I had
I'll be up at 9 each morning
Down by the shore
Collecting things that fell off boats in storms
Well ok so I might never
But it's nice to know the option's there

This will all make perfect sense someday
I'll be A-Okay
This will all make perfect sense somday
There's got to be a reason for the rain
a reason for the rain (x3)

And it doesn't help
That i keep biting my lip in the same place


::: by meraluz at 5:23 PM - post nº