Esta é a última foto do meu Brankinho, já bem doente. Minha ligação com esse gatinho se dava a nível cósmico. Alguma conexão mágica me unia a ele. Ao lado há um outro gato, o amigo de fé. A foto é o espelho da solidariedade. O amigo, convencido de que nada mais poderia fazer para reanimá-lo, limitou-se a ficar horas com a cabeça deitada sobre ele, em comunhão e cumplicidade, como se quisesse aliviar seu sofrimento. Ficaram ali juntinhos e em silêncio por toda uma tarde. Há quem diga que animais são seres inferiores. Mas eu insisto em discordar: são muito mais sábios do nós, reles humanos.
Meu Brankinho foi definhando após a ingestão de um antibiótico, ministrado por causa de tártaro, segundo informou a veterinária. Morreu. Não morreu de tártaro, obviamente, mas por causa dos efeitos violentos do antibiótico num corpinho já debilitado. Foi tão generoso que adiou sua partida, só para não ter que morrer no meu aniversário. Esperou até o dia seguinte.
Mas a morte não é nada. A vida é que é bandida, perversa. Foi a vida que o fez agonizar por mais de 10 horas, brigando à procura de ar, lutando para preservá-la, entre convulsões, dores e espasmos. Por mais de uma vez, levantei para levá-lo ao "sacrifício" e abreviar seu sofrimento. Mas, neste momento, ele emitia algum sinal de vida. Miava e arregalava os olhinhos como se dissesse: "Não! Deixa eu ficar mais um pouco com vocês". Não deveria eu ter lhe dado ouvidos. Abreviar o sofrimento da sua inocência era o mínimo que eu poderia fazer. Teria de sacrificá-lo, sim, já que o estado se agravava.
Há um vazio enorme agora dentro de mim. Não sei quando vou me recuperar deste dia, de ter presenciado tanta aflição e sofrimento. Em vão, tento me consolar, repetindo que ele deve estar em algum bom lugar, passeando nas nuvens, sem a prisão do corpo frágil e pesado, ao mesmo tempo.
Descanse em paz, meu Brankinho. Foram 10 anos de alegria.
Posted by meraluz at fevereiro 15, 2008 06:56 PM