
Melhor é não cairmos na tolice de lutar contra as dores. Essa medição de forças só ocasionaria dores adicionais. Aprendi que o caminho mais curto para se libertar da dor é deixá-la doer em paz, sem tensionar o corpo, sem amaldiçoá-la, sem a ânsia de um estado mais confortável. Dores existem. Tentar negá-las ou eliminá-las é negar a vida. Mas passam. Sempre passam. Vão e voltam ao longo desse acontecimento chamado vida. É a resposta que deve ser dada, por exemplo, a uma ausência, uma perda, uma impossibilidade, um machucado, uma disfunção, uma solidão, um sonho inexequível ou qualquer outra situação contrária ao êxtase ou ao bem-estar físico ou emocional.
Deixemos a dor doer. Estabeleçamos com ela relações de cumplicidade. Tentemos compreender a nós mesmo ao compreendê-la. Ela passa, ela sempre passa. Por si só, sai em busca de soluções e troca de lugar com algum possível prazer, só para nos ajudar. Basta que não lutemos contra ela ou contra seus movimentos em nós.
É conveniente, porém, que não mostremos a cara da dor ao grande público. A dor é íntima, é nossa e de mais ninguém. Não gosta de aparecer, pelo menos para muitos. Se soubermos acolhê-la sem alardes, então, quando ela se for, nos descobrirems mais fortalecidos e teremos aprendido a alçar voos mais vastos.
Posted by meraluz at abril 14, 2009 03:22 PM