Perigo à vista. Levantar todos os muros. Trancar portas e janelas. Apagar todas as luzes, para não provocar suspeitas de que estou em casa. Usar disfarces à luz do sol, todo e qualquer andrajo que seja o oposto de mim. E, se de nada adiantar, se o invasor chegar perto, correr, correr, correr, numa fuga alucinada, sem olhar pra trás. Questão de sobrevivência. É preciso proteger o coração e, sobretudo, a razão. É preciso assegurar o controle da nossa própria existência. É preciso, de todas as maneiras, evitar que roubem de nós a lucidez. Não me iludo. O invasor é belo mas é mau. Quer me estraçalhar, me detonar, me jogar ao chão, pelo simples prazer de, com a ponta de sua espada afiada, tocar meu peito e dizer: "touché!". O invasor é mau e mente. Talvez nem saiba que mente. Mas mente, e com tanta veracidade e beleza, que quase me faz acreditar que ele é todo o Bem. Levantar os muros, trancar as portas, para que eu não escape de mim.
Posted by meraluz at maio 5, 2009 10:00 PM