Fragmento nº 2

E então me peguei errando todas as estratégias em um jogo onde eu era imbatível. Um jogo que passei anos a estudar e estruturar. Um jogo onde meu campo era intransponível e onde eu me saía sempre vencedora, por conhecer bem as regras que eu mesma criei. O jogo de uma vida inteira. Eu, minha melhor adversária e minha melhor parceira. Sempre ganhava de mim.
Se já não mais sei movimentar bem as peças, deve ser porque agora tenho muito a perder, e que provavelmente vou perder, se insistir em jogar. O bom jogador, ao perceber que joga mal, abandona o a partida. E tudo o que lhe sobra é a verdade. A verdade é sempre a melhor das saídas ante o fracasso do jogo. Simples: com a verdade, elimina-se o jogo e a possibilidade de erros. Deixo que reine soberana sobre o lúdico, sem qualquer artifício. Escolho usá-la como xeque-mate, pois, num jogo, quando a emoção interfere na supremacia da razão, é grande o risco de espetáculos decadentes e grotescos, que quase sempre se refletem às massas.
Posted by meraluz at outubro 6, 2004 08:04 PM | TrackBack