dezembro 28, 2004

Pela volta da Aldeia Nua

Criar é necessidade e toda criação pertence ao mundo, tal qual um filho. Este post é um protesto. Protesto, mil vezes protesto! Protesto pelo fim do Aldeia Nua.

Desconheço a razão que levou meu amigo Cesar a tirar seus textos do ar. Mas seja ela qual for, não justifica tão violenta castração. Não justifica deixar os leitores, que, felizes, consumiam o pão e o vinho de suas palavras, a padecerem de sede e fome. Que perversas e tiranas razões seriam essas que impedem o vento de ventar, o sol de brilhar, a chuva de chover e o poeta de criar? Que razões seriam essas que roubam a voz, a poesia, a ficção, a criação e o belo? Que impedem os olhares do mundo de contemplar esse tão sublime olhar sobre o mundo em forma de palavras? Não, eu não entendo. Eu respeito apenas o ir-e-vir natural dos humanos, mas sem o compromisso do entendimento.

Costumava ir até a "Aldeia" para me embrigar de palavras, e era feliz por isso. Fecharam-me as portas, e a "Aldeia" está vazia, devastada. Um deserto semântico. Uma lápide a selar um tesouro de letras enterradas vivas.

Enfim, eu protesto! Eu quero poder voltar à Aldeia e banhar-me em seu rio de palavras densas, poder deixar meus olhos novamente percorrer a relva de metáforas e hipérboles salvadoras, atravessar as cercas imaginárias que mal dividem as terras da ficção e da realidade. Afinal, a palavra é uma das mais belas e libertadoras formas de existência. Para quem lê e, sobretudo, para quem cria.

Pela volta do Aldeia Nua!


Posted by meraluz at dezembro 28, 2004 11:08 AM