março 05, 2005

O tempo, esse implacável...

Uma frase chamou minha atenção num livro que li há algum tempo atrás: "Por que o tempo é tão implacável, roubando-nos as oportunidades, se não somos suficientemente rápidos para agarrá-las?"

O tempo, esse maldito... Sempre roubando a cena. Sempre roubando-nos de nós mesmos. A frase soou como uma pancada e ecoa até hoje em cada um de meus movimentos, mas, principalmente, em cada ausência deles. Há mesmo esse "timing" nas acontecências que deve ser observado. Se nos precipitamos, corremos o risco de errar e assustar. Se demoramos demais, o tempo das realizações pode escapar, esfriando a vida e os desejos. Esse "feeling" para o tempo certo das coisas é um cabo de alta tensão no meio do escuro.

Quantas histórias ficaram perdidas ou deixaram de acontecer? Quantas mágicas não foram quebradas? Quanto se deixou de viver, de dizer, de ser? Tudo por causa dele, do tempo, esse maldito... Mas os humanos não aprendem, sobretudo os emocionalmente afetados. Ou avançam demais, tentando ultrapassar o tempo, ou procrastinam todos os gestos para não errá-los, e aí são ultrapassados por ele.

Por falar nisso, que dia é hoje? Que horas são? Será que já é hora? Será que já passou da hora? É tarde demais? Ainda é cedo?

Ocorreu-me agora um poema antigo que fiz num tempo em que respeitava a poesia e até ousava arriscá-la em folhas soltas de papel. Acho que ele ilustra bem essa idéia do "tempo exato". Terminava da seguinte maneira:

...
Dói desejo meu...
Dói a desejar
A possibilidade do encontro,
Que virá, ou não virá.
- Não importa.
Pois que o tempo do encontro
Chega sempre antes ou depois
Do tempo de desejar.

Posted by meraluz at março 5, 2005 02:01 PM