agosto 16, 2008

Eu sou brasileira, sem tanto orgulho, com muito amor

olympics.jpg

Em tempos olímpicos explode forte nos brasileiros um ufanismo patriótico que pouco se vê no cenário cotidiano, ao longo de todo o ano. E dá-lhe de torcer para todos os atletas que vestem a camisa auriverde! E dá-lhe de corneteiros e torcedores engrossando o coro: Brasil! Tan tan tan! Brasil! Tan tan tan!

Amo o meu país, mas esse ufanismo não existe em mim. Não existe porque nas Olimpíadas da corrupção, da impunidade, do desmatamento, da desigualdade, da alienação política, meu país, com certeza, figura entre os primeiros do ranking. Amo meu país, minha gente alegre, meu céu azul, meu sol aberto. Mas, diante da nossa atual realidade social e política, estou longe de ter orgulho de ser brasileira, e espero estar ainda viva para ver dias e governos melhores.

Por isso - e fiquem à vontade para me criticar -, não me vejo obrigada a venerar necessariamente qualquer atleta, artista ou personalidade brasileira. Por exemplo, não tenho o menor escrúpulo em dizer que torço sempre CONTRA a "seleção Dunga". Além do técnico arrogante, todos sabem que a maior parte dos jogadores tem suas atenções voltadas para o exterior, jogam por dinheiro ou fama, e não estão nem aí para o Brasil. A preocupação no futebol, especificamente, é aparecer no ganancioso mercado futebolístico. Acho que já é razão suficiente para torcer CONTRA. É seleção brasileira? E daí? Não é uma seleção que eu aprecie.

No entanto, ao contrário do futebol, morro de amores pela nossa seleção de vôlei e pelo seu maestro Bernardinho, que consegue implantar um verdadeiro espírito de equipe no time, transformando-o praticamente numa grande família, onde a vaidade e o individualismo não têm vez. Sinto um verdadeiro amor à camisa nesses meninos do vôlei, que têm toda a minha torcida e respeito. Vibro e me emociono a cada vitória, sempre suada.

Também sou BRASIL e não abro quando a questão é Ginástica Olímpica ou Natação. Grandes e esforçados jovens, que lutam e se superam, à ausência de um patrocínio à altura. Que eles cresçam, e cresçam muito! Que garotos bons! Está escrito na cara deles: garotos bons! Viva Cielo, Thiago, Diego, Jade, Daiane e todos os outros!

Mas quem precisa crescer mesmo é o Brasil. Crescer em dignidade, crescer em vontade política, crescer em princípios e valores. Do jeito que está, não há medalha de ouro que seja digna deste país.

Posted by meraluz at agosto 16, 2008 03:16 PM