
De alguma forma a tela acima (Leonid Afremov - 1955 - ) me atrai. Mas não para contemplá-la passivamente. Ela me incita à desconstrução. As cores eu deixo. Descontruo o casal, que anda em linha reta e segue em silêncio. Desconstruo a linha reta. Curvas e movimentos livres no casal. Viro-os de frente e desenho-lhes um riso na face. Descontruo o guarda-chuva e todos os apetrechos de defesa. Introduzo alguma música no ar, que ecoa de algum lugar. E o casal se abraça, molhado de chuva e de tesão. E caminha com passos dançantes, irregulares, para onde não interessa saber. E eles caminham, caminham felizes, deixando no asfalto os rastros policromáticos do amor. Aonde chegarão? Quem poderá saber? Mas, pelo menos, durante o percurso, se amaram como se não houvesse amanhã.
Posted by meraluz at abril 10, 2009 08:48 PM