julho 12, 2009

Todo ser humano é um grande egoísta

Todo ser humano é, em princípio, um grande egoísta. Pode parecer desalentadora esta afirmação, mas ela não é, em absoluto, fruto de uma visão depressiva da vida ou de crises existencias baratas. É fruto de minha observação, de minhas experiências e de experiências que percebo ao redor. Dizer, por exemplo, que certas criaturas são filhos, pais, mães, amigos ou amantes desprendidos e maravilhosos nem sempre me convence, por mais que os fatos os retratem como extremos e desinteressados 'doadores'. Pergunte a muitos desses pais maravilhosos, desses filhos dedicados, ou aos amantes que se entregam de "corpo e alma" a seus parceiros, se eles estão profundamente preocupados com o que acontece fora do âmbito do seu clã e de sua "história de amor", ou o que já fizeram por pessoas que não se inserem em seu contexto umbiguista. A maioria, na prática, pouco fez por um mundo melhor, pode apostar, uma vez que entendem o mundo apenas a partir de seu próprio espaço, repleto de possessivos, cheio de "meus" e "minhas". "Ah!... - alguém irá atalhar - "... mas existem aqueles que realmente se empenham em grandes causas sociais e humanitárias!" Bullshit! Esta é só uma maneira, também egoísta, de preencher a própria vida e o próprio tédio com ideais aparentemente nobres. Ninguém dá por dar, à exceção de certos "santos" malucos, como Madre Tereza de Calcutá ou Gandhi. E quanto àqueles que se orgulham de seus "amores incondicionais", das entregas plenas, das paixões descomunais? Egoísmo, puro egoísmo. Em geral, estão tratando de saciar suas carências no outro. Mais cedo ou mais tarde, se a relação se deteriorar, irão mandar a conta, com uma lista enorme de cobranças, diretas ou indiretas. Não me iludo. Ninguém se doa gratuitamente. O que ocorre é que uns são mais convincentes no papel de 'doador' e outros não.

Por esta razão, não espero muito das pessoas que atravessam o meu caminho. Não que eu as condene por antecipação, não. Um encontro é sempre um acaso feliz. Qualquer laço afetivo, independente das origens e consequências deste afeto, é um incidente - ou acidente - feliz. Só não vivo de ilusões. O ser humano flutua e se desenvolve, basicamente, em torno de sua própria órbita. E aprendi a aceitá-lo assim, respeitando as devidas proporções e se esse egoísmo endêmico não vier a me prejudicar, obviamente, porque, como ser humano, também sou um pouco egoísta, sobretudo no que tange à preservação da minha própria natureza.

Posted by meraluz at julho 12, 2009 12:56 PM