
Enlouqueço quando ouço os acordes dos violões flamencos. É como se uma espanholita se apoderasse da minha alma cigana e viesse me cochichar aos ouvidos sobre paixões e movimentos incandescentes. E minha Carmencita, em sua Andaluzia imaginária, dança, dança, já não sente as pernas, já não sente os passos. O corpo se movimenta em harmonia. Ombros, mãos, braços, cintura, quadris, pés que se multiplicam em catárticos rodopios. A cadência é forte e bem marcada, como artilharias em ação. É guerra e paz. É vermelho. É vertigem. Os ritmos se sucedem e se aceleram. Compasso de 3 tempos: fandangos, sevillanas; 4 tempos: rumba, tientos; 12 tempos: alegrias, soleares, bullerias. A respiração 'caliente', o suor, a exaustão, a explosão, a liberdade. Olé!