agosto 15, 2009

Os iluminados

É fácil identificar um iluminado. São seres transparentes, diáfanos, diferenciados por uma generosidade que lhes é própria e ninguém toma. São o que são, nunca pensam o que devem ser. Tocam o coração da gente, cativam-nos sem que percebamos, e se entregam à vida como ela é e como eles são. Se têm de chorar, choram, e vão fundo em sua dor. Se têm de sorrir, sabem fazê-lo como poucos, e contagiam até o mais depressivo dos mortais. É sorriso de luz. Não há como não gostar dos iluminados. Eles trazem a vida nas mãos, nas palavras, nos movimentos, nos detalhes mais irrelevantes. Não sabem se esconder, não sabem jogar. Importam-se verdadeiramente com o outro, com seus dilemas e suas glórias. São amantes de bichos, da natureza, de romances com final feliz. São ingênuos, sensíveis, generosos. Obviamente, não são perfeitos, porque não há perfeição, em se tratando de material humano. Mas, mesmo em suas imperfeições, se esforçam por crescer e melhorar, sem vergonha de admitir fraquezas. São criaturas de sentimentos sinceros, nobres, que não conhecem a raiva, a vingança, a vilania. Podem ser confundidos com os frágeis, mas não imaginam a força que têm.

Geralmente, nada acontece fácil na vida de um iluminado, sobretudo num mundo marcado pelas aparências, por modelos pré-concebidos de poderes ilusórios, que se pautam na matéria e nas estratégias de vencer a qualquer preço. Para os iluminados, o caminho que leva à felicidade costuma ser mais longo, porém é muito mais intenso. E, se por acaso, encontram a felicidade ou o amor, os encontram de verdade.

Ah, como a vida seria mais benevolente se ela fosse feita apenas de iluminados! Sorte de quem tem a felicidade de conhecer um deles.

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Este post foi inspirado em uma amiga que fiz recentemente. Uma feliz obra do acaso me fez conhecer essa 'iluminada' chamada Luciana - ou LuZciana.

Posted by meraluz at agosto 15, 2009 06:07 PM