
Ah, não!... Eu não quero essas palavras bonitinhas, ensaiadinhas, de final de ano, iguaizinhas às do robô de brinquedo do meu afilhado, com poucas variações e muita impessoalidade. Não quero a obrigação de um sorriso nos lábios para dizer dizer "Feliz Natal! Ho Ho ho!", assim como faz aquele velhinho gordo e decrépito, que, por alguma razão que desconheço, o capitalismo vestiu de vermelho - oh, ironia! E eu, sequelada, que ainda acreditei no impostor até os 12 anos de idade, mesmo desconfiando que havia algo de errado ali: por que o "Bom Velhinho" sempre se esquecia das crianças carentes? Nunca me explicaram... Até porque não tem mesmo explicação o olhar encantado e quase conformado dos pequenos excluídos, diante daqueles brinquedos caríssimos e fascinantes nas vitrines, destinados apenas a uma minoria de menininhos e menininhas de classes mais favorecidas - "Oh, Papai Noel! Que que é isso?" Não posso mudar essa realidade, mas, premida por esse pensamento que me acompanha desde a infância, costumo presentear alguns poucos desses pequenos, a cada final de ano. É isso mesmo que vocês estão pensando! Uma forma de ficar em paz com a minha consciência. Que baixo!... Pois é.
Que digam que esta é uma mensagem blasée, incompatível, subversiva, fora de contexto ou o que for. Mas o fato é que eu não gosto dessas festas de final de ano, eu não gosto de final de ano, eu não gosto de "finais". Nem mesmo de "finais felizes", pela própria condição de ser "final". A sorte é que para cada final existe um começo ou recomeço.
Eu não vim aqui desejar "Boas Festas!" Cada um que faça a sua e, se possível, tenha bons e harmônicos momentos. Vim apenas desejar o que desejo todos os dias, para todos nós, para cada ser humano, para o mundo todo, sem a necessidade de um calendário: a paz, a leveza, a saúde mental e física, a união entre os homens, a expressão da verdade, a consciência de cuidar do nosso lar comum - este lindo planeta azul, que se torna mais cinza a cada dia, assolado pelos efeitos da ganância e do descaso.
Sinto saudade dos que se foram, sinto saudade dos que não se foram mas que, pelas contingências, sumiram da minha "festa", sinto saudade de mim. Por outro lado, espero que as novas gerações façam um bom trabalho. Que nossas crianças sejam amadas e sábias, que façam a vida valer a pena e construam um futuro mais humano, entendendo que as tecnologias de última geração e as facilidades do mundo moderno não substituem o potencial humano, tampouco o mais tenro dos sentimentos.
Que venham novos dias, novos tempos, todos os dias e a todo tempo, e que sejamos, acima de tudo, uma verdade com vontade de acontecer.
Posted by meraluz at dezembro 20, 2009 09:37 AM