Por estar inconformada com o bloqueio que venho sofrendo há anos em relação à poesia, arrisco-me aqui a um primário exercício. Assim, pelo menos, demonstro que estou disposta a reencontrá-la. Se não conseguir, desisto de vez e mando-a pro espaço. Pensando bem, ela não serve pra muita coisa mesmo, a não ser a expressão de um lirismo quase que imbecilizado, principalmente quando rimado e metrificado.
Poema sem poema
Eu queria fazer um poema
Sem regras, sem temas...
Mas como fazê-lo
Se de mim levaram a poesia?
Como fazê-lo
Com a palavra crua e fria?
Por isso, e só por isso, peço:
Devolvam-me a poesia,
O meu olhar de crença,
O sentido dos meus dias,
As veias da existência.
Do contrário,
Como fazer um poema?
Como fazer um poema
Com as mãos vazias?
Sem idas, sem vindas,
Sem voltas, sem revoltas?
Devolvam meus suspiros,
Meus ais, meus trilhos,
Para que eu possa, enfim,
Reencontrar os versos
Que pertencem a mim.