Chega-se a um ponto na vida em que a preocupação em ocultar nossos defeitos desaparece. É quando já não precisamos da aprovação do mundo, é quando estar próximo à verdade torna-se uma situação muito mais confortável do que se apertar entre personagens e figurinos que não são seus. A princípio tentamos até, com muito esforço, aparentar aquilo que esperam de nós. E esperam sempre a perfeição, não nos iludamos. Defeitos e virtudes são componentes de um mesmo núcleo existencial. E oscilam conforme as vicissitudes.
Pra que esconder nossos defeitos com efeitos especiais que terminam logo ali? Perda de tempo. Melhor que conheçam logo nossas avarias e saibam o que esperar de nós. Se não gostam, paciência. Não gostar é um direito de todos. Deixemos as perfeições para o mundo das fantasias e não para este mundo real, inóspito, que de perfeito nada tem.
O melhor que podemos dar ao outro é o diamante bruto da nossa verdade. Sem rodeios, sem maquiagem, sem artifícios. É carne, é osso, suor e lágrimas. É feio, é bonito. É quente, frio, morno. É a vida e as mudanças que opera em nós.
Posted by meraluz at outubro 17, 2010 06:13 PM