maio 15, 2011

A revolta de Arlete, que também é minha

Reproduzo aqui hoje o texto que recebi de uma querida amiga. Um texto que, com certeza, há de tocar o coração e a consciência dos mais sensíveis.

POR UM LADO, no meu trabalho frequentemente encontro textos em que certas empresas se queixam de ter de fazer grandes investimentos para poder se manter em conformidade com os regulamentos, leis e normas ambientais dos governos federal, estaduais e municipais. Esses investimentos diminuem a margem de lucro, dizem elas; aumentam os custos operacionais, choramingam as ditas-cujas. (Tudo bem, então! Deixem isso tudo pra lá e acabem de destruir o planeta; aí não venham se queixar das despesas que terão para transferir suas operações para Marte ou Saturno!)

E, POR OUTRO LADO (vou diminuir o tamanho da fonte para que vocês tenham de se concentrar mais para ler), não me sai da cabeça a frase de um daqueles chefes indígenas americanos mais famosos (puxa, que sacanagem, ele mereceria que eu me lembrasse do nome dele!), que dizia mais ou menos assim: "Pise na terra levemente, pois ela é sagrada." Meu Deus do céu, que diferença de visões! A Terra é sagrada, é mãe, é mãe sagrada. Que porcaria de filhos que nós somos, que tratamos nossa mãe como se fosse um depósito de lixo; e que irmãos de merda que nós somos, que tratamos nossos irmãos animais (e até mesmo humanos) como se fossem seres que não valem nada. E ainda dizemos que somos civilizados e que os índios são selvagens!

Pois venho a público pedir perdão pela parte que me toca nessa falta de consideração pela Mãe Terra e por meus irmãos de 4, duas ou até nenhuma pata.

Perdão pelas latas e embalagens plásticas que deixei de reciclar, pelas pilhas que joguei no lixo em vez de levá-las para descartá-las naquelas caixas que tem em certos estabelecimentos comerciais, pela fumaça de cigarro que joguei na atmosfera durante cerca de 38 anos, e por tantas outras coisas.

Perdão por cada gato ou cachorro que já tive e de quem não cuidei como devia, perdão pelas ocasiões em que fiz ouvidos moucos aos lamentos deles e que fingi que não via a dor em seus olhos. Perdão, por favor, perdão pelas ocasiões em que perdi a paciência com esses seres indefesos e cheguei a bater neles - tenho vontade de morrer quando penso nisso.

Perdão por cada ser humano a quem não dei a atenção que merecia, que não tratei com compreensão e carinho, a quem não tive paciência para escutar, a quem não doei um pouco do meu tempo. Perdão, minhas filhas, perdão pelas vezes em que as negligenciei, em que gritei com vcs, em que as ofendi, em que as agredi fisicamente ou apenas com palavras, que às vezes machucam muito mais do que tapas ou cintadas. Perdão, meus netos, por eu não ser nem de longe a vovó que vcs merecem.

Perdão, Pai do Céu, por eu não ter correspondido ao que o Senhor esperava de mim. Se ainda der tempo, vou tentar melhorar.

E, enquanto isso, apesar do meu peso, vou tratar de pisar de leve na terra.

(por Arlete Dialetachi - professora, tradutora e, sobretudo, minha amiga)

Posted by meraluz at maio 15, 2011 04:14 PM