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agosto 13, 2008 12:49 PM O verdadeiro encontro não se reencontra
Anos se passaram... Pouco se viram, depois do desvio dos caminhos, da divisão das águas. Ele buscaria outras histórias, ela não buscaria mais nada, para não correr o risco de se contaminar. Voltaram a se encontrar um dia, num restaurante qualquer, onde em cada mesa uma história se fazia contar - certamente histórias banais, com início-meio-e-fim, regadas a vinho ou cerveja, muito diferentes da deles. Não estavam ali contando, fazendo ou refazendo uma história. Nem sequer poderiam dizer que aquilo era um reencontro, pois que reencontro é "encontrar de novo", e eles nunca se desencontraram. Havia o terceiro ser, único, atemporal e indissolúvel. Conversavam normalmente como se o tempo não houvesse avançado. Se não estivessem ali, um diante do outro, depois de tantos anos, nada mudaria. Nada mudaria porque moravam um no outro, sem necessidade de presença física, e porque o terceiro ser, resultado da força de uma convergência amorosa interestelar do passado, desconhece tempo e distância. Não que não houvesse prazer nesse encontro. Havia, sim, muito prazer. Mas um prazer que era velho conhecido deles, sem novos acessórios. Sem precisar se enfeitar. E, como acontece nas histórias banais, não sairiam dali da mesa para a cama, independente de desejos. Histórias como essas não se repetem. E tentar repeti-las com o corpo é o mesmo que assinar o atestado de óbito do seu encantamento. Tampouco se despediriam com a nostalgia de quem cultua pretéritos ou com a expectativa de novos encontros. Despediram-se com a certeza de sempre. De que a história que escreveram nesta vida, cada capítulo que inscreveram nas areias, nas árvores, nos mares, nos ares, nas estradas, dentro e fora de todas as paredes, era maior do que eles e tinha vida própria. Estavam condenados à cumplicidade de terem protagonizado um sonho que se legitimou, de terem amado além do que o amor é capaz, coisa que ninguém faz impunemente. Nada de "Até um dia, até talvez, até quem sabe..." Nada de esperas. Nada de exacerbações. Nada de saudades. Não se sente falta daquilo que se tem. Seriam o encontro de sempre, o encontro "do sempre". ::: by meraluz at agosto 13, 2008 12:49 PM agosto 11, 2008 01:23 PM Direções
Não ando em direção ao futuro. Ele que venha ao meu encontro, ora essa! :) O único tempo é viver. ::: by meraluz at agosto 11, 2008 01:23 PM agosto 1, 2008 07:09 PM Desprocessamento
Como deve ser escrever assim sem deixar o pensamento ordenar matematicamente as palavras? É o que tento fazer aqui, embora não seja de todo possível. Mas vale a experiência. Passar rapidamente as palavras para a superfície vazia, sem dar muito tempo ao cérebro para ordenar o pensamento. Cuspir palavras, com ou sem nexo. Fogo. Luz. Água. Mar... Mar... aMar... Gosto de "mar". Com mar se faz MARtírio, MARacujá, MARasmo, MARcar, MARavilha, MARgem, MARginal, mar, mar mar... Eu não quero fazer sentido. Quero perder todos. Quero me desprocessar. Quero me desconstruir e espalhar cacos, pedras, vitrilhos, faíscas, ruínas de mim. Quero me desintegrar, porque o corpo pesa, comprime a alma. Não quero saber das histórias que fiz. Não quero saber porque as histórias que fiz tiveram um fim. E, se tiveram um fim, foram pedaços de histórias. Migalhas para tapar os buracos da existência. Quero aquilo que não tem começo nem fim. A energia suprema, sem forma, sem regras, sem promessas, sem passado ou futuro. Mas por que tudo ainda continua fazendo um estúpido sentido? Um sentido absurdo e sem sentido... Amor - o único sentido. Por onde anda este ilustre personagem de toda grande história?
::: by meraluz at agosto 1, 2008 07:09 PM
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