janeiro 02, 2010

Para Iara

Dia 2 de janeiro, aniversário de Iarinha - minha melhor e maior amiga; a irmã que meu coração escolheu, desde os 7 anos de idade. Décadas se passaram e cá estamos, unidas pelo mesmo afeto de sempre. Este post (fora do meu estilo e um tanto sentimentaloide, eu diria) é pra você, Iaiá.

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Você lembra, Iaiá? Lembra quando brincávamos de miss no corredor do seu prédio? Você me dava as melhores medidas (tornozelo 21, cintura 58, busto 42, etc.), e eu, por ignorância métrica, esculhambava com as suas (tornozelo 15, cintura 75, busto 50, etc.)?

Você lembra, Iaiá? Lembra dos doces da Pastitália, que devorávamos em êxtase? Mil-folhas, bombas de chocolate, palmiers (você adorava palmiers).

Você lembra, Iaiá? Lembra quando eu exibia minhas unhas compridas, no auge dos meus 13 anos, e você, de maldade, passava a tesoura nelas, dizendo que era moda?

Você lembra, Iaiá? Da turma de Lambari, naquela noite estrelada, quando caminhávamos pelo campinho de futebol cantando "A Estrela Dalva" para as estrelas?

Você lembra Iaiá? Lembra daquele dia, num barzinho lá da Barra, em que eu, eufórica, dizia ter visto um disco voador, e você me desmoralizava na frente do povo, falando que eu costumava ver discos voadores toda vez que bebia?

Você lembra, Iaiá? Daquela cena na boate em Lambari, quando distraidamete, ao gesticular com ênfase, entornei um cálice de vinho tinto na bata branquinha e engomada que você ostentava, toda exibida? Pensei que fosse me fuzilar com os olhos. Desde então, você nunca mais sentou de frente pra mim, quando bebíamos, alegando que eu tinha problemas de coordenação motora.

Você lembra, Iaiá? Quando fomos a Teresópolis no seu fusca vermelho pegar um flagra do Edu (meu namorado de 5 anos) com outra? E pegamos - adeus namoro. Lembra que na volta, você desceu a serra ventada, para que ele não nos alcançasse? Foi a única vez que fiz Teresópolis-Rio em 40 mins. E eu nem chorei, né?

Você lembra, Iaiá? Daquela Semana Santa em Arraial do Cabo? Aconteceu de tudo na simpática casinha estilo mediterrâneo que a gente alugou: rato no quarto, campainha disparando na madrugada, um auê só. Estavam conosco aquela porra louca apiranhada da minha amiga Sônia e a sua romântica amiga Jurema. Eu nunca me esqueci da lua na estrada, quando resolvemos esticar a noite em Búzios. Que lua!... No rádio do carro tocava Djavan.

Você lembra, Iaiá? Daquele réveillon em uma cobertura no bairro do Flamengo, casa de uns amigos meus, quando o meu chapéu vermelho voou pelos ares? Você achou que eu ia voar junto, atrás do chapéu, que eu tanto amava, e armou o maior escândalo, a ponto de o pessoal te apelidar de "rolo compressor"?

Você lembra, Iaiá? Quando você foi me buscar às 5 da manhã na Tijuca, porque não tinha táxi e eu tinha brigado com o meu então namorado, o fotógrafo doidão, numa festa? Se fosse hoje, certamente eu teria sido assaltada.

Você lembra, Iaiá? De quando eu estava no auge da crise conjugal com o M., e você entrava lá em casa com o dedo em riste pra cima dele, pagando geral e discutindo com meu ex-marido por mim? (risos) E eu, que não gostava muito do esforço das brigas (muito trabalho), ia pro quarto, e deixava os dois batendo boca?

Você lembra, Iaiá? Das manhãs de domingos em que a gente ia ler o jornal no Restaurante dos Esquilos, na Floresta da Tijuca? Parecia até que D.Pedro ia adentrar o recinto a qualquer momento.

Você lembra, Iaiá? Daquela cena no restaurante Sol & Mar, quando você se desmanchava em elogios ao texto que César tinha publicado no jornal pra mim, dizendo que as "meninas" do seu trabalho chegaram a chorar, e o Hermes, em sua espontaneidade, detonou a autoestima do "trovador", dizendo: "Mas lá só tem ignorante!"?

Você lembra, Iaiá? Dos finais de semana no sítio em Macacu? Você passava mais tempo dormindo com o seu parzinho na época do que outra coisa. Muito sociável mesmo... :)

Você lembra, Iaiá? De como nossas mães eram amigas?

Você lembra, Iaiá? Das praias nos finais de semana em São Conrado, em frente ao único "prédio branco" da orla? Hoje tá tudo diferente. E das batidas de pêssego do Cavaco? E das batidas de coco do Osvaldo?

São tantas as cenas, tantos os cenários, tantas as memórias, tantas as cumplicidades. Quando nos conhecemos, nos castelos encantados da nossa infância, selávamos, sem saber, um pacto que duraria por toda uma vida. Ninguém me conhece melhor que você; ninguém, além de você, conhece meus códigos secretos. A gente se entende pelo olhar, pelo tom de voz e pelo silêncio. Obrigada por ter nascido, por ter se transformado na melhor amiga que alguém pode ter, pelo carinho sincero que nunca morreu. Apesar de hoje você estar geograficamente um pouco mais distante, tudo permanece no lugar. Não há fronteiras nem distâncias que possam afetar uma amizade deste quilate.

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Da sua amiga de sempre.
M.

Posted by meraluz at 08:23 PM