outubro 20, 2004

A esp'rança é um dever do sentimento










Não costumo dar tiros mortais na esperança alheia. Por mais inexequível que uma situação me pareça, por mais que ouça histórias de realizações improváveis, não tenho o direito de apagar a última chama de quem pouco tem ao que se apegar. Não quero deixar ninguém no escuro. O escuro é um lugar feio, onde muitos só sobrevivem a partir de uma última fresta de luz - a esperança -, independentemente de futuras concretizações.

A esperança é o alimento do desesperado, a possibilidade de fortalecimento dos temporariamente frágeis, uma filha que as incertezas devastadoras são levadas a gerar para que a alma não morra.

Assim, quando estou diante algum coração partido, sempre assinalo que a força interior é capaz de modificar cenários e enredos, até mesmo os mais imobilizados. Sempre aceno com as possibilidades apaziguadoras que moram no futuro. E sempre recorro a Pessoa, que diz: "A esp'rança é um dever do sentimento".

Se esta esperança que não matei vai morrer ali adiante, se vai se transformar em realidade, não sabemos. Mas não é o mais importante. O importante é que sua ausência, num momento indevido, torna impossível o sossego da alma. Sem ela, fica impossível caminhar. E é preciso caminhar.

E, quem sabe, ao caminhar, novas e melhores histórias vão tomando o lugar daquelas histórias que não se realizaram; quem sabe, ao caminhar, a esperança cumpra o seu papel transformador e aquilo que parecia impossível possa ser tocado. Quem sabe? O importante é que, de uma forma ou de outra, teremos sido salvos por ela, a esperança, que é um dever do sentimento.

Posted by meraluz at outubro 20, 2004 03:36 PM | TrackBack
Comments

teste

Posted by: marcia at novembro 13, 2004 11:58 AM

A Cacau não erra uma. Indicação perfeita!
;)

Posted by: Cathy at novembro 7, 2004 11:32 PM

Taí uma coisa que a libriana pé no chão da minha irmã, vive fazendo comigo. São baldes e baldes de água fria.
E sabe o que acontece? Ela nem percebe o que faz, pois tenta ajudar, coitada.

Complicado, né, Marcinha?

Eu não consigo também destruir a esperança alheia; geralmente, eu destruo as minhas. :o/

Adorei o jogo de imagens. Ficou lindooooooooo!!!

beijos

Posted by: Cacau at novembro 4, 2004 10:05 PM

Clap, clap, clap.
Não sou muito fã de onomatopéias, mas achei que elas funcionariam aqui.
É bacana voltar aqui depois de algum tempo. Me sinto confortável nas suas palavras; contraditoriamente, me inquieto também. Não com o conteúdo - esse sim é o responsável pelo conforto, talvez por questões de identificação -, mas com algo que talvez eu te diga um dia, quando achar que não serei tão leviano. Mas deixa estar...
Sobre a esperança, prefiro a versão da Caixa de Pandora em que ela estava lá com outros males e, por mais que digam que era um contrasenso, se ela estava com eles, era um deles. Esperar. Isso não existe.
É mais ou menos isso.
Um beijão.

Posted by: minimalist at outubro 25, 2004 04:33 PM

Tenho esperança de ver um livro com todos esses fragmentos!beijinhos

Posted by: Mio at outubro 23, 2004 08:50 AM

Uma Sugestão: visite www.autores.com.br.

Posted by: Erica at outubro 22, 2004 08:42 PM

Agora vi as imagens e li sem pressa. Os fragmentos voltaram a ter esperança. Bom isso, viu? :*

Posted by: Maria Lucia at outubro 21, 2004 03:58 PM

VC escreve bem pra cacete.
Tem de escrever um livro...
Ja dizia meu pai que um homem (ser humano) só estará satisfeito quando escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho...( o filho pode até ser virtual...ai vc tem um monte....rsrsrrsrsr).
Trés fantastique!!!!! (Será que os ensinamentos da Mme Deisy, profa. de Francês, ainda estão na memóroria armazenada? - coisas de neuropsicóloga...rsrsrsrrs)
Como sempre está muito, muito bom!!!!
Vc é d+ (coisas de mãe de aborrecente....afinal temos que assimilar os novos contextos para não estarmos retrógodas à juventude....)
Beijos e PARABÉNS!!!
F C F

Posted by: F C F at outubro 20, 2004 11:18 PM
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