Primeiro, baixamos os olhos e apagamos momentaneamente um sorriso ao constatarmos que há algo fora de lugar. Balançamos a cabeça e prosseguimos em autoconfabulação: "Deve ser impressão, é só um atraso de movimentos!". Estes sintomas costumam ocorrer quando se esperou por algum movimento vital que não aconteceu conforme a ordem natural e a grandeza dos fatos.
Depois, tentamos sinalizar ao outro, de maneira sutil, de que há algo mesmo fora de lugar. O outro insiste em não notar, insiste em não ouvir, e faz uso de todos os escapes possíveis. Durante esta fase aflitiva de emissão de sinais de alerta, acreditamos poder existir ainda alguma chance de se reverter o quadro e de fazer com que tudo retorne ao seu lugar. Basta que o outro responda aos sinais. Mas geralmente não é o que acontece...
Por último, tentamos dizer adeus. Mas quando até este simples vocábulo o interlocutor se recusa a ouvir, resta-nos o adeus imaginário e tácito, definitivo e silencioso dentro de nós. Na verdade, não é necessária a colaboração do outro para dizermos adeus. Querer comunicá-lo é só uma questão de respeito ao que se vivenciou em comum. Mas, se por alguma incompreensível razão, preferem obstruir o olhar, os ouvidos e a alma, a gente diz pra gente mesmo e continua o caminho sabendo que se tentou a coisa certa e que agora tudo está mesmo fora do lugar. Ou, melhor dizendo, o lugar já não existe. E começamos a velha e conhecida viagem para novos (ou velhos) lugares...
Posted by meraluz at agosto 20, 2005 10:54 AM