fevereiro 03, 2010

A história de Maria Vitória

(Assim como na poesia, há tempos eu não faço um conto, uma ficção. Estou mesmo querendo variar de estilo. Se eu conseguir fazer uns três seguidos, talvez eu venha a produzir algo de bom futuramente. Por enquanto, fica este ensaio mesmo. )

A HISTÓRIA DE MARIA VITÓRIA

Agora que passara dos 30, Maria Vitória cismou de querer casar. Queria ter filhos, constituir família, de preferência com um parceiro que fosse homem de bem e lhe pudesse oferecer padrão de vida estável. Queria se casar. Já estava cansada de aventuras, de amores efêmeros, de viver o imprevisível. Com o tempo, sua meta transformou-se em obsessão. Procurava marido em qualquer canto; nas ruas, nas festas, em velórios e casórios. Nas noitadas não, porque homens disponíveis em casas noturnas eram... noturnos. Ou seja, não passavam mesmo de uma noite; uma noite lasciva - regada a champagne ou cerveja, dependendo do nível. Voltou-se ela, portanto, para este fim: casar e levar uma vida certinha. Frequentava cursos e inventava atividades em cujo ambiente pudesse estar aquele que viria a realizar o seu sonho maior. Queria tudo nos moldes tradicionais: casar na igreja, vestida de branco, jogar o buquê, posar para fotos cruzando tacinhas de cristal... Enfim, tudo a que tinha direito.

Porém, apesar de envidar todos os seus esforços nessa busca alucinada, o noivo nunca aparecia. O tempo passava e o máximo que conseguia era uma série de promessas baratas, com posterior saída à francesa. Quando o sujeito desconfiava da real intenção de Maria Vitória, dava logo um jeito de inventar viagens, problemas, doenças ou qualquer outro tipo de pretexto para pular fora do barco que o levaria à 'forca'. Mas Maria Vitória não desistia, queria porque queria casar. Àquela altura já era uma questão de honra. Não iria morrer solteirona. Começou a ficar deprimida, recolhida. Esquivou-se dos amigos, deixou de lado tudo o que a fazia sorrir ou deleitar-se, de alguma forma. Desorientada, entrou para a Igreja Universal do Reino de Deus. Lá certamente haveria de encontrar um marido. E finalmente, em nome de Jesus, encontrou. Aleluia, irmãos! Ezequiel era seu nome, um pequeno comerciante, de pouca cultura, mas trabalhador, honesto e... fanático. (clique aqui para continuar a história de Maria Vitória)

Posted by meraluz at fevereiro 3, 2010 02:08 AM
Comments