Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno
Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...
Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...
Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
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Outro poema:
Oh, yes! - Charles Bukowski
there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.
Presente da Cacau para uma aquariana:
When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!
Olhava fascinado para o novo celular, perdido entre seus 1001 recursos disponíveis. Não deixava de adquirir uma novidade que o mundo maravilhoso da tecnologia avançada lançasse no mercado. Eram tantos os botões e os comandos que não lhe sobrava tempo para se dar conta do quanto havia se tornado só. E, assim, mantinha-se ocupado, lendo os incontáveis manuais de suas parafernálias eletrônicas ou pensando nas próximas que iria ter. Era um verdadeiro pHD em apertar botões e mestre em resolver a vida em poucos segundos. Vida? Que vida, se ela é tudo o que acontece longe dos botões? Com a velocidade meteórica deste admirável mundo novo, não há tempo sequer de sentir que existimos. As máquinas existem bem mais e se multiplicam assustadoramente, ditando as regras do comportamento "ideal". Sentir pra quê? Sentir é muito demorado, não cabe neste admirável mundo novo...
Elas são teimosas. Teimosas de existir. Teimosas de não se deixarem prender às ordenações. E então o desejo insiste, apesar do desaconselhável, do inadequado, imprudente, incoerente, irreverente. E tudo por dentro diz SIM quando o resto é feito de NÃO. Coisa de alma. Alma não conhece limites, diferenças, distâncias, errado ou certo. Alma simplesmente deseja. Não importa se o corpo caminha em direção ao precipício, não importam as contra-indicações, não importa o impossível. Não há como impedi-la de cumprir sua existência. E cumprir sua existência significa apenas sentir. Inapelavelmente sentir, entre todas as discordâncias dialéticas, entre todos os erros do tempo ou do espaço. E, quando a realidade parece querer esmagá-la, ela sonha para se salvar. E se liberta...