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outubro 20, 2004 03:36 PM A esp'rança é um dever do sentimento
Não costumo dar tiros mortais na esperança alheia. Por mais inexequível que uma situação me pareça, por mais que ouça histórias de realizações improváveis, não tenho o direito de apagar a última chama de quem pouco tem ao que se apegar. Não quero deixar ninguém no escuro. O escuro é um lugar feio, onde muitos só sobrevivem a partir de uma última fresta de luz - a esperança -, independentemente de futuras concretizações. A esperança é o alimento do desesperado, a possibilidade de fortalecimento dos temporariamente frágeis, uma filha que as incertezas devastadoras são levadas a gerar para que a alma não morra. Assim, quando estou diante algum coração partido, sempre assinalo que a força interior é capaz de modificar cenários e enredos, até mesmo os mais imobilizados. Sempre aceno com as possibilidades apaziguadoras que moram no futuro. E sempre recorro a Pessoa, que diz: "A esp'rança é um dever do sentimento". Se esta esperança que não matei vai morrer ali adiante, se vai se transformar em realidade, não sabemos. Mas não é o mais importante. O importante é que sua ausência, num momento indevido, torna impossível o sossego da alma. Sem ela, fica impossível caminhar. E é preciso caminhar. E, quem sabe, ao caminhar, novas e melhores histórias vão tomando o lugar daquelas histórias que não se realizaram; quem sabe, ao caminhar, a esperança cumpra o seu papel transformador e aquilo que parecia impossível possa ser tocado. Quem sabe? O importante é que, de uma forma ou de outra, teremos sido salvos por ela, a esperança, que é um dever do sentimento. ::: by meraluz at outubro 20, 2004 03:36 PM outubro 15, 2004 03:13 PM Grande angular, pontos de vista e greves.
Lembro que, quando fotografava, não era muito adepta à lente "grande angular". Sempre dava preferência às tele-objetivas que aproximavam e evidenciavam um alvo singular do meu interesse, desprezando todo o cenário à sua volta. O panorama geral e completo ficava esquecido e meu olhar enquadrava no visor apenas o que me interessava. E o objeto-alvo adquiria uma evidência, uma ênfase irreal em relação a mil outros objetos que compunham um determinado contexto. Hoje, pensei na importância da "grande angular", tão democrática e tão isenta. Por que pensei nesta lente tão distanciadora? Por causa da greve dos bancários. Não, não estranhem. Explico. Meu primeiro emprego foi no Banco do Brasil, do qual ousei me demitir. E, por algumas vezes, participei de greves e piquetes, talvez mais por uma questão ideológica do que pelas reivindicações em si. Pacientemente, diante das portas fechadas, tentava convencer os clientes das injustiças sociais e abusivas sofridas pelo trabalhador. Tele-objetiva nos meus problemas. Uns compreendiam, outros esbravejavam. Tele-objetiva nos problemas deles. Hoje, passados alguns anos, surpreendi-me esbravejando contra os grevistas. Estava do lado oposto e tudo o que conseguia ver era que esta greve me infernizava (e continua a infernizar) a vida. Não queria saber das razões daqueles que atrapalhavam todo o meu cotidiano. Tele-objetiva nos meus problemas. Parei e pensei. Hora de usar a "grande angular" e enquadrar a cena dentro de um contexto mais amplo e geral. A greve tem sido um estorvo para mim e para toda a sociedade. Mas, por outro lado, surge a questão: é justo deixar que o (des)Governo imponha tanto ônus à classe trabalhadora, quando banqueiros enchem a burra de dinheiro? Por que o (des)Governo deve favorecer apenas aos donos do capital? (Acho que todos sabemos a resposta, mas não cabe discuti-la aqui). Aplaquei minha impaciência e passei a focar pontos maiores do que as minhas pequenas causas. E concluí: é preciso reagir sim. Porém, de forma sensata, sem atrair a antipatia popular e garantindo os serviços essenciais. A greve bem conduzida é a melhor e mais digna forma de luta dos trabalhadores. Mas deve-se tomar cuidado com suas conseqüências para a sociedade. Afinal, não há só bancários (ou outra categoria qualquer) no mundo. Muito cuidado nessa hora. Usemos a grande angular, pensemos além de nossos pequenos mundos e causas, e prejudiquemos o mínimo possível, quando não houver outro jeito. Grande angular para considerar os problemas de todos. ::: by meraluz at outubro 15, 2004 03:13 PM outubro 14, 2004 01:45 PM Bush x Kerry
Já votaram?
Está é uma eleição que afeta o mundo inteiro. E o mundo inteiro está votando aqui: ::: by meraluz at outubro 14, 2004 01:45 PM outubro 11, 2004 07:04 PM
Ah, Fernando Sabino... ------------------
De tudo ficaram três coisas ...A certeza de que é preciso continuar; ...E a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar... Façamos da interrupção um caminho novo, Da queda um passo de dança, Do medo uma escada, E da procura... Um encontro. (Fernando Sabino) ::: by meraluz at outubro 11, 2004 07:04 PM
![]() Bem... Sobre envolvimentos virtuais, o roteiro podia ser simples assim: - eles têm mais vontade (vida/Eros) do que medo (morte/Tanathus) de se encontrar. - eles compartilham o assunto, porque são bons parceiros, nas festas ou nos dilemas. - eles ainda não podem pensar em futuro, mas nada impede que isto aconteça (no futuro, é claro). Lugar de futuro é no próprio futuro. - não há compromissos, portanto, não há cobranças, só desejos a serem legitimados. - ele(a) mostra que gostaria que ela(ele) fosse. Não a/o "ajuda a decidir", mas dá reforço aos seus movimentos, já que encontro é coisa de dois, no mínimo. - ele(a) vai. Eles se encontram. E isso é apenas o começo. Daí sim, pode haver ou não desdobramentos: 1) eles podem descobrir que se querem por mais de um encontro, e aí implicaria um novo processo, com outros encontros até o movimento final, que seria: "se somos tão importantes um para o outro, vamos arrumar um jeito de eliminar a distância (trabalhoso, claro, óbvio, mas o GOSTAR é determinante e traça seu proprio caminho; teria a ver com o tamanho do GOSTAR)." 2) eles podem descobrir que tudo não passou de uma simples amizade, sem maiores consequências. E aí vai ser apenas um encontro a mais, agradável, só que sem grandes desdobramentos para suas biografias. Mas um encontro é sempre um encontro e não devemos subestimar seu valor. 3) ser ruim? não é bom contar com esta possibilidade para decidir, ela deve ser impossível em termos de planejamento. Nada seria ruim além do silêncio, que e' o Nada. - conclusão: este seria apenas o primeiro movimento de uma sinfonia que pode permanecer inacabada ou não. De uma ou de outra forma, sua beleza não ficaria comprometida. Logo: terá valido a pena. *** Mas não é nada simples assim... ::: by meraluz at outubro 11, 2004 05:00 PM outubro 7, 2004 01:02 AM Bico calado, muito cuidado...
Muito revoltada, tomei conhecimento, no Pensar Enlouquece (Inagaki), de um fato inqualificável na Internet. Simplesmente tiraram o blog Imprensa Marron (Gravataí Merengue) do ar por causa de um comentário que desagradou algum "poderoso". Não há nada mais absurdo do que calar uma voz. Mas tirar um site do ar por causa de um comentário que nem sequer pertence ao autor é piada. Este é um paiszinho de merda, com um povinho de merda e uma elitezinha mais merda ainda. Esta coisa de calar uma voz na força é primitiva. Uma vez me ameaçaram com um processo porque questionei simplesmente uma matéria da VEJA. Tive que retirar meu post do ar, sem sequer ter sido ofensiva. Eu não entendo não, não entendo não... Não se pode entender quando há ausência de liberdade de expressão. ::: by meraluz at outubro 7, 2004 01:02 AM outubro 6, 2004 08:04 PM Sessão "Fragmentos de Velhas Cartas que não Mandei (ou mandei)"
Fragmento nº 2
E então me peguei errando todas as estratégias em um jogo onde eu era imbatível. Um jogo que passei anos a estudar e estruturar. Um jogo onde meu campo era intransponível e onde eu me saía sempre vencedora, por conhecer bem as regras que eu mesma criei. O jogo de uma vida inteira. Eu, minha melhor adversária e minha melhor parceira. Sempre ganhava de mim. Se já não mais sei movimentar bem as peças, deve ser porque agora tenho muito a perder, e que provavelmente vou perder, se insistir em jogar. O bom jogador, ao perceber que joga mal, abandona o a partida. E tudo o que lhe sobra é a verdade. A verdade é sempre a melhor das saídas ante o fracasso do jogo. Simples: com a verdade, elimina-se o jogo e a possibilidade de erros. Deixo que reine soberana sobre o lúdico, sem qualquer artifício. Escolho usá-la como xeque-mate, pois, num jogo, quando a emoção interfere na supremacia da razão, é grande o risco de espetáculos decadentes e grotescos, que quase sempre se refletem às massas. ::: by meraluz at outubro 6, 2004 08:04 PM outubro 5, 2004 08:19 PM Sessão "Fragmentos de velhas cartas que não mandei (ou mandei)"
Fragmento 1 : Telepathos Fomos adoravelmente superficiais, talentosos maquiadores das profundezas. ::: by meraluz at outubro 5, 2004 08:19 PM outubro 2, 2004 08:49 PM A pergunta que não quer calar
Se o voto é a expressão máxima da democracia, por que diabos ele é obrigatório? Entendo não... ::: by meraluz at outubro 2, 2004 08:49 PM
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