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novembro 30, 2004 01:55 AM Rádio Meraluz - De todas as maneiras
Chico Buarque De todas as maneiras De todas as maneiras que há de amar ::: by meraluz at novembro 30, 2004 01:55 AM novembro 27, 2004 02:07 PM Poemas no asfalto
Não resisti quando, no meio do caminho, vi este tão singelo paradoxo iconográfico ao olhar para o chão. É preciso arrancar poema do asfalto, é preciso renascer dos excrementos urbanos. É preciso, ainda, manter o olhar suave como uma folha amarela de amendoeira, que cai sem sequer perceber.
::: by meraluz at novembro 27, 2004 02:07 PM novembro 14, 2004 05:18 PM Os "apaixonados", esses chatos...
Que me perdoem os arautos das paixões, mas devo confessar que todo apaixonado é um grandissíssimo chato, quando fora do contexto "Eu e Você; Você e Eu". Já devo ter sido irremediavelmente chata alguma vez na vida. Obviamente, nesta condição, não podia eu ter a noção do quanto. Peço perdão a todos os que sofreram um dia com a provavel insensatez e mesmice que de mim se apoderaram nos estados de paixão. Como são generosos os amigos... Vamos a um exemplo prático. Minha amiga T. vivencia atualmente o auge de uma avassaladora paixão. Os apaixonados precisam falar. Sempre precisam falar. Abusam do direito de falar. Nada de extraordinário, se o assunto não girasse repetitivamente em torno de um único foco: o objeto da paixão. E, assim, tenho recebido diariamente vários telefonemas ou visitas de T., para me falar única e exclusivamente do seu "amor" (ela pensa que ama, mas eu suponho que todo esse alardeio não passa de uma alegórica paixão, com risco de durar a vida inteira se não transpuser o nível do imaginário e se tornar tangível imediatamente). Expõe a meus ouvidos as 1001 hipóteses para os porvires de sua paixão. Impõe a mim o sacrifício de ouvir até Roberto Carlos, canções dramáticas que se encaixam à situação amorosa em questão. Descreve-me, com minúcias de detalhes, todas as características do objeto amado. Já o conheço intimamente, e ele nem sabe. Mistura imaginário com real. E, no final, quando penso que a conversa vai se concluir, T. a retoma do ponto inicial e repete tudo outra vez. E quando ouso eu insinuar que a coisa está beirando as raias da obstinação, T. simplesmente lança aquele argumento definitivo de folhetim: "- Isto é amor !" E, quando vou tentar mudar o assunto, à primeira associação possível do assunto mudado com o objeto amado, volta tudo à estaca zero. E quando eu, exausta, apelo sutilmente para a sua lucidez, sou acusada de fria, amarga e insensível, como se sofresse eu de alguma doença por ausência de "pathos". Pois é... Não me resta outra escolha a não ser a de ouvir, resignada, os ecos de seus desejos incontidos. Mas como são chatos esses apaixonados... Aqueles que são correspondidos, deveriam viver numa ilha deserta em sistema de antropofagismo mútuo. E os que não são, ou que não estão bem certos de serem, deveriam fazer uso aprofundado de muita meditação transcendental, para permanecerem mais silenciosos. Ah, como são chatos e barulhentos os apaixonados... ::: by meraluz at novembro 14, 2004 05:18 PM
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