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dezembro 28, 2004 11:08 AM Pela volta da Aldeia Nua
Criar é necessidade e toda criação pertence ao mundo, tal qual um filho. Este post é um protesto. Protesto, mil vezes protesto! Protesto pelo fim do Aldeia Nua. Desconheço a razão que levou meu amigo Cesar a tirar seus textos do ar. Mas seja ela qual for, não justifica tão violenta castração. Não justifica deixar os leitores, que, felizes, consumiam o pão e o vinho de suas palavras, a padecerem de sede e fome. Que perversas e tiranas razões seriam essas que impedem o vento de ventar, o sol de brilhar, a chuva de chover e o poeta de criar? Que razões seriam essas que roubam a voz, a poesia, a ficção, a criação e o belo? Que impedem os olhares do mundo de contemplar esse tão sublime olhar sobre o mundo em forma de palavras? Não, eu não entendo. Eu respeito apenas o ir-e-vir natural dos humanos, mas sem o compromisso do entendimento. Costumava ir até a "Aldeia" para me embrigar de palavras, e era feliz por isso. Fecharam-me as portas, e a "Aldeia" está vazia, devastada. Um deserto semântico. Uma lápide a selar um tesouro de letras enterradas vivas. Enfim, eu protesto! Eu quero poder voltar à Aldeia e banhar-me em seu rio de palavras densas, poder deixar meus olhos novamente percorrer a relva de metáforas e hipérboles salvadoras, atravessar as cercas imaginárias que mal dividem as terras da ficção e da realidade. Afinal, a palavra é uma das mais belas e libertadoras formas de existência. Para quem lê e, sobretudo, para quem cria. Pela volta do Aldeia Nua!
::: by meraluz at dezembro 28, 2004 11:08 AM dezembro 26, 2004 07:06 PM :-)
::: by meraluz at dezembro 26, 2004 07:06 PM dezembro 24, 2004 05:16 PM Então é Natal...
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Luz pra você, neste Natal! ::: by meraluz at dezembro 24, 2004 05:16 PM dezembro 6, 2004 08:38 PM Álgebra amorosa
Estava ela às voltas com uma equação irresolvível. Sabia apenas que havia um único elemento não-incógnito: o fato de "não poder ser". É... Esta parte estava bem clara: "não podia ser". Sabia disto desde o começo, sempre soube. Mas o que fazer com os outros tantos x e y que se proliferavam a partir do coração? Com esses incógnitos e perigosos elementos? Como resolver essa torturante equação? Não podia ser, mas era inevitável impedir todo o resto que era antes mesmo do "não poder ser". A cada dia os elementos incógnitos do coração ganhavam vida própria e perpetravam as vísceras e a alma. O que fazer com esses inúteis e soberanos sentimentos? - pensava. Onde colocá-los? Como processá-los? Como legitimá-los? Lugar para eles não havia no mundo. Uma grande loucura. Mas, certamente, haveria de existir alguma matemática possível. Impedir o fato seria um problema menor. É fácil impedir os fatos, na medida em que se cala a voz do desejo ou do amor. O mundo nada perceberia e, portanto, o salvo-conduto ficaria assegurado. Mas o que se faz com toda essa vida ao avesso? Por onde ela deve escapar? Não, não há escape imediato possível. E a compressão de tanta vida, por não caber nos recônditos secretos de um único ser, resulta em dor insuportável. Dor de ter de existir sem poder cumprir a própria existência. Ela já sabe que tudo nela vai doer. Vai doer muito. Mas sabe também que não vai morrer, para seu desassossego. Prepara-se. Caminha para a sua sentença, sem impedir o coração de desenhar seu curso a mão livre e invisível. A única solução possível: Não pode ser. Mas pode ser por algum átimo do tempo. Dias, minutos, segundos que sejam. E, quem sabe, nesse átimo de tempo, não se consiga tocar a eternidade? Então, tendo-se sobrevivido, tudo terá valido a pena. ::: by meraluz at dezembro 6, 2004 08:38 PM
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