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março 12, 2006
Um personagem que me fascina
Precisa-se de mais Quixotes num país onde os ideais adormeceram. Infelizmente os moinhos aqui não são de vento, e sim de lama e corrupção. Porém, a luta pelo resgate da dignidade é compensadora.

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meraluz
at 12:50 AM
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março 09, 2006
Se arrependimento matasse (3)

Final do discurso do deputado CHICO ALENCAR do PSOL (ex-PT, frise-se bem) em sessão extraordinária da Câmara do dia 8 de março que, mais uma vez, absolveu parlamentares envolvidos no mensalão:
"Quero encerrar, Sr. Presidente, lendo um texto que é a voz da sociedade, talvez da opinião pública, tão desprezada por alguns aqui, uma palavra de mulher, de Elisa Lucinda, para que meditemos em tudo o que estamos fazendo:
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro, que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e de seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais...
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, de minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: 'não roubarás', 'devolva o lápis do coleguinha!', 'esse apontador não é seu, meu filho'.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear, mais honesta ainda eu vou ficar, só de sacanagem! Dirão: 'deixa de ser boba, desde Cabral, que aqui todo mundo rouba'. Eu vou dizer: 'não importa, será esse meu carnaval, vou confiar mais e outra vez'. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambau!
Dirão: 'é inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal'. E eu direi: 'não admito, minha esperança é imortal, e eu repito, ouviram?: IMORTAL!' Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final. "
(Da crônica “Só de Sacanagem” – Elisa Lucinda)
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meraluz
at 09:38 AM
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março 08, 2006
Se arrependimento matasse (2)

Pizzaaaaaaaaaaaaaaaaaaa para los idiotas !!!!
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meraluz
at 10:04 PM
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março 07, 2006
"Se arrependimento matasse" (1)
Os arautos da base governista e seu poderoso chefão, em campanha aberta e deslavada, comemoram e bradam aos quatro ventos pesquisa indicando diminuição do índice de desigualdade no país. No entanto, já não são tão enfáticos ao afirmar que a renda média do trabalhador também diminuiu e que o índice de crescimento econômico só superou o do Haiti - que se não é aqui é quase aqui. Ora, se a desigualdade diminuiu, se não há crescimento, se a renda do trabalhador descresce, só posso deduzir que a dimimuição da desigualdade é provavalmente explicada pelo aumento do número de pobres.
E viva o PT ! Tudo pelo "social eleitoreiro"!
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meraluz
at 02:39 PM
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março 04, 2006
Amor não, tirania das emoções
Foi bom me reconciliar com Vera e vê-la refeita, alguns anos depois. Pelo menos, assim me pareceu. Em se tratando de humanos, nunca arrisco palpites definitivos. Cheguei a pensar que Vera nunca mais se libertaria daquele mal, que ela insistia em chamar de "mal de amor". Minha amiga nunca me perdoou por eu ter apontado sua "doença", foi mais cômodo se afastar. Mais cômodo para o seu próprio desespero.
Vera nunca tolerou ouvir de mim que o que ela pensava ser amor não passava de idéia fixa, de uma obsessão, de um desequilíbrio que sua cegueira emocional não lhe permitia perceber. Sei que não nos cabe julgar ou diagnosticar os personagens de nosso afeto, até porque não somos donos da verdade. Mas, exatamente por serem pessoas "afetas ao afeto", acabamos emitindo opiniões na ânsia de vê-las libertas de dores e angústias que maltratam suas vidas.
O fato é que não suportava mais ver minha amiga naquele estado de total autodepreciação. Incomodava-me ver aquele flagelo humano, vítima da tirania de uma paixão insaciável, que dela se apoderou, talvez, como resultado de muitas fragmentações de sua mal resolvida existência, de feridas antigas e mal processadas, sabe-se lá - dentro de cada um há mais mistério do que pensa o outro... Queria vê-la novamente inteira, forte e poderosa. Era o cúmulo do desperdício ver uma mulher tão inteligente e bela insistir na sua total destruição.
Lembro bem de nossa última conversa, sentadas à mesa de um pequeno Café, numa tarde chuvosa:
Vera: - Está me condenando por amar alguém até as últimas consequências?
Eu: - Não, Vera. Principalmente porque isso não é amor, um dia há de entender que não é. Minha experiência diz que o amor é bom, que não é posse, que é sábio e grande o suficiente para deixar o outro partir, quando a relação se quebrou. Minha experiência diz que aqueles que enchem a boca pra falar de amor e agem assim como você vem agindo não passam de seres incapazes de amar a si próprios, o que, por sua vez, leva-os ao egoísmo dos sentidos e retira-lhes a capacidade dar amor a quem quer que seja. Amor pode até doer, mas dói em paz, com uma dor de alívio que tende a passar, e não com dores movidas pelas turbulências de uma psiquê fustigada ou pela animalidade dos desejos primitivos.
Seus olhos me fulminaram de raiva, ela me odiava naquele momento, tenho certeza. Eu dizia tudo aquilo que ela não desejava ouvir.
Vera: - Você fala assim porque não tem coragem de mergulhar de cabeça na vida. Eu sei que ele voltará a me amar, é uma questão de tempo.
Eu: - Vera, minha querida, o que eu quero é você de volta. Será que não vê que sucumbiu no meio dessa "doença"? Por que não desce de seu orgulho e procura uma ajuda terapêutica? Faça isso por seus amigos, se não quiser fazer por si mesma, se dê uma nova chance. Desse jeito, até convivência com seus amigos vai se tornar inviável, e você acabará isolada do mundo. E digo mais: tenho pena desse homem que encarna o objeto do seu desejo. Ele precisa partir e você não deixa. Castiga-o com chantagens emocionais baratas e ameaças de escândalos. Olhe pra você, criatura! Parece até que tem prazer na necessidade mórbida de se sentir rejeitada. Não, Vera. Isso não e'normal, não é digno. As histórias têm seu tempo de duração, não passamos com elas quando elas passam. Temos de continuar. Aceite o fim, amiga. Aceite o fim, para que você recomece, para que, descansada de seu passado, possa criar histórias mais felizes.
Vera: - Belas amigas tenho eu, que só fazem me jogar mais pra baixo ainda. Pára! Pára! Pára! Eu não quero ouvir mais nada! Quer saber? Suma da minha vida, não preciso de amizades assim. O problema é meu e eu resolvo, não preciso de conselhos. Não vou procurar terapeuta nenhum porque não sou louca! Era só o que me faltava... Agora me chama de louca também... Eu não estou louca, tá ouvindo?
Eu: - Calma... Nunca achei que fosse louca, Vera. Só acho que seria bom consultar um psicólogo para se autoconhecer e para usar sua própria energia a seu favor. Está certo, moça. Eu vou sumir, até porque não suporto mais vê-la nesse estado de autoflagelo.
Vera: - E não me procure mais, por favor.
Eu: - Está bem, vou mesmo. Mas... mesmo sob seu protesto, deixo aqui o telefone de um psicólogo amigo meu que pode fazer muito por você, acredito. Se um dia mudar de idéia, procure-o! E não me odeie por isso.
Passaram-se 3 anos. Nunca mais estive com ela. Ao reencontrá-la recentemente, para minha surpresa, deparei-me com uma outra Vera: autoconfiante, mais serena, mais madura, mais bonita. Depois de fazer um breve resumo de sua nova fase e de como se curara daquela "doença" (palavras dela) fatal, desculpou-se pelo injusto comportamento que teve comigo, agradeceu a indicação do terapeuta, que acabou consultando, e apresentou-me seu novo amor. Desta vez tinha cara de amor de verdade, daqueles que dão prazer e crescimento, daqueles de fazer sorrir. Por quanto tempo o sorriso franco de Vera esteve trancado... ! Não pude esconder meu contentamento, apesar de algumas mágoas residuais. Enfim, ela se reconstruíra. Amava e era amada, sem qualquer vestígio das emoções tirânicas.
Ser feliz, por que não? E, se ser feliz não for possível ainda, ser em paz com a nossa própria essência. Já é um grande começo... A saúde do corpo e da alma é sempre uma questão de escolha. E ninguém disse aqui que todas as escolhas são fáceis.
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meraluz
at 02:07 PM
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