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fevereiro 24, 2006
Que governo é esse?
O que esperar de um presidente que promete defender os trabalhadores e, no final, aperta o trabalhador e promove o maior lucro de todos os tempos aos banqueiros?
Mas, ainda assim, é sempre bom quando as máscaras caem. Meu voto não foi de todo em vão. Serviu para desmascarar a corja que se travestia de arautos da moralidade e do social.
Agora anularei meu voto com toda a consciência do mundo. Com a triste consciência de que os ídolos são de barro, de que ninguém está preocupado em melhorar este país doente. É a vaidade, o oportunismo e a vontade de poder que governam. Não há direitas ou esquerdas, a essa altura do campeonato. Não há líderes. Não há vertentes ideológicas. O que há é uma grande desesperança.
Sinto muito por este post, sinto mesmo. Quisera poder dizer que há esperanças. Talvez haja. Se vislumbrarem alguma, me contem. Mas, pelo amor de Deus, não me venham falar de Lula.
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meraluz
at 08:37 PM
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fevereiro 21, 2006
Lágrimas de verão
Quarenta graus ao sol e eu reajo pelos poros, que perspiram como se o suor fossem lágrimas vertidas pelo corpo inteiro, lágrimas de verão... Todos parecem felizes à minha volta, realçados pelo excesso de luz e pelas alegrias carnavalescas. Ando na contramão, distante de tudo o que parece oferecer prazer a esse mundo de gente em férias. Aceno-lhes fingindo ser um deles, para não ter que explicar por que não compartilho dessa felicidade nômade e banal. Seria muito complicado para os dias de verão, uma nota semitonada e perdida em seus allegros. Afinal, eles ficam tão bonitos quando bronzeados e sorridentes, alienados de suas dores.
"Quem me vê assim cantando não sabe nada de mim... "
Melhor assim. Suo discretamente minhas lágrimas de verão.
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meraluz
at 11:25 AM
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fevereiro 17, 2006
I can't get no satisfaction

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meraluz
at 12:21 PM
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fevereiro 15, 2006
Thanx!
Agradeço, de coração, a todos os que, com seu carinho, contribuiram para me dar este feliz aniversário. Aos que compareceram ao "Manoel e Juaquim" e àqueles que se fizeram presentes com mensagens e telefonemas tão gracinhas. Não é lá muito fácil essa coisa de envelhecer, mas vale pelas demonstrações de afeto que a gente recebe. Sem meus amigos não sou muita coisa. Muito obrigada! Eu adoro vocês, de quem tenho muito orgulho de ser amiga.

chope no bar Manoel & Juaquim, 13.02.2006
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meraluz
at 02:22 AM
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fevereiro 13, 2006
Absurdos
"É absurdo acreditar na idéia de que uma pessoa quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse, mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando...
Isso não ocorre com gente, mas com fogão, sapato, geladeira...
Gente não nasce pronta e vai se gastando;
Gente nasce não-pronta e vai se fazendo.
Eu, hoje, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado, não no presente."
Mário Sérgio Cortella
(bah... não convenceu não, mas consola ;)
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meraluz
at 10:01 AM
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fevereiro 06, 2006
Desta vez é sério!

Queria me levar mais a sério. Mas a vida me transformou nessa coisa meio desacreditada, devido aos múltiplos recomeços que levam sempre aos mesmos finais. Ainda que eu exclame mil vezes diante das circustâncias que me mobilizam: "Desta vez é sério!", há uma voz, lá nos recônditos subterrâneos, que ri de mim histrionicamente, como se soubesse da fragilidade dos fatos e que tudo se modifica. Não é que eu deixe de vivenciar as histórias ou de me emocionar com elas. Vivo-as no momento em que acontecem, mas o fato de saber que me renderei a alguns encantos e sobreviverei aos consequentes desencantos produz no olhar a ironia própria de quem já conhece o final dos filmes, a despeito de todos os "Desta vez é sério!".
Ainda assim, espero ter salvação. Porque também sei que uma vida só se justifica quando o detentor dessa vida mergulha fundo nela, de olhos fechados, coração escancarado, sem querer saber onde ela vai dar. Queria me levar mais a sério. Alguma mágica haverá de salvar-me. Acredito em mágicas. Sério! :)
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meraluz
at 02:57 PM
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fevereiro 03, 2006
Retrato de uma geração
Estou triste. Triste sim, mas não por mim. Triste porque, convivendo com jovens e adolescentes que habitam o meu universo e de quem gosto muito, constato que representam uma geração perdida, confusa, sem garra, sem vontade de crescer. Não os culpo, há todo um cenário que conspira contra eles, há um país desgovernado e um mundo globalizado que os divide implacavelmente entre "winners" e "losers", conforme sua maior ou menor capacidade de adaptação às regras de um jogo injusto.
Adoro esses jovenzinhos da minha tribo. São sensíveis, inteligentes, generosos, todos dotados de condições para, no mínimo, se estabelecerem na vida e apostarem num futuro razoável. Mas frustro-me com sua lassidão, seus movimentos escapistas, sua falta de garra para peitar obstáculos, com suas indecisões para escolher um caminho. Frusto-me por querê-los bem resolvidos e capazes na questão "sobrevivência" e "realização pessoal/profissional".
Patrícia (22), após concluir com brilhantismo seu curso de Arquitetura, e adquirir uma grande carga de conhecimento e cultura, diz que quer ser "cabeleireira", dona de "salão" (Ai, meu Deus...). Bia (18), após ser aprovada em 4 vestibulares, sendo 3 deles para universidades do governo, largou a faculdade e olha o futuro com indiferença, não sabe mais o que quer da vida (Que merda...). Lisa (23) leva nas coxas seu curso de Letras (Português/Italiano) e acha que pode ir muito longe sendo tradutora de italiano num país em que mal se fala o português; vejo Lisa mais preocupada em levar a sério os prazeres hedonistas e fugazes, aos quais se entrega com afinco (Lamentável...). Rick (23) terminou mal e porcamente, apenas por pressão ferrenha da mãe, sua faculdade de Direito, mas só fala em ser modelo e ator da Globo (Boa sorte, Rick! Não vou dizer que as chances de que quebre a cara são grandes). Renato (19) tem vocação privilegiada para Informática, programa como gente grande; mas prefere trabalhar sem remuneração adequada, só pelo vício de programar; levar a sério seus estudos, cada vez mais abandonados - a única opção capaz de torná-lo maior e mais independente -, nem pensar (Que pena...).
Há algo de muito errado com essa geração. É bem verdade que são todos de classe média. Por uma questão de justiça, devo dizer que os jovens inseridos nas classes economicamente inferiores são, de fato, mais esforçados e mais preocupados com o futuro, não desistem fácil. Talvez por terem, muito cedo, conhecido as lutas, as privações e, até mesmo, a fome. Que eles sejam felizes em suas ambições, sem precisarem vender a alma ao diabo. Mas e os outros? Esses que estão perto de mim? Devo assistir, com as mãos atadas, sua impotência diante da vida? Não querem estudo, não querem trabalho, não querem nada que implique esforço e maturidade. Não me alivia culpar (des)governos ou panoramas político-sociais. Não me alivia culpar a decadência dos valores fundamentais. Não há justificativa que me alivie diante desta triste realidade.
Eu só queria que eles reagissem e fossem mais fortes... Tão somente porque os amo. Para eles, ainda não caiu a ficha de que o tempo passa. Passa e não perdoa.
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meraluz
at 02:08 PM
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