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dezembro 30, 2005
Feliz 2006!
Meu "tigrão" Guto tem algo a dizer pra vocês: 
Meoooooow!!! Feliz meooow 2006! Na verdade, Guto detestou essa produção toda. Sofri cinco arranhões até conseguir produzir a foto. O felino protestava contra o laço de fita no pescoço e contra os clichês preconcebidos de final de ano. E estava coberto de razão (não sei como alguns mortais suportam o uso diário de uma gravata em país tropical). Mas no final, como um bom menino, ele concordou que alguns sacrifícios podem valer a pena, se pelo menos gerar um sorriso ou uma boa sensação. Guto e eu desejamos a todos um Feliz Ano Novo!
Que venha 2006! Prometo não fazer promessas! Que seja o que tiver de ser. Que a alma não seja pequena e transcenda o tempo e as circunstâncias!
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meraluz
at 01:45 PM
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dezembro 27, 2005
Todos os amores são possíveis
Estava passeando pelo Avesso do Avesso, blog de Cesinha, e deparei-me com uma das mais belas canções de Chico postada lá: Todo Sentimento. Fucei os comentários e percebi que alguns associaram a canção a um amor impossível. Pensei por 1 minuto e 37 segundos sobre isto e cheguei à conclusão que todos os amores são possíveis. São sim. São possíveis de sentir. Amor é coisa de sentir. E, sendo assim, nada há de torná-los inexequíveis, a não ser o próprio sentimento. O que pode se tornar impossível - ou não - é a permanência dos corpos que amam num espaço comum, adaptado a um cotidiano, que, por sua vez, costuma esvaziar todos os grandes romances, com regras de sobrevivência e esforços de repetição. Mas este é um outro departamento, que pode ser igualmente importante ou não.
Assim, sob esta ótica, todos os amores são possíveis. São sim...
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meraluz
at 05:35 PM
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dezembro 26, 2005
2005 - Retrospectiva
Foi só mais um ano, já que os mortais resolveram instituir um calendário. Perdeu-se aqui, ganhou-se ali. Umas decepções a mais, outras a menos. Nada de mais. Nada demais. Nenhuma dor para a qual eu já não estivesse preparada. Sobrevivi e devo continuar. Não olho pro futuro porque ele é incerto. Não olho pro passado porque ele é estático. Olho para o agora, que é onde tudo acontece, que é onde a vida cumpre sua existência, onde as sementes de colheitas futuras são plantadas. And let the music play...
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meraluz
at 03:55 PM
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dezembro 22, 2005
Ho ho ho ! Feliz Natal !
Carta que não enviei a Papai Noel:

Querido Papai Noel,Por muitos anos o senhor, com sua cara bonachona e seu saco de brinquedos, iludiu os sonhos mais férteis da menininha crédula que fui (para minha desgraça, alguma coisa dela ainda vive em mim). Na manhã do dia de Natal, saia às ruas com a boneca ou a bicicleta pedida, da qual achava ter sido merecedora e me intrigava com o fato de, em contato com crianças de poucas posses (ou nenhuma), perceber seus modestos brinquedinhos - quando os tinham. Olhavam para os meus e os de meu irmão como se fossem produtos de um milagre fantástico. Estava eu longe de imaginar que meu presente de Natal era produto do sacrifício de meus pais, simples cidadãos de classe média, que podiam usar o 13.º salário para manter a ilusão que criaram na imaginação dos filhos. Mas mais longe estava de compreender por que aquelas outras crianças mais pobres não haviam ganho o brinquedo de seus sonhos, já que sempre ouvi dizer que o "Bom Velhinho" entrava democraticamente pelas chaminés de todos, sem distinção, até porque fazer distinção entre crianças soa como algo por demais perverso.
Pois é, Papai Noel. Vim a saber mais tarde que o senhor não foi de todo uma mentira. Tratava-se de São Nicolau, um jovem que, no século III, resolveu sair doando todos os seus bens, após a morte dos pais, e posteriormente se tornara bispo. Uma alma nobre. Mas nada a ver com Natal ou com chaminés. A partir daí, criaram uma lenda bonitinha, adaptando-a às festas natalinas. E, a partir de 1931, pra finalizar, com vistas a atender às demandas do capitalismo selvagem, cujas práticas religiosas se resumem exclusivamente ao lucro, a Coca-Cola, com a força da propaganda e do marketing ("jingle" bells, "jingle" bells), transformou o senhor num grande filho da puta, mudando suas roupas, sua imagem e suas intenções. O "American Dream", que se estendeu por todo o Ocidente, transformou o senhor no mais fiel representante das desigualdades sociais, ao longo dos outdoors - ho ho ho!
Assim, o que salta aos olhos dos que querem ver é que essa ilusão natalina de "Papai Noel" significa, ao mesmo tempo, alegria e excitação para uma minoria e frustração e dor para a grande parte de nossas crianças e suas famílias.
Pois é, Papai Noel... Acreditei no senhor, como uma menina anacrônica e patética, até meus 12 anos de idade. Briguei na rua com os amiguinhos que tentavam destruir seu mito. Tentava inutilmente convencer aqueles mais carentes que, no ano seguinte, o senhor haveria de recopensá-los em dobro, que o trenó tinha quebrado ou qualquer coisa assim, com uma certa expressão de culpa pelo privilégio obtido. Que mico me fez passar, hein Papai Noel? Mas não tem nada não. Ainda restou-me um pouquinho de credulidade, não nessa lenda safada, nem muito menos na sociedade vil, mas nos raros homens de bem que ainda existem por aí e nas transformações.
Papai Noel, sai dessa de trabalhar em nome dos interesses da Coca-Cola e de outras corporações do gênero e volte para as páginas dos livros de história, de onde nunca deveria ter saído. Eu sei que, no fundo, você é um bom velhinho.
Ah... Antes que eu me esqueça...
FELIZ NATAL!
Meraluz
--------------------------------------- Desejo a todos um Natal de fraternidade e paz, um Natal mais humano! Mas sem pieguismos ou apelações de conveniência.
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meraluz
at 12:09 PM
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dezembro 20, 2005
100 direções e "dead-ends"
E agora?

Direita? Esquerda? Em frente? Retorno? Há situações em que se precisa de uma escolha. Na verdade, escolhas sempre são feitas, ainda que à revelia, já que não escolher é também uma escolha: escolhe-se ser paralisado pela ausência de caminhos ou ser levado pelo vento dos acasos. Nem sempre sabemos o que fazer com as direções, mas sabemos quando alguma delas pode nos levar a becos sem saída, aos "dead-ends". E aí... Aí nada... Olha-se para o céu e voa-se até a altura possível, na contramão do mundo. E tenta-se ser feliz nesse átimo de tempo, até a hora inevitável da escolha: direita, esquerda, volver! (vou ver?). Marchons, marchons! Como obedientes soldados de um mundo aparentemente ordenadinho pelas relações mornas de causa/efeito. 
É que certas estradas, mesmo que sigam na direção errada, são tão bonitas e densas que só a experiência de pass(e)ar por elas já vale a viagem. É que certas estradas são tão plenas que conseguem reunir a um só tempo: todas as direções, um beco sem saída e uma paisagem multicor jamais contemplada em outras rotas. E não terá sido em vão percorrê-las se, ao final delas, chegarmos maiores, melhores e mais humanos, influenciados pela poesia do retrovisor.
Além do mais, saídas sempre hão de existir... 
Who knows where the road will lead us? Only a fool may say...
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meraluz
at 04:29 PM
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dezembro 15, 2005
Hoje, excepcionalmente cartártica e intimista...
Mas não é que ouvi algo de "um certo alguém" que não me saiu da cabeça? Difícil alguma coisa me bolar assim, mas é que o comentário em questão desencadeou uma série de pensamentos que eu não queria pensar, porque ando afastada das abstrações existencialistas. A frase propulsora foi algo como: "Assim você se arrisca a ficar sem história nenhuma..." - Ô, frasezinha miserável essa, hein?...
Ah, sim, o contexto: não entendi bem, mas acho que o contexto remetia a alguma coisa do tipo "quem tem muitas histórias não tem nenhuma". E eu tive algumas histórias. Não muitas, porque foram longas e profusas. Mas algumas. Na medida exata das minhas demandas interiores.
Arriscar-me a ficar sem histórias já não é possível, porque minhas histórias já foram contadas e eu sou um mero resultado delas, o que já é uma outra história. Mas o comentário bateu mal porque eu tive que me repensar toda só pra poder afirmar com certeza, pra mim mesma, que não me banalizei ao longo da vida. Morro de medo de ser confundida com um ser volúvel. Não gosto dos volúveis, e isso é válido até para Vinícius de Moraes, com toda a licença poética que ele esbanja.
Parêntesis: Vinícius que me perdoe, mas a tradução de todo o seu fascinante lirismo se resume a uma puta infantilidade dos sentidos, que se cansam facilmente quando acaba a festa. Poetinha, tenho profundo respeito pela sua magnífica obra, mas que você é um pobre diabo insatisfeito, ah isso é. E seus êxtases semânticos nunca me convenceram!
Mas, voltando à origem deste texto, ou à vaca fria, que é um termo esdrúxulo...
Nunca desejei o fim de minhas histórias, dos meus romances, dos meus projetos, das minhas causas ou sei lá que nome isso deva ter - nomear é sempre um perigo. Morri um pouco ao fim de cada uma delas. Mas, por outro lado, tudo fiz para torná-las grandes e boas de contar, me aprendi e aprendi um pouco mais do mundo ao vivê-las. Já vivi histórias maiores do que o meu próprio ser. E tudo fiz para preservá-las. Se elas se findaram, foi porque assim tinha de ser. Foi porque não tive a felicidade de encontrar o objeto exato das minhas buscas, a criatura que coubesse exatamente dentro da minha vida, do meu amor ou da minha idéia de amor. Não encontrei, paciência... Se vou encontrar? Pode ser, já que sou uma criatura viva num mundo de tantas possibilidades. Mas não tenho idéia fixa. Errado seria viver qualquer coisa, viver por viver, me perder de mim. E de mim não me perdi não...
O grande espetáculo que esperava viver não aconteceu, pelo menos até aqui. Todos os episódios anteriores, e dos quais não retiro a importância, não passaram de "quases" que acabei confundindo com a grande história definitiva, com a "história sem fim", e que, por terem sido "quases", sucumbiram. Não sei se essa "história sem fim" existe mesmo. Queria muito que existisse, mesmo sem poder vivenciá-la nesta minha passagem pelo planeta. Mas não importa... Importa é que, ao final de tudo, o saldo que fica é o seguinte:
Minha história sou eu, que não me perdi nas variações do meu tema central. Percorri escalas semitonadas mas sempre soube retornar ao meu acorde inicial. Não foi fácil compreender que portos seguros não existem, a não ser dentro de nós mesmos. Algumas pessoas precisam dessa ilusão, não sou eu que vou estragar sua festa. Mas a vida, definitivamente, não é um porto seguro, pois o tempo não pára, ainda que paralisem todos.
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meraluz
at 02:09 AM
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dezembro 13, 2005
Os Diferentes
Na falta de algo melhor para deixar aqui, já que o tempo e o eixo paradigmático das palavras andam escassos neste momento, transcrevo uma crônica que gostaria de ter escrito, não pelo valor literário mas pelo seu objeto.
 Os Diferentes - Artur da Tavola
Diferente não é quem pretenda ser. Este é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados. Para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Suponho encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias adiadas; esperanças mortas. UM diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes, muito inteligentes percebem por que os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente agüenta no lombo a ira do irremediavelmente igual; a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão mas que sempre está certo.
O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão ( principalmente os mais grossos ), se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura .O o que é percepção aguçada em " – puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em: " – Você não está vendo como todo mundo faz ? "
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações nos quais acaba transformando-se. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram ( e se transformam) nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começaram a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.
Diferente é que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.
Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela Harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol porque gosta mais de jogar que de ganhar.
Diferente é o que aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolosa de que a média é má porque igual. Os diferentes aí estão : enfermos; paralíticos; machucados; engordados; magros demais; bonitos demais; inteligentes em excesso; bons demais para aquele cargo; excepcionais; narigudos; barrigudos; joelhudos; de pé grande; feios; de roupas erradas; cheios de espinhas; de mumunha; de malícia e de baba. Os diferentes aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser , conseguindo ser , sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.
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meraluz
at 10:26 AM
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dezembro 03, 2005
Palavras
Ah, se eu pudesse ser irresponsável com as palavras, desferi-las ao vento, a quem bem entendesse e a qualquer momento... Deixá-las à vontade, despidas de qualquer pudor, libertas de qualquer nexo ou coerência, mantidas à maxima distância possível da instância cerebral, que é onde o "bom comportamento" se processa. Mas não... Tenho que enchê-las de razão e de cuidados, porque sei de seus poderes; sei que, uma vez proferidas, não mais voltarão à minha boca. A palavra imprudente pode criar um caos - em quem a emite ou em quem a recebe. Pior, pode criar paraísos inexistentes, impérios que terminam logo ali, sensações que fogem ao controle e erros, muitos erros em sua tradução aos sentimentos.
Tudo se faz com palavras, e tudo se desfaz com elas. Banalizá-las ou silenciá-las, eis a saída. Banalizar é medíocre, mas inócuo, porque usamos muitos verbos para dizer nada. Silenciar pode ser mais grave, porque há silêncios que são capazes de dizer tudo sem verbo nenhum. Porém, banalizar e silenciar têm em comum a proteção do verbo maior: sentir. E é isso que me impede de ser irresponsável com as palavras: a preservação do sentir - do meu próprio e do meu interlocutor (ou leitor ;).
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Uma Palavra (Chico Buarque)
Palavra prima
Uma palavra só, a crua palavra
Que quer dizer
Tudo
Anterior ao entendimento, palavra
Palavra viva
Palavra com temperatura, palavra
Que se produz
Muda
Feita de lua mais que de vento, palavra
Palavra dócil
Palavra d'agua pra qualquer moldura
Que se acomoda em baldo, em verso, em mágoa
Qualquer feição de se manter palavra
Palavra minha
Matéria, minha criatura, palavra
Que me conduz
Mudo
E que me escreve desatento, palavra
Talvez à noite
Quase-palavra que um de nós murmura
Que ela mistura as letras que eu invento
Outras pronúncias do prazer, palavra
Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra
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meraluz
at 01:18 AM
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dezembro 01, 2005
Timidez, o cacete! Isso é medo à rejeição!
Meu amigo H. me diz que é tímido com mulheres, ao que eu respondo, sem perder a oportunidade de lançar-lhe uma risadinha sarcástica: "Timidez o cacete! Você tem é pavor à rejeição. Seu orgulho de macho só lhe permite atirar no certo. Daí chama de timidez à iniciativa que não teve coragem de tomar, por não suportar a possibilidade de um NÃO".
Pela sua expressão, minha resposta não agradou muito, óbvio. Mas H. não contestou. Parou, pensou e admitiu que eu poderia ter "alguma" razão (imagine se iria me dar total razão?). Diante do seu semblante desconcertado, pensei comigo: "Na mosca!".
Há quem confunda timidez com esse tal pavor à rejeição. O tímido não tem que ter necessariamente fobia à rejeição e vice-versa. Muitos fatores podem compor o perfil de um tímido, inclusive a própria natureza. No caso de H., sei que não é timidez porque já o conheço de velhos carnavais. Ninguém gosta da rejeição porque ninguém é masoquista, é um fato. Mas o baixo grau de resistência que se tem a ela pode tornar a vida muito complicada, uma vez que deixamos de arriscar determinados movimentos que podem resultar num final feliz - ou mesmo num momento feliz, o que já terá valido a pena. Acomodamo-nos na situação de espera, na dependência do movimento do outro, que pode acontecer ou não. E se o outro for um igual? Quanto se terá perdido?
Penso que vencer a timidez é mais difícil que vencer o medo à rejeição. Pois, nesta última situação, é apenas uma palavrinha que precisa ser trabalhada: "não". Se a vida é feita de tantos "nãos", viver como se eles não existissem é viver de forma irreal e é também se negar às felizes possibilidades do "sim".
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meraluz
at 08:11 PM
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