A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
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Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.



Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


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outubro 27, 2006

Traição 

Você chegou acenando com a esperança, apesar da minha insistência em manter-me descrente, só para não ter de assitir, mais uma vez, às ruinas dos sonhos. Mas você falava de forma tão convincente sobre coisas tão bonitas, que eu não resisti. Acreditei. Acreditei em suas palavras de amor e achei que, juntos, iríamos transformar o mundo. Com metade do mundo briguei para permanecer a seu lado, alguns olhavam para você com desconfiança e ironia. Mas, cega e hipnotizada por seus verbos tão quentes, eu insisti em acreditar. Foi um ato supremo de comunhão e de fé aquela nossa união.

Quando o grande momento chegou, eu, totalmente entregue, vibrei, chorei e me emocionei. Deflagrei todas as bandeiras da minha alegria. Foi lindo. Enfim, estávamos juntos e fortalecidos. Começaríamos a transformar o mundo. As agruras que trilhamos por caminhos tão árduos, todas as lutas, seriam enfim recompensadas. Mas, ao contrário do que eu esperava, o mundo não foi transformado. Você, sim, foi o grande transformado, o grande deformado. Estava irreconhecível, seduzido pelas maquiavélicas armadilhas do poder e com a alma vendida ao diabo, tal qual o pacto de Fausto com Mefisto. Seu olhar era outro, de um brilho suspeito e aterrador. E eu me vi só, traída por suas novas e espúrias alianças, que lhe impunham uma outra personalidade e a frieza de quem troca ideais por estratégias vazias de poder pelo poder.

Seus discursos e atos tornaram-se suspeitos, artificiais, impregnados de uma retórica perversa. Traiu-me descaradamente, acintosamente. Enterrou para sempre os meus sonhos. E agora anda por aí a iludir outra leva de ingênuos corações. O que posso sentir por você hoje? Desprezo é muito pouco, é sentimento silencioso demais. Eu quero sentir mesmo os estertores da revolta e da indignação de quem foi traída nas mais puras intenções. Eu quero ver, um dia, a sua derrocada, que talvez não aconteça neste momento, porque ainda há muitos crédulos das torpes promessas que não irá cumprir. Vai apenas mascarar as escusas intenções com pequenos afagos aos carentes de afeto, aos carentes de tudo, para mantê-los aprisionados a seu lado, na mesma miséria, a assegurar-lhe o reinado. Que pena. Tem horas que a democracia mais parece uma implacável tirania.

De minha parte não haverá perdão. Não, não há como perdoar a maior de todas as traições. Vermelha foi a estrela que se apagou em mim, assim como vermelho é o sangue que corre em minhas veias e me veste de inconformismo. E a minha vingança será olhar dentro dos seus olhos e dizer: eu não sujei minhas mãos, eu não vendi minha alma, e por isso sobrevivo com todas as minhas partes. Morra você e seus falsos ideais.

 

::: by
meraluz at 12:58 PM

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outubro 16, 2006

Desencontro marcado 

Estava em cima da hora. Diante do espelho, ela tentava deixar sua imagem, na mais impecável desordem de detalhes. Cabelos ligeiramente desarrumados, parte do ombro desnuda, jeans no estilo "trash", com estratégicos rasgos intencionais, tal qual nos trajes de sua alma. O espelho refletia bem o seu modo assimétrico e rasgado de ser.

Enquanto se (des)arrumava com tanta riqueza de detalhes, pensava no que sentiria ao reencontrá-lo. A imaginação explorou todas as possibilidades. Tomada 1: poderiam retomar do ponto onde pararam , ignorar o intervalo dos anos, declarar amor eterno e viver juntos para toda a eternidade. Neste caso, correria o risco de ser feliz para sempre, e ser feliz para sempre era algo muito assustador. Não acreditava em felicidade eterna. Balela. Tomada 2: olharia dentro dos olhos dele, e espelhada neles estaria a certeza de que tudo passou. Nenhuma emoção, nenhuma reminiscência, nada a ver, dois estranhos perdidos no vazio de um pretérito imperfeito. Não, não suportaria tamanho esvaziamento amoroso. Seria admitir o tempo desperdiçado. Tomada 3: Ficariam ambos sem saber o que dizer, tentando uma comunicação imprecisa, através de subtextos, que poderiam ser indevidamente interpretados. Aí correria o risco de ficar tentada a novamente acreditar, com base em suposições, forçando as mensagens veladas a tomarem a forma exata de seus desejos. Outra fria! Nem pensar.

Entre o espelho e o corpo, mais tantas outras tomadas de cenas imaginárias se sucederam. A cada uma delas, sofria, angustiava-se, extasiava-se, viajava entre infernos e céus. Estava atrasada e exausta, já mesmo antes de sair. Precisava abandonar o espelho e encarar a vida. Esperara tanto por este encontro, e só agora, quando ele finalmente estava prestes a acontecer, tinha idéia do peso do tempo que se passou. Hora de agir. Pegou o telefone e ligou para o celular dele, provavelmente já à sua espera no local combinado:

- Alô, estou ligando pra dizer que não posso. Não, não posso ir. Estou exausta. Melhor não... Perdoe-me por isto e odeie-me, se for o caso. Poderia inventar mil desculpas para não te encontrar, mas a única verdade é que estou exausta. Odeie-me por isto, se quiser. E fique um meu beijo imaginário!

E era a mais pura verdade. A exploração mental de todas as possibilidades de ser levaram-na à total exaustão. Nenhuma forma de encontro poderia, naquele momento, superar as hipérboles do imaginário. Nem no bem, nem no mal.

Pôs-se a desconstruir a imagem meticulosamente produzida, peça por peça. Nua, deixou o corpo tombar sobre a cama, como houvesse matado leões na arena da existência.

 

::: by
meraluz at 01:06 PM

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