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agosto 17, 2009 12:57 PM Sobre as paixões, esse tema manjadinho...
![]() O tema é pra lá de surrado. Mas há sempre o que se falar sobre esse tóxico chamado paixão, que já rendeu e continua a render belíssimas literaturas. Logicamente, quase todos os mortais já tomaram pelo menos uma dose deste veneno ao longo da vida. E das duas uma: ou saíram arrebentados no final, ou saíram desacreditados. Não posso acreditar em sentimentos que atuam como um LSD nas veias, que cegam, que transformam o olhar para a realidade, entorpecem, que se realizam nas urgências. A paixão é bela em sua eclosão, bela como só o diabo sabe ser quando quer seduzir. E é poderosa. Desperta hormônios com violência, vontades nunca tidas, macrodesejos e prazeres descomunais. Em seu curso, porém, vai despertando paralelamente sentimentos e sensações destrutivas, ligadas à posse, à dependência, a ansiedades e inquietudes ensandecidas, a extremos condicionantes, paralisantes. E cegam, ensurdecem, emburrecem, aniquilam qualquer vestígio de lucidez. Por paixão, um ser desestruturado é capaz de matar ou morrer. Não, obrigada. Dispenso as paixões, que hoje entendo como disfunções fisiológicas que adoecem a alma (acho que Platão já afirmou algo nesse sentido). Obviamente, nenhuma juventude está livre delas. Na juventude, as paixões chegam a ser uma imposição, uma necessidade, até para que possamos reconhecê-las e adquirir imunidade aos seus estragos, mais adiante. Na maturidade, é dar a cara pra bater. O estado de paixão é a antítese do amor. Amor é outra conversa. Aí há saúde, conhecimento e solidez, esperas serenas. Há entrega e desprendimento, há confiança, comunhão e paz. É sentimento que se constrói com o tempo, que não chega de impacto, não chega vestido com os mantos purpúreos e esplendorosos da paixão. É de uma nudez discreta. O discurso do amor fala das simplicidades, não usa hipérboles. Mas fala a verdade porque fala de amor. E o que é o amor senão o encontro de duas verdades que se complementam? ::: by meraluz at agosto 17, 2009 12:57 PM agosto 15, 2009 06:07 PM Os iluminados
É fácil identificar um iluminado. São seres transparentes, diáfanos, diferenciados por uma generosidade que lhes é própria e ninguém toma. São o que são, nunca pensam o que devem ser. Tocam o coração da gente, cativam-nos sem que percebamos, e se entregam à vida como ela é e como eles são. Se têm de chorar, choram, e vão fundo em sua dor. Se têm de sorrir, sabem fazê-lo como poucos, e contagiam até o mais depressivo dos mortais. É sorriso de luz. Não há como não gostar dos iluminados. Eles trazem a vida nas mãos, nas palavras, nos movimentos, nos detalhes mais irrelevantes. Não sabem se esconder, não sabem jogar. Importam-se verdadeiramente com o outro, com seus dilemas e suas glórias. São amantes de bichos, da natureza, de romances com final feliz. São ingênuos, sensíveis, generosos. Obviamente, não são perfeitos, porque não há perfeição, em se tratando de material humano. Mas, mesmo em suas imperfeições, se esforçam por crescer e melhorar, sem vergonha de admitir fraquezas. São criaturas de sentimentos sinceros, nobres, que não conhecem a raiva, a vingança, a vilania. Podem ser confundidos com os frágeis, mas não imaginam a força que têm. Geralmente, nada acontece fácil na vida de um iluminado, sobretudo num mundo marcado pelas aparências, por modelos pré-concebidos de poderes ilusórios, que se pautam na matéria e nas estratégias de vencer a qualquer preço. Para os iluminados, o caminho que leva à felicidade costuma ser mais longo, porém é muito mais intenso. E, se por acaso, encontram a felicidade ou o amor, os encontram de verdade. Ah, como a vida seria mais benevolente se ela fosse feita apenas de iluminados! Sorte de quem tem a felicidade de conhecer um deles. _____________________ Este post foi inspirado em uma amiga que fiz recentemente. Uma feliz obra do acaso me fez conhecer essa 'iluminada' chamada Luciana - ou LuZciana. ::: by meraluz at agosto 15, 2009 06:07 PM agosto 6, 2009 09:44 PM Razão e Emoção
Razão e emoção não deveriam ser conflitantes. Uma não é melhor nem pior que a outra. São apenas diferentes. Uma revolve, outra resolve. Uma envolve, outra desenvolve. Ocorre que, na medição de forças entre esses dois parâmetros tão antagônicos, o indivíduo que os vivencia é o grande perdedor. Quando a razão briga com a emoção, ou vice-versa, surge uma espécie de paralisia, fruto de um caos entre ideias (razão) e sentimentos (emoção). E, a partir daí, uma série de outros estados indesejáveis se sucedem: medo, insegurança, anulação, desconfiança, e por aí vai. Levando-se em conta que a razão não deve adentrar o território da emoção, levanta-se a dúvida: qual seria a situação ideal então? A resposta que aparece como óbvia aos meus olhos é única: razão e emoção devem andar de mãos dadas, no mesmo nível, respeitando-se mutuamente e sabendo, cada uma, a sua hora de entrar em cena. Não podem atuar de forma concomitante, é fato. Afinal, não é da natureza do coração pulsar no cérebro, assim como não é da natureza do cérebro planejar um coração. Não se ama com a cabeça, é verdade. Mas, por outro lado, é com ela que se decide por um amor em paz ou pela autopreservação. ::: by meraluz at agosto 6, 2009 09:44 PM
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