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novembro 15, 2009 01:36 PM Tem horas que...
Tem horas que a gente tem vontade de mandar tudo à merda. Mas tudo o quê? Uma realidade, um sonho, um hábito, uma situação, uma relação, um projeto, não importa. O fato é que tem horas que a gente tem vontade de pressionar o "reset" e detonar todas as construções - reais ou imaginárias - existentes em nosso pequeno feudo. Geralmente, esses momentos ocorrem ou porque não estamos recebendo as respostas esperadas, ou porque nos sentimos diante de uma situação sem saída (no way out), ou porque há um detalhe fora do lugar, ou porque simplesmente não estamos num bom dia. Porém, nessas horas em que a gente tem vontade de mandar tudo à merda, o melhor a fazer é dar uma pausa e aguardar um pouco. Precisamos saber exatamente o que estamos mandando à merda. E, na impulsividade, no imediatismo, não é possível ter essa consciência. Pode haver erros de interpretação, oscilações de humor, visões turvas e tantos outros fatores que são amigos da confusão. Então, nesses momentos de pouca tolerância, enfiemos a insatisfação momentânea naquele lugar e aguardemos um pouco mais. Não precisamos aguardar muito. Só o tempo de recobrar a real capacidade de avaliação dos fatos. Precisamos de certezas para medidas radicais. Precisamos constatar que os erros se repetem, que o detalhe fora do lugar não vai mesmo voltar ao seu local de origem, que não houve falhas de interpretação, e que não estamos num mau momento, daqueles de extrema sensibilidade, onde tudo adquire dimensões gigantescas e ilusórias. Uma vez constatados os erros - ou as deficiências -, aí sim, podemos - e devemos - mandar tudo à merda. E sem estardalhaço, sem destemperos, sem gritos; se possível, até em silêncio, pois trata-se de uma decisão interior. Desta forma - e só desta forma -, não correremos o risco de futuros arrependimentos ou de cometer injustiças. Isso só levaria à desmoralização de nossos atos. Problemas devem ser eliminados. Mas antes é preciso saber se o problema é realmente um problema ou se é um problema ocasionalmente inventado, um problema-fantasma. ::: by meraluz at novembro 15, 2009 01:36 PM novembro 11, 2009 05:38 PM Apagão - ou como enxergar melhor na escuridão
E de repente tudo se apagou. Primeiro o susto, depois a indignação de ser obrigada a parar. Seguiu-se uma certa aflição. E, vendo que nada poderia fazer para que as engrenagens do século XXI voltassem a funcionar desesperadamente, resolvi experimentar a pureza do ar e do som. Pasmei ao perceber que, na escuridão, conseguia me enxergar melhor. Abri as janelas. Por sorte, soprava uma brisa salvadora pós-chuva, que me livraria do intenso calor. Já não havia desconforto. E relaxei, como nunca o fizera antes. Dispensei as velas. Uau! O caos urbano parado por quase 3 horas! Quanta paz, quanto silêncio! Troquei segredos com as nuvens, com a noite, com o cosmo. Todas as máquinas desligadas, todos os circuitos anulados. Era a vida em sua verdade, a natureza por si, sem nenhuma parafernália a acelerá-la. Pensei em como devia ser mais vida a vida de antigamente, sem TV, sem computadores, sem celulares. Familiares e amigos deviam se reunir mais, conversar mais, contemplar mais... Devia-se ouvir melhor os ruídos do vento, da chuva, da própria alma; sentir melhor a força dos céus, das árvores, das estrelas. Nenhuma pressa, nenhuma neura, nenhum artifício. Apenas a música aparecia como vítima nesse episódio de falta de energia - mas havia ainda alguma carga nas baterias do MP3 player ou rádio. Sim, ainda havia a música, além da ária magnífica na voz da natureza... Com este pensamento e uma sensação de paz, dormi convencida de que a civilização, embora inevitável, é um grande erro. Eu não sei quem foi que apagou as luzes das cidades. Pode ter sido um boicote, um colapso da infraestrutura mal cuidada, um mero acidente. Apressaram-se em colocar a culpa na meteorologia, o que eu duvido muito. Mas danem-se os culpados. Eles nem imaginam o bem que me fizeram. Consegui acender minhas luzes no apagão. ::: by meraluz at novembro 11, 2009 05:38 PM
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