novembro 26, 2009

Amigos, eternos amores

amores de amigos

Não conseguiria me imaginar sem meus amigos. Não, não falo de amigos de circunstâncias, conveniência ou de personagens sociais. Falo dos laços fraternos que escolhemos em vida, para além da genética. Se algum dia não me restar mais qualquer motivo para ser feliz, ainda assim eu serei feliz por saber que os tenho. E sei que os tenho para sempre. Sim, para sempre, porque amizade verdadeira não fenece, não morre, não sucumbe.

E as nossas histórias se misturam e se respeitam. E o nosso cotidiano se faz trocar. E sabemos que estamos lado a lado, sem cobranças, sem a preocupação da perda, nas alegrias e nas tristezas. E assim vamos juntos atravessando o tempo, que muda nossas formas mas não muda nosso afeto.

Assim como eu, eles não são perfeitos. Se fossem perfeitos não seriam amigos. Tampouco nos agradam o tempo todo. Mas são parte de nós. Tenho orgulho da minha 'tribo'. Há os que me irritam com as campanhas antitabagistas, outros que me xingam porque furei compromissos, os que torcem o nariz porque falo o que não querem ouvir, em nome da sinceridade, e por aí vai. Mas assim é a vida, feita de diferenças, atrasos e desencontros. Entre uma declaração de afeto aqui e uma discussão ali, sabemos que representamos um bem precioso na vida de cada um. Sabemos que eles nos querem felizes, assim como torcemos por eles com toda a nossa força.

Como dizia Quintana, a amizade é um amor que nunca morre. E eu amo cada um desses personagens do meu afeto. Nunca poderia agradecer o que já fizeram por mim. E alguns nem sabem o tanto que já fizeram.

Meus amigos, meus eternos amores, obrigada por existirem!

Posted by meraluz at 05:30 PM

novembro 15, 2009

Tem horas que...

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Tem horas que a gente tem vontade de mandar tudo à merda. Mas tudo o quê? Uma realidade, um sonho, um hábito, uma situação, uma relação, um projeto, não importa. O fato é que tem horas que a gente tem vontade de pressionar o "reset" e detonar todas as construções - reais ou imaginárias - existentes em nosso pequeno feudo. Geralmente, esses momentos ocorrem ou porque não estamos recebendo as respostas esperadas, ou porque nos sentimos diante de uma situação sem saída (no way out), ou porque há um detalhe fora do lugar, ou porque simplesmente não estamos num bom dia.

Porém, nessas horas em que a gente tem vontade de mandar tudo à merda, o melhor a fazer é dar uma pausa e aguardar um pouco. Precisamos saber exatamente o que estamos mandando à merda. E, na impulsividade, no imediatismo, não é possível ter essa consciência. Pode haver erros de interpretação, oscilações de humor, visões turvas e tantos outros fatores que são amigos da confusão. Então, nesses momentos de pouca tolerância, enfiemos a insatisfação momentânea naquele lugar e aguardemos um pouco mais. Não precisamos aguardar muito. Só o tempo de recobrar a real capacidade de avaliação dos fatos. Precisamos de certezas para medidas radicais. Precisamos constatar que os erros se repetem, que o detalhe fora do lugar não vai mesmo voltar ao seu local de origem, que não houve falhas de interpretação, e que não estamos num mau momento, daqueles de extrema sensibilidade, onde tudo adquire dimensões gigantescas e ilusórias.

Uma vez constatados os erros - ou as deficiências -, aí sim, podemos - e devemos - mandar tudo à merda. E sem estardalhaço, sem destemperos, sem gritos; se possível, até em silêncio, pois trata-se de uma decisão interior. Desta forma - e só desta forma -, não correremos o risco de futuros arrependimentos ou de cometer injustiças. Isso só levaria à desmoralização de nossos atos. Problemas devem ser eliminados. Mas antes é preciso saber se o problema é realmente um problema ou se é um problema ocasionalmente inventado, um problema-fantasma.

Posted by meraluz at 02:14 PM

novembro 07, 2009

Você em palavras

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Arrisco-me a desenhar você em palavras porque qualquer tentativa de significação sempre exorta e depura um pouco da confusa abstração de certas ideias, sensações ou sentimentos. O olhar para fora em contraposição ao olhar de dentro desmitifica e clareia. Como é possível que faça parte de mim, sem fazer parte da minha vida? Como é possível que desperte em mim a própria vida, se nossas vidas não se encontram?

Você é como aquela canção antiga que vou ouvir sempre e sempre, e, a cada vez que ouvi-la, uma nota antes despercebida se apresentará. Você é como uma velha cabana onde tenho a impressão de já ter morado, com os móveis fora do lugar, a roupa estendida no varal, o chiar de uma chaleira sobre o fogo anunciando que a água ferveu. Vestígios de pés descalços pelo chão, lençóis desarrumados, horta no quintal, livro largado no sofá, marcado no capítulo interrompido por algum desejo mais importante que o desejo de leitura... Quem sabe já nos tenhamos encontrado antes, há séculos, milênios, em alguma longínqua estrela, sei lá...?

Uma vez rabisquei em algum lugar: "Se não te posso ter, contenta-me a fugaz ideia de te ter". E isso já é tanto... Querer você, reconhecer você, como se tivesse encontrado a password que dá acesso a um núcleo secreto do meu próprio sistema... Isso é tanto... Tanto e tão pouco. Tão simples e tão complexo. Tão delicado e tão denso. Tão software e tão hardware.

Onde essa estrada vai dar? Quem há de saber? Na verdade, o destino pouco importa. O mais provável é que não dê em lugar algum, à exceção das instâncias imaginárias. Mas pra que precisamos chegar a algum lugar, se às vezes parece que o nosso lugar é dentro um do outro, na forma que nos é possível?

O tempo passa e heroicamente continuamos a driblá-lo, entre palavras, músicas, imagens, ícones inventados, até onde der. Mas, se por acaso esse tempo - que faz e desfaz - triunfar e exterminar nossa "sweet connection", ao menos poderemos, com nossas memórias, desta ou de outras vidas, dizer: "Valeu! Conseguimos extrair o 'macro' do 'micro'. Conseguimos deixar por aí um rastro estelar, que certamente terá se estendido ao cosmo, na expectativa de, ao seu modo, se fazer eterno."

Posted by meraluz at 11:00 AM