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fevereiro 17, 2010 10:32 AM Desperdício
Por que levamos anos para conhecer uma pessoa e, quando achamos que finalmente já a conhecemos, chega um vento, um fato, um dado novo, e nos mostra que o que conhecemos não passou de uma farsa mal-acabada? Isso,sim, é o que eu chamo de desperdício de tempo e de boas intenções... ::: by meraluz at fevereiro 17, 2010 10:32 AM fevereiro 10, 2010 01:05 AM 'Lixeiratura'
::: by meraluz at fevereiro 10, 2010 01:05 AM fevereiro 7, 2010 12:00 AM A dor de não despencar
E então, quando menos se espera, a gente leva um golpe. Até aí nada de inusitado. Golpes acontecem a todo instante, a diferença está em como cada um lida com eles. Então eu pergunto: de quem é a dor maior? De quem se descabela, se desorienta, se fragiliza, veste o papel de vítima, inspira culpa, cuidados e piedade? Ou de quem segura a onda; daquele que, como uma árvore, morre de pé, que reza sua dor em silêncio, que briga com todas as tensões e encara o rosto feio das mágoas para, num esforço sobre-humano, tentar seguir em frente sem fazer alardes, sem insistências vãs, sem se tornar um peso pra quem quer que seja? Fica no ar a questão. O sibilante choro dos 'ingênuos' ou a discreta contenção dos 'fortes'? Seria o frágil tão frágil e o forte tão forte? Muitas vezes, é justamente o inverso, e é preciso relativizar. Já estive nos dois lados. No começo dessa longa estrada, fiz barulho, gritei, chorei e apelei, inconformada. E, enquanto duelava comigo e com o mundo, achando que não suportaria golpes e perdas, a dor ia se dissipando, sem que eu percebesse, até sumir por completo. Passado algum tempo, já nem me lembraria mais das tão dramáticas contusões. Era muito fácil passar para uma próxima etapa, até por causa das hemorragias. Ainda havia uma sucessão de golpes pela frente. Mas, ao longo dessa corrente de desassossegos, passei a achar feio as reações intempestivas, primárias e estridentes. Ainda que eu conseguisse lucrar algo com elas, nada acontecia pelo que eu era, pelo fluxo natural da vida, mas pela pressão, pelo pieguismo, pelo cansaço, e muitas vezes pelo desconforto que eu, intencionalmente, causava no outro. Então passei para o outro lado, 'precisei ser forte'. Não desmontar, não despencar, não desarrumar os cabelos, não borrar a maquiagem, não me esquecer das outras peças da engrenagem, por mais lacerante que fosse uma situação. Não que os 'fracos' confessos sejam seres desprezíveis, mas é que a vida não os perdoa, e, no fundo, nem eles mesmos. Fraquezas todos temos, ou não seríamos humanos. Mas a vida não gosta da sua cara (da fraqueza), tampouco a respeita. E aos que não querem pagar o preço de expor suas fraquezas não resta outra escolha senão se armar de uma pseudofortaleza. E aí, além de sofrerem as dores lancinantes de golpes, perdas ou danos, ainda carregarão o peso dessa consciência. E como dói não poder despencar! Como dói ter de prosseguir nas frias trilhas dessa relativa e aparente lucidez. Como dói não berrar a nossa dor, neutralizar nossos espasmos, sofrer para dentro. As pessoas olharão para esses 'frágeis às avessas' e dirão: "Eles sabem se virar, são bem resolvidos!". E muito pouco lhes darão, por acharem que não é necessário. Mais ocupadas com os carentes de plantão que as sugam, são incapazes de imaginar como é pungente, naqueles que 'sabem se virar', a dor de não despencar. Estão longe de perceber que, para que isso acontecesse, foi preciso que esses patéticos 'equilibristas', que trazem na alma um quê quase chapliniano, fizessem morrer dentro deles um pedaço da própria vida. Um pedaço que morreu de pé, sem despencar. ::: by meraluz at fevereiro 7, 2010 12:00 AM fevereiro 3, 2010 02:08 AM A história de Maria Vitória
Agora que passara dos 30, Maria Vitória cismou de querer casar. Queria ter filhos, constituir família, de preferência com um parceiro que fosse homem de bem e lhe pudesse oferecer padrão de vida estável. Queria se casar. Já estava cansada de aventuras, de amores efêmeros, de viver o imprevisível. Com o tempo, sua meta transformou-se em obsessão. Procurava marido em qualquer canto; nas ruas, nas festas, em velórios e casórios. Nas noitadas não, porque homens disponíveis em casas noturnas eram... noturnos. Ou seja, não passavam mesmo de uma noite; uma noite lasciva - regada a champagne ou cerveja, dependendo do nível. Voltou-se ela, portanto, para este fim: casar e levar uma vida certinha. Frequentava cursos e inventava atividades em cujo ambiente pudesse estar aquele que viria a realizar o seu sonho maior. Queria tudo nos moldes tradicionais: casar na igreja, vestida de branco, jogar o buquê, posar para fotos cruzando tacinhas de cristal... Enfim, tudo a que tinha direito. Porém, apesar de envidar todos os seus esforços nessa busca alucinada, o noivo nunca aparecia. O tempo passava e o máximo que conseguia era uma série de promessas baratas, com posterior saída à francesa. Quando o sujeito desconfiava da real intenção de Maria Vitória, dava logo um jeito de inventar viagens, problemas, doenças ou qualquer outro tipo de pretexto para pular fora do barco que o levaria à 'forca'. Mas Maria Vitória não desistia, queria porque queria casar. Àquela altura já era uma questão de honra. Não iria morrer solteirona. Começou a ficar deprimida, recolhida. Esquivou-se dos amigos, deixou de lado tudo o que a fazia sorrir ou deleitar-se, de alguma forma. Desorientada, entrou para a Igreja Universal do Reino de Deus. Lá certamente haveria de encontrar um marido. E finalmente, em nome de Jesus, encontrou. Aleluia, irmãos! Ezequiel era seu nome, um pequeno comerciante, de pouca cultura, mas trabalhador, honesto e... fanático. (clique aqui para continuar a história de Maria Vitória) ::: by meraluz at fevereiro 3, 2010 02:08 AM
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